5. PLANO DE CONSERVAÇÃO E RECUPERAÇÃO DA COBERTURA
5.2 RECUPERAÇÃO DA COBERTURA VEGETAL
5.2.1 Programa de Recuperação e Reflorestamento de Encostas
As encostas íngremes da Serra do Mar, quando sem cobertura florestal, tornam-se ex-tremamente susceptíveis a processos erosivos que aliados às características dos solos e à alta pluviosidade, tornam a região propensa a ocorrências como as registradas em fe-vereiro de 1996: 79 pontos de deslizamentos na BR-101 entre Itacuruçá e Paraty (vide Plano de Monitoramento). As obras de engenharia necessárias à recuperação das en-costas foram orçadas em R$ 64.000.000,00 (Relatório de Ocorrência do DNER, 1996). O plantio de vegetação adequada permite melhorar a estabilidade dos taludes, natural ou artificial, pois protege a superfície exposta contra os efeitos danosos da erosão superfici-al; reduzir grande parte da água da chuva que poderia infiltrar-se no solo devido à interceptação; preservar de forma mais uniforme as tensões de sucção devido à absorção da umidade do solo pelas raízes; além de representar um significativo aumento da resistência do maciço devido à trama de raízes. As áreas degradadas ao longo da
BR-restamento são permanentes, tornando também mais agradável a paisagem.
Além da problemática da erosão ao longo da BR-101 outras conseqüências decorrentes de usos inadequados que eliminam a cobertura florestal das encostas devem ser citadas: • um dos principais causadores do assoreamento no rio Perequeaçu é o desmatamento
na Serra da Bocaina (em torno da estrada Cunha-Paraty) para atividades agrícolas;
• a substituição da mata de encosta nativa por bananeiras aumenta 10 vezes a taxa de erosão
Metodologia
A recuperação de áreas degradadas tornou-se um dos assuntos mais pesquisados na área de meio ambiente devido às suas conseqüências, especialmente em relação à ero-são. Existem várias metodologias sendo desenvolvidas com o objetivo de recompor es-sas áreas a uma situação semelhante à anterior ao desmatamento e de diminuir os cus-tos de implantação e manutenção. Os métodos mais utilizados atualmente são:
a) Tapete Verde - tecnologia desenvolvida pela EMBRAPA para recuperação de áreas degradadas utilizando principalmente mudas de leguminosas nativas ou exóticas previamente inoculadas com bactérias fixadoras de nitrogênio, diminuindo os custos com adubação. Algumas espécies, como a Acacia Mangium, podem atingir 2m em apenas 1 ano. As mudas são produzidas normalmente em tubetes. O custo total de implantação e de manutenção é de R$ 5.000,00/ha.
Vantagens: menor custo, recobrimento rápido do solo.
Desvantagens: ecologicamente não é o mais recomendável, pois não há diversidade
de espécies e grande parte das mudas utilizadas são exóticas.
b) Plantio Adensado - tecnologia desenvolvida pela UFRRJ, onde o espaçamento em média é de 1 x 1, ou seja são 10.000 mudas por ha. O recobrimento do solo é rápido, em torno de 1 ano. As espécies utilizadas são prioritariamente nativas. O custo total de implantação e manutenção é de R$ 10.000,00/ha.
Vantagem: recobrimento rápido do solo. Grande diversidade de espécies e
ecologi-camente mais adequado.
Desvantagem: alto custo de implantação e manutenção.
c) Plantio Tradicional - Esse é o método mais utilizado atualmente para recuperação de encostas com predomínio de gramíneas. O espaçamento médio utilizado é 2 x 2. As espécies mais utilizadas são as pioneiras e secundárias iniciais, porém sem maio-res critérios de distribuição das mesmas no campo. Existe uma variação dessa me-todologia desenvolvida pela CESP, onde as espécies pioneiras são consorciadas com as de estágios sucessionais mais avançados. O custo médio de implantação e de
degradação, visando o menor custo de recuperação, ou seja:
- as áreas críticas como as encostas degradadas (local de retirada de saibro) e as voço-rocas, onde a instabilidade das encostas exige um recobrimento rápido devem ser re-florestadas pelo método Tapete Verde. (24 ha de encosta degradada).
