6.3 PRÉ PROJETO
6.3.1 Programa de necessidade e fluxograma
Definidas diretrizes por meio de estudo de caso do CAPS do município de Colatina/ES, legislações, normas, cartilhas e de referencial bibliográfico, torna-se possível iniciar decisões pré projetuais de modo a priorizar a qualidades dos espaços, bem como condições básicas a serem atendidas. Dessa forma, pôde-se determinar o fluxograma (Ilustração 15) e programa de necessidades (Quadro 7) da construção.
Ilustração 15 - Fluxograma
Quadro 7 - Programa de necessidades
Programa de necessidades
Social Medicação Administrativo Serviço
Acolhimento Farmácia Recepção Cozinha
Área de convivência externa
Leito Administração Vestiário masculino
(funcionários) Sala multiuso Sala de medicação Assistência social Vestiário feminino
(funcionários)
Sanitário feminino Psicólogo (x2) Abrigo de gás
Sanitário masculino Psiquiatra (x2) Depósito de lixo
Área de serviço Almoxarifado Depósito de material de limpeza Utilidades Depósito de material de oficina Fonte: Autora (2019)
Esses, além de servir como guia para a criação do produto final, auxiliam a atender as necessidades de seus usuários, assim como seu bem estar.
6.3.2 Diretrizes projetuais baseadas em Avaliação Pós-Ocupação e Psicologia
Ambiental
A fim de fomentar melhores experiências para funcionários e pacientes ao longo de seu convívio na instituição, foram determinadas diretrizes projetuais baseadas na literatura de Psicologia Ambiental assim como na experiência vivida no estudo de caso realizado (APO) em um CAPS II em Colatina/ES. O Quadro 8, apresenta as diretrizes e meios de aplicação.
Quadro 8 - Diretrizes projetuais
Psicologia Ambiental
Diretrizes Aplicação
Privacidade Leitos pequenos e de baixa densidade, possibilidade de ficar "sozinho" em um espaço
Espaço pessoal Distância confortável entre indivíduos e mobiliário
Espaço refúgio Janela com abertura e permeável visualmente, pátio externo, vegetação e jardinagem
Evitar o amontoamento
Espaço de densidade confortável (baixa), pé direito alto e área externa ampla
Apropriação, pertencimento e enraizamento
Paciente ter controle sobre decisões, além de poder personalizar e organizar ambiente, incorporando sua personalidade ao espaço Sentimento de lar /
espaços acolhedores
Recepção e demais espaços de convívio com estética de lar, não adotar cadeiras enfileiradas, hortas, terraço estilo árabe para repouso com contemplação para o horizonte e pátio estilo árabe no centro da edificação (relação entre/fora), além abertura para o céu (climaticamente agradável e funcionando como espaço refúgio)
Evitar estressores ambientais
Os ambientes devem corresponder às expectativas do usuário (ambiente para descanso deve ser calmo), além de não ter temperatura ou ruídos extremos
Favorecer
interações sociais
Distância e organização que facilitem interação social, não adotar cadeiras enfileiradas evitar mesas e poltronas lado a lado, priorizando poltronas frente a frente, além da possibilidade de o usuário alterar o layout Docilidade
ambiental
Acessibilidade e facilitadores para vivenciar o espaço, pensando espaços de acordo com os usuários
Relação interno e externo
Jardim interno, terraço, grandes portas para áreas externas melhorando relação interno/externo
Fonte: Autora (2019)
Dessa forma, as diretrizes geradas a partir da revisão bibliográfica sobre Psicologia Ambiental e APO realizada visam maior conforto ao usuário, seja em sua individualidade, ou em grupo, minimizando situações de desconforto e incentivando emoções e sentimentos positivos ao vivenciar os espaços da instituição.
