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4. SOLANGE FARKAS E O MAM-BA NA CONTEMPORANEIDADE (2007 A

4.3. Programas e ações

4.3.3. Programa de Arte e Educação

Em sua entrevista, Farkas denomina o programa educativo como “programa público”, tendo em vista que reúne todas as atividades que dialogavam diretamente com as pessoas que visitavam o museu. Logo quando assumiu a direção do MAM-BA, entendeu que era necessário mudar a relação da instituição com a sociedade, pois percebeu um distanciamento entre o seu conteúdo e o público em geral:

Eu me lembro claramente que quando cheguei ali, entendi o esvaziamento do museu na sua relação com a cidade e com a sociedade local, não apenas com os artistas, mas com a cidade, com o público em geral. A relação das pessoas que frequentavam o museu era para visitar o pôr-do-sol deslumbrante, às vezes olhar o casarão dos turistas, e os turistas eram levados ali, eram o público principal, como um programa turístico da cidade programado pelo governo. (FARKAS, 2018)

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Nessa perspectiva, de aproximar o público do museu, em 2007, com a reformulação da estrutura organizacional do MAM-BA, as atividades educativas foram concentradas no Núcleo de Arte e Educação, que passou a desempenhar a função de projetar e colocar em prática uma intensa programação de atividades sócio-educativas, com vistas à ampliação da relação do museu com a sociedade. Desta forma, foi instituído um programa com atividades de caráter fixo ou temporário, interligadas ou paralelas às exposições em cartaz. Sobre a atuação do NAE, Heráclito (2018) exprime sua opinião:

O educativo do museu era fantástico. Inicialmente Danillo Barata esteve a frente da implantação do Mídia Lab (laboratório de produção artístico digital), depois os artistas e professores Tonico Portela e Roseli Amado criaram um sofisticado programa de mediação e formação através de programas públicos e oficinas. Tal programa acompanhava todo o calendário de eventos, promovendo encontros e cursos abertos para a população.

O programa educativo, ou programa público, contribuiu para a configuração do museu como um local de trocas, de convívio e de constante aprendizado (BRITTO, 2017). Suas ações buscavam trabalhar com diferentes públicos, difundindo não só a arte contemporânea, mas também a história do museu e do seu sítio arquitetônico. Para tanto, foram traçadas as seguintes linhas de atuação: cursos livres, mediação cultural e ações sociais.

Figura 20 – Visita guiada - atividade de mediação cultural (2008) Fonte: arquivo MAM-BA

130 Figura 21 – Curso Livre - Atividade de formação continuada (2008)

Fonte: arquivo MAM-BA

As Oficinas do MAM-BA foram mantidas em seu espaço original, com uma programação paralela às exposições, ofertando cursos de teorias da arte, gravura, cerâmica, escultura, técnicas artísticas de desenho, fotografia e pintura. Daniel Rangel (2018) recorda que “as oficinas eram uma coisa que funcionava lá à parte, independe da programação do museu”. Suas atividades eram gratuitas e tinham duração de seis meses, atendendo a um público de aproximadamente 500 pessoas por ano99.

Segundo Ayrson Heráclito (2018), nesse período tentou-se implantar um laboratório de produção artística digital (Mídia Lab), sob a coordenação do pesquisador e artista Danillo Barata. Como o projeto do laboratório envolvia um elevado custo para aquisição de equipamentos e manutenção, sua implementação só ocorreu na gestão seguinte, quando houve captação de recursos com a iniciativa privada, suficiente para adquirir a tecnologia necessária.

Outra atividade que merece destaque foi a de mediação cultural, que ultrapassou a fronteira das visitas guiadas e passou a compreender atividades de palestras, bate- papos, workshops e seminários, com a participação de curadores, acadêmicos e dos próprios artistas, cujas obras estavam sendo expostas (FARKAS, 2018; RANGEL,

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2018). O NAE também atuou num trabalho mais direcionado às escolas públicas e privadas de Salvador, realizando agendamento de visitas, além de atividades nas próprias instituições de ensino, voltadas para a capacitação de professores para a mediação cultural.

A seguir, apresentamos um quadro demonstrativo com as principais ações permanentes do programa público daquele período:

Projeto Descrição Público

Oficinas do MAM Cursos livres de técnicas artísticas Jovem e adulto. Pinte no MAM Pintura livre, na área externa do museu. Crianças, a partir de 3

anos de idade Zoom In Zoom Out Preparação de professores de escolas

públicas e privadas para visitação às exposições e educação patrimonial

Professores das redes de ensino pública e privada

Linha do Abraço Educação patrimonial e estética para moradores da comunidade do entorno do Solar do Unhão

Crianças, a partir de 5 anos

Inter.Mediações Palestras, oficinas, workshops,

apresentação de portfólio, seminários e visitas mediadas por profissionais com abordagem em educação patrimonial e estética e estímulo ao pensamento crítico, a partir das exposições em cartaz e da própria história do museu e de seu patrimônio edificado

Público diverso: artistas, estudantes universitários, visitantes espontâneos, acadêmicos, etc.

Quadro 2 – Projetos desenvolvidos pelo NAE entre os anos de 2007 a 2010 Fonte: arquivo MAM-Ba

Daniel Rangel lembra que algumas das atividades oferecidas pela programação educativa buscava articular e agregar atividades que já eram realizadas por agentes culturais locais. Como exemplo, destaca a parceria para implementação do projeto Pinte no MAM:

Maninho que faz o Pinte no MAM, que começou nessa época aos domingos. Ele conhecia esse trabalho, tinha feito aqui em São Paulo o chamado Pinte no Parque, nos anos 1980. E eu conhecia esse trabalho dele. Ele morava na Bahia há vários anos. Aí eu falei para ele: “Maninho, você não quer colocar lá?”. Sabia que ele era um artista

132 alternativo desses do Porto da Barra, mas que tinha esse trabalho com crianças.

A consolidação do calendário de atividades educativas promoveu um aumento progressivo de público, alcançando, em 2010, o número de 261.083 visitantes, de acordo com os dados obtidos no relatório de gestão do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC, 2010). Ou seja, um público três vezes maior que no ano de 2007.

Gráfico 2 – Público anual do MAM-BA Fonte: Relatório de Atividades do IPAC – 2007 a 2013