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3. O ensino-aprendizagem de Espanhol

3.2 Metodologias de Ensino-Aprendizagem do ELE

3.3.1 Programa de Espanhol do 3º Ciclo do Ensino Básico

Este documento orientador data de 1997, marcando um fosso de quase vinte anos de possíveis inovações metodológicas ao nível do ensino- aprendizagem de línguas estrangeiras, como por exemplo a metodologia por tarefas que descrevemos anteriormente. No entanto, é o documento

estabelecido pelo Ministério da Educação e temos imperativamente de nos valer dele no momento de planificar as nossas aulas. Vejamos, então, quais as diretrizes deste programa.

3.3.1.1 O Ensino-Aprendizagem da Língua Estrangeira segundo

o programa

O programa de espanhol do ensino básico, proclama-se como comunicativo:

O paradigma metodológico por que se optou foi o comunicativo, já que se privilegia um crescimento holístico do indivíduo, em que o aluno é o centro da aprendizagem, sendo que a competência comunicativa surge como uma macro competência, que integra um conjunto de cinco competências – linguística, discursiva, estratégica, sociocultural e sociolinguística – que interagem entre si (ME/DEB, 1997).

Por este motivo encontramos alguns rasgos provenientes deste modelo de ensino da língua como: valorização do processo, predisposição para a negociação de processos e produtos, e centralidade da avaliação formativa:

[…] os princípios orientadores da ação pedagógica para o programa de Espanhol determinam práticas pedagógicas centradas na resolução de problemas e preconizam como principais inovações: valorizar os processos, contemplar a negociação de processos e produtos, conduzir à construção de aprendizagens significativas tanto no domínio dos conhecimentos como das atitudes, valores e competências, além de atribuírem papel central à avaliação formativa (ME/DEB, 1997, p. 5).

Veja-se aqui, e recordando a proposta de Estaire (2009) para o ensino baseado em tarefas, de que os alunos poderão sugerir temas do seu interesse para que a aula seja mais motivadora, o Programa apenas disponibiliza espaço de negociação para os processos e para os produtos. Isto resulta do facto de o

programa, como veremos também adiante, definir uma lista de conteúdos a lecionar.

Regressando à visão do Programa sobre o processo de ensino- aprendizagem, e no que diz respeito à definição de língua, também neste aspeto se aproxima da estabelecida pelos enfoques comunicativos: a noção de língua enquanto meio de comunicação:

A língua, ao ser concebida como um espaço de apropriação/expressão do eu, é um instrumento privilegiado de comunicação, graças à sua capacidade de representar a realidade, partilhada na generalidade por todos os membros de uma comunidade linguística, que nos permite receber e transmitir informação de natureza muito diversa, influindo assim sobre os outros, regulando e orientando a sua atividade.

Este documento reconhece, ainda, que

[…] ao aprender uma língua, não se adquire única e exclusivamente um sistema de signos mas, simultaneamente, os significados culturais que os signos comportam, i.e., o modo de interpretar a realidade.

3.3.1.2 Finalidades e Objetivos Gerais

As finalidades do Programa passam não só pela promoção do contacto com outras línguas e culturas, mas também pela capacitação do aluno tanto a níveis comunicativos e linguísticos como para a construção da sua própria aprendizagem e identidade, como podemos ver em seguida:

 Proporcionar o contato com outras línguas e culturas, assegurando o domínio de aquisições e usos linguísticos básicos.

 Favorecer o desenvolvimento da consciência de identidade linguística e cultural, através do confronto com a língua estrangeira e a(s) cultura(s) por ela veiculada(s).

 Promover a educação para a comunicação enquanto fenómeno de interação social, como forma de incrementar o respeito pelo(s) outro(s), o sentido da entreajuda e da cooperação, da solidariedade e da cidadania.

 Promover o desenvolvimento equilibrado de capacidades cognitivas e sócio-afetivas, estético-culturais e psicomotoras.

 Promover a estruturação da personalidade do aluno pelo continuado estímulo ao desenvolvimento da autoconfiança, do espírito de iniciativa, do sentido crítico, da criatividade, do sentido da responsabilidade, da autonomia.

 Fomentar uma dinâmica intelectual que não se confine à escola nem ao tempo presente, facultando processos de aprender a aprender e criando condições que despertem o gosto por uma atualização permanente de conhecimentos. (p.7)

No que diz respeito aos objetivos gerais, estes passam pela aquisição e utilização de competências e estratégias de comunicação na língua espanhola:

 Adquirir as competências básicas de comunicação na língua espanhola:

- Compreender textos orais e escritos, de natureza diversificada e de acessibilidade adequada ao seu desenvolvimento linguístico, psicológico e social;

- Produzir, oralmente e por escrito, enunciado de complexidade adequada ao seu desenvolvimento linguístico, psicológico e social;

 Utilizar estratégias que permitam responder às suas necessidades de comunicação, no caso em que os seus conhecimentos linguísticos e/ou seu uso da língua sejam deficientes; (p. 9).

…na valorização desta língua, da sua diversidade e do património cultural a ela associado, e através disto, valorizar a sua própria língua:

 Valorizar a língua espanhola em relação às demais línguas faladas no mundo e apreciar as vantagens que proporcionam o seu conhecimento;

 Conhecer a diversidade linguística de Espanha e valorizar a sua riqueza idiomática e cultural;

 Aprofundar o conhecimento da sua própria realidade sociocultural através do confronto com aspetos da cultura e da civilização dos povos de expressão espanhola;

… e no desenvolvimento de diferentes capacidades no aluno e na construção da sua identidade social e pessoal:

 Desenvolver a capacidade de iniciativa, o poder de decisão, o sentido da responsabilidade e da autonomia;

 Progredir na construção da sua identidade pessoal e social, desenvolvendo o espírito crítico, a confiança em si próprio e nos outros e atitudes de sociabilidade, de tolerância e de cooperação.

3.3.1.3 Conteúdos

O Programa de Espanhol do Ensino Básico define os conteúdos a lecionar ao longo dos três anos de ensino, ou seja, estabelece ao princípio aquela que seria a terceira fase do processo de planificação de uma unidade didática proposta por Estaire.

Os conteúdos surgem organizados em conceitos, procedimentos e atitudes de modo a apresentar

[…] de uma forma analítica, conteúdos de natureza diversa que podem e devem estar presentes ao longo de diferentes unidades didáticas, em diversos momentos e através de distintas atividades (p. 11).

Os conteúdos relativos a procedimentos e a atitudes foram definidos globalmente para todo o ciclo, enquanto os conteúdos gramaticais e nócio- funcionais, relativos aos conceitos, foram definidos por cada ano “com o fim de adequar o nível de dificuldade e de abstração aos diferentes graus de desenvolvimento do aluno”. Isto, representa um retrocesso no que diz respeito à inovação proposta na introdução do documento pois, no fundo, não é mais do que uma lista de conteúdos a lecionar, típica de enfoques de ensino mais tradicionais.

Os conteúdos foram estabelecidos para cada um dos seguintes domínios: compreensão oral, expressão oral, compreensão escrita, expressão escrita, reflexão sobre a língua e a sua aprendizagem e aspetos socioculturais.