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PROGRAMA DE VIGILÂNCIA DE VIOLÊNCIAS E ACIDENTES (VIVA)

No documento DISSERTAÇÃO DE MESTRADO PROFISSIONAL (páginas 30-34)

Prévio à implantação do Programa Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA) algumas bases legais foram definidas. Quais sejam:

● o Decreto no 5.099, editado em junho de 2004, regulamentou a Lei no 10.778/03, criando os serviços de referência sentinela aos quais serão notificados compulsoriamente os casos de violência contra a mulher (GAWRYSZEWSKI et al., 2007);

● a Lei federal no 10.778, de 24 de novembro de 2003, instituiu a notificação compulsória, no território nacional, de todos os casos de violência contra a mulher, que procuram atendimento de saúde nos serviços públicos e privados (GAWRYSZEWSKI et al., 2007; BRASIL, 2010);

● a Portaria no 2.406, de 5 de novembro de 2004, do MS, que estabeleceu a Ficha de Notificação/Investigação Compulsória de Violência Doméstica, Sexual e Outras Violências Interpessoais (GAWRYSZEWSKI et al., 2007);

Cabe reiterar que em crianças e adolescentes menores de 18 anos de idade, a suspeita ou confirmação de abuso sexual deve, obrigatoriamente, ser comunicada ao Conselho Tutelar ou à Vara da Infância e da Juventude, sem prejuízo de outras medidas legais, conforme art. 13 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990. Essa medida é de extremo valor para oferecer a necessária e apropriada proteção para crianças e adolescentes. Segundo o art. 2 do ECA, considera-se criança a pessoa menor de 12 anos e adolescente aquela com idade maior que 12 e menor que 18 anos (GAWRYSZEWSKI et al., 2007, p. 1.271; BRASIL, 2010).

● a Portaria no 1.356, de 23 de junho de 2006, com o objetivo de repassar recursos financeiros aos Estados, Distrito Federal e municípios para implementar a Vigilância de

Violências e Acidentes em Serviços Sentinela de Urgência e Emergência (GAWRYSZEWSKI et al., 2007).

Assim, a iniciativa do MS quanto a implantação do VIVA, tem a pretensão de ser um sistema que complemente os SIS já existentes. Para isso foram criados dois métodos, o primeiro é a vigilância de acidentes e violências em emergências hospitalares selecionadas, com coleta de dados realizada em um único mês a cada ano, através de uma amostra; o segundo trata da vigilância das violências sexual, doméstica e outras violências interpessoais em serviços de referência, com coleta de dados universal e contínua (BRASIL, 2010; BRASIL, 2012; GAWRYSZEWSKI et al., 2007).

A monitorização da ocorrência de violências e acidentes compõe uma das diretrizes da Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências, estabelecida no Brasil em 2001. Esta política visa à superação dos problemas relativos aos processos de investigação e informação quanto à ocorrência destes agravos, através da melhoria da cobertura e da qualidade dos dados oriundos dos SIS existentes e o estabelecimento de ações de vigilância epidemiológica juntamente com a identificação de fatores relacionados aos casos de morbimortalidade por violências e acidentes (BRASIL, 2010).

Mediante as inúmeras atividades que vêm sendo executadas nos últimos anos, a fim de monitorar o processo da morbimortalidade por causas externas no SUS, o VIVA tem contribuído para a avanço do conhecimento sobre as características dos acontecimentos das causas externas, confirmando a magnitude do problema, estimulando os serviços de saúde ao tratar as ações de vigilância e prevenção desses agravos e assistência às vítimas (BRASIL, 2009; BRASIL, 2010).

O VIVA configura-se como elemento fundamental para impulsionar a vigilância das causas externas e suscitar o desenvolvimento de ações voltadas para a prevenção das violências e acidentes, pautadas na promoção da saúde e da cultura de paz, congregando instituições, serviços, profissionais e setores da sociedade civil organizada (BRASIL, 2010, p. 130).

A finalidade de instituir o VIVA nos hospitais e serviços de referência de violências sentinela é permitir o acesso às informações sobre as causas externas ainda pouco conhecidas, com prevalência elevada causando impacto na saúde da população (GAWRYSZEWSKI et al., 2007).

São vantagens da implantação do VIVA Inquérito: rápida implantação do programa, boa qualidade da informação considerando que as equipes são treinadas e acompanhas diretamente, garantindo, assim, maior fidedignidade dos dados coletados com obtenção dos

resultados em tempo real para análise imediata dos dados transformando-os em informação. Entretanto, também existem limitações, ressaltando-se a dificuldade de generalização dos dados, pois estes não são representativos do município e do estado, acarretando limitações para a construção e comparação de taxas (GAWRYSZEWSKI et al., 2007).

