Modelo de Planejamento Estratégico da Unicamp
3.3 Programa de formação em Planejamento Estratégico
Um dos momentos fundamentais para a implementação do Planejamento Estratégico é a formação adequada do pessoal técnico, para executar e acompanhar as ações estratégicas, além da disseminação da cultura e envolvimento em todos os níveis da instituição. Isso está claramente apontado na literatura e nas várias metodologias de planejamento estratégico conforme visto no capítulo 2, que estabelecem que a formação de pessoal é um ponto muito importante no sucesso da implantação dos projetos, conforme aponta Costa (2003).
Aliada a pouca experiência da Unicamp na formulação e na execução de projetos de planejamento estratégicos e até como decorrência disto, constatou-se uma deficiência generalizada no pessoal técnico e técnico-administrativo em estabelecer ações e processos de planejamento até mesmo em suas próprias áreas de atuação e expertise. Apesar de este diagnóstico estar baseado em uma percepção exclusivamente empírica, ele foi facilmente comprovado na prática e decorreu do fato de que a Unicamp nunca implantou uma política institucional de formação continuada de pessoal na área, a menos de ações ocorridas em setores isolados e em sua grande maioria interrompidas ao longo das sucessivas gestões.
Em função desta constatação, a CGU em conjunto com a Agência de Formação Profissional da Unicamp - AFPU organizou, supervisionou e implantou, dois cursos de formação para servidores técnicos e técnico administrativos no primeiro semestre do ano de 2003, como um primeiro esforço institucional de formação de pessoal na área. Esse primeiro programa geral de formação teve um caráter abrangente, com cursos em dois níveis de aprofundamento conceitual, um para multiplicadores e outro para supervisores, visando dar início a um processo sistemático de formação. Esses envolveram servidores dos mais variados setores da Universidade com o objetivo de formar um conjunto de profissionais qualificados e aptos a implantar e acompanhar os processos de planejamento estratégico em todos os órgãos e não apenas na administração central. Além desses, foram implantados outras ações concomitantes de formação, entre elas um conjunto de seminários sobre esse tema para dirigentes, diretores de unidades de ensino e pesquisa, organizados pela CGU além de um programa para a formação de servidores docentes e não docentes que ocupam funções de gerência nos órgãos da administração central.
Os cursos para multiplicadores foram realizados para três turmas, com um total de 78 participantes, tendo sido ministrados pelo Prof. MSc. Eliezer Costa.
Destes, em função dos seus desempenhos, foi selecionado um conjunto em cada turma considerado apto a ministrar o curso de supervisores. Os cursos de supervisores então foram ministrados em 5 turmas, somando-se o total de 139 participantes. A primeira turma de multiplicadores, uma turma piloto, desenvolveu então a metodologia e adequou o material didático para as demais turmas de supervisores. As demais turmas tiveram como instrutores os multiplicadores selecionados nas duas primeiras turmas. O autor da presente dissertação participou como aluno na primeira turma de multiplicadores e como instrutor nas turmas de supervisores.
Todas as atividades se desenvolveram nas dependências da AFPU. Os seminários para dirigentes foram ministrados pelo mesmo consultor externo e foram realizadas fora do campus universitário de Campinas, em dois finais de semana. Estes seminários envolveram 38 participantes. Em todos os casos o programa abordado foi estabelecido pela CGU a partir de discussões com o mencionado consultor professor externo. No caso dos cursos de multiplicadores e supervisores o curso foi encerrado com a apresentação de um projeto de planejamento estratégico, elaborado em grupos de 5 pessoas, com tema de livre escolha dos participantes.
Tanto os cursos quanto os seminários foram avaliados pelos participantes através de questionários elaborados em conjunto pela CGU, pelo Prof. Eliezer Costa e pela AFPU. A qualidade dos projetos apresentados também foi item de avaliação formal. Destaca-se, além dos excelentes desempenhos, o alto grau de envolvimento dos participantes no conjunto de atividades dos cursos. Os seminários para dirigentes foram avaliados por manifestações informais, tendo sido, em geral uma avaliação considerada positiva.
Podemos considerar que um dos pontos fundamentais da contratação de consultores externos para operacionalizar programas de formação se refere especificamente ao perfil do mesmo. Certamente existem diversos profissionais qualificados e habilitados para desenvolver programas de formação em planejamento e gestão estratégica de empresas, mas muito poucos qualificados para trabalhar questões em universidades públicas. Por isso, a escolha foi um processo difícil e cuidadosamente envolveu a CGU em todo o trabalho de planejamento do conjunto das atividades do curso, inclusive na elaboração conjunta de todo o material didático empregado. Inúmeras reuniões para a adequação de terminologia, comparação entre as principais bases da literatura, FORPLAD (1995) e Costa (2003) e uma
atenção especial à adequação das terminologias às particularidades das atividades-fim da Universidade. Da mesma forma foi necessária uma grande flexibilidade do consultor na adequação de seu material e mais importante, em seu interesse em compreender a complexidade da realidade institucional para melhor adequar o conteúdo de seu programa. Devemos portanto deixar um alerta aos envolvidos em programas de natureza semelhante: não é suficiente um consultor externo qualificado no sentido técnico. Existe a necessidade de outros qualificativos para o bom desempenho de um consultor externo em programas de formação. Isto nos remete à necessidade de formarmos nosso próprio pessoal e de nos tornarmos auto-suficientes nesses programas de formação, identificando e valorizando os talentos existentes.