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O PROGRAMA DE DST/AIDS NO ESTADO E NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO

CAPÍTULO II – AS RESPOSTAS BRASILEIRAS NO ENFRENTAMENTO AO HIV/AIDS

2.3. O PROGRAMA DE DST/AIDS NO ESTADO E NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO

No Estado do Rio de Janeiro, as ações de controle e prevenção das DST/AIDS passaram a ser desenvolvidas em 1985 pela Divisão de Dermatologia Sanitária da SES-RJ, seguindo os moldes do programa estadual paulista. A partir de 1986, estas ações foram empreendidas pela então criada Divisão de DST/AIDS. Do ponto de vista organizacional, no Relatório da SES consta mudança a partir de 2003, quando o Programa de DST/AIDS do Estado do Rio de Janeiro, passou a ser administrado pela Assessoria Estadual de DST/AIDS, subordinada à Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) 22 (SECRETARIA DE ESTADO DE SAUDE, 2001).

De acordo com o Relatório de Planejamento Estratégico da SES-RJ, até 2001, a Assessoria contava com sete áreas ou departamentos específicos, a saber: coordenação, planejamento e avaliação, prevenção, DST, logística de medicamentos e preservativos, vigilância epidemiológica, assistência e o setor administrativo.

A Assessoria de DST/AIDS da SES-RJ é responsável pelo gerenciamento, coordenação e monitoramento das ações preventivas e assistenciais em DST/AIDS, tanto no nível estadual quanto municipal. Dos 92 municípios do estado, até 2001, 42 possuem programas implantados de DST/AIDS. Destes, 12 (além da própria Assessoria Estadual de DST/AIDS) celebram convênios com o Ministério da Saúde para o recebimento dos recursos destinados aos componentes, prevenção, assistência e fortalecimento institucional do Projeto AIDS II. São eles: Angra dos Reis, Belford Roxo, Campos Goytacazes, Duque de Caxias, Macaé, Niterói, Nova Iguaçu, Petrópolis, Rio de Janeiro, São Gonçalo, São João do Meriti e Volta Redonda. Segundo a Assessoria de DST/AIDS, os programas do Rio de Janeiro, Niterói, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Petrópolis, Macaé e Campos são os que dispõem da melhor estrutura institucional e capacidade instalada para prestar serviços de alta

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A Assessoria de DST/AIDS da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) está subordinada a Coordenação de Epidemiologia da Superintendência de Saúde Coletiva e a Superintendência de Serviços de Saúde que, por sua vez, estão subordinadas a Subsecretaria de Estado de Saúde, que responde diretamente a SES.

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complexidade em HIV/AIDS e promover sua prevenção (SECRETARIA DE ESTADO DE SAUDE, 2001).

Ainda segundo o Relatório de Planejamento Estratégico da Assessoria Estadual de DST/AIDS, as propostas de ações preventivas vêm sendo construídas de forma intersetorial, como resultado de parcerias entre os setores da Secretaria Estadual de Saúde (SES), outros órgãos governamentais e setores da sociedade civil, tais como as ONGs. Desde sua implantação, o Programa Estadual de DST/AIDS buscou articulações com: órgãos públicos do executivo estadual e municipal; instituições de ensino e pesquisa, como Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e Universidade do Grande Rio; com o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CRM-RJ) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); e, ainda com organizações não-governamentais (ONGs) (SECRETARIA DE ESTADO DE SAUDE, 2001).

No início da epidemia, as instâncias governamentais reconheceram que as ONG´s eram referência para os trabalhos de prevenção no Brasil. Desde 1993, as instâncias locais – tanto ONG´s, quanto setores governamentais – têm sido receptivos aos recursos provenientes do primeiro e segundo acordo de empréstimo entre o Governo Federal e o Banco Mundial, aceitando também, propostas de atuação apresentadas pela Coordenação Nacional de DST/AIDS.

