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PROGRAMA ENSINO MÉDIO INOVADOR /PROGRAMA JOVEM DO FUTURO INSTITUTO UNIBANCO: CONTEXTO POLÍTICO EDUCACIONAL

AG I – 4 meses a 1 ano e 8 meses Integral

PROGRAMA ENSINO MÉDIO INOVADOR /PROGRAMA JOVEM DO FUTURO INSTITUTO UNIBANCO: CONTEXTO POLÍTICO EDUCACIONAL

Priscilla de Paula Rodrigues Mestranda em educação/FFCLRP – USP Email: [email protected]

Resumo: a pesquisa em curso objetiva o estudo do Programa Ensino Médio Inovador, programa instituído pelo Ministério da Educação por intermédio da portaria 971 de 09 de outubro de 2009, para incentivar e fortalecer o desenvolvimento de currículos inovadores para o ensino médio. Utilizando a abordagem qualitativa de pesquisa, pretende-se, a partir de levantamento bibliográfico e analise documental, compreender a política pública, dentro das diferentes formas de implementação que a mesma vem apresentando, visto que em alguns Estados brasileiros vem sendo implantada em parceria com o Projeto Jovem de Futuro, elaborado pelo Instituto Unibanco.

Palavras Chave: Políticas Educacionais, Gestão da Educação, Programa Ensino Médio Inovador.

A pesquisa em curso pretende caracterizar e analisar as implicações que o Programa Ensino Médio Inovador (ProEMI) traz para a gestão e organização do trabalho na escola. A escolha do objeto de pesquisa compõe o esforço de compreender e contribuir para o debate sobre politicas públicas educacionais no Brasil, partindo do pressuposto que tais políticas compõem um quadro educacional que vem sendo delineado desde a década de 1990, mas com especificidades derivadas do contexto político atual.

Compreende-se que o período mencionado constituiu um importante marco para o tema, visto que neste vimos a inserção dos preceitos neoliberais de Estado como ordenamento político, econômico e social do país. De acordo com Bruno (1997), os contornos políticos assumidos pelo Estado brasileiro vêm sendo delineados desde a internacionalização do capital, e concomitante internacionalização do processo produtivo, trazida pelo modo de produção capitalista. Tais ajustes políticos e econômicos implicaram no fortalecimento das

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relações internacionais, mediadas por organismos multilaterais, e na criação de um mercado capitalista que pressupunha a concorrência em âmbito internacional. O conjunto de fatores trazidos pela globalização da economia, segundo Antunes (2001), foi relevante para a instauração de uma instabilidade econômica, visto que tal processo deriva numa relação que pressupõe, necessariamente, a fragilidade de um país em detrimento do fortalecimento do outro. O que implicou numa degradação dos países capitalistas, não só do ponto de vista econômico, mas também social.

Conforme Peroni (2009), o processo de crise econômica levou a proposição de uma reestruturação produtiva do Estado, fundamentada nos conceitos neoliberais, visto que o mesmo foi concebido como principal agente causador. Isso porque, para se legitimar frente a população atendia demandas sociais que geravam altos custos, além de regular o mercado colocando empecilhos ao andamento e desenvolvimento pleno do capital (PERONI, 2009). Dessa forma, a autora afirma que são traçadas estratégias e reformas, com vistas a superar a crise financeira do capital, tendo como objetivo por um lado minimizar as ações do Estado, do ponto de vista social, e por outro lado fortalecer suas ações para garantir as bases para a continuidade do capital. Dentre as proposições de superação da crise instaurada temos enfoques teóricos diferentes, tais como privatização, terceirização e a inserção de instituições públicas não estatais.

No que se refere à educação, a reestruturação do Estado trouxe uma série de reformas e políticas consoantes com o deslocamento de suas funções, com vistas a transferir as responsabilidades no que tange a promoção dos direitos sociais. Segundo Krawczyk (2005) o referido modelo de regulação estatal possibilitou o desencadeamento de reformas educacionais, difundidas como modernização, marcadas pela introdução da lógica do mercado como princípio norteador da organização do trabalho na escola e da descentralização das responsabilidades e não das decisões. E ainda, buscou-se estabelecer programas e mecanismos “orientados pelos princípios de flexibilidade, liberdade, diversidade, competitividade e participação” (KRAWCZYK, 2005, p. 808).

