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O Programa de Ensino Integral, doravante denominado PEI, segundo os documentos oficiais, visa a melhoria da qualidade da educação pública no estado de São Paulo, a qual é medida anualmente por meio de avaliação externa denominada Índice de Desenvolvimento da Educação (IDESP).

A criação do PEI toma como referência a experiência do Programa de Ensino Integral de Pernambuco, implantado em 200840 e o do Rio de Janeiro com o Ginásio Carioca41 em 2011, ambos orientados pelo Instituto de Corresponsabilidade pela Educação (ICE), formado por um

39 O programa Educação — Compromisso de São Paulo foi gestado com a participação significativa do setor empresarial, como Fundação Natura, Fundação Victor Civita, Fundação Lemann, MSC, Instituto Unibanco, Comunidade Educativa Cedac, Instituto Hedging-Griffo, Fundação Itaú Social, Itaú BBA, Iguatemi, Santander, Tellus, Parceiros da Educação, Fundação Educar DPaschoal, Fundação Bradesco, Instituto de Co- Responsabilidade pela Educação (Ice), Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Instituto Península, Instituto Arymax e da consultoria internacional McKinsey & Company. Disponível em http://www.educacao.sp.gov.br/noticias/governador-anuncia-programa-de-acoes-e-convida-a-sociedade-para- compromisso-pela-educacao acesso em 18/06/2017.

40 Sobre a implantação do PEI em Pernambuco ver http://www.educacao.pe.gov.br/portal/?pag=1&men=70 acesso em 21/022018, instituído pela Lei Complementar nº 125 de 10/07/2008.

41 Sobre a implantação do PEI no município do Rio de Janeiro ver

http://www.rio.rj.gov.br/web/sme/exibeconteudo?id=2285016 acesso em 21/02/2018 e Decreto nº 32.672 de 18/08/ 2010. Disponível em https://leismunicipais.com.br/a/rj/r/rio-de-janeiro/decreto/2010/3267/32672/decreto- n-32672-2010-cria-o-programa-ginasio-carioca-no-ambito-da-secretaria-municipal-de-educacao-e-da-outras- providencias acesso em 21/02/2018.

grupo de empresários “motivados a conceber um novo modelo de escola e resgatar o padrão de excelência do então decadente e secular Ginásio Pernambucano, localizado em Recife” e imbuído dessa atividade, tida pelo grupo como missão, passa a oferecer consultoria a diversas prefeituras e secretarias estaduais de educação. (VOORWALD; SOUZA, 2014, p.19).

A implantação do Programa é justificada pela SEE/SP também, pelas altas taxas de evasão escolar e pela constatação de ser o Ensino Médio pouco atrativo aos jovens. Assim, é apresentado como “uma possibilidade de proporcionar a formação necessária ao desenvolvimento pleno de suas potencialidades, ampliando significativamente as perspectivas de autorrealização de cada um” (VOORWALD; SOUZA, 2014, p. 21).

O princípio central do Programa concentra-se na jornada escolar estendida, medida prevista: na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN 9.394/96.

Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola. § 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas alternativas de organização autorizadas nesta Lei. § 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral, a critério dos sistemas de ensino.

E, no Plano Nacional de Educação - PNE42, meta 6, que prevê: oferecer educação em

tempo integral em, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) dos(as) alunos(as) da educação básica (BRASIL, 1996).

Seguindo as legislações federais citadas sobre o tema, a SEE/SP em seu Plano Estadual de Educação43 enfatiza a importância da garantia da educação em tempo integral em no mínimo 50% das escolas públicas da educação básica. Todavia, a despeito de estar previsto na legislação desde 1996, a ampliação da jornada diária escolar inicia-se apenas em 2006 com a Escola de Tempo Integral44 - ETI e, em 2012, com o Programa de Ensino integral, em número reduzido

42 Ver Lei 13.005/2014 – Aprova o Plano Nacional de Educação - PNE

43 Sobre o Plano Estadual de Educação de SP, ver em https://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei/2016/lei-

16279-08.07.2016.html acesso em 25/08/2019.

44 Cabe pontuar que na SEE/SP há escolas denominadas Escola de Tempo Integral – ETI, implantadas na rede estadual a partir de 2006 com atendimento exclusivo aos alunos do ensino fundamental a qual apresenta características diferentes do PEI. A despeito de coexistirem, não discutiremos as especificidades das escolas ETIs por não ser objeto de estudo nesta pesquisa, entretanto sobre o assunto ver Resolução SE nº 89 de 09/12/2005 e SÃO PAULO: SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO COORDENADORIA DE ESTUDOS E NORMAS PEDAGÓGICAS. Escola de Tempo Integral / Aluno em Tempo Integral. Setembro de 2011

https://educacaointegral.org.br/wp-

content/uploads/2013/09/educacaointegral._escola_de_tempo_integral._aluno_de_tempo_integral.pdf acesso em 01/02/2018.

de escolas em relação à proporção de escolas existentes na rede, como veremos no decorrer do capítulo.

Segundo Miranda, Veraszto e Aparício (2017) em análise da legislação federal concernente à educação em tempo integral, ressaltam que em termos legais é evidente a preocupação com a ampliação do tempo de permanência dos alunos na escola, visto que, dessa forma se constitui “ como alternativa para atenuar as disparidades sociais e expandir, de acordo com a democracia, as oportunidades de aprendizagem”( p.12). Esses autores observam também que a ampliação do tempo de permanência dos alunos na escola é um caminho para a busca da melhoria da qualidade social da educação, porém é necessário que os processos de aprendizagem sejam significativos e que a centralidade não seja meramente no estabelecimento de metas e ranqueamento entre as escolas.

Em consonância com Dourado (2007, p. 923), a formação dos alunos está além da ampliação do tempo escolar, visto que a educação integral implica em “um processo amplo de socialização da cultura, historicamente produzida pelo homem, e a escola, como locus privilegiado de produção e apropriação do saber, cujas políticas, gestão e processos se organizam, coletivamente ou não, em prol de objetivos de formação”.

O PEI se caracteriza por um modelo pedagógico e de gestão fundamentado em quatro princípios, a saber: 1) Educação Interdimensional, 2) Pedagogia da Presença, 3) Os 4 Pilares da Educação para o Século XXI e, 4) Protagonismo Juvenil, cujo objetivo central é o de formar um jovem autônomo, solidário e competente. Tais modelos se articulam por meio da utilização de instrumentos de gestão com vistas a melhoria dos resultados educacionais. Neste sentido é colocado como missão para as escolas “ser um núcleo formador de jovens primando pela excelência na formação acadêmica; no apoio integral aos seus projetos de vida; seu aprimoramento como pessoa humana; formação ética; o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico” (SÃO PAULO, 2014, p.35).

Passamos a analisar a configuração do PEI a partir da sua implantação em 2012.