6.3.3 Conceito e partido
A partir das diretrizes, oriundas da revisão bibliográfica e Avaliação Pós-Ocupação (realizada em um CAPS II em Colatina), foram determinados os conceitos chave do projeto. Destacam-se como intenções do partido arquitetônico:
a) incentivar interações sociais - através de uma extensa área de convivência externa de agradável permanência, devido ao sombreamento gerado pela vegetação, muro de baixa estatura, possibilitando contato visual externo a instituição, espaços que possibilitem atividades em grupo como jardinagem, preparo de refeições, oficinas em grupo, além de pequenos núcleos de assentos voltados frente a frente. De modo a possibilitar melhores experiências aos pacientes e funcionários, visto que no estudo de caso realizado, estes já possuem relações sociais;
b) propiciar espaço possíveis de personalização por meio de painéis interativos, podendo fazer anotações e desenhos, exposição de produtos realizados em oficinas, cômodas em leitos para dispor itens pessoais, bem como estética parecida ao de um lar e incluir usuários nos processos de decisão, a fim de estimular apropriação/territorialidade, visando a construção de vínculos ambientais profundos que permitam um futuro sentimento de pertencimento associado ao lugar (MOURÃO; CAVALCANTE, 2011); c) criar ambientes acolhedores a partir do uso de formas orgânicas tanto em
mobiliários, quanto em alvenaria, mobiliários que moldam ao corpo (redes, almofadas e cordas trançadas), macio, de textura agradável, possibilitando flexibilidade do arranjo, adoção de camas e poltronas confortáveis em ambientes de leito, medicação e atendimento individual, além de um extenso avarandado, assemelhando-se de uma casa. Assim torna-se viável a sensação de aconchego nesses espaços, aparentando a um lar não apenas na estética, priorizando boas experiências a esses usuários que já carregam estigmas condicionados pela maneira que a loucura foi e é vista, bem como os julgamentos de sua comunidade e família devido situação dos usuários.
6.3.4 Processo projetual
O processo projetual deu-se a partir do entorno da construção. No primeiro contato com o terreno foi realizado o mapa de condicionantes (Ilustração 12 anteriormente citada no tópico 6.1), este tem como objetivo analisar condições de insolação, vento e ruídos, servindo como parâmetro para início de decisões projetuais. Posteriormente analisou-se a insolação no terreno considerando as edificações e vegetação já existentes em seu entorno (Ilustração 16).
Ilustração 16 - Estudo de insolação no terreno
O estudo de insolação foi executado por meio do software Sketchup 2017 (versão estudantil), sendo adotadas medidas aproximadas quanto à altura dos elementos, de modo a aproximar o desempenho do estudo com a realidade. As simulações foram realizadas considerando a localização do terreno (em vermelho) no Hemisfério Sul durante as quatro estações do ano (equinócio de outono, solstício de inverno, equinócio de primavera e solstício de verão), dessa forma foram escolhidos os seguintes horários de análise: 8h, 10h, 12h e 16h.
A partir de uma avaliação da simulação percebe-se o momento das 10h da manhã como um dos mais críticos quanto à exposição de área da superfície do terreno à incidência solar. Entretanto, vale ressaltar que o período matutino é caracterizado por uma maior incidência solar comparada ao vespertino, assim, a sensação de calor passa a ser superior. Portanto, o momento com maiores temperaturas no terreno passa a ser o horário de 10 h da manhã e 14h da tarde. Mesmo com uma menor área da superfície recebendo incidência solar, este é o momento do dia com maior intensidade da mesma, e como dito anteriormente, maior sensação térmica. Principalmente ao se falar no período de solstício de verão, em que suas condições se encontram mais vulneráveis. Dessa forma, pode-se pensar soluções arquitetônicas para proteção térmica, localização de cômodos e forma da edificação de modo mais eficiente, zelando pelas superfícies mais críticas termicamente. A partir do ensaio de insolação foram determinadas diversas decisões para melhores condições qualitativas da edificação e terreno, sendo estas: área de convivência externa voltada para fachada leste, tanto pelas condições de insolação, quanto por ser a fachada com maior potencial atrativo/interativo - ao ser voltada para praça -; uso de beiral com 1m de largura; implantação de ambientes molhados ou de pouca permanência voltadas para fachada oeste; e adoção de varanda para área externa, aliviando condições térmicas. Em virtude da área de convivência estar voltada para fachada leste (Ilustração 17), bem como seu potencial visual para praça e ser a fachada mais próxima do ponto de ônibus, optou-se pela implementação de um acesso de pedestres pela Rua Wadi Jarjura, contando com mais outro acesso de pedestres e veículos pela Rua Orestes Bongiovani (fachada norte).
Ilustração 17 - Terreno e fachadas
Fonte: Google Maps editada pela autora (2019 (2020)
Assim, deu-se início à etapa de implantação da construção a partir da topografia do terreno. Este consta com desnível total de 1,8m de norte a sul, sendo a fachada norte (Rua Orestes Bongiovani) a de nível mais alto, gerando maior desafio ao se projetar a fachada leste com substancial desnível em suas extremidades. O propósito quanto à topografia do terreno foi tentar minimizar a movimentação de terra, mas ao mesmo tempo possibilitar o acesso de usuários das mais diversas modalidades.
