CAPÍTULO 3 – A EDUCOMUNICAÇÃO
3.2 O Programa Educom “Nas Ondas do Rádio” das Escolas Municipais da
Como proposta curricular, o Projeto “Rádio Escolar” disponibiliza entretenimento e informação, o trabalho com a técnica vocal, a expressão comunicativa e a criatividade dos participantes no intervalo escolar, oferecendo momentos de descontração e pedagogicamente contextualizados. Com os programas de rádio produzidos e apresentados pelos alunos, a Rádio Escolar promove o protagonismo infanto-juvenil e contribui para a melhoria na convivência escolar. Paralelamente, o participante do projeto desenvolve competências comunicativas de leitura, comunicação oral e escrita, estimulando o trabalho colaborativo e cooperativo entre os alunos participantes.
O Programa EDUCOM propõe que o jovem possa se apropriar do espaço escolar, sentir- se pertencente àquele grupo e, sendo ouvido como sujeito de vez e voz social. O rádio represnta uma oportunidade de permear outros imaginários, além de sua própria realidade; um sonho possível dentro de uma realidade que pode ser transformada, a partir de sua construção, individual e coletiva, do qual os projetos escolares visam contribuir para que o senso crítico desses jovens possam, de alguma forma, ser despertados. Uma forma de perceber o quanto a educação, não sendo silenciosa, mas desafiante, pode contribuir para uma mudança social, possível e imaginada, a partir da comunhão comunicativa entre as pessoas.
O Decreto n. 46.211, de 15 de agosto de 2005, regulamenta o Programa de Educomunicação nas Escolas Municipais de São Paulo, intitulado “Nas Ondas do Rádio”. Esse nome genericamente não se refere apenas aos projetos de rádio dentro das escolas municipais, mas a tantos outros projetos desenvolvidos pela Prefeitura de São Paulo. O projeto está integrado às novas diretrizes do Programa Mais Educação São Paulo, que visa a Reorientação Curricular e Administrativa, Ampliação e Fortalecimento da Rede Municipal de Ensino de São Paulo (RMESP), junto à Diretoria de Orientação Técnica – Educação Infantil (DOT-EI), a partir do fortalecimento das concepções expressas nas Diretrizes Curriculares Nacionais e Orientações Técnicas que defendem propostas curriculares que possam ir ao encontro das necessidades das demandas e urgências da sociedade atual, dos alunos matriculados na Rede de Ensino Pública e das Unidades Educacionais, valorizando a cultura local, as múltiplas linguagens e formas de expressão, que não são disciplinas escolares, mas sim áreas do conhecimento.
O Programa EDUCOM - Educomunicação Pelas Ondas do Rádio, foi instituído no Município de São Paulo pela Lei nº 13.941, de 28 de dezembro de 2004. Conforme prevê o Decreto que o regulamenta, considera-se educomunicação “a inter-relação entre processos e tecnologias da informação e da comunicação, e as demais áreas do conhecimento e da vida social, ampliando as habilidades e competências e envolvendo diversas linguagens e formas de expressão para a construção da cidadania”.
Conforme consta no Artigo 3º, a prática educomunicativa é desenvolvida por meio de projetos que se destinam a:
I - possibilitar a alfabetização midiática da população;
II - ampliar o acesso da população atendida pelo sistema de educação e cultura do Município às tecnologias da informação e da comunicação;
III - promover a gestão dos estúdios de rádio ou de multimeios disponibilizados tanto nas unidades educacionais quanto nos equipamentos de cultura da Prefeitura do Município de São Paulo, propiciando que a população colabore com o Poder Público na difusão de informações de interesse da educação, saúde, esporte, cultura e meio ambiente;
IV - capacitar crianças e adolescentes para o uso da linguagem radiofônica e dos demais recursos da comunicação, considerando as particularidades das comunidades envolvidas, respeitada a legislação em vigor;
V - incentivar especialmente a prática da radiodifusão de interesse público, mediante projetos nas áreas de rádio e televisão comunitárias;
VI - implementar formas coletivas de expressão como as festas populares e folclóricas e a dança, que resgatam a identidade coletiva, expressa na cultura popular.
De acordo com o Artigo 4º, compete às Secretarias Municipais de Educação, Cultura, Saúde, Esportes, Lazer e Recreação e do Verde e Meio Ambiente, bem como aos demais órgãos municipais e às Subprefeituras:
I - incluir as práticas educomunicativas em seus planejamentos anuais;
II - designar funcionários devidamente capacitados para implementá-las e coordená-las; III - destinar recursos financeiros para as despesas decorrentes.
O Artigo 5º do referido Decreto prevê que o Programa EDUCOM - Educomunicação
pelas Ondas do Rádio será desenvolvido, principalmente, nas unidades educacionais,
articulado-se ao seu projeto pedagógico, na perspectiva de instalar uma rede de comunicação que estimule a utilização de diferentes linguagens, em especial a radiofônica, na formação da competência comunicativa e da construção da leitura e da escrita. As atividades do Programa EDUCOM deverão integrar o Programa "São Paulo é uma Escola", sendo desenvolvidas prioritariamente em horário extraescolar. Para finalizar as obrigações a que se propõe o referido Decreto, a Secretaria Municipal de Educação, em seu Artigo 6º, incumbe-se de:
I - assegurar o equipamento de produção e transmissão radiofônica às escolas municipais já beneficiadas pelo programa em desenvolvimento;
II - ampliar, gradativamente, o número de escolas envolvidas no programa, abrangendo os membros da comunidade escolar e do entorno, inclusive os diretores, coordenadores pedagógicos, professores, servidores, alunos e ex-alunos;
III - assegurar a manutenção do equipamento que produz e transmite os programas radiofônicos nas escolas municipais já beneficiadas e nas que virão a fazer parte do programa;
IV - promover, por meio da Diretoria de Orientação Técnica da Secretaria Municipal de Educação, cursos de formação inicial e continuada a todos os envolvidos;
V - acompanhar e avaliar, por intermédio das Coordenadorias de Educação, as atividades desenvolvidas no programa.
