CORRESPONDÊNCIAS TOPONÍMICAS
VIII. Programa do concurso para um monumento a Mousinho de Albuquerque
Publicado em DG, s. II, n. 65, 19 de Março de 1936. Transcrito de Saial 1991 (anexo). MINISTÉRIO DAS COLÓNIAS
Repartição do Gabinete Aviso de concurso
Perante a subcomissão de Lisboa do Monumento ao Alto Comissário de Moçambique, Joaquim Mousi- nho de Albuquerque, composta das seguintes perso- nalidades: general Ernesto Maria Vieira da Rocha, presidente; vogais: João de Azevedo Coutinho, coronéis de reserva Alfredo Baptista Coelho, Antó-
nio de Andrade, Aníbal Sanches de Miranda, Luiz Cândido Patacho, José de Oliveira Serrão de Aze- vedo, Conde da Ponte, Conde de Vilas Boas, faculta- tivo do Q.S.M., reformado, Francisco Maria do Amaral e tenente coronel do S.A.M., Joaquim Mar- reiros, todos nomeados no B.O.M. [Boletim Oficial de Moçambique], com plenos poderes como delega- dos representantes da grande comissão da colónia de Moçambique, de que é presidente nato o Ex.mo
governador-geral José Ricardo Pereira Cabral, é aberto concurso, entre todos os escultores e arqui- tectos nacionais, que desejarem concorrer para a construção de uma estátua equestre àquele Alto Comissário, em Lourenço Marques, cujo programa, aprovado pela grande comissão da colónia, se transcreve:
Programa do concurso para um Monu- mento ao Alto Comissário de Moçambique, Joaquim Mousinho de Albuquerque, a erigir na
cidade de Lourenço Marques
Perante a comissão executiva do Monumento a Mousinho de Albuquerque, com sede em Lisboa, Travessa de Santo António da Sé, 21, é aberto concurso entre artistas nacionais, arquitectos e escultores, que a comissão entender convidar, directa e pessoalmente, a concorrer, e que consti- tuirão, livremente, grupos em que ambas as especialidades se encontrem representadas. Pela comissão serão entregues aos artistas con-
vidados que as requisitarem: uma planta topo- gráfica, com indicação da escala, orientação e cotas de nível, do local onde deve ser construído o monumento, e bem assim quatro fotografias, de dimensões 0,13 x 0,18, tiradas do centro desse local na direcção de cada um dos pontos car- diais.
As provas do concurso constarão:
Do projecto compreendendo alçado, planta e corte na escala de 0m,02 por metro;
De uma maquette em gesso, à escala de 0 m,10
por metro, indicado o material empregado por meio de cor;
De um orçamento detalhado, com as respecti- vas medições, organizado com as séries de preços locais em Lourenço Marques, que serão fornecidas pela comissão dos trabalhos que ali tiverem de ser executados, e com as séries de preços de Lisboa, dos trabalhos que tenham de ser executados na metrópole; Memória descritiva e justificativa da maquet-
te, com a indicação precisa de todos os mate- riais a empregar: bronze, liós ou mármore. As fundações do monumento e quaisquer outros
trabalhos até à linha de terra serão mandados executar pela Câmara Municipal de Lourenço Marques, a expensas suas.
O bronze que for empregado no monumento será fornecido pelo Estado.
A importância destinada à construção deste monumento, incluindo o encaixotamento, seguro, transporte, e montagem no local, em Lourenço Marques, não excederá a 1 000 000$.
A estátua de Mousinho de Albuquerque será equestre e fundida em bronze.
Numa das faces laterais do pedestal haverá um baixo-relevo em bronze, representando o feito heróico de Chaimite, onde se distingam todos os oficiais que acompanharam Mousinho na prisão de Gungunhana; na outra face correspondente haverá outro baixo relevo representando a carga do combate de Macontene, que ele comandou, onde se devem distinguir as figuras de Mousinho e dos principais companheiros que o acompa- nharam na carga que efectuou; na face posterior, em letras e datas em relevo na pedra, serão con- signados os principais assuntos da sua obra mili- tar e administrativa em Moçambique; na face da frente figurará uma alegoria em bronze represen- tando a homenagem da colónia de Moçambique ao herói.
O núcleo central do monumento será de alvena- ria hidráulica, revestido de cantaria de mármore ou liós, de espessura não inferior a 0 m,30, e ten- do, nas partes salientes, uma cauda não inferior à sacada.
