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2. ESTUDOS DE CASO

2.3 Sobrados Novo Jardim

Sobrados do Novo Jardim (figura 18) é um condomínio residencial localizado no loteamento Novo Jardim, no bairro São José, a cerca de 9km do Centro de Caruaru-PE. Como comumente caracterizado nesse tipo de habitação, ele fica localizado numa área de expansão da cidade, ocupando uma área construída com cerca de 1.275 m², com cada unidade habitacional possuindo 73,21m².

Apesar de ser um residencial voltado para pessoas de baixa renda, ele foi totalmente pensado pelo escritório Jirau Arquitetura (de Caruaru-PE), a fim de proporcionar a seus moradores, uma condição digna de moradia e de qualidade, que se encontra totalmente fora do padrão dessas habitações.

Cozinha Sala Quarto 1 Quarto 2 Banheiro

Figura 18 – Condomínio Residencial Sobrados Novo Jardim.

Fonte: Pereira (2020b).

Mesmo não sendo encaixado no perfil do PMCMV, é destinado a pessoas de baixa renda e trata-se de um bom exemplo a ser analisado quanto se fala em habitações populares, já que ao projetar esse condomínio, houve todo o cuidado com as condicionantes locais (figura 19), bem como a flexibilidade de projeto, que permite aos próprios moradores, fazer ampliações internas sem que se perca a identidade original do projeto.

Por conta desta expansão planejada, ofertada ao cliente no ato da compra, os dois banheiros originais são ventilados e iluminados por cima, através de uma abertura zenital. A concretização deste acréscimo permitirá a criação de uma garagem coberta ou o aumento da sala, ambos até o limite do recuo inicial obrigatório de 3 metros (PEREIRA, 2020b).

Figura 19 – Estudo de ventilação do Condomínio Sobrados Novo Jardim.

Fonte: Pereira (2020b).

Portanto, a ideia inicial do escritório era propor uma alternativa tipológica diferente daquilo que é vastamente visto como um “padrão” de habitações populares, sendo este tipo de preocupação completamente ausente no projeto do conjunto em análise da seguinte monografia (Residencial Maceió I). Com isso, foi instalado no piso térreo as áreas comuns e de serviço, já no pavimento superior, as áreas privativas (figura 20).

Figura 20 – Plantas baixa das unidades habitacionais do Condomínio Sobrados Novo Jardim.

Fonte: Pereira (2020b).

Um detalhe muito importante a ser observado é a instalação de cobogós na fachada (figura 21), este é um elemento barato, que além de propiciar melhoria na ventilação interna da residência, é um elemento altamente típico do estado.

As casas subvertem a lógica tradicional local, pois os quartos se voltam ao quintal, ao interior e à intimidade, e deixa às salas a conexão com o exterior, com a rua. As salas se inundam de luz pois, além de estarem ligadas ao exterior, se ligam ao quintal, que pode se transformar num pequeno pomar, num jardim ou numa área festiva, com a instalação de uma churrasqueira ou uma pequena piscina (PEREIRA, 2020b).

Sala de estar/jantar Área de serviço Cozinha

Suíte 1 Quarto Hall Banheiro

Suíte 2 (extensão)

Figura 21 – Cobogós aplicados à fachada do Condomínio Sobrados Novo Jardim.

Fonte: Pereira (2020b).

Ao final da análise dos três conjuntos habitacionais apresentados como estudos de caso por terem um projeto de arquitetura mais cuidadoso ou por terem passado pela experiência de prestação de assistência técnica gratuita, é possível observar que nenhum deles faz parte da faixa 1 do PMCMV, alguns nem fazem parte do Programa, o que evidencia a falta de projetos de qualidade e de assistência técnica a esse público de menor renda, que por sua vez, é o mais necessitado, já que as condições de habitação em que vivem, é muitas vezes precária. Vale ressaltar ainda os “privilégios” dados a empreendimentos MCMV das faixas 2 e 3, que tem sua localização mais próxima da parte central da cidade, o que facilita a vida dos moradores, quando comparado com as faixas 1 e 1,5.