No Estado do Rio de Janeiro, a área de prevenção tem como objetivo principal a redução da incidência das DST/AIDS, principalmente entre os subgrupos populacionais mais vulneráveis - tais como, homens que fazem sexo com homens (HSH), usuários de drogas injetáveis (UDI), populações de baixa renda, indigentes, trabalhadores do sexo, mulheres, crianças, adolescentes e as populações indígenas. Segundo o Relatório de Planejamento Estratégico de 2001, essa área deve seguir as seguintes estratégias de intervenção: i) treinamento em prevenção e aconselhamento às DST/HIV/AIDS para profissionais de saúde; ii) treinamento em prevenção e aconselhamento às DST/HIV/AIDS para profissionais da rede pública de ensino; iii) expansão da implantação de Centros de Testagem e Aconselhamento; iv) distribuição para os municípios de preservativos masculinos; programação e distribuição de preservativos femininos; v) produção e distribuição de materiais educativos; vi) construção de projetos direcionados a populações específicas: - projeto de prevenção às DST/HIV/AIDS direcionados aos índios Guarani do Estado do RJ; - projeto direcionado às comunidades

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empobrecidas; - política de controle e prevenção das DST/HIV/AIDS direcionado ao local de trabalho; vii) ações de prevenção nos municípios do Estado do Rio de Janeiro.

Para além desses esforços, consta na Agenda Estadual de Saúde da SES-RJ que a Assessoria de DST/AIDS deve ainda:

Ø Ampliar a capacidade instalada da rede pública de saúde no que diz respeito à assistência ambulatorial e hospitalar;

Ø Analisar o perfil epidemiológico das DST;

Ø Implementar serviços de atendimento de DST através da abordagem sindrômica; Ø Realizar oficinas para a prevenção de DST;

Ø Realizar a vigilância epidemiológica das DST/AIDS através do registro, processamento, controle de qualidade e análise de dados do SINAN-AIDS.

A operacionalização e a condução do Programa de DST/AIDS no âmbito municipal iniciaram-se em 1992, a partir da criação da Gerência de DST e AIDS na Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Sua consolidação ocorreu com o Decreto nº. 9.313 de 13 de novembro de 1996, que garantiu a todos os pacientes infectados pelo HIV, o acesso gratuito a medicação necessária ao seu tratamento e com o início da distribuição dos medicamentos para terapia tripla, em dezembro/96 (TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO, 2004).

As ações deste Programa obedecem ao plano de aplicação de recursos estabelecido no programa de trabalho do Convênio 930 /2000, celebrado entre o Ministério da Saúde e a Prefeitura do Município do Rio de Janeiro, em 24 de Agosto de 2000.

De acordo com o Relatório de Auditoria de Desempenho do Programa (2004), o Programa Municipal de DST/AIDS tem como Objetivos:

Ø Reduzir a transmissão do vírus HIV e de outras doenças sexualmente transmissíveis (DST);

Ø Proporcionar uma melhor qualidade de vida aos pacientes de AIDS; Ø Reduzir o índice de mortalidade;

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Para atingir estes objetivos, a Gerência de DST/ AIDS divide suas ações em quatro áreas: i) vigilância epidemiológica; ii) prevenção; iii) assistência e tratamento e iv) monitoramento e avaliação.

Por ações de vigilância epidemiológica entendem-se aquelas referentes ao estabelecimento de registros, qualitativos e quantitativos, acerca da evolução do vírus HIV. A formatação dos registros fornecidos pela Vigilância Epidemiológica permite à Gerência de DST/AIDS, realizar o planejamento, a gestão e a avaliação das ações realizadas, adequando as mesmas à dinâmica da infecção ao longo do tempo.

Esta área de atuação tem como objetivo principal a redução da taxa de transmissão do vírus da AIDS e outras DST, através de ações direcionadas para a promoção de comportamentos de prevenção em grupos de risco e vulneráveis. O papel do Município na

área de prevenção se dá na distribuição de preservativos (masculinos e femininos), material

educativo, material institucional e a capacitação de profissionais, lideranças e voluntários ligados ao processo. Neste segmento a SMS estabelece parcerias com ONGs e associações comunitárias de forma a expandir sua área de atuação.

Em relação à assistência e tratamento, no município do Rio de Janeiro existem 43 unidades de saúde, que realizam atendimentos às pessoas com HIV/AIDS. Essas unidades de saúde são distribuídas em cinco Áreas Programáticas (AP23), conforme pode ser visto na tabela abaixo:

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Os serviços de saúde do município do Rio de Janeiro são distribuídos por áreas programáticas (AP), que são divididos por bairros.

