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5 GRANDES PROJETOS URBANOS E A QUESTÃO DA MORADIA EM BELÉM E MANAUS: PORTAL DA AMAZÔNIA E PROGRAMA SOCIAL E AMBIENTAL

5.1 INTERVENÇÃO URBANÍSTICA EM BELÉM: O PORTAL DA AMAZÔNIA

5.1.3 Programa de Macrodrenagem da Bacia da Estrada Nova

A rede de macrodrenagem da Bacia Hidrográfica da Estrada Nova compreende os seguintes canais: Caripunas, Timbiras, Quintino, Dr. Moraes, 14 de Março, 3 de Maio, João de Deus, Radional I e II, Bom Jardim, Euclides da Cunha e Bernardo Sayão (BELÉM, 2010a)111. A PMB, ao divulgar que a intervenção na Baciada Estrada Nova é “um investimento na saúde, no meio ambiente, na geração de emprego, na qualidade de vida e, acima de tudo, no resgate da dignidade de quem vive em condições de extrema pobreza e exclusão social”, apresenta a ação mais importante do “Portal da Amazônia”, que é o PROMABEN112.

Este programa prevê a macro e microdrenagem de quatro (4) Sub-bacias113 da Bacia Hidrográfica da Estrada Nova, entre as quais, a Sub-bacia 1, que se estende da travessa Veiga Cabral à rua Fernando Guilhon; a Sub-bacia 2, da rua Fernando Guilhon até o canal da travessa Quintino Bocaiúva; a Sub-bacia 3, do canal da Quintino Bocaiúva ao canal da travessa 3 de Maio; e a Sub-bacia 4, do canal da 3 de Maio à Universidade Federal do Pará (UFPA), conforme a Figura 1.

Como todo grande projeto de infraestrutura urbana, o PROMABEN teve como ação preliminar o diagnóstico socioeconômico e ambiental das áreas previstas para a intervenção urbanística, realizada pela empresa contratada, ENGESOLO S.A., e após a sistematização em Diagnóstico a prefeitura municipal realizou o cadastramento das unidades residenciais e comerciais que seriam atingidas inicialmente pela ação projeto. Por ocasião do estudo, a empresa contratada, constatou que na BHEN a população residente possui um perfil socioeconômico muito baixo. No que tange ao aspecto educacional, a maioria não concluiu o ensino fundamental e encontram-se sem ocupação de trabalho formal. E, assim, se verificou que a maioria não utiliza transporte coletivo para trabalhar por que são desempregados e os que trabalham utilizam o ônibus como alternativo, revelando o alto grau de pobreza nessa região da cidade. Em relação à renda salarial, o diagnóstico apontou que 52% da população da Bacia auferem no máximo três salários mínimos, conforme podemos conferir nos dados do Gráfico 3.

111 Pesquisas foram e estão sendo desenvolvidas sobre processos de ocupação humana das áreas

litorâneas da cidade de Belém, entre as quais destacamos as seguintes: Universidade Federal do Pará (2004), Ponte (2004, 2007); Trindade Júnior e Silva (2005), Castro (2006); Trindade Júnior e Tavares (2008), Araújo (2008); Malheiro (2009).

112 A elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA)

do Programa de Recuperação Urbana e Ambiental da Estrada Nova – PROMABEN e concluído, em 2007, pela Engesolo Engenharia Ltda. foi objeto de ação judicial contra a Prefeitura Municipal de Belém (MALHEIRO, 2009, p. 109).

113 É importante esclarecer que as obras de retificação e microdrenagem dos canais da Sub-bacia 3

Gráfico 3 - Dados sobre renda da população residente na área de implementação do PROMABEN.

Fonte: EIA/PMB/ENGESOLO (2006).

A maioria declarou ganhar ate três salários mínimos; e os que declararam ganhar mais de seis, foram geralmente os proprietários de estabelecimentos comerciais. Nesse sentido, as informações disponibilizadas no diagnóstico feito pela prefeitura constatam que na BHEN a situação da grande maioria dos trabalhadores é de extrema pobreza. Como consequência, habitam as áreas com pouca infraestrutura urbana, sobretudo, o saneamento básico, o que as tornam áreas degradas ambientalmente.

Nas áreas que margeiam os diversos cursos d'água que compõem esta bacia hidrográfica, à semelhança do que ocorre com as outras existentes na extensão territorial do município de Belém, há a prevalência de ocupação humana às margens dos canais ou mesmo no interior desses, impactadas pelo fluxo das marés e das chuvas constantes na região, características propícias à propagação de doenças veiculadas por meio hídrico114, tornando-as inadequadas para este tipo de ocupação, pelo alto índice de insalubridade115, conforme Fotografia 9a-c.