3. O CONJUNTO HABITACIONAL MACEIÓ I

Neste capítulo é analisado o objeto de estudo desta monografia, o Conjunto Habitacional Maceió I. Apresenta-se o bairro em que ele está localizado, os conjuntos habitacionais que fazem parte dessa região e os principais acessos ao Conjunto. Será frisado também os equipamentos públicos e as tipologias habitacionais existentes, bem como sua distribuição. Por fim, serão apresentados os resultados da Avaliação Pós-Ocupação realizada, que busca entender o nível de satisfação dos moradores do Conjunto e a existência do processo de autoconstrução, junto com a prestação de assistência técnica gratuita por parte dos arquitetos.

3.1 O Bairro Cidade Universitária

O bairro Cidade Universitária é o terceiro maior bairro da cidade de Maceió (tabela 6), ficando atrás somente do Benedito Bentes e do Jacintinho. Sua população segundo o Censo de 2010 é de 71.441 habitantes, representando cerca de 7,1% da população da capital alagoana (gráfico 1) (BRASIL SABIDO, 2010).

Tabela 6 – Cidade Universitária em 3º maior bairro de Maceió.

Bairro População Benedito Bentes 88.084

Jacintinho 86.514 Cidade Universitária 71.441

Fonte: Brasil Sabido (2010).

Gráfico 1 – População Cidade Universitária x Maceió

Fonte: Brasil Sabido (2010).

Localiza-se no limite da zona rural de Maceió (FIGURA 22) fazendo divisa com o município de Rio Largo, sendo esta área destinada à expansão urbana ZE1, segundo o Plano Diretor de Maceió (2005), com uma área total de cerca de 20,38km² (FIGURA 23).

Figura 22 – Mapa de Maceió - AL.

Fonte: TJ/AL (2020).

Figura 23 – Mapa do Bairro Cidade Universitária.

Fonte: TJ/AL (2020) adaptado pela autora (2020).

Além do Residencial Maceió I, dentro do bairro existem conjuntos habitacionais muito importantes como o Graciliano Ramos, o Village Campestre e o Eustáquio Gomes de Melo, aumentando ainda mais seu potencial de expansão territorial.

Em sua extensão estão presentes importantes equipamentos urbanos para a cidade de Maceió, como o Sistema Prisional do Estado, envolvendo o Baldomero Cavalcante, Cyridião Durval e outros; a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), que foi instalada no ano de 1961 e o Hospital Universitário, que chegou ao bairro um pouco depois, em 1968, além do Aeroporto Zumbi dos Palmares (CIDADE UNIVERSITÁRIA, 2014).

O desenvolvimento do bairro se deu a partir de 1950 quando iniciaram as primeiras discussões a respeito da implantação do Hospital Universitário e, posteriormente, em 1980, teve a intensificação do seu povoamento interno por meio da instalação de habitações multifamiliares, bem como do surgimento de pontos comerciais que margeavam a BR 104 e a Av. Menino Marcelo, vias que até hoje são imprescindíveis para ligação da parte alta e baixa da cidade (CARDOSO, 2018).

De modo geral, pode-se dizer que este é um bairro habitado por uma população considerada de baixa renda. Percebe-se que a atratividade dos preços de aluguéis de imóveis, que são muito mais baratos que em outras regiões de Maceió, é um dos fatores que leva essas pessoas a residirem nessa localização tão distante do centro da cidade e de seus trabalhos. Esta situação vai de encontro à realidade dos conjuntos habitacionais entregues pelo Governo e que se situam na mesma região da cidade.

3.2 Análise e Diagnóstico

Esta análise apresenta primeiramente as características do Residencial Maceió I, focando na sua localização, na distância até o Centro da cidade, nos principais acessos, na circunvizinhança presente, na área em que o conjunto faz parte e em seu dimensionamento. Depois, analisa o projeto do conjunto, seu traçado, os equipamentos públicos e as tipologias habitacionais existentes e sua distribuição, para enfim, apresentar a metodologia utilizada na Avaliação Pós-Ocupação do Residencial bem como seus resultados, através da aplicação de um questionário, de conversas informais com os moradores e de registros fotográficos.

