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Programa Escola Ativa Segundo Santos et al.:

EDUCAÇÃO DO CAMPO AVANÇOS E CONQUISTAS

5.3.1 Programa Escola Ativa Segundo Santos et al.:

O Programa Escola Ativa (PEA) foi uma política que chegou ao Brasil, nos marcos do governo neoliberal de Fernando Henri- que Cardoso oriundo do Programa Escuela Nueva, criado para atender as classes multisseriadas na Colômbia, sob a orientação do Banco Mundial. Tal programa foi orientado com base nos pressupostos teóricos do escolanovismo, e teve como objetivo o atendimento das regiões com baixa densidade demográfica e que apresentavam pouca qualidade educacional. No Brasil, foi criado, em 1996, sendo denominado de Escola Ativa, atendendo, inicialmente, os estados do Nordeste, por meio do FUNdEsCo- lA, (Fundo de Fortalecimento da Escola), com financiamento do Banco Mundial. A metodologia desse programa tem como objetivo atender escolas multisseriadas e escolas de pequeno porte que apresentam dificuldades de acesso, localizadas na zona rural. As características dessas turmas são que concentram todas as séries/anos num único espaço, com o mesmo professor. De acordo com o mEC, em 2011, o Brasil possuía 51 mil esco- las multisseriadas, representando mais de 50% das escolas do campo, sendo que esses dados são predominantes nas regiões Norte, Nordeste e Centro- Oeste. Depois de dez anos de imple- mentado no país, sofreu severas críticas, sob a gestão do FNDE, em decorrência dos referenciais econômicos do neoliberalismo, com pressupostos teóricos de base construtivista, fundamen- tado em Jean Piaget, tendo apresentado como ineficiente para melhorar os índices negativos da educação do campo no país. Em 2007, o Programa passou a ser gerenciado pela Secretaria de Alfabetização e Diversidade (SECAD), sendo encerradas as

negociações com o Banco Mundial, e o MEC o assumiu com recursos próprios. (sANTos et al., 2013, p. 67).

Para Santos et al. (2013, p.67), o programa Escola ativa ao ser assumido pela sECAd, passou a ter uma outra orientação teórica. Nos dizeres de sANTos, et al. (2013, p.67):

Houve conflito ideológico no momento de reformulação, pois, sob a responsabilidade da sECAd, o Programa mudou de con- cepção teórica de Piaget para Vigotski, sendo orientado a partir das Diretrizes Operacionais para a Educação do Campo – Res. n. 02/2002, levando em consideração o referencial da educação do campo que tem como base pensar os sujeitos do campo, respeitando-os a partir do seu espaço.

Segundo Santos et al. (2013, p.67):

A partir de 2008, houve a expansão do Programa para todo o País, sendo os livros revisados e reeditados com o objetivo de aten- der prioritariamente à educação básica, tendo como parceiras as universidades e as secretarias municipais de educação. De acordo com o projeto base do Programa, o objetivo prioritário passou a ser “melhorar a qualidade do desempenho em classes

TErmo do glossário:

Neoliberalismo- uma palavra derivada de liberalismo, que se refere a um ideal político que apregoa a máxima liberdade individual e defende uma sociedade caracterizada pela livre iniciativa, livre concorrência econômica, liberdade de expressão e democracia.

Definição: conjunto de ideias políticas e econômicas capitalistas que defende a não participação do estado na economia. De acordo com esta doutrina, deve haver total liberdade de comércio (livre mercado), pois este princípio, segundo seu pensador, garante o crescimento econômico e o desenvolvimento social de um país. Surgiu na década de 1970, por meio de um americano chamado Milton Friedman, e tinha como objetivo propor uma solução para a crise da economia mundial de 1973, provocada, principalmente, pelo aumento do preço do petróleo.

Governo neoliberal- São os governos que adotam a doutrina do neoliberalismo.

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iNTErATividAdE: Programa Escuela Nueva

http://www.mineducacion.gov.co/1759/articles-340089_ archivopdf_orientaciones_pedagogicas_tomoI.pdf

multisseriadas das escolas do campo”, o qual, de acordo com as avaliações da própria sECAd/mEC, não foi atingido, devido aos seguintes problemas: Os problemas advêm da base das escolas multisseriadas que possuem estruturas precárias, professores leigos, sem formação continuada, desestimulados e resistentes ao novo. Além disso, é alegado que as Secretarias Estaduais e Municipais são muito limitadas frente às necessidades destas escolas e de implementação do Programa. Em relação à sua própria atuação, a sECAd se refere ao atraso do material didático e kits pedagógicos para que a metodologia do programa possa ser efetivada. Antes de mudar a concepção teórica, o Programa era fundamentado no liberalismo, na Escola Nova (John Dewey), no construtivismo (Piaget), subjacentes aos ideais da UNEsCo que embasam as teses pós-modernas com os quatro pilares da educação: aprender a conviver, aprender a aprender, aprender a ser, aprender a fazer. Tal referencial teórico tem sofrido muitas críticas no país pelos autores progressistas, ou seja, aqueles que defendem uma sociedade igualitária, pois os conservadores buscam uma sociedade que tenha diferenças de classe, com dominantes e dominados. A parte metodológica tem como base um ambiente pedagógico centrado no aluno e na não-diretivi- dade, na qual o professor é apenas um facilitador e o aluno o centro do processo, com conteúdos flexíveis, de acordo com suas necessidades. Tal proposta tem como consequência o es- vaziamento do conteúdo clássico nas escolas, o que redunda na não elevação do pensamento científico dos alunos. Nesse novo momento, sob a orientação da sECAd, o Programa vem sofrendo modificações de cunho teórico-metodológico, se pautando em referenciais críticos. De acordo com a sECAd, a operacionalidade do Programa consiste em formações de formadores das Insti- tuições de Ensino Superior (iEs) e Secretarias de Educação pelo mEC, multiplicação das formações para os professores multipli- cadores (técnicos dos municípios) e multiplicação da formação destes para os professores de escolas multisseriadas. Com base em tais críticas mencionadas acima, o FoNEC em 2011 sugeriu uma revisão do Programa, norteada pelo Decreto nº 7.532/2010, que dispõe sobre a política de educação do campo e sobre o Pronera, destacando como deve acontecer a política nacional de formação inicial e continuada de educadores e educadoras do campo, além do que se compreende por educação do campo. Nesse sentido, houve alterações do Programa Escola Ativa em 2011, desde a concepção teórico-metodológica, até o nome, o qual passou a ser designado de Escola da Terra, pois, anterior- mente, quando ainda era denominado de Programa Escola Ativa, a sua fundamentação teórica se pautava no construtivismo de Piaget. Porém, nesse novo formato, o seu arcabouço teórico traz

a perspectiva histórico-cultural de Vigotski.

5.3.2 PRONACAMPO - Programa Nacional de