A altura máxima do monumento, desde o vértice até à linha de terra, não excederá a 13 metros. São excluídos do concurso todos os concorrentes
que apresentarem trabalhos que se não subordi- nem rigorosamente às condições do presente programa.
Haverá uma classificação em mérito absoluto, destinada a eliminar os concorrentes a que se refere a cláusula anterior ou cujos projectos sejam destituídos de merecimento ou excedam a verba fixada, ficando os motivos da exclusão consignados nas actas.
Uma segunda classificação em mérito relativo, entre os restantes, fixará a ordem da distribuição dos prémios e a adjudicação dos trabalhos. O júri, na sua classificação, terá em considera-
ção as observações que lhe forem comunicadas pela subcomissão quanto à verdade histórica na interpretação dos factos nele representados, ficando os artistas adjudicatórios obrigados a respeitar aquelas observações na execução dos trabalhos.
11.ª As classificações serão feitas por escrutínio secreto e maioria absoluta de votos, não sendo permitidas as abstenções.
Sempre que, em duas votações seguidas, se não possa conseguir uma maioria absoluta de votos para qualquer dos trabalhos, proceder-se-á a uma terceira votação, que decidirá por maioria relativa de votos.
O júri somente poderá deliberar com a assistên- cia de dois terços, mas, quando se trate de vota- ções, é obrigatória a presença de todos os vogais, que serão substituídos pelos suplentes quando obrigados a faltar por caso de fôrça maior.
A entrega dos trabalhos será feita no prazo que decorre de 8 de Abril até às dezassete horas de 7 de Outubro do corrente ano, contra recibo, que mencionará o número e a qualidade das peças entregues.
Em sobrescrito fechado e lacrado, marcado exte- riormente com uma divisa, e em separado das peças do projecto, que terão a mesma divisa, se indicará o nome dos autores e suas moradas. As maquettes serão apresentadas em local e hora
oportunamente indicados, com guia em duplica- do, com os seguintes dizeres:
Com a divisa ..., entregam-se em ..., para o concurso ao Monumento a Mousinho de Albu- querque, os seguintes trabalhos:
1 projecto, compreendendo alçado, plan- ta e corte;
1 maquette em gesso;
1 sobrescrito, fechado e lacrado, com um orçamento;
1 sobrescrito, fechado e lacrado, com uma memória descritiva;
1 sobrescrito, fechado e lacrado, com o nome e morada do concorrente.
Lisboa, ... de ... de 19..
Uma das guias será devolvida ao porta- dor, com o respectivo recibo.
São estabelecidos três prémios: o primeiro será a adjudicação do monumento e 10 000$; o segun- do será de 8 000$, o terceiro será de 5 000$. O júri poderá, se assim o entender, propor à sub- comissão que seja distribuído a verba única de 3 000$, a título de indemnização de despesas, pelos concorrentes de maior mérito que não tenham sido premiados.
O júri será composto pela seguinte forma: O presidente da comissão executiva do monu- mento, que servirá de presidente do júri;
Um arquitecto nomeado pela Escola de Belas Artes de Lisboa;
Um arquitecto nomeado pelo Sindicato dos Arquitectos Portugueses;
Um escultor nomeado pela Escola de Belas Artes de Lisboa;
Um escultor nomeado pela Sociedade Nacional de Belas-Artes;
Um arquitecto e um escultor nomeados, como suplentes, pela Sociedade Nacional de Belas- Artes.
As resoluções sobre a admissão ou exclusão e classificação dos projectos ficarão registadas em actas assinadas por todo o júri, não sendo permi- tidas declarações de voto.
Das decisões não haverá recurso.
As maquettes só serão expostas ao público depois de classificadas.
Os projectos não premiados serão restituídos a quem apresentar o recibo, dentro do prazo que será oportunamente anunciado.
Os pagamentos serão feitos aos adjudicatários em prestações mensais, segundo o valor dos materiais fornecidos e trabalhos realizados, pela forma a estipular em contrato, no qual não pode- rão ser alteradas as bases gerais do presente programa.
A comissão executiva fará fiscalizar e avaliar os trabalhos por uma comissão fiscal composta de artistas e técnicos competentes.
Lisboa, 14 de Março de 1936. – O Presidente da Comissão Executiva, Ernesto Maria Vieira da Rocha, general.