114 Conforme documento do BID, 65% das enfermidades em Belém são originadas por problemas

hídricos.

115 A cidade de Belém viveu, desde a segunda metade do século XX, formas de ocupação do território

em que os segmentos populacionais menos aquinhoados economicamente foram sendo empurrados para as áreas mais baixas da cidade, que se encontram topograficamente 4 m abaixo do nível do mar e, por isso, são áreas historicamente sujeitas a alagamentos e, portanto, inadequadas para moradia, e que ficaram conhecidas como “áreas de baixadas”. Contudo, foram nesses lugares que diversas frações da classe trabalhadora fixaram residência. Inicialmente, sem

Fotografia 9a-c - Aspectos de habitações às margens dos canais da BHEN.

Fonte: UFPA/PARU, 2007; PROMABEN (2010).

Diante dessa realidade, a PMB, desde os anos 1990, tenta reverter o quadro de insalubridade que assola os domicílios dessas áreas. Entre essas iniciativas do poder público municipal, o projeto de intervenção urbanística PROMABEN está sendo realizado desde 2009, pela Prefeitura Municipal de Belém (PMB)116, a partir de convênio

firmado em 2 de abril de 2009, com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), depois de atendidas todas as exigências financeiras do Banco. O contrato é parte de

infraestrutura urbana, sem equipamentos sociais, sem transporte coletivo etc. Nos dias atuais, essas “baixadas” compõem o cardápio da especulação imobiliária, uma vez que após longos anos de luta social, foram dotadas da infraestrutura urbana e social, passando a ser objeto de cobiça do mercado de terras e da produção de moradia especulativa.

116 Na primeira gestão (2005-2008), o prefeito Duciomar Costa foi eleito pelo Partido Trabalhista Brasileiro

(PTB) e reeleito para o mandato 2009-2012, pelo mesmo partido, com apoio da coligação “União por Belém” composta pelo PDT, PTC, PTB, PRP, PV, PT do B, PSC, PSDC, PR, PRTB.

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a

um arcabouço legal que visa a garantia de todas as pactuações feitas durante a negociação da operação de crédito e é composto de: Documento Conceitual do Projeto (DCP), Proposta de Empréstimo, Contrato de Garantia assinado pelo governo federal, assumindo a condição de fiador do empréstimo, Contrato de Empréstimo com a prefeitura municipal de Belém. A moeda aplicada no caso é dólar (U$) dos Estados Unidos da América do Norte (USA), que se tornou parâmetro para o cálculo do montante financeiro contraído, bem como a política de juros aplicada.

O valor total da proposta foi orçado em U$137.500,000, sendo que o BID contratou o valor correspondente a 50% desse total, ou seja, US$ 68.750.000,00 (sessenta e oito milhões, setecentos e cinquenta mil dólares), cabendo à PMB a garantia dos outros 50%, que na linguagem interna do Banco denomina-se “Recursos Adicionais”, ou seja, a “contrapartida”. O recurso aprovado pelo BID deve ser aplicado em ações de saneamento básico das áreas sujeitas a alagamento pela ação do rio Guamá, da Baía do Guajará e dos igarapés localizados na porção Sul de Belém. A intervenção urbanística tem como principal objetivo “promover a melhoria das condições ambientais e sociais na área da Bacia, que ao longo dos anos vem sofrendo com o rápido crescimento da população” (PMB, 2007).

De acordo com os estudos realizados pela empresa terceirizada ENGESOLO (2007), o PROMABEN obedecerá estrategicamente quatro pilares básicos de obras estruturantes: 1) Drenagem da bacia, com adequação do sistema de macro e microdrenagens; 2) Saneamento básico, com melhoria nos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário; 3) Urbanismo e habitação, com implantação de novas vias urbanas e equipamentos urbanísticos, melhoria na habitação e o reassentamento da população das áreas de risco; 4) Revitalização urbano-ambiental, com a implantação de infraestrutura urbana que proporcionará a implantação e desenvolvimento de atividades e a integração socioeconômica da população residente nas áreas da bacia.

O programa Portal da Amazônia buscará corrigir os cursos d‟água que provocam enchentes na BHEN e adjacências, com intervenções urbanísticas que preveem a macro e a microdrenagem dos canais (igarapés) formados a partir das águas do rio Guamá, buscando modificar a realidade atual na Avenida Bernardo Sayão, que liga o centro histórico e a área portuária à Av. Perimetral Norte, dando acesso à saída de Belém, bem como fará a retificação dos canais localizados nas travessas que findam no rio Guamá, conforme pode se verificar na Figura 1a-b.