Para determinar tais questões, iniciou-se o estudo de massa da edificação. Com isso, resgatou-se o conceito de incentivar interações sociais, além de criar um elemento com estética dinâmica o mais parecido com uma casa. Assim, algumas condições tornaram-se importantes para o modelo, como: volumes interativos; adoção de varanda voltada para a fachada leste (Rua Wadi Jarjura); uso de forma orgânica no ambiente de acolhimento, sem comprometer o nível de complexidade para execução em obra; baixo gabarito; maior aproveitamento do terreno para uso de área externa como espaço de convivência; visual para esquina permeável; e
telhado colonial.
Portanto, iniciou-se o estudo de massa, resultando nas possibilidades dispostas na Ilustração 18. Após gerar diversas opções, optou-se por aquela que melhor atendesse as condicionantes explanada anteriormente, sendo adotada a opção de massa F. Deve-se ressaltar que este esboço volumétrico serviu apenas como base inicial, sofrendo alterações ao longo do processo.
Ilustração 18 - Estudo de massa
Fonte: Autora (2020)
Ao considerar o indivíduo como elemento central para o desenvolvimento do projeto, e estando ciente da grande influência do layout em seu comportamento e experiências, optou-se por iniciar o projeto pela determinação do layout em cada ambiente. Dessa forma, foi desenvolvido um pré-dimensionamento de cada ambiente definido pela disposição de seus mobiliários, respeitando condições mínimas de conforto e de acessibilidade (Ilustração 19).
Ilustração 19 - Pré-dimensionamento
Após este estudo prévio, foram recortadas as áreas de cada ambiente e usadas como peças de um mosaico para criação de um esboço da planta baixa, influenciando em seu volume arquitetônico (Ilustração 20 e 21). Assim, foi possível determinar projeto e volume, considerando primeiramente as experiências de uso desses espaços e posteriormente, sua estética.
Ilustração 20 - Estudo do mosaico - 1º pavimento
Ilustração 21 - Estudo do mosaico - 2º pavimento
Fonte: Autora (2020)
Com este pré-estudo tanto de layout, quanto de volume, o projeto passou por um processo de aprimoramento, ajustando problemas dimensionais que surgiram ao longo da criação do mosaico, otimizando o volume e soluções de layout. Contudo, a volumetria final ficou terminada como abaixo (Ilustração 22, 23 e 24).
Ilustração 22 - Volumetria: fachada leste
Fonte: Autora (2020)
Ilustração 23 - Volumetria: fachada leste
Ilustração 24 – Volumetria: fachada norte
Fonte: Autora (2020)
A partir desta volumetria foi possível atender as condições legais dos índices urbanísticos. Vale ressaltar que o pavimento adotado para estacionamento se trata de um material semipermeável, contribuindo para a drenagem. As decisões projetuais resultaram nas seguintes taxas quadro 9 e em sua implantação como demonstra a ilustração 25.
Quadro 9 - Índices urbanos do projeto
Índices urbanos Área do terreno (m²) Taxa de permeabilidade (m²) Coeficiente de aproveitamento máximo (m²) Taxa de ocupação (%) 1100,17 674,29 355,87 37,13 Fonte: Autora (2020)
Ilustração 25 – Implantação
Fonte: Autora (2020)
Resultando em uma construção de dois pavimentos, sendo o primeiro voltado para lazer, acolhimento e atendimentos urgentes (Ilustração 26), o segundo para atendimento individual, administração e serviço (Ilustração 27) e seus cortes (Ilustração 28 e Ilustração 29). Todos disponibilizados no apêndice de projeto arquitetônico.