São tidos como critérios determinantes que nortearam a escolha dos municípios prioritários para a implementação do VIVA Inquérito no Brasil:

a) altas taxas de morbidade e mortalidade por acidentes e violências, considerando o ranking das violências, definido a partir do SIM/Datasus;

b) prioridades estabelecidas pela matriz de exploração sexual do Programa de Atividades Integradas Referenciais (Projeto PAIR) definida pela Secretaria Especial de Direitos Humanos – SEDH;

c) municípios prioritários definidos pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres;

d) municípios prioritários definidos pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial;

e) municípios prioritários de prevenção de violências e exploração sexual definidos pela área técnica de Saúde da Mulher/Secretaria de Assistência à Saúde/Ministério da Saúde;

f) municípios prioritários de prevenção de acidentes de trabalho e municípios sentinela definidos pela área técnica de Saúde do Trabalhador/ Secretaria de Assistência à Saúde/ Ministério da Saúde;

g) existência de Núcleo de Prevenção da Violência e Promoção da Saúde;

h) existência de serviço de emergência hospitalar e de referência ao atendimento às vítimas de violência;

i) participação no projeto-piloto do Ministério da Saúde/Secretaria de Vigilância à Saúde que testou a Ficha de Notificação Compulsória de Violência contra a Mulher (e outras Violências Interpessoais);

j) participação no Projeto de Redução da Morbimortalidade por Acidentes de Trânsito;

l) decisão política e capacidade técnica e de gestão (GAWRYSZEWSKI et al., 2007, p. 1.273).

Foi definido que a seleção dos serviços fosse realizada em conjunto com as SES e SMS, segundo os fluxos de atendimento locais, distribuição geográfica, existência de centros de referência, entre outros. Também foi considerada a declaração de interesse em participar do sistema, contando com uma estrutura para o incremento da atividade com uma equipe mínima de profissionais, sem contar os profissionais que já oferecem assistência no serviço (GAWRYSZEWSKI et al., 2007).

O VIVA é um novo sistema com o objetivo de colaborar para expandir o conhecimento sobre o impacto ocasionado na população brasileira frente à ocorrência dos acidentes e violências, considerando que estas informações são imperativas para a prática de ações de prevenção e controle do tema, para a avaliação das ações implementadas e para melhor viabilizar o planejamento dos recursos e serviços. Frente ao tratamento das causas externas convém ressaltar que as ações devem ter caráter de articulação intra e intersetorial

(GAWRYSZEWSKI et al., 2007).

3.4.1 Dados do VIVA Inquérito (BRASIL, 2009)

O VIVA Inquérito trouxe como resultados principais o predomínio dos atendimentos de emergência decorrentes de acidentes (causas não intencionais), cujas vítimas mais frequentes foram do sexo masculino, crianças e adultos jovens, de cor parda e com baixo nível de escolaridade. Dentre as vítimas notificadas pela violência (causas intencionais), novamente destacaram-se o sexo masculino, sendo adultos jovens, de cor parda e preta e baixa escolaridade referida. As vítimas da violência foram conduzidas ao serviço de saúde majoritariamente pelo SAMU e viaturas policiais, enquanto as vítimas atendidas decorrentes dos acidentes empregaram com maior frequência o veículo particular e o transporte coletivo (BRASIL, 2010).

Mediante os dados do VIVA Inquérito de 2009 realizado no Brasil foi possível perceber que:

a maior frequência de atendimentos ocorreu aos finais de semana, principalmente aos sábados e domingos. Nesses dias, as proporções de atendimentos decorrentes de violência superaram os atendimentos por causas acidentais. De terça-feira a sexta- feira, a frequência de atendimentos por eventos acidentais foi superior à frequência observada para os atendimentos resultantes de violências (BRASIL, 2010, p. 128).

Ainda mediante os dados colhidos através do VIVA Inquérito, verificou-se que entre as vítimas atendidas em função dos acidentes, foram mais prevalentes as quedas prosseguidas dos acidentes de transporte, ferimentos por objeto perfurocortante, choque contra objetos ou pessoa, entorse, corpo estranho, queda de objetos sobre pessoa, acidentes com animais e queimaduras (BRASIL, 2010).

No que tange às vítimas da violência notificadas e atendidas por meio do VIVA Inquérito, houve predomínio em homens, adolescentes e adultos jovens, e consequente a agressões/maus tratos, praticados por meio de agressão física. A maior proporção de atendimentos por violências envolvendo objeto perfurocortante e arma de fogo foi verificada no sexo masculino, sendo que no sexo feminino sobressaíram as agressões por espancamento e ameaça verbal. Independentemente do sexo da vítima, usualmente o agressor era do sexo masculino, salientando-se que as vítimas masculinas referiram ser agressores desconhecidos na maioria das vezes. Já entre as vítimas do sexo feminino, estas relataram, na maior parte das vezes, que violência sofrida foi praticada pelos próprios companheiros ou ex-companheiros

(BRASIL, 2010).

No documento DISSERTAÇÃO DE MESTRADO PROFISSIONAL (páginas 30-34)

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