- nas áreas onde se observa alguma regeneração de pioneiras como o alecrim (arbusti-va) ou embaúbas (arbóreas), devem ser abertos aceiros com 5m de largura de forma a isolar as capoeirinhas e demais formações florestais da ação do fogo. Grande parte das encostas da região apresentam a possibilidade de regeneração natural, o que diminuiria significativamente o custo de reflorestamento das áreas degradadas.
- nas encostas onde ocorrem processos intensos de erosão devem ser utilizados os mé-todos de Tapete Verde ou Plantio Adensado e onde as condições não forem tão des-favoráveis utiliza-se o Plantio Tradicional.
- nas áreas de pastagens degradadas, como as que ocorrem na Graúna, deve-se utilizar o Plantio Tradicional, porém somente com espécies nativas, pois encontram-se no inte-rior do PNSB.
As áreas com prioridade de recuperação são: encostas da BR - 101 localizadas na APA do Cairuçu e no distrito de Monsuaba (deslizamentos ameaçam a comunidade a jusante da microbacia), encostas da Cajaíba (comunidade apresenta sérios problemas de falta de água), Mamanguá (problemas de saúde - leishmaniose - decorrentes dos desmata-mentos), Graúna (pastagens degradadas ameaçam fragmentar o PNSB), Bairros da En-seada e Retiro em Angra (escassez de água nos períodos de estiagem e assoreamento da Baia da Ribeira) e Araçatiba.
PLANO DE AÇÃO
Atividades Tarefas
Recuperação florestal das encostas ao longo da BR-101 localizadas no interior da APA do Cairuçu
Plantio tradicional em 550 ha. Etapas: abertura de aceiros, combate a formiga, preparo do solo, plantio, replantio e manutenção por três anos
Plantio adensado em 65 ha. Mesmas etapas de plantio tradicional, porém a manutenção se reduz para um ano
Isolamento da área restante (1.039 ha) com a abertura de aceiros que deverão ter 5m. A manutenção dos aceiros será realizada 2 vezes por ano pouco antes do períodos de estiagem (início de junho e final de agosto)
Fiscalização freqüente nos períodos de estiagem Recuperação florestal das encostas adjacentes a BR-101
localizadas na sub-bacia de Monsuaba
Plantio tradicional em 220 ha
Plantio adensado em 30 ha. Manutenção por um ano.
Recuperação da encosta da Cajaíba Plantio adensado em 97 ha, devido as condições adversas do local: exposição
aos ventos e solo bastante raso.
Isolamento da capoeirinha a montante da área desmatada evitando o perigo de queimada. Os aceiros deverão ser abertos com o trabalho voluntário da comu-nidade.
Atividades Tarefas
Aquisição ou produção de 1.000.000 mudas pela Prefeitura de Paraty para dis-tribuição aos proprietários de terra na Graúna.
Reflorestamentos das encostas dos bairros Enseada e Retiro em Angra dos Reis
Plantio tradicional de 210 ha. O reflorestamento poderá ser feito seguindo o exemplo do trabalho realizado pela Prefeitura do Rio de Janeiro: sistema de mutirão, com a contratação de mão de obra proveniente das comunidades en-volvidas
Recuperação das encostas do distrito de Araçatiba (Ilha Grande)
Tapete Verde em 4 ha (em torno de uma voçoroca). Plantio tradicional em 50 ha, no sistema de mutirão.
Recuperação das encostas degradadas por atividades de extração de saibro
Plantio adensado ou tapete verde de 23 ha. Por serem áreas que foram explo-radas deverá ser exigido dos responsáveis um plano de recomposição paisa-gística do local e sua execução.