3.2.1 A localização

O Conjunto Habitacional Maceió I está inserido em uma região que ainda se encontra em fase de expansão, e que tem como conjuntos circunvizinhos outros grandes residenciais, como o Jardim Royal, Grand Jardim e Novo Jardim (Figura 24).

Figura 24 – Localização do Residencial Maceió I e circunvizinhos.

Fonte: Google Maps, adaptado pela autora, 2019.

Ele fica localizado na Av. Principal I, S/N, no bairro Cidade Universitária, na parte alta do município de Maceió, Alagoas. Sua extensão territorial é de 404.623.04 m² (figura 25).

Residencial Maceió I Residencial Grand Jardim Residencial Jardim Royal Residencial Novo Jardim

Figura 25 – Área do Conjunto habitacional Maceió I.

Fonte: Google Maps, 2020.

O conjunto foi executado pela construtora TELESIL e entregue em dezembro de 2017, sendo um empreendimento financiado pelo programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, voltado para moradores tidos como baixa renda com renda da faixa 1 do programa, que é a que se enquadra a pessoas com renda de até R$ 1.600,00 mensais, o que possibilitou esse público adquirir seu imóvel próprio de uma maneira mais acessível.

3.2.2 O acesso

O Residencial Maceió I possui difícil acesso às principais vias da cidade devido à sua localização que fica na parte mais alta do bairro. Ele é dado por meio da BR-104 e posteriormente pela Av. Dr. Fábio Wanderley, fundamental avenida do conjunto Eustáquio Gomes de Melo (figura 26), sendo a via mais utilizada pelos moradores locais para se locomover.

Figura 26 – Principais vias de acesso ao Conjunto habitacional Maceió I.

Fonte: Google Maps, 2020.

A distância do Conjunto Habitacional Maceió I até o Centro da cidade é de 22km (como mostra a figura 27). Esse distanciamento provoca a necessidade de um grande deslocamento diário para a população em busca de acesso a serviços básicos do dia a dia, como trabalho, saúde, educação e lazer.

A condição da localização habitacional vai, certamente, influenciar na rotina dos moradores, seja favoravelmente ou negativamente, ou seja, pode ser um elemento agregador ou marginalizante de seus usuários, podendo ocasionar uma fragmentação urbana no espaço territorial da cidade (CARDOSO, 2018, p. 31).

Como se não bastassem as grandes distâncias que precisam ser percorridas, o acesso ao transporte público também é limitado, já que com a criação do conjunto habitacional foi aumentado o número de moradores do local, porém mantido o mesmo número de ônibus que chegam ao local, tornando-se ineficiente para atender à nova demanda de passageiros.

Figura 27 – Distância do Residencial Maceió I até o Centro da Cidade.

Fonte: Google Maps, 2020.

Essa locomoção precisa acontecer diariamente devido à falta de serviços básicos nas proximidades do conjunto, apesar de que em uma de suas principais ruas encontra-se uma área destinada à instalação desses equipamentos urbanos necessários para o uso da população em seu dia a dia, mas, desde a época de seu lançamento até hoje ainda não foram construídos (CARDOSO, 2018).

Com isso, os próprios moradores buscam minimizar ao máximo essa carência, abrindo seus próprios empreendimentos que podem ser facilmente encontrados na extensão do conjunto, como: mercadinhos, farmácias, mercearias, barbearias, salões de beleza, igrejas, pontos de moto taxi entre outros (Figura 28).

Figura 28 – Empreendimentos dos próprios moradores do Residencial Maceió I.

Fonte: Elaboração autoral, 2019.