Para concretizar esses as incumbências do Artigo 6º, o referido Decreto prevê, no Artigo 7º, que as Coordenadorias de Educação estão autorizadas a firmar convênios ou acordos de cooperação com instituições públicas ou privadas, para a viabilização do Programa EDUCOM, tanto para aplicação do referido projeto, como também para capacitar profissionais que atuam na área.
Segundo o Núcleo de Comunicação e Educação, da Universidade de São Paulo, o educomunicador é o profissional que demonstra capacidade para elaborar diagnósticos, bem como coordenar projetos no campo que se relaciona a educação com as comunicação, as chamadas práticas educomunicativas. Entre as atividades que ele pode desenvolver, é possível destacar: a implementação de programas de educação voltados para a comunicação, contribuindo para ações que possibilitem a grupos de pessoas se relacionarem através do sistema de meios de comunicação à disposição na sociedade, seja pelo rádio, TV, cinema, computador, etc; e, ainda, a assessoria aos educadores no sentido de proporcionar-lhes o uso adequado dos recursos da comunicação, como instrumentos de expressão da cidadania.
Por isso, o NCE da USP abrange não apenas na área da pesquisa, como também na formação de profissionais para atuar, em diversos campos da sociedade, com o que entende-se por práticas educomunicativas.
Nas Escolas Municipais de São Paulo o professor de projetos atua como um formador. A Secretaria Municipal da Educação lança anualmente os eixos em que o profissional pode atuar, ou seja, que tipo de projeto ele pode realizar junto à comunidade. Esses projetos precisam ser desenvolvidos fora do seu horário de trabalho, e o professor recebe pelas horas de trabalho extra. Não há eleição para atuar como professor de projeto, apenas o professor precisa, no início do ano letivo, manifestar a sua vontade. Ele pode, ou não, receber cursos de formação pelas próprias Diretorias de Ensino, que capacitam esses profissionais para executar determinado projeto.
Outra situação recorrente é o fato de os professores de projetos, especialmente aqueles que trabalham com eixos educomunicativos, serem também POIEs – Professor Orientador de Informática Educativa. O POIE é um professor designado e que passa por uma eleição interna, onde o grupo de professores, o Conselho de Escola e a Gestão Escolar, através de uma votação interna, escolhem o candidato que deverá ocupar a função de POIE.
A eleição ocorre democraticamente e o professor candidato ao cargo apresenta um plano de trabalho para que os membros possam escolher por votação o profissional que melhor julgarem com habilidade e competências necessárias para a ocupação do cargo. Quando eleito, o professor se afasta de suas funções junto ao cargo em que se efetivou e passa a trabalhar como professor de informática educativa. Neste caso, o professor de projetos, além de trabalhar com os projetos de educomunicação, também atua na sala de informática da escola. Isto é bastante interessante, porque que a maioria das atividades de educomunicação se valem dos recursos da informática para realização de suas atividades diárias.
Do ponto de vista prático, o professor que trabalha com projetos dentro das Unidades Escolares é um profissional com afinidade tanto para trabalhar com as novas TICs, como também com as mídias de modo geral, porque usará os recursos de um e de outro campo para a execução de suas atividades diárias junto com o seu grupo de trabalho. É um professor que tanto possui boas noções de informática, como também exercita um diálogo constante entre a escola e as mídias, como o rádio, o cinema, entre outros projetos escolares. Embora não haja um perfil previamente estabelecido para que o professor possa trabalhar com projetos escolares, Consani (2012, p. 9) entende que esses profissionais funcionam como “agentes especializados”, já que visam, de modo geral, o aprimoramento das relações sociais, especialmente dentro da escola.
O profissional que trabalha com educomunicação tem uma responsabilidade muito grande, pois ele é um mediador do processo de aprendizado entre a construção dos conhecimentos prévios e coletivos dos alunos e o trabalho com os meios. O mediador abre caminhos, propicia o espaço do diálogo e da comunicação para que todos possam se expressar e também saber ouvir, nos diversos tipos de expressão (oral, escrita, etc). O educomunicador precisa ter uma sensibilidade, um olhar atento e um cuidado muito grande para com a construção desse diálogo coletivo e que se faz em todas as etapas do processo de educomunicação, para que os alunos possam se expressar entendendo que a coletividade se constrói a partir de uma unidade.
Obviamente, os conflitos aparecerão durante o processo, porque cada pessoa tem o seu jeito de ser; porém, esse processo de convivência retoma uma perspectiva de pensar “como” todos podem conviver naquele espaço. Isso não é um processo fácil. Mesmo porque os estudantes, em sua maioria, estão acostumados com os processos verticalizados, onde alguém está por trás falando por eles. Nas práticas educomunicativas justamente explora-se a autonomia de cada um, onde cada aluno participa e contribui coletivamente.
A construção desse espaço de autonomia entre os sujeitos é um processo, onde justamente a educomunicação pauta-se diariamente sobre as relações daí advindas, bem como, os diálogos que se realizam, as trocas de experiências que dali nascem, ou seja, dar “vez e voz” para os estudantes. É importante também que os grupos de trabalho ganhem visibilidade junto aos seus pares (escola, família e sociedade como um todo), para que se sintam importantes e valorizados em suas atividades.
II – APRESENTAÇÃO DOS DADOS