4. MEDIDAS DE ERRADICAÇÃO DO TRABALHO ESCRAVO CONTEMPORÂNEO
4.7 PROGRAMA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS - PNDHII
O Programa Nacional de Direitos Humanos II foi lançado em 2002, com o intuito de atender às fortes demandas pela efetivação dos Direitos Humanos. Além do objetivo de promover as políticas constantes do primeiro Plano (PNDH), contemplou novos parâmetros e temas referentes aos Direitos Humanos baseados nas discussões que sucederam ao ano de 1996, data de lançamento do programa original.32
No PNDH II foram estabelecidas 518 metas. A mobilização gerada pela preparação desta nova versão estimulou a construção da proposta de reforma do Poder Judiciário, na qual se incluiu a chamada "federalização" dos crimes de direitos humanos. A aprovação da reforma do Judiciário constituiu uma das principais metas do PNDH II no campo da garantia do direito à justiça. O novo programa expandiu as metas do PNDH original no campo dos direitos civis e políticos, incorporou os direitos econômicos, sociais e culturais, bem como reforçou as medidas de combate à discriminação contra os grupos mais vulneráveis da sociedade. Ele representa a salvaguarda dos anseios da sociedade brasileira no campo da proteção e promoção dos direitos humanos.
4.8 PORTARIA Nº 540 de 15.12.2004 - LISTA SUJA
O Ministério do Trabalho e Emprego através da Portaria nº 540/04 instituiu o