Esse distanciamento do Centro, bem como dos principais serviços básicos evidencia a carência de um melhor planejamento dos conjuntos do Programa Minha Casa Minha Vida, problema já sinalizado nesta monografia em outros empreendimentos do programa espalhados pelo Brasil. Esta falta de planejamento acarreta frustração nesses moradores que sonhavam em adquirir a casa própria, porém não contavam com fatores como esses, que dificultam sua locomoção e realização de atividades cotidianas.

3.2.3 As tipologias

Sua implantação (figura 29) se deu através da distribuição de 3.900 habitações em 975 blocos com 4 unidades habitacionais cada (Figura 30), com área de 42,9m², distribuída em dois quartos, sala, cozinha, área de serviço e banheiro (Figura 31).

Figura 29 – Implantação do Conjunto Residencial Maceió I.

Fonte: TELESIL, 2018 apud CARDOSO, 2018.

Figura 30 – Bloco com 4 unidades habitacionais.

Fonte: Elaboração autoral, 2019.

Ao observar a planta baixa da unidade habitacional (Figura 31), é possível perceber que ela tem uma estrutura bem típica das HIS brasileiras abraçadas pelo PMCMV, com paredes em blocos de concreto e com uma coberta de duas águas em telhado de fibrocimento.

No projeto, apesar ter sido pensadas unidades habitacionais acessíveis, seus cômodos foram projetados utilizando as medidas mínimas necessárias para uma habitação, não possuindo uma flexibilidade projetual, para que se necessário, os moradores possam realizar alterações (planejadas), sem que perca a originalidade do projeto.

Figura 31 – Recorte da Planta baixa térreo.

Fonte: Construtora TELESIL (2018) apud CARDOSO (2018), adaptado pela autora (2020).

Na área externa encontram-se vagas de garagens distribuídas em toda extensão do conjunto na parte frontal dos blocos (Figura 32). No entanto, na tentativa de se ter uma garagem coberta, os próprios moradores improvisaram a coberta da sua vaga de garagem (Figura 33).

Figura 32 – Vagas de garagem ao longo do Residencial Maceió I.

Fonte: Elaboração autoral, 2019.

Figura 33 – Cobertura para vaga de garagem.

Fonte: Elaboração autoral, 2020.

Apesar do acesso aos blocos principais (Figura 34) ser realizado por meio de calçadas, que por sua vez são inacessíveis, os blocos que se localizam em áreas mais afastadas tem seu acesso feito por meio de caminhos de barro, que devido a problemas de drenagem, em períodos de chuva, acarreta inúmeros alagamentos, causando grandes transtornos aos moradores, especialmente aos dos apartamentos térreos.

Figura 34 – Acesso para os blocos inacessível.

Fonte: Elaboração autoral, 2019.

No presente conjunto também é possível encontrar alguns equipamentos urbanos, como: quadra de esportes (Figura 35), lixeira coletiva (Figura 36) e playground (Figura 37), que se encontram abandonados pelos próprios moradores.

Faz-se também importante observar que a ausência do poder público influencia diretamente no estado de conservação dos mesmos, já que não há a presença de uma equipe de segurança para evitar sua depredação.

Figura 35 – Quadra de esportes abandonada.

Fonte: Elaboração autoral, 2019.

Figura 36 – Lixeira inutilizada.

Fonte: Elaboração autoral, 2019.

Figura 37 – Playground.

Fonte: Elaboração autoral, 2019.

Ao circular pelo conjunto facilmente pode ser encontrado casos de autoconstrução realizada pelos próprios moradores, seja para realização de um

puxadinho (Figura 38), varanda (Figura 39), ponto comercial (Figura 40) e até mesmo para se ter um quintal (Figura 41), já que a maioria desses moradores anteriormente habitavam em casas e estas possuíam quintal.

Figura 38 – Puxadinho.

Fonte: Elaboração autoral, 2019.

Figura 39 – Puxadinho para criação de varanda.

Fonte: Elaboração autoral, 2020.

Figura 40 – Puxadinho para criação de comércio.

Fonte: Elaboração autoral, 2020.

Figura 41 – Puxadinho para criação de quintal.

