1. CAPITULO I – REVISÃO DE LITERATURA
1.2. Programas federais de apoio às escolas
1.2.4. Programa Mais Cultura nas Escolas
A promulgação da Emenda Constitucional nº 71/2012, que acrescenta o artigo 216-A à constituição, permitiu ao Ministério da Cultura instituir o Plano Nacional de Cultura com cinquenta e três metas e elaborar o documento básico do Sistema Nacional de Cultura – SNC que foi aprovado pelo Conselho Nacional de Política Cultura.
Art. 216-A. O Sistema Nacional de Cultura, organizado em regime de colaboração, de forma descentralizada e participativa, institui um processo de gestão e promoção conjunta de políticas públicas de cultura, democráticas e permanentes, pactuadas entre os entes da Federação e a sociedade, tendo por objetivo promover o desenvolvimento humano, social e econômico com pleno exercício dos direitos culturais (Presidência da República, 2012).
Ao instituir o Sistema Nacional de Cultura começamos a trilhar um longo caminho em busca da valorização da cultura em nosso país. Até ao ano de
2012 apenas 1.407 municípios, 22 estados e o Distrito Federal haviam se integrado ao SNC através da assinatura do Acordo de Cooperação Federativa.
A consolidação deste sistema é um processo de longo prazo como diz João Roberto Peixe, secretário de articulação institucional: “porque envolve a institucionalização de uma política cultural realmente densa e digna de ser chamada de política “pública”, no sentido de envolver a todos, Estado e Sociedade, governantes e governados” (Ministério da Cultura, 2013).
Para tanto este sistema fundamenta-se nos seguintes princípios:
§ 1º O Sistema Nacional de Cultura fundamenta-se na política nacional de cultura e nas suas diretrizes, estabelecidas no Plano Nacional de Cultura, e rege-se pelos seguintes princípios: I - diversidade das expressões culturais; II - universalização do acesso aos bens e serviços culturais; III - fomento à produção, difusão e circulação de conhecimento e bens culturais; IV - cooperação entre os entes federados, os agentes públicos e privados atuantes na área cultural; V - integração e interação na execução das políticas, programas, projetos e ações desenvolvidas; VI - complementaridade nos papéis dos agentes culturais; VII - transversalidade das políticas culturais; VIII - autonomia dos entes federados e das instituições da sociedade civil; IX - transparência e compartilhamento das informações; X - democratização dos processos decisórios com participação e controle social; XI - descentralização articulada e pactuada da gestão, dos recursos e das ações; XII - ampliação progressiva dos recursos contidos nos orçamentos públicos para a cultura (Presidência da República, 2012).
Na busca pelo reconhecimento da cultura como necessidade básica, à qual todos os brasileiros tenham acesso, o Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério da Educação, inicia o Programa Mais Cultura nas Escolas, na perspectiva de promover a integração entre cultura e a educação, onde o espaço escolar se torne o ambiente mais propício para a divulgação da cultura, o acesso e o respeito à diversidade cultural.
Ações que envolvam a melhoria da qualidade do ensino brasileiro é o que move os dois ministérios, implementar uma política que fomente a valorização da cultura regional e local de cada estado ou município, que
incentive a parceria entre universidades, espaços culturais diversos, artistas locais, governos e população é o grande desafio a ser encarado pelos responsáveis pela implementação do Programa Mais Cultura nas Escolas.
Segundo o manual disponibilizado pelo Ministério da Cultura, o programa consiste em uma iniciativa interministerial cuja finalidade é fomentar ações que promovam o encontro entre o projeto pedagógico de escolas públicas contempladas com os Programas Mais Educação e Ensino Médio Inovador e experiências culturais e artísticas em curso nas comunidades locais (Ministério da Cultura, 2014).
As escolas, antes de inscreverem os seus projetos deverão procurar parcerias com grupos locais, seja de dança, teatro, música e outros, ou com instituições que desenvolvam algum tipo de atividade cultural e que tenham interesse em participar no projeto da escola. A intenção é de que aconteça um estreitamento da comunidade escolar com a comunidade artística e a valorização dos diversos tipos de cenários culturais, de tal modo que essa prática se incorpore aos processos pedagógicos desenvolvidos no ambiente escolar. Estabelecer uma relação que envolva responsabilidade e compromisso mútuo com a iniciativa cultural parceira é fundamental para o sucesso do programa.