Ilustração 26 – Planta layout - 1º pavimento
Ilustração 27 - Planta layout - 2º pavimento
Ilustração 28 – Corte AA
Fonte: Autora (2020)
Ilustração 29 – Corte BB
A fim de aproximar a estética da construção à uma residência, bem como melhorar condições térmicas interna, adotou-se pelo uso do telhado colonial de média complexidade para execução, e ainda assim, dinâmico e com diversos volumes. Optou-se pelo uso de esquadrias de madeiras por seu desempenho e estética residencial; criação de área de lazer externa, por meio de aproveitamento máximo do terreno; implementação de uma calçada em todo o entorno da edificação, funcionando como passagem mas também podendo ser utilizada como assento devido ao desnível entre a calçada e o terreno; muro de divisa com a rua de 1,10m de altura para melhor permeabilidade visual, potencializando a interação dos usuários internos a instituição com o entorno, tornando o ambiente mais agradável tanto pelo visual para praça como espaço refúgio, quanto pela liberdade de ir e vir; além do uso de pintura lúdica pontuais, tornando o ambiente mais dinâmico e menos apático, afastando a sensação de instituição e aproximando de um lar, sendo fundamental para desenvolver pertencimento pelo ambiente.
Ilustração 30 - Bougainville em laranja, amarelo, rosa claro e branco
No sentido da vegetação, optou-se pela Bougainville em laranja, amarelo, rosa claro e branco por todo o quintal (Ilustração 30). O benefício dessa planta é poder usá-la tanto como arbusto, árvore e trepadeira, tendo floração do período da primavera ao inverno, além da localização do terreno atender a exposição de sol ideal para esta variedade. Assim, a Bougainville foi adotada como árvores em suas fachadas voltadas para rua (fachada norte e leste), e como trepadeira na divisa com lotes (fachada sul e oeste). Além desta, considerou o emprego de árvores frutíferas como acerola e pitanga, também favoráveis para o clima da região. Desta forma, a vegetação de maior estatura encontra-se próximo aos subespaços de assento e atividades, tornando-os frescos e sombreados, mais agradáveis para permanência, além de auxiliar para uma fachada mais colorida e atrativa. Vale ressaltar que este espaço externo ainda é proposto a servir em ocasiões de assembleia, fazendo uso de um espaço mais agradável para tal situação.
Assim, projetou-se a área de convivência externa, esta foi pensada com o propósito de servir como espaço refúgio para os usuários da instituição, além de ser um local para descanso, interação social e funcionamento de atividades oferecidas pelo CAPS. O acesso para este pátio pode ser feito pela circulação horizontal da edificação ou pela rua. Esse conta com diversos subespaços cobertos e descobertos, podendo ser utilizado para exposição de artes produzidas nas oficinas por meio da apropriação, de modo a incentivar seu pertencimento. Os subespaços descobertos contam com: (a) núcleos individuais para redes de descanso, possibilitando momentos de privacidade; e (b) diversos núcleos de móveis orgânicos dispostos frente a frente, propiciando interação social. Bem como o espaço da varanda que conta com subespaços de mobiliário orgânicos, também organizados frente a frente.
Deve-se ressaltar que os mobiliários adotados na instituição detêm como característica flexibilidade de arranjo, maciez, textura agradável, ludicidade e adoção de materiais que moldam ao corpo (como redes, almofadas e cordas trançadas - Ilustração 31), propiciando maior conforto e aconchego para seus usuários, além de poderem ser arrastados e reorganizados como bem entender. A proposta é de se sentir ‘abraçado’ por esses ambientes e brincar com seu arranjo.
Ilustração 31 - Mobiliários que abraçam
Fonte: Mirian Decor (2011) e Eternity Modern (2020) adaptado pela autora (2020)
Ainda na parte externa, encontra-se acesso para ambulância em casos de emergência, acessada pela fachada norte, e uma horta próximo ao acesso leste, aproveitando o sol da manhã para o plantio. A horta encontra-se à 80m de altura, melhorando sua acessibilidade e condições de docilidade ambiental, de modo a favorecer a relação dos usuários com tal espaço, possibilitando experiências positivas por meio de seu uso. A proposta de plantio vem para ser adotada como atividade terapêutica, bem como fazer proveito de alimentos e temperos na cozinha da instituição. Assim, ao incluir seus usuários no processo, incentiva-se sentimentos de pertencimento por aquele espaço a partir da apropriação, além de interações sociais.
Ao adotar a interação social como conduta principal e tomar o espaço de convivência como local primordial para tal ação, priorizou-se esse para o primeiro pavimento, com parte coberta e descoberta. Por esta razão, preferiu-se disponibilizar maior área para a convivência de usuários, tornando inevitável o uso
de dois pavimentos para a instituição. De modo a proporcionar melhorias de sua funcionalidade, preferiu-se destinar o primeiro pavimento para setores de acolhimento, convívio e medicação.
