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Programa de eletrificação depois dos anos 1990

2. A PROBLEMÁTICA DA POLÍTICA PÚBLICA E A UNIVERSALIZAÇÃO DO ACESSO E

2.6. Programa de eletrificação depois dos anos 1990

2.6.1. Consolidação da Estratégia Global e Integrada (1991-1998)

No Estado do Ceará, o cenário político começa com Ciro Gomes no poder (1991- 1994). O objetivo maior deste governo com relação à expansão do acesso à energia elétrica no estado, foi tratar a questão energética dentro de um contexto amplo. No mais, o governo montou seus planos dentro de uma estratégia econômica na qual se buscava a geração de energia elétrica a partir de outras fontes que não fosse originada da fonte hidroelétrica. Além

disso, o estado em si procurou aumentar a eficiência do sistema de distribuição, controlado pela Companhia Energética do Estado do Ceará – Coelce.

O alvo principal do governo com relação a energia elétrica era a consolidação da estratégia global e integrada das fontes energéticas no estado, diminuindo a dependência do Ceará com relação aos derivados de petróleo e as deficiências das políticas públicas voltadas para o setor.

Com o intuito de fortalecer as instituições aliadas à questão energética, foi criado o Conselho Estadual de Energia, com o objetivo de estabelecer uma política energética para o Ceará, assumindo a função desempenhada pela Coelce. Também no ano de 1992 foi criada a Cegás – Companhia Distribuidora de Gás, marcando o momento em que o estado passou a associar-se à Petrobrás, com o intuito de aproveitar, transportar ou canalizar este produto.

Durante o governo Ciro Gomes, foi proposta a reestruturação do Setor Elétrico do Ceará. A situação convivia com inúmeros problemas estruturais, principalmente os referentes ao endividamento e inadimplência da Companhia de Eletricidade do Estado do Ceará, devido às fragilidades econômicas, associadas à conjuntura interna do país, naquele momento.

De acordo com o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE) (Texto para Discussão nº 15), após mudanças efetuadas pelo governo no setor elétrico, observou-se um aumento de novos consumidores em 64,28%, com um aumento de 6,35% em novas subestações, passando de 63 para 67 subestações no estado. Notou-se no período que houve um aumento considerável de ligações no meio rural.

2.6.2. A privatização da Coelce e seus impactos (1998)

O processo de privatização iniciou no Brasil, segundo Pinheiro (1999), na década de 1980. Neste processo de desestatização, de acordo com Amaral Filho (2005), ocorreu a transferência parcial ou total do capital das empresas públicas para as mãos da iniciativa privada. No período de 1990 a 1992, na gestão do então presidente da República, Fernando Collor de Melo, ocorreu a abertura do mercado brasileiro para as importações, com a intenção de aperfeiçoar as empresas nacionais para a competição externa. Este processo foi executado com apoio do Programa nacional de Desestatização (PND), que culminou com a origem do processo de desestatização das empresas brasileiras.

No período entre 1995 e 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso, o processo de privatização ganhou aceleração, houve uma ampla privatização de várias

empresas nacionais, dentre elas, a do setor de telecomunicações e de energia elétrica. O setor bancário também foi privatizado neste período. No caso das empresas distribuidoras de energia elétrica no Brasil, o processo de privatização ocorreu de maneira muito rápida, pois o Governo Federal não suportava mais os problemas gerados por essas companhias, com grande endividamento externo.

A estrutura produtiva no Brasil começou com forte impulso, através da criação de grandes empresas estatais, nos anos que se seguiram o Estado Novo (1937-1945), sob o governo do presidente Getúlio Vargas, sendo que todo este processo foi beneficiado pela ideia do estado desenvolvimentista que fomentou a indústria nacional na intenção de montar um processo de industrialização baseado na substituição de importações.

A Companhia Energética do Estado do Ceará – Coelce, antes da privatização, suas ações estavam sob controle de prefeituras do Estado do Ceará, da Eletrobrás e do Governo do Estado. No dia 02 e abril de 1998, após várias fases de negociação das ações da companhia, através de Leilão Público realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ), o Consórcio Distriluz Energia Elétrica, formado pelos investidores Enersis S.A., Endesa de España S.A., e Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro - CERJ, a companhia foi privatizada (AMARAL FILHO et al, 2004).

2.6.3. Mudanças na matriz energética do Estado (2002)

A matriz energética do Estado do Ceará precisava passar por modificações estruturais. As mudanças começaram no governo Tasso Jereissati (1995-2002) e Beni Veras (2002), que estabeleceram algumas diretrizes para a ampliação da cadeira produtiva do Ceará. Dentre as mudanças, no Plano Plurianual dos períodos relacionados, o Estado estabelecia a recuperação e o aumento da capacidade do setor elétrico; a disseminação de energias renováveis e o uso de energias alternativas, com a utilização de fonte solar e aerogeradores, no meio rural, a adoção de sistemas termosolares na indústria, a aplicação de biomassa e biogestores bem como dar continuidade aos programas de energia eólica; ampliação do programa de conservação de energia para outros energéticos e, expansão da oferta de gás natural (AMARAL FILHO et al, 2004).

Motivados por estas iniciativas, na primeira fase das mudanças estruturais, grandes projetos começaram a ser executados no Estado, dentre eles, a construção das linhas de transmissão de 230 KV nos trechos Fortaleza/Pici e Banabuiú/Fortaleza; construção das

subestações de Pentecoste, Icó e Pici; construção do gasoduto Guamaré (RN)/Fortaleza e a construção e reforma de 1.882 km de redes de distribuição urbana e de 2.000 km de rede de distribuição rural. Na segunda fase, no ano de 1998, o governo do Estado marca esse período com a privatização da Coelce, deixando de controlar a principal peça do sistema que era a empresa de distribuição de energia elétrica do Estado.

2.6.4. Salto para frente (2003-2006)

O Plano de Governo de Lúcio Alcântara (2003-2006), “Ceará Cidadania”, levou o governo a investir em fontes alternativas de energia, pretendendo desta forma se desligar da dependência excessiva das fontes hidráulicas e externas. Seguindo as diretrizes do governo, o objetivo era alcançar a autossuficiência na geração de energia elétrica e a desertificação da matriz energética, a partir da termoelétrica e da geração de energia eólica.

A inauguração da Termoelétrica Fortaleza em 2004 deu início ao processo de ampliação da cadeia produtiva de energia elétrica no Estado. Foi também a partir deste ano que se iniciou de maneira mais firme o processo de universalização do acesso à energia elétrica no Estado do Ceará, programa este executado através da Companhia Energética do Ceará – Coelce. Além das iniciativas do Governo Federal, o próprio Estado do Ceará, através do Projeto de Investimentos Especiais, investimentos garantidos por meio de cláusulas contratuais incluídas no contrato de concessão da Coelce, pois estes recursos dão subsídios às Secretarias Setoriais a atenderem suas demandas na área de energia elétrica (AMARAL FILHO et al, 2004).