Dentre os objetivos elencados no manual, reconhecer e promover a escola como espaço de circulação e produção da diversidade cultural brasileira é o ponto de partida para que os alunos, professores e demais parceiros da escola tenham acesso a uma inestimável diversidade cultural existente neste nosso imenso país (Ministério da Cultura, 2014).
O projeto construído em parceria irá compor o Plano de Atividade Cultural que pode apresentar as “mais diversas linguagens artísticas (música, audiovisual, teatro, circo, dança, artes visuais, etc.) e/ ou manifestações da cultura (tradição oral, rádio, culinária, mitologia, vestuário, internet, mímica etc.)”. São modelos ou propostas preexistes de atividades para serem desenvolvidas. A escola tem total liberdade para criar, inventar, aproveitar,
aperfeiçoar qualquer proposta apresentada, mas deve observar os seguintes preceitos:
1-Dialogar com o projeto pedagógico da escola, evidenciando as trocas de experiências entre os parceiros, bem como as respectivas contribuições potenciais de cada um à realização do Plano de Atividade Cultural; 2-Dialogar com pelo menos um dos eixos temáticos propostos pelo “Mais Cultura nas Escolas”; 3- Desenvolver processos artísticos e culturais contínuos, podendo ser realizadas dentro ou fora do espaço escolar, em comum acordo entre os parceiros, iniciativa cultural e escola; 4-Contribuir para a promoção e reconhecimento de territórios educativos, valorizando o diálogo entre saberes escolares e comunitários e a integração de espaços escolares com espaços culturais diversos (equipamentos públicos, centros culturais, bibliotecas públicas, pontos de cultura, praças, parques, museus e cinemas) (Ministério da Cultura, 2014).
Ao elaborar as atividades, a escola deve estar atenta para que as mesmas estejam relacionadas com um dos eixos temáticos abaixo relacionados, conforme consta no manual:
• Residência de artistas para pesquisa e experimentação nas escolas;
• Criação, circulação e difusão da produção artística;
• Promoção cultural e pedagógica em espaços culturais;
• Educação patrimonial - patrimônio material e imaterial, memória, identidade e vínculo social;
• Cultura digital e comunicação;
• Cultura afro-brasileira;
• Culturas indígenas;
• Tradição oral;
• Educação Museal;
As escolas que participaram no Programa Mais Educação e Ensino Médio Inovador, ao acessar o PDDE-Interativo, poderão inserir seus projetos no Plano de Atividade Cultural e encaminhar via sistema eletrônico, PDDE
Interativo, para secretaria estadual ou municipal, que por sua vez encaminhará para avaliação e parecer dos Ministérios da Educação e da Cultura (Ministério da Cultura, 2014).
O valor do recurso disponibilizado por meio do PDDE-FNDE, será destinado às escolas de acordo com o número de alunos matriculados e registrados no Censo Escolar no ano anterior ao do repasse, através de suas Unidades Executoras ou Conselhos Escolares (Ministério da Educação, 2014c).
Os recursos destinados devem ser empregados respeitando as categorias econômicas de custeio e capital e empregados para: aquisição de materiais de consumo; contratação de serviços culturais necessários às atividades artísticas e pedagógicas; contratação de serviços diversos relacionados às atividades culturais; locação de instrumentos, transporte e equipamentos; e aquisição de materiais permanentes, como consta na Resolução de nº 04, de 31 de março de 2014 (Ministério da Educação, 2014c).
Os valores a serem repassados às escolas deverão seguir a tabela abaixo:
Tabela 7 - Tabela com a demonstração dos valores em reais (R$), utilizados no cálculo dos repasses do PDDE/Programa Mais Cultura
Nº de Alunos Valor do Repasse
(custeio) Valor do Repasse
(capital) Valor Total
Até 500 18.000,00 2.000,00 20.000,00
501 a 1.000 18.500,00 2.500,00 21.000,00
Acima de 1.000 19.000,00 3.000,00 22.000,00
Assim que o recurso estiver disponível na conta da UEx ou Conselho Escolar, a escola deve iniciar de imediato o desenvolvimento do Plano de
Atividades, respeitando o prazo estabelecido no cronograma que deve corresponder a seis meses, podendo concluir as atividades no ano seguinte.
Para que seja mantida a qualidade na realização das atividades, a escola deverá realizar o monitoramento e avaliação do Plano de Atividade via sistema eletrônico. As observações feitas através deste monitoramento permitirão que a escola reflita sobre a sua atuação juntamente com a entidade parceira e, caso seja preciso, fazer as adequações necessárias para o bom andamento do programa.