E. Balanço e perspectivas da educação
2. Resultados obtidos
2.1 Programa de Melhoramento da Qualidade da educação peruana
Constitui o marco referencial para o conjunto de medidas e a avaliação das políticas. Executaram-se:
a) Renovação Curricular
É conseqüência da política de transformação curricular, desprende-se de distintas e variadas reformas: a Proposta de Educação Familiar e Sexual, o Plano de Articulação de Inicial e Primária, o Plano de Formação Magisterial, do Bacharelado, que considera o currículo como a parte medular do sistema educativo, pois através dele articulam-se as respostas educacionais às necessidades que sugere o desenvolvimento da sociedade. A partir de 1995, o Ministério da Educação inicia um processo de modernização cujo objetivo é o Melhoramento da Qualidade Educativa, através de um conjunto de temas e enfoques que vão desde a educação para o trabalho até a incorporação da educação sexual, passando pelo construtivismo, nos processos de aprendizagem, que obriga às mudanças de conceitos, categorias e práticas educativas.
Sendo assim, foi implementado um novo currículo para primária, organizado em três ciclos, cada um formado por dois graus, que apontam ao desenvolvimento das capacidades e atitudes. Para efetivar esse processo, preparou-se aos docentes dos diferentes níveis, principalmente de inicial e primária, os que elaboram e executam os Programas Curriculares de Articulação com base em atividades de aprendizagem
significativo que permita aos alunos alcançar as competências em cinco áreas de desenvolvimento: Pessoal-Social, Comunicação integral, Lógico-Matemático, Ciência e Ambiente e Formação Religiosa. Por isso os docentes devem conhecer e manejar conhecimentos básicos sobre o condicionamento operante de Skinnner, o modelo cibernético de Gagné, a teoria evolutiva de Jean Piaget, o enfoque cognitivo de Ausubel, os Mapas conceituais de Novak, o método de Projetos, Atividades Integrais, Trabalhos de grupo, e outros. Também desenvolveram os Programas de secundária e de bacharelado para o segundo ano, todos esses programas redefinidos se fizeram em função das tendências curriculares mais recentes da época, do currículos espanhóis, argentinos, colombianos, etc., centralizados nos sujeitos e suas aprendizagens.
b) Textos e outros materiais educativos
As cifras de investimento nessa parte mostram o esforço que se fez para conseguir a generalização e a qualidade educativa. Por isso, a produção, distribuição e adequação dos textos e materiais educativos cobriram diferentes realidades regionais. Muitos colégios contaram com bibliotecas de aula, módulos completos de biblioteca, laboratórios e beneficiaram-se de programas especiais (cadernos, sapatos, mochilas, etc.) que mostra a preocupação do Estado por fornecer de materiais educativos pertinentes ao “Novo Enfoque Pedagógico”, a cada grau e ciclo, necessários para as técnicas ativas de aprendizagem. Podemos ver que essas medidas também foram aplicadas em outros países, especialmente por orientação do Banco Mundial, que considera que a distribuição de textos e materiais escolares é um médio barato e de ampla cobertura, para dar aos professores e alunos instrumentos de trabalho e consulta para o trabalho pedagógico, que não impediria que se produzam diferencias significativas no rendimento dos alunos.
c) Modernização da formação magisterial
A partir de 1996, o Ministério da Educação veio trabalhando num Plano Piloto de Fortalecimento com 22 Institutos Superiores Pedagógicos (com o apoio do
BID e logo o Banco Mundial), cujos componentes são o desenho curricular, capacitação de formadores, dotação de material bibliográfico e informático, monitoramento e seguimento, e fortalecimento institucional. O que se procurava era superar as deficiências sobre conhecimento, metodologias, didáticas da educação convencional, que se manteve fechada e para si mesma, deixando uma velha dívida de renovação curricular e pedagógica.
As ações que se executaram levaram à revisão da política de formação magisterial em função das características, aspirações e necessidades do desenvolvimento educativo do país. Alguns institutos pilotos vieram demonstrando que as novas gerações estão saindo diferentes e que os conhecimentos adquiridos pelos alunos, como produto de uma constante prática profissional vinculada aos projetos de investigação, adaptam-se aos problemas reais das escolas urbanas e rurais nas suas diferentes formas que permitam a compreensão global da realidade natural e social, pondo em evidência a efetiva vinculação, cooperação e intercâmbio entre as instituições formadoras de docentes. Tudo isso aponta, em coordenação com as universidades que tem a faculdade de educação, na elaboração de um modelo com caráter diversificado que oriente o processo dentro da política de Formação Magisterial, para determinar o perfil básico do educador e poder atender as diversas realidades da docência e a educação escolar, mas, integrada a uma reforma educacional, que mude o sistema em que os professores irão ensinar, pois o tipo de professores que temos determinará o tipo de aluno para ser formado, assim de simples, de total responsabilidade do Estado.
Uma questão para ressaltar diz respeito ao que acontece com os Institutos de Educação Superior Privados, o crescimento anárquico e as poucas exigências por parte do Ministério da Educação para a entrega de licenças de funcionamento, evidencia que muitos deles não contam com programas pedagógicos, docentes, locais, equipes adequadas, para garantir uma educação profissional medianamente competitiva, mas funcionam porque as pessoas mordem o anzol da carteirinha (para pagar meia passagem no transporte) e o título profissional, mas que cada dia tem menos contato com a educação pública. As representações sindicais (SIDES, SUTEP) devem superar suas conceições gremialistas dirigir ações em defesa da profissão, pois não se conhecem processos judiciários sobre os desacertos da política magisterial.
Espera-se que assim como aumenta a quantidade desses centros de estudos, também aumente a qualidade, porque indubitavelmente o país precisa de uma educação, pública ou privada, com qualidade; mais ainda quando os processos educacionais foram absorvidos pela globalização, gerando o que se conhece como “sociedade do conhecimento”. O Estado deve reconhecer o melhor da educação privada, respeitar o status, mas também deve impor sua autoridade real e capacidade técnica para supervisá- los, enquanto se implantam programas de fiscalização e reconhecimento institucional que vários setores estão propondo e que consiste em avaliar periodicamente às instituições de Formação Magisterial, para informar aos usuários e assim garantir a qualidade educativa, entre outras medidas.
d) Capacitação Docente
Planejada desde 1993, com a iniciação de um curso de atualização para professores capacitadores, que devia ter um efeito multiplicador, está constituído por programas curtos, de caráter instrumental, dirigidos para dar aos docentes as ferramentas que lhes permitam potencializar suas capacidades criativas. Sua execução responde a lineamentos estabelecidos pelo PLANCAD (Plano Nacional de Capacitação Docente) que se desenvolveu através de uma Rede Nacional de Instituições Educativas selecionadas (mais de 100), como entes executores, e de forma desconcentrada, fizeram continuas e progressivas capacitações a nível nacional para pôr em prática as novas estratégias de metodologia ativa, propiciando o trabalho em grupo, participativo e integrado, e a aplicação de um sistema de avaliação coerente com o planeamento estabelecido. Considera-se também aqui a capacitação que recebem as Direções, através do PLANGED (Plano Nacional de Capacitação em Gestão) que incorporou por função ao pessoal da sede centra e órgãos intermédios com a finalidade de atualizá-los nas novas técnicas e enfoques de gestão institucional, pedagógica e administrativa, fortalecendo o processo de modernização e descentralização educativa. É a linha de maior impulso de caráter presencial e que se fez com o apoio da cooperação internacional, obrigando ao reordenamento substancial e geral da prática educativa para o êxito de sua função.