Fonte: Elaboração autoral, 2020.

3.2.4 Avaliação Pós-Ocupação

Objetivando entender a opinião dos moradores do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) a respeito do quanto seus imóveis atendem às necessidades de espaço que eles necessitam junto com suas famílias, foi escolhido para ser analisado o Conjunto Residencial Maceió I.

Para isso, tomou-se como ponto de partida as condições atuais das habitações desse conjunto (que são divididas em blocos de 4 apartamentos cada), para que assim pudesse ser realizada a Avaliação Pós-Ocupação (APO), em busca de entender o nível de satisfação desses usuários, através da aplicação de questionários.

Esses questionários foram desenvolvidos com base nos estudos de APO realizados no Conjunto Habitacional Osman Loureiro em Maceió por Marroquim (2007) e nos Residenciais Parque Poetas, Galápagos e Antônio Coutinho por Ramalho (2008). Além dos questionários, para dar suporte à pesquisa, foram feitas também análises baseadas na observação, em registros fotográficos e em conversas informais com os próprios moradores do conjunto.

A etapa de realização da Avaliação Pós-Ocupação precisou ser feita em uma escala menor e de forma online, devido à Pandemia do Covid-19 que acometeu o país a partir de março de 2020 (período destinado à pesquisa de campo desta monografia). Esse cenário se refletiu em um número reduzido de questionários realizados, totalizando a realização de 30 questionários através da utilização da plataforma do Google Formulários (vale ressaltar que cada questionário é referente a uma unidade habitacional).

Apesar da amostra ser pequena, comparada ao tamanho do conjunto objeto de estudo, a quantidade coletada se refletiu em uma grande repetição de respostas, o que se faz concluir que essa é a visão de grande parte desses moradores, senão de todos, sendo este aspecto muito importante para o andamento da pesquisa.

Outra dificuldade encontrada na etapa de aplicação dos questionários foi a falta de contato/conhecimento de moradores do conjunto. Não ter o contato de nenhum morador do conjunto foi um fator que fez com que a pesquisadora precisasse ir até o Conjunto em busca de uma possível Associação de Moradores, que a ajudaria na aplicação dos questionários. Chegando lá, este espaço encontrava-se fechado havia meses.

Então, para seguir com a pesquisa, no dia 15 de maio de 2020, a pesquisadora foi até o Conjunto novamente, em busca de algum morador que pudesse ajudá-la compartilhando o link da pesquisa online com seus vizinhos e outros moradores do residencial. No entanto, muitos deles, apesar de encontrarem-se dispostos a participar da pesquisa, não sabiam ler, e este fato levou a pesquisadora a auxiliar esses moradores, fazendo então, todas as perguntas presentes a cada um deles através de seu próprio celular.

Apesar de se tratar de uma pesquisa realizada com pessoas, ela não precisou de apreciação ética, pois de acordo com o Art. 1 da Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016, “Não serão registradas ou avaliada pelo sistema CEP/CONEP as

seguintes modalidades de pesquisas: pesquisa de opinião pública com participantes

IV - Grau de satisfação quanto à dimensão dos ambientes do seu imóvel.

A primeira parte do questionário se referia ao perfil do morador, dizendo respeito às suas características, como: sexo, idade, escolaridade, número de pessoas que residem no imóvel e tempo de moradia. A segunda evidenciava o desejo e a eventual realização de alguma modificação na habitação, abordando assim, questões mais específicas com relação a quais foram essas modificações realizadas pelos próprios moradores e os motivos de terem sido feitas.

A terceira parte buscou conhecer o quanto essas pessoas sabiam o que era um arquiteto e urbanista, e o que fazia em sua atuação, bem como se existia o conhecimento da lei que garante assistência técnica gratuita por este profissional e, para finalizar, buscou-se compreender o grau de satisfação desses usuários, utilizando-se uma escala para identificar o quanto os imóveis atendiam às necessidades de espaço dessas famílias.