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Tabela 3:Distribuição das Unidades por Área Programática Municipal

AP1 AP2 AP3 AP4 AP5

CMS Ernani Agrícola Nº de usuários cadastrados: 54 CMS Heitor Beltrão Nº de usuários cadastrados: 724 CMS Américo Veloso Nº de usuários cadastrados: 182 CMS Jorge Saldanha Bandeira Mello Nº de usuários cadastrados: 324 CMS Belizário Penna Nº de usuários cadastrados: 421 CMS Ernesto Zeferino Tibau Júnior Nº de usuários cadastrados: 268 CMS João Barros Barreto Nº de usuários cadastrados: 1509 CMS Ariadne Lopes de Menezes Nº de usuários cadastrados: 150

Hospital Cardoso Fontes Nº de usuários cadastrados: 367 CMS Lincoln de Freitas Filho Nº de usuários cadastrados: 753 CMS José Messias do Carmo Nº de usuários cadastrados: 47 CMS Manoel José Ferreira Nº de usuários cadastrados: 830 CMS Clementino Fraga Nº de usuários cadastrados: 315 Hospital Raphael de Paula Souza Nº de usuários cadastrados: 854 CMS Waldir Franco Nº de usuários cadastrados: 421 CMS Marcolino Candau Nº de usuários cadastrados: 198 CMS Maria Augusta Estrella Nº de usuários cadastrados: 229 CMS Milton Fontes Magarão Nº de usuários cadastrados: 508 Hospital da Aeronáutica Campo dos Afonsos Nº de usuários cadastrados: 75 PAM Antônio Ribeiro

Netto Nº de usuários cadastrados: 1013 CMS Píndaro Carvalho Rodrigues Nº de usuários cadastrados: 517 CMS Necker Pinto Nº de usuários cadastrados: 190 Ambulatório da Providência Nº de usuários cadastrados: 71 Hospital da Lagoa Nº de usuários cadastrados: 82 Hospital Municipal Carmela Dutra Nº de usuários cadastrados: 133 Hospital Central da Polícia Militar Nº de usuários cadastrados: 139 Hospital de Ipanema Nº de usuários cadastrados: 45 Hospital Municipal Piedade Nº de usuários cadastrados: 210 Hospital Central do Exército Nº de usuários cadastrados: 117 Hospital Municipal Jesus Nº de usuários cadastrados: 107

PAM Alberto Borgueth Nº de usuários cadastrados: 660 Hospital Central do IASERJ Nº de usuários cadastrados: 23

PAM Hélio Peregrino Nº de usuários cadastrados: 229

CSE Germano Sinval Faria Nº de usuários cadastrados: 121 Projeto Praça XI Nº de usuários cadastrados: 136

Hospital Naval Marcílio Dias

Nº de usuários cadastrados: 333 Hospital da Santa Casa

de Misericórdia Nº de usuários cadastrados: 105 Policlínica Piquet Carneiro Nº de usuários cadastrados: 212 Total de usuários cadastrados por área: 2.534

Total de usuários cadastrados por área: 4.272

Total de usuários cadastrados por área: 3.014

Total de usuários cadastrados por área: 1.545

Total de usuários cadastrados por área: 1.670

Fonte: SILVA JÚNIOR, 2007.

O tratamento às pessoas com infecção pelo HIV é complexo, além do acompanhamento ambulatorial de rotina, há necessidade de seguimento com exames24 de

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Estes exames são necessários para indicar início de terapia anti-retroviral e para o acompanhamento periódico dos resultados obtidos com o tratamento.

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contagem de células CD4+/CD8+ e de quantificação de carga viral (CV). Para isso, o Ministério da Saúde disponibiliza os exames em alguns laboratórios25 da rede do SUS do município do Rio de Janeiro. Esses exames são solicitados pelo médico que acompanha o paciente na rede pública e cada unidade tem sua referência para marcação e agendamento dos exames.

Para a realização o diagnóstico sorológico da infecção pelo HIV, o município do Rio de Janeiro conta três Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), a saber:

Quadro 1: Centros de Testagem e Aconselhamento no Município do Rio de Janeiro AP Centros de Testagem e Aconselhamento

1.0 Hospital Escola São Francisco de Assis (HESFA) 2.1 Hospital Municipal Rocha Maia (CTA Rocha Maia) 3.3 Unidade Integrada de Saúde Herculano (CTA Madureira)

O CTA é uma unidade de procura voluntária, que oferece além do diagnóstico, o aconselhamento pré e pós-teste. Os indivíduos diagnosticados como soropositivos são encaminhados para unidades de saúde de referência para acompanhamento.

2.4. A PROPOSTA DE MONITORAMENTO/AVALIAÇÃO DO PROGRAMA DE