Figura 1a-b - Maquetes das obras de macrodrenagem e projeção das vias que ligam o rio Guamá ao restante da cidade (Av. Bernardo Sayão, Trav. Caripunas e Timbiras).

Fonte: PROMABEN (2011)

Com base nas imagens das maquetes do projeto (Figura 1a-b), constata-se que as ações do PROMABEN, ao garantir a retificação dos canais (igarapés), fazer a instalação dos sistemas de drenagem e esgoto, o revestimento dos canais em concreto, o fechamento e a pavimentação asfáltica, estará preparando a área para receber, num momento posterior, as ações do trânsito, que garantirão a melhoria do acesso à área portuária, que se localiza as margens do rio Guamá, e que serve de entreposto comercial para entrada e saída de produtos primários internos e externos ao estado do Pará, assim como consolidará a circulação de transportes pesados que entram e saem da cidade pela malha rodoviária, à medida que as vias urbanas recebam melhorias e sejam interligadas, estabelecendo a conexão entre a zona Sul, com forte fluxo fluvial e rodoviário, e a zona Norte, que dá acesso, pela malha rodoviária, à entrada e saída da cidade pela BR-316, que leva ao Eixo Belém-Brasília.

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Aliado a essas ações, a área também receberá projetos paisagísticos, que tornarão as áreas mais atrativas para os empreendimentos imobiliários, turísticos e de lazer, haja vista que o perímetro definido pelo programa estabelece uma relação estreita com o rio Guamá, bastante utilizado pelos empreendimentos que já se encontram na orla, podendo, portanto, consolidar a área enquanto potencial econômico para o município e para o estado do Pará.

5.1.3.1 Sustentabilidade ambiental na BHEN à luz das orientações do BID

Para realização das obras em andamento na BHEN, a PMB buscou apoio financeiro junto ao BID117, que desde os anos 1960 realiza investimentos em grandes projetos urbanos no Brasil e na América Latina, buscando garantir sustentabilidade às cidades localizadas em países do terceiro mundo ou países em desenvolvimento. Alguns estudos118 têm sido desenvolvidos nos últimos anos

a fim de compreender e explicar o papel do BID no contexto internacional. Para Santana (2006):

O BID nasce com o objetivo de potencializar a integração econômica regional (da América Latina) mediante aceleração do desenvolvimento econômico de seus países membros. Nas palavras de Chiriboga (1978, p. 7), o Banco, em sua constituição, era considerado como o “motor financeiro do desenvolvimento econômico e social dos países latino-americanos em processo de crescimento” (SANTANA, 2006. p. 28-29, tradução da autora).

A iniciativa de investimento em países em desenvolvimento estava historicamente ligada à estratégia norte-americana de assegurar condições para o desenvolvimento econômico desses países. Assim, a partir dos anos 1960, dez anos após a sua criação, o BID, juntamente com o governo americano, resolveu ampliar o raio de investimentos para projetos sociais (denominados como “recursos brandos”) e, assim, o governo americano119 faz um incremento aos recursos financeiros do BID

117 O financiamento solicitado foi assinado no ano de 2009, depois de atendidas todas as exigências

financeiras do Banco. Ressalta-se que o surgimento do BID se deu na conjuntura do pós-segunda guerra mundial, quando ocorrem mudanças na geopolítica da economia mundial, que passou a se assentar a partir de instituições globais capazes de definir “novos” paradigmas para a gestão monetária, do desenvolvimento e do comércio. Cita-se o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e o Gatt (posteriormente Organização Mundial do Comércio - OMC), lançando as bases do novo regime internacional sob a hegemonia norte-americana e, associada a ela, surgem outros organismos de natureza regional, dentre os quais o BID, que teve sua origem em 1959.

118 Ver Santana (2006), Arantes (2006), Vainer (2000), Maricato (2000), Santos (2003), Santos e

Silveira (2002), dentre outros.

119 No ano de 1960, com a preocupação de socorrer os países em desenvolvimento, foi assinada a

como uma forma de prestar socorro aos países empobrecidos e subdesenvolvidos, segundo afirmação de Santana (2006):

[...] a preocupação dos países latino-americanos, bem como a dos Estados Unidos, no atendimento das justas demandas sociais das massas

latino-americanas não se fez aleatoriamente. A crescente pobreza latino-

americana era em si uma ameaça à expansão capitalista, posto que poderia permitir a aceitação das ideias difundidas pelo bloco socialista (SANTANA, 2006, p. 31).

