3. CASO DE ESTUDO: O CENTRO HISTÓRICO DA CIDADE DO PORTO
3.3. ANTECEDENTES URBANÍSTICOS
3.3.7. Programa estratégico
A instituição do Regime Jurídico de Reabilitação Urbana, de zonas históricas e de áreas críticas de reconversão e recuperação urbanísticas, pelo D.L. n.º 104/2004, de 7 de Maio, representou uma alteração das políticas de reabilitação urbana em Portugal ao procurar integrar, pela primeira vez, todas as componentes do problema da reabilitação, desde o urbanismo à política fiscal, criando instrumentos para esse fim.
O D.L. n.º 104/2004 de 7 de Maio consagra a possibilidade dos municípios constituírem Sociedades de Reabilitação Urbanas (SRUs), com poderes de autoridade e polícia administrativa (e.g., expropriações, licenciamento, realojamentos, fiscalização das obras de reabilitação, entre outras), dentro das zonas de intervenção delimitadas, pelas respetivas SRUs, sendo a intervenção acompanhada de um documento estratégico.
O Município do Porto, pôs em prática essa nova orientação, com o apoio do Instituto Nacional da Habitação (atual IHRU). Em fevereiro de criou a Porto Vivo, SRU, como já foi referido, com a missão de conduzir o processo na Área Crítica de Recuperação e de
62 Reconversão Urbanística (ACRRU) do Porto, a área central da cidade, constituída por 8 freguesias num território com cerca de 1000 hectares.
Entre a constituição da SRU, em2004, e a sua instalação, inicia-se a elaboração de um projeto estratégico, designado de Masterplan, que define os objetivos a atingir para a reabilitação da Baixa do Porto e define as prioridades para uma estratégia territorial: primeiro, a definição da Zona de Intervenção Prioritária, uma área que tem cerca de metade da dimensão da ACRRU do Porto, onde se concentravam os maiores problemas de reabilitação do edificado; seguido da criação de Áreas de Intervenção Prioritárias (AIP), escolhidas para, na fase inicial do processo, concentrar os esforços da organização.
A SRU elegeu cinco quarteirões-piloto para neles testar a aplicação do D.L. n.º 104/2004, de 7 de Maio. Em três casos, Carlos Alberto, Infante e Eixo-Mouzinho-Flores, as taxas de realização atingidas nunca foram inferiores a 80%; até ao momento, nos dois últimos as intervenções foram da iniciativa de particulares. No momento decorrem obras de requalificação daquele eixo, transformando a rua das flores numa via pedonal e permitindo o trânsito automóvel a quem sobe a Rua Mouzinho da Silveira a Sá da Bandeira, com um investimento de 8 Milhões de euros.
No total, a SRU está a intervir em 34 quarteirões (32 Unidades de Intervenção), com graus atuais de realização diversos, mas em contínuo crescimento.
A 23 de Outubro de 2009 aquele regime legal foi substituído pelo novo Regime Jurídico de Reabilitação Urbana (RJRU), regulado pelo D.L. n.º 307/2009, de 23 de Outubro, que introduz um leque de procedimentos mais vasto e complexo que o anterior, passando o Município a definir princípios de iniciativa e de monitorização periódica das operações por parte do município.
O RJRU deixa de ser excecional e de estar limitado a zonas históricas e a ACRRU e passa a ser o regime jurídico de reabilitação urbana em áreas de reabilitação urbana. Entendendo-se estas como “a área territorialmente delimitada que, em virtude da
insuficiência, degradação ou obsolescência dos edifícios, das infraestruturas, dos equipamentos e dos espaços urbanos e verdes de utilização coletiva, designadamente no que se refere às suas condições de uso, solidez, segurança, estética ou salubridade, justifique uma intervenção integrada, podendo ser delimitada em instrumento próprio ou corresponder à área de intervenção de um plano de pormenor de reabilitação urbana.”
No novo RJRU estão bem definidos os instrumentos de execução. Por exemplo, está contemplada a possibilidade de executar obras coercivas, sem ter que recorrer ao
63 procedimento da Lei dos Solos; estabeleceu-se um regime transitório, com a duração de cinco anos, para que os municípios convertessem as zonas de intervenção das sociedades de reabilitação urbana constituídas ao abrigo do Decreto-Lei nº 104/2004, de 7 de Maio, em uma ou mais áreas de reabilitação urbana; e clarificou-se a possibilidade de reestruturação da propriedade e a possibilidade de recurso à expropriação.
O programa “Sim Porto “pretende flexibilizar a legislação para incentivo à reabilitação. Paralelamente pretende-se recorrer a fundos de investimento imobiliário, em vez das parcerias público-privadas (com mais custos e mais tempo). O programa JESSICA da GGD e BPI criou um Fundo de Desenvolvimento Urbano(FDU) de 178 e 82 milhões de euros respetivamente para apoiar projetos sustentáveis. Paralelamente o IRU (Incentivos à Reabilitação Urbana) disponibiliza financiamentos pelo Banco Europeu de Investimento. No que diz respeito ao investimento total (público e privado), há uma estimativa com base no custo de obra apresentado nos processos de licenciamento apresentados à Porto Vivo, SRU, no âmbito da respetiva área de intervenção (Quadro 3.1).
Quadro 3.1 –Estimativa anual do investimento total da Porto Vivo, SRU.
Com base na estimativa do custo de obra apresentada nos processos de licenciamento da Câmara Municipal do Porto para as freguesias que compõem a ACRRU, há igualmente uma estimativa do investimento total (público e privado) relativamente aos anos de 2011 e 2012. (Quadro 3.2).
64 Quadro 3.2 – Estimativa do investimento total da Porto Vivo, SRU para os anos de 2011 e
2012.
A estes dados, podemos acrescentar as transações dos processos relativos ao Exercício dos Direitos de Preferência (2007-2012) e a Estimativa do Investimento no âmbito do RECRIA,RECRIPH e SOLARH (2005-2012), permitindo melhor apurar a estimativa de investimento privado, de forma a confrontar este com o investimento público da ACRRU entre 2005 e 2012 (Quadro 3.3). A consulta do documento “Delimitação da Área de Reabilitação Urbana do Centro Histórico do Porto em Instrumento Próprio” (http://www.portovivosru.pt/pdfs/DEL_ARU_CHP_JUN_2012.pdf), apresenta uma estimativa orçamental da intervenção pública e privada estimada para um período de 15 anos. Quadro 3.3 –Investimento global na ACRRU do Porto (Fonte: Porto Vivo, SRU, 2013).
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