O contexto politico da década de 1990 foi fator preponderante para a reestruturação da educação pública nacional. Entretanto, as politicas educacionais mais recentes posteriores a esse período, inseridas ao longo do governo Lula, possui especificidades mesmo com a continuidade no que se refere à lógica de ordenação do Estado. Dentro desse contexto se insere o Programa Ensino Médio Inovador, que foi instituído pelo Ministério da Educação através da portaria 971 de 09 de outubro de 2009, que corresponde ao segundo mandato do

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governo Lula, para incentivar e fortalecer o desenvolvimento de currículos inovadores para o ensino médio.

A portaria referida afirma que a partir de parcerias com Distrito Federal e com as Secretarias Estaduais de educação, o programa objetiva desenvolver ações para a melhoria do ensino médio, através da expansão das vagas, da reestruturação curricular que tenha como base uma formação geral, científica e cultural, e, do desenvolvimento de uma escola que dialogue com seus sujeitos, no caso, com adolescentes (BRASIL, 2009). Na parceria firmada a partir do Programa, à União compete o apoio técnico e financeiro, e às secretarias estaduais e distrital compete desenvolver e ampliar ações para a implantação e organização da política.

Os dados levantados sobre o objeto de pesquisa demonstram que o Programa Ensino Médio Inovador está presente em cinco Estados brasileiros em parceria com o Projeto Jovem de Futuro, metodologia criada e implementada pelo Instituto Unibanco. Os Estados anunciados nessa oferta conjunta são Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará e Piauí. De acordo com o Relatório de Atividades do Instituto, a metodologia proposta pelo Projeto Jovem de Futuro constitui a principal política, no que se refere à transformação curricular do ensino médio, nos Estados que estabeleceram a parceria (INSTITUTO UNIBANCO, 2012). Dentre as inovações propostas pela metodologia do Instituto Unibanco, a perspectiva de “gestão por resultados’, está colocada como uma de suas principais ações, tal como se lê na página oficial da Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Pará, que afirma a parceria com o Projeto Jovem de Futuro tendo

[...] como objetivos aumentar o desempenho escolar dos estudantes e diminuir os índices de evasão por meio de uma nova forma de gestão: a Gestão para Resultados. Além disso, adota o uso de metodologias para melhorar a proficiência dos alunos nas disciplinas Língua Portuguesa e Matemática. (SEDUC, Pará, s.d)

No Estado de São Paulo, segundo dados da Secretaria Estadual de Educação, o Programa Ensino Médio Inovador compreende o quadro de políticas públicas para a educação, e, durante um curto período também participou da parceria para expansão em conjunto com o Projeto Jovem de Futuro. Essa parceria foi constituída em 2012, prevendo a adesão de 208 escolas, sendo 137 no interior do estado de São Paulo (SÃO PAULO, 2012). Entretanto, de acordo com o Relatório de Atividades de 2012 do Instituto, no final do segundo semestre do mesmo ano dos sete Estados brasileiros que firmaram a parceria, os Estados de São Paulo e Minas Gerais descontinuaram a parceria (INSTITUTO UNIBANCO, 2012).

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Dessa forma, o Estado de São Paulo permanece apenas com o Programa Ensino Médio Inovador.

No caso do Estado de São Paulo, o Projeto Jovem de Futuro esteve presente também durante a fase piloto realizada pelo Instituto Unibanco, antes da atual parceria estabelecida com o Ministério da Educação. De acordo com Iwasaki (2013), o projeto piloto foi implantado primeiramente, em três escolas paulistas entre 2007 e 2009; entre 2008 e 2010 houve a adesão de 45 novas escolas em Minas Gerais e Rio Grande do Sul; e em 2010 ingressaram ao projeto piloto 56 escolas do Estado de São Paulo e Rio de Janeiro. A autora afirma que a avaliação da metodologia foi realizada no decorrer do projeto, pela equipe do Instituto Unibanco em conjunto com o economista Ricardo Paes de Barros (IWASAKI, 2013).

Tais informações indicam que a parceria da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo com o Instituto Unibanco para expansão do Projeto Jovem de Futuro, teve um papel importante na disseminação do ProEMI para o interior do Estado. Indicam também que este programa em determinadas escolas passou por dois momentos diferenciados, sendo um primeiro com uma metodologia específica, a metodologia do Programa Jovem de Futuro; e, um segundo momento, em que houve a descontinuidade da política e a escola passou a elaborar sua proposta curricular.