Além da área de convivência, o primeiro pavimento é composto por: acolhimento, recepção, sala multiuso, cozinha, sala de medicação, leito, sanitário feminino, sanitário masculino, depósito de lixo e central gás. O acolhimento (Ilustração 32) foi idealizado para ser o primeiro contato do paciente à instituição, funcionando como espaço de espera da recepção, por isso pode ser acessado pelas duas fachadas do terreno (norte e leste). Este ambiente foi planejado de modo a ser agradável e aconchegante, para tal adotou-se um semicírculo em parte de sua arquitetura, empregando a sensação de ‘abraço’ por meio de formas orgânicas. As janelas escolhidas para esta parede são do tipo capela como peitoril de 80 cm, desta forma a esquadria não produz quebra na forma circular, além de propiciar paisagem 180º para o jardim.
Ilustração 32 - Perspectiva acolhimento
A fim de aproveitar a aparência circular da alvenaria, harmonizou-se o layout orgânico do ambiente junto à cadeiras de balanço acolchoadas disponibilizadas frente a frente, de modo a beneficiar a interação social, além de compor outros dois subespaços mais reservados, propiciando melhoria na privacidade, sendo o primeiro com duas ‘cadeiras’ que moldam ao corpo, e o segundo com um sofá de três lugares (lado a lado). Deve-se ressaltar que este ambiente também possui espaços para pessoas com cadeira de rodas, podendo estar dispostas frente a frente com outras pessoas para interação social, ou lado a lado optando pela privacidade. Com isso, um mesmo espaço promove diversos tipos de experiências de uso, atendendo à privacidade do indivíduo e a interação entre os mesmos. Já a recepção foi definida para ser um subespaço do ambiente de acolhimento, sendo apenas separadas pela mesa de atendimento (também em formato semicircular), sendo pensada para ser um móvel acessível, de modo a possuir duas alturas para atendimento. Ainda na recepção encontra-se arquivos para armazenamento físico de dados dos pacientes.
Ao entrar na instituição pela recepção depara-se com uma circulação horizontal de 2m de largura, dimensão considerável para atender a acessibilidade, fluxo da população e para acesso de macas, além de funcionar como expositor de artesanatos realizados em oficinas, por meio desta apropriação é possível incentivar o sentimento de pertencimento. Voltada para tal circulação, encontram-se os sanitários feminino e masculino de pacientes e visitantes, sendo adotado um anteparo de muxarabi em frente ao acesso dos banheiros para privacidade dos usuários, além de sua função estética. Os sanitários possuem uma mesma parede hidráulica, criada por meio de três lavatórios espelhados. Além disso, no feminino encontram-se quatro cabines sanitárias, sendo uma acessível com lavatório; e no masculino, três cabines sanitárias, sendo uma acessível também com lavatório interno à cabine, bem como dois mictórios.
A fim de priorizar o atendimento emergencial e facilitar o processo de triagem, logo após os sanitários encontram-se leito compartilhado e sala de medicação, descomplicando o deslocamento pela instituição em casos de urgência. O primeiro ambiente (Ilustração 33) foi planejado para receber dois pacientes, dessa forma, foram dispostas duas camas de solteiro, duas poltronas para acompanhante, duas mesas de cabeceira e um armário multiuso, podendo atender tanto aos pacientes,
quanto a equipamentos básicos para procedimentos (gaze, algodão, etc). O intuito deste ambiente é possibilitar o uso de leito de modo a propiciar privacidade aos pacientes, optando por sua baixa capacidade - mas que ainda atenda a demanda da instituição. Em virtude disso, fez-se proveito da diferenciação das cores do piso para criar subespaços, influenciando positivamente na consolidação dos espaços pessoais. Já a apropriação foi incentivada por espaços possíveis de personalização de simbologia, por meio de espaços como a cômoda de cabeceira, armário - podendo dispor porta-retratos - e parte da parede tipo ‘lousa’ onde o paciente pode se expressar através de desenhos e escrita. Além do mais, este ambiente conta com uma parede de pintura lúdica, assim como camas e poltronas macia para melhor aconchego do espaço.
Ilustração 33 - Perspectiva leito compartilhado
Fonte: Autora (2020)
Assim como o leito, a sala de medicação vem com o propósito de viabilizar a apropriação, além de seu caráter lúdico, sendo possível por meio de pinturas