Já no contexto de crise econômica, nos anos 1970, com a redefinição do modelo de produção econômica industrial e diminuição do papel do Estado, os bancos internacionais, em âmbito regional e global, encontram campo fértil para ampliar os investimentos não apenas na área econômica e produtiva stricto sensu, mas também nas áreas sociais, onde se expõe e se esconde ao mesmo tempo e de forma aparente as mazelas produzidas pelo modelo capitalista de produção.

No Brasil e na Amazônia, o BID tem uma ação mais ofensiva a partir dos anos 1990, em pleno processo de crise econômica, reforma gerencial do Estado e provisão das cidades como estratégia de prepará-las para produzirem mais riqueza ao mundo capitalista e, assim, extirpar definitivamente do cenário político e urbano os projetos socialistas de cidade, inaugurados em algumas cidades europeias. Citam-se os exemplos das cidades soviéticas e Catalunha. Nas cidades da Amazônia, o BID inicia o investimento público pelas cidades de Belém, nos anos 1990 e em Manaus, no ano de 2006.

De modo a corrigir as falhas cometidas em programas anteriores, o BID determinou algumas exigências a serem adotadas pelo PROMABEN. Neste sentido,

El diseño del presente Programa considera las lecciones aprendidas en la ejecución de estos y otros proyectos similares: (i) La participación y articulación de las entidades locales en el programa deben estar bien definidas. (ii) La colaboración de la comunidad es necesaria para que las mejoras realizadas sean sustentables; (iii) Solamente realizar obras de macrodrenaje en áreas urbanas, cuando exista un Plan Maestro de Macrodrenage actualizado y de buena calidad técnica. (iv) Los diseños finales, o en su defecto, los diseños básicos avanzados, deben estar disponibles al inicio de la ejecución para evitar atrasos y sobre-costos en la ejecución de las obras. (v) La ejecución de las obras debe ir acompañada de acciones de educación sanitaria y ambiental. (vi) La tenencia de la tierra debe ser regularizada y el plan de uso de suelo debe permitir el

milhões de dólares, a serem aplicados em projetos que redundassem no desenvolvimento rural, na produção de habitação e projetos de educação e saúde, sendo que o BID ficou responsável por administrar a maioria desses recursos – 394 milhões de dólares – destinados à constituição de Fundo Fiduciário de Progresso Social, o qual deveria facilitar o crescimento social e econômico dos países da América Latina (SANTANA, 2006. p. 31).

acceso a la vivienda formal a personas de bajos ingresos. y (vii) Los planes de reasentamiento deben describir con detalle el conjunto de acciones requeridas para su implementación. Además, los mismos deben ser discutidos y estar aprobados por la comunidad. En los proyectos

de reasentamiento de familias, debe definirse oportunamente el plan de acción para la expropiación de terrenos, adquisición de nuevos predios y los diseños de las soluciones habitacionales, incluyendo la infraestructura urbana. La participación de las familias afectadas y de las

instituciones representativas fortalece la confianza entre la población afectada y los equipos encargados, facilitando la preparación y ejecución de los planes de reasentamiento (BANCO INTERAMERICANO DE DESENVOLVIMENTO, 2007, p. 3) (Grifo nosso).

Nas recomendações feitas pelo banco está implícita a tentativa de superação das falhas cometidas nas experiências anteriores, sobretudo quando da intervenção urbanística realizada na Bacia do Una, no período de 1993-2005, e ainda a perspectiva de que se garanta na cidade de Belém a inversão das condições atuais da moradia, por meio de ações de meio ambiente, saneamento, regularização da posse da terra, ordenamento urbano, geração de emprego e renda, lazer e turismo. Para cada recomendação, há um argumento específico, mas que na totalidade visa à valorização das áreas que compõem a Bacia, a sustentabilidade socioambiental, o reconhecimento popular e a garantia de que uma intervenção urbanística desse porte não sofra solução de continuidade por parte do poder público governamental, em decorrência de processos eleitorais.

Os quatro pilares apontados pelo referido estudo segue, de forma strictu sensu, as orientações do BID, conforme as estratégias definidas na relação com o Brasil. Ou seja:

[...] La estrategia del Banco en Brasil tiene como elementos principales: (i) promover y profundizar la reforma y modernización del sector público en los niveles Federal y Estatal; (ii) apoyar los esfuerzos para mejorar la competitividad y acceso al mercado; (iii) apoyar los esfuerzos para reducir las desigualdades sociales y la pobreza; y (iv) atender los problemas de manejo ambiental y recursos naturales, con énfasis en la protección de los ecosistemas vulnerables ((BANCO INTERAMERICANO DE DESENVOLVIMENTO, 2007, p. 5).