A análise documental, em curso neste momento, tem como propósito compreender o Programa Ensino Médio Inovador dentro do contexto político brasileiro, bem como compreender a operacionalização prática do redesenho curricular proposto pela política. São considerados como documentos os textos legais e documentos oficiais, expedidos pela União e pelo Estado de São Paulo, que se relacionam direta e indiretamente com o Programa Ensino Médio Inovador, tomando como período de recorte os documentos expedidos no período entre 2009 a 2014.

Até o momento, iniciamos a análise dos documentos que se relacionam diretamente com o Programa Ensino Médio Inovador sistematizando os dados levantados em dois campos gerais de abordagem, que são os fundamentos para a criação da proposta, e o redesenho curricular e sua operacionalização na prática. As análises iniciais têm demonstrado dois pontos de intersecção entre os setores público e privado, que precisam ser aprofundados. O primeiro corresponde à articulação com o Plano de Metas Compromisso Todos Pela Educação, publicado em 2007; e o segundo se refere à presença do Projeto Jovem de Futuro, metodologia desenvolvida e implantada pelo Instituto Unibanco.

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Ano IV/ Publicação I Referências Bibliográficas:

ANTUNES, R. Reestruturação produtiva e mudanças no mundo do trabalho numa ordem neoliberal. In: DOURADO, L. F.; PARO, V. H. (Orgs.). POLÍTICAS PÚBLICAS E EDUCAÇÃO BÁSICA. São Paulo: Xamã, 2001.

BRASIL. Ministério da Educação, Portaria nº 971, de 9 de outubro de 2009. Institui o Programa Ensino Médio Inovador. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 de outubro de 2009. Disponível em <file:///C:/Users/User/Downloads/port_971%20(3).pdf> Acesso em: 8 set. 2013

BRUNO, L. Poder e Administração no Capitalismo Contemporâneo. In: OLIVEIRA, D. A. (Org.). GESTÃO DEMOCRÁTICA DA EDUCAÇÃO. Petrópolis: Vozes, 1997.

FRIGOTTO. G. O Enfoque da Dialética Materialista Histórica na pesquisa Educacional. In.: FAZENDA, I. (ORG). METODOLOGIA DA PESQUISA EDUCACIONAL. São Paulo: Cortez, 1989.

INSTITUTO UNIBANCO. Relatório de Atividades de 2013. Disponível em

< http://www.institutounibanco.org.br/relatorio/pdf/rel_atividades_2012.pdf > Acesso em: 8 set. 2013

IWASAKI, C. O Desafio do Abandono Escolar no Ensino Médio: análise das práticas de gestão do projeto Jovem de Futuro em três escolas paulistas. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Juiz de Fora. Juiz de Fora, 2013.

KRAWCZYK, N. R. Políticas de Regulação e Mercantilização da Educação: Socialização para uma nova cidadania. Educação e Sociedade. Campinas, vol. 22, n. 92, p. 799-819, 2005. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/es/v26n92/v26n92a05.pdf> Acesso em: 17 set. 2013.

PARO, V. H. Estrutura da Escola e Educação com Prática Democrática. In: CORREA, B. C.; GARCIA, T. O. (ORG.) POLÍTICAS EDUCACIONAIS E ORGANIZAÇÃO DO

TRABALHO NA ESCOLA. São Paulo: Xamã, 2008

PERONI, V. M. V.; OLIVEIRA, R. T. C.; FERNANDES M. D. E. Estado e Terceiro Setor: As Novas Regulações entre o Público e o Privado na Gestão da Educação Básica Brasileira. Educação e Sociedade. Campinas, vol. 30, n. 108, p. 761-778, 2009. Disponível em: <

http://www.scielo.br/pdf/es/v30n108/a0730108.pdf> Acesso em: 20 out. 2013.

SÃO PAULO. Governo do Estado autoriza a ampliação do projeto Jovem de Futuro. Secretaria Estadual da Educação. São Paulo, 2012. Disponível em <http://www.educacao.sp.gov.br/noticias/governo-do-estado-autoriza-ampliacao-do-projeto- jovem-de-futuro> Acesso em 08 set. 2013

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Sites Consultados:

Instituto Unibanco: http://www.institutounibanco.org.br/. Ministério da Educação: http://portal.mec.gov.br/

Secretaria Estadual de Educação: http://www.educacao.sp.gov.br/

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PROGRAMA JOVEM DE FUTURO: UMA PROPOSTA DO TERCEIRO SETOR

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