3.2.5 Análise de Resultados

Encontram-se abaixo os resultados obtidos através dos questionários aplicados no Conjunto Residencial Maceió I em 15 de maio de 2020. Foram colhidas 30 respostas de moradores de diferentes unidades habitacionais, escolhidas de maneira aleatória, de acordo com a disponibilidade e interesse dos moradores em

Gráfico 2: Sexo dos entrevistados – Residencial Maceió I.

Fonte: Elaboração autora, 2020.

Idade: moradores com idade entre 20 e 29 anos e entre 40 e 49 anos (representam 26,7% do número total cada), sendo 8 em cada faixa etária, 7 moradores têm idade entre 30 e 39 anos (23,3%), 4 têm idades entre 50 e 59 anos e 3 pessoas têm 60 anos ou mais (10%).

Gráfico 3: Idade dos entrevistados – Residencial Maceió I.

Fonte: Elaboração autora, 2020.

Escolaridade: o resultado da pesquisa indicou que a maioria das pessoas entrevistadas possuíam o ensino fundamental incompleto, representando assim 46,7% (14 pessoas). Seguido por um percentual de 36,7% (11 pessoas) que tinham ensino médio completo e 10% (3 pessoas) ensino médio incompleto. Nenhum dos entrevistados se quer, chegou ao nível de ensino superior, como mostra o gráfico 4.

Esses resultados confirmam o que disse a pesquisa do Instituto Data Folha, apresentada no capítulo 1 da presente monografia, que mostram que a autoconstrução, na maioria dos casos é feita por pessoas com menor escolaridade.

Gráfico 4: Escolaridade dos entrevistados – Residencial Maceió I.

Fonte: Elaboração autora, 2020.

Número de moradores por imóvel: o gráfico 5 mostra que 30% (9 entrevistados), têm 4 pessoas morando em seu imóvel, enquanto 26,7% (8) tem 3 pessoas, 23,3%

(7) tem 2 pessoas, 10% (3) tem 5 pessoas ou mais e outros 10% (3) moram sozinhas. Ou seja, pelo menos 40% do número de entrevistados possuem 4 pessoas ou mais em suas habitações, um número bastante representativo quando relacionado à planta baixa da unidade habitacional apresentada no capítulo 3.

Gráfico 5: Número de moradores por imóvel – Residencial Maceió I.

Fonte: Elaboração autora, 2020.

Tempo de moradia: como o residencial foi entregue em 2017, essa pergunta foi dividida em duas alternativas para identificar o tempo de moradia dessas pessoas, tendo sido representadas por mais de um ano de habitação, que equivaleu a 86,7%

(26) e 13,3% (4) menos de 1 ano. A maioria dos entrevistados residem no imóvel desde que ele foi entregue pela TELESIL, o que faz com que os dados coletados tenham ainda mais relevância. já que esse tempo de moradia é o suficiente para que eles possam relatar com mais propriedade a respeito de suas habitações.

Gráfico 6: Tempo de moradia no imóvel – Residencial Maceió I.

Fonte: Elaboração autora, 2020.

II - Desejo e realização de modificações

Se houve reforma/ampliação do imóvel: 70% dos moradores (21 pessoas) alegaram ter feito alguma reforma/ampliação no imóvel, refletindo a grande inadequação do imóvel aos seus usuários, enquanto 30% (9 pessoas) alegaram nunca ter feito nenhum tipo de reforma/ampliação. Estes, ao terem sido questionados pela pesquisadora do motivo de não terem realizado, alegaram não haver condições financeiras para tal, no entanto o imóvel precisava de muitos

Se houve reforma/ampliação do imóvel: 70% dos moradores (21 pessoas) alegaram ter feito alguma reforma/ampliação no imóvel, refletindo a grande inadequação do imóvel aos seus usuários, enquanto 30% (9 pessoas) alegaram nunca ter feito nenhum tipo de reforma/ampliação. Estes, ao terem sido questionados pela pesquisadora do motivo de não terem realizado, alegaram não haver condições financeiras para tal, no entanto o imóvel precisava de muitos

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