Ainda segundo o BID:

[...] La estrategia descansa en cuatro pilares: dos de ellos son de carácter correctivo y otros dos son de carácter preventivo. El primer pilar lo constituye en las obras de macro y micro drenaje para regular el impacto de las lluvias intensas y las crecidas del rio Guama. El segundo es el reasentamiento de la población que ocupa los canales en terrenos habilitados para usos residenciales dotados de servicios básicos. Este segundo pilar reducirá los problemas sociales que padecen esos habitantes y también restaurará la función de drenaje de los propios

canales; El tercer pilar es la construcción de avenidas y parques en las áreas más vulnerables a las invasiones ilegales para prevenir la ocupación de las mismas y al mismo tiempo dar una opción de recreación a la población de toda la ciudad. El cuarto pilar es la ampliación de la oferta de vivienda barata y el mayor control y vigilancia del uso del suelo. Este pilar permitirá ofrecer a la población de Belém soluciones habitacionales formales adaptadas a su capacidad de pago y reducirá los incentivos de la población para adoptar soluciones informales. (BANCO INTERAMERICANO DE DESENVOLVIMENTO, 2007, p. 6).

O PROMABEN foi elaborado a partir de duas das estratégias mencionadas acima: a) A redução das desigualdades sociais e b) A solução dos problemas de manejo ambiental e recursos naturais. Nesse sentido, o programa adotou como objetivo atender a problemática ambiental e social dos assentamentos informais nos canais da cidade de Belém. Para o conjunto das quatro sub-bacias “[...] El Programa contempla el conjunto de obras em los canales principales de las cuatro subcuencas de la Cuenca de la Estrada Nova: Timbiras, Quintino Bocaiuva, 3 de Maio, Bernardo Sayao, Caripunas, Doutor Moraes y 14 de Março”.

No que tange ao terceiro pilar do programa, relacionado à questão habitacional, a PMB buscou recursos do Projeto Urbanização de Favelas, no valor de R$12.627.110,28, destinado à construção de três conjuntos habitacionais no bairro do Jurunas, para o atendimento das 1.560 famílias atingidas pelas obras do “Portal”, ou seja, pelo projeto Orla e pelo PROMABEN, com previsão de inauguração para 2012. De acordo com a proposta elaborada, a construção das moradias com saneamento seria garantida no próprio bairro em que vivem, só que com a vantagem de ser na orla do rio Guamá, o que significa que “os moradores vão viver em uma área muito mais valorizada” (MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO, 2011, p. 6).

É importante observar que para a execução das obras de saneamento previstas será necessária a retirada de todos os imóveis cadastrados que, em sua maioria, constitui-se de imóveis residenciais, tornando a equação do saneamento x moradia ainda mais complexa. O número de famílias cadastradas pela PMB, que serão atingidas por essa intervenção, por remoção ou por reassentamento, nas quatro (4) Sub-baciais mencionadas acima, totaliza 2.129, cuja distribuição por Sub- bacia é apresentada na Tabela 19.

Tabela 19 - Unidades cadastradas nas quatro Sub-bacias.

Tipo da Unidade Sub-bacia1 Sub-bacia2 Sub-bacia3 Sub-bacia4 Total

Unidade Residencial (UR) 196 625 554 85 1.460

UR/Unidade Mista (UM) 51 97 70 20 238

Unidade Empresarial (UE/UM) 58 94 74 23 249

Unidade Empresarial (UE) 33 57 39 29 158

Unidade sem identificação (U) 6 22 13 3 24

Total Geral 344 875 760 160 2.129

Fonte: Prefeitura Municipal de Belém/ENGESOLO (2007).

Tendo em vista as dificuldades e desafios dos processos provocados, a coordenação do programa tem alterado constantemente as soluções propostas para a questão do deslocamento/remanejamento. A perspectiva de que “En los proyectos de reasentamiento de familias, debe definirse oportunamente el plan de acción para la expropiación de terrenos, adquisición de nuevos predios y los diseños de las soluciones habitacionales, incluyendo la infraestructura urbana”, imposta pelo BID como condição para liberação dos recursos solicitados, constitui-se um dos maiores desafios para a coordenação do programa, haja vista que em Belém o poder público nas esferas municipal, estadual e federal, não conseguiu, até a presente data, encontrar uma solução para a questão fundiária na cidade, permitindo que se destine terras para programas de interesse social.

Outra dificuldade está relacionada ao fato de que para a questão habitacional os programas de infraestrutura urbana só conseguem prever, no máximo, ações de