2.5 Legislação do Ministério do Trabalho
2.5.2 Programa de controle da poluição sonora veicular no Brasil
Diante dos problemas ambientais causados pela circulação de veículos, no ano de 1986, foi criado o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores - PROCONVE, instituído pelo CONAMA, cujo foco principal foi estabelecer legislação
Fonte de Ruído Mitigação de Ruído Custos & Benefícios Transmissão Intraestrutura & Mudança de Comportamento Estratégia de Gestão de Ruído Exposição ao Ruído Efeitos na Saúde Custos
específica às montadoras, na segurança dos veículos, no sentido de determinar medidas que pudessem efetivar a redução dos índices de poluição do ar, referentes à emissão de gases e de ruídos.
Segundo informações da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo – CETESB (2006) foram adaptadas metodologias internacionais às necessidades brasileiras e foram desenvolvidos fundamentos técnicos para combater a poluição gerada pelos veículos automotores. Também cita que, desde a data em que foi implantado o PROCONVE, houve redução na emissão de poluentes de veículos novos cerca de 97% através da introdução de tecnologias como catalisador, injeção eletrônica de combustível e melhorias nos combustíveis automotivos (COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL, 2006, apud PINTO, 2006).
Outra legislação que especifica itens de ação indesejável, referente à emissão de ruído e poluentes atmosféricos, é a Resolução do CONAMA nº. 20/96 que atribui competências legais diferentes para segurança e para emissão de gases e ruídos. Através do Código de Trânsito Brasileiro – CTB, artigo nº.104, fica determinado que os veículos em circulação terão suas condições de segurança e de controle de emissão de gases poluentes e de ruídos, avaliados mediante inspeção obrigatória, na forma de periodicidade estabelecida pelo CONTRAN, para os itens de segurança e pelo CONAMA, para emissão de gases poluentes e ruídos (CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE, 1996).
Para fabricação de veículos novos, o controle é realizado a partir da análise dos relatórios dos testes de ruído executados conforme a NBR ISO 362 – Acústica – Medição de
Ruído Emitido por Veículos Rodoviários Automotores em Aceleração – Método de Engenharia e a Resolução nº. 272 do CONAMA, de 29 de novembro de 2000, que estabelece
limites máximos de emissão de ruídos para veículos automotores na condição de aceleração, preconizando a utilização da NBR 8433, de 1995 que foi atualizada e substituída pela NBR 15.145, de novembro de 2004 - Medições do Ruído por Veículos Rodoviários Automotores em
Aceleração – Método de Engenharia, que estabelece ações específicas para fins de avaliação
de níveis de ruído emitido por veículos em aceleração (INTERNATION ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION, 1998; CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE, 2001).
Os resultados das avaliações são analisados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA - Agência Ambiental do Governo Brasileiro, que é responsável pelo licenciamento de veículos.
Tanto o CONAMA, como a ABNT e outros órgãos nacionais têm, ao longo do tempo, estabelecido limites máximos de exposição de ruído, na busca de alternativas para a solução de problemas relacionados às questões urbanas de tráfego que se manifestam de maneira preocupante em função de fluxo viário crescente nas grandes cidades e rodovias.
Para a emissão de ruído por automóveis, motocicletas, caminhões e ônibus, foram estabelecidos limites máximos de ruído para veículos novos comercializados no Brasil, a partir de Resoluções que, após sucessivas atualizações, chegaram até a CONAMA nº. 272 de 2001, atualmente em vigor.
O PROCONVE também prevê critérios para serem utilizados em programas de inspeção e fiscalização de veículos em circulação, desde a Resolução CONAMA 07 de 1993 até a nº .256 de 1999.
Para veículos na condição de parado, a Resolução do CONAMA nº. 252, que define limites máximos de ruídos nas proximidades de escapamento, para fins de inspeção obrigatória e fiscalização do Programa de Inspeção e Manutenção dos Veículos em Uso (I/M), é responsável pela inspeção periódica de poluentes atmosféricos e ruído. Trata-se de um procedimento que requer uso de equipamento especial, normalmente, usado por Departamentos de Trânsito Estaduais (CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE, 1999).
Outra importante legislação específica para determinação de níveis de ruído produzidos na fabricação de veículos é a Resolução n° 035, de 21 de maio de 1998, que estabelece método de ensaio para medição de pressão sonora de ruído produzido por buzinas ou equipamento similar, referente aos artigos nº.s 103 e 227 (inciso V), do Código de Trânsito Brasileiro – CTB, instituído pela Lei Federal nº. 9.503, de 23 de setembro de 1997 e pela Resolução nº. 014/1998 do CONTRAN (CONSELHO NACIONAL DE TRÂNSITO, 1998; BRASIL, 1997).
De acordo com a Norma Internacional ISO 362/1998 - Acoustics – Measurement of
Noise Emitted Accelerating Road Vehicles – Engineering Method, nos veículos fabricados
atualmente, obtém-se o nível limite de 74 dB (A) que, em média, corresponde ao nível máximo de ruído estabelecido para automóveis, de acordo com a Resolução nº. 272 / 2000, do CONAMA (INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION, 1998; CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE, 2001).
A primeira legislação existente no estabelecimento de valores máximos, para cada tipo de veículo, em aceleração, foi feita através de convênio entre a CETESB e o IBAMA, que se baseou na experiência internacional de controle dos níveis de ruído dos veículos, juntamente
com as montadoras através da Resolução nº. 08, (Artigo nº. 20) do CONAMA, datada em 31 de agosto de 1993. Seus valores foram substituídos na Resolução nº.272 de 14 de setembro de 2000 e publicado no Diário Oficial da União – DOU, em 10 de janeiro de 2001, com o intuito de estabelecer padrões mais restritivos para a fabricação de veículos, a partir de 01 de janeiro de 2006 (CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE, 2001).
Os limites de níveis de ruído, na condição de aceleração, ficaram estabelecidos, conforme dados especificados na Figura 04.
CATEGORIA NÍVEL DE RUÍDO - dB(A)
DESCRIÇÃO OTTO
DIESEL Injeção Direta Indireta a Veículo de passageiros até
nove lugares 74 75 74
b
Veículo de passageiros com
mais de nove lugares PBT até 2.000kg 76 77 76
Veículo de carga ou de tração e veículo de uso misto
PBT entre 2.000 Kg e
3.500 kg 77 78 77
c
Veículo de passageiro ou de uso misto com PBT maior que 3.500 Kg
Potência máxima menor
que 150 kw (204 cv) 78 78 78
Potência máxima igual ou
superior a 150 kw (204 cv) 80 80 80
d
Veículo de carga ou de tração com PBT maior que 3.500 Kg.
Potência máxima menor
que 75 kw (102 cv) 77 77 77
Potência máxima entre 75 kw (102) e 150 kW (204 cv)
78 78 78
Potência máxima igual ou
superior a 150 kw (204 cv) 80 80 80
Figura 04 – Quadro dos limites máximos de emissão de ruído para veículos automotores
Designação do veículo conforme NBR 6067 PBT: Peso Bruto Total
Potência: Potência efetiva líquida máxima (NBR/ISO 1585)
Fonte: Resolução CONAMA nº 272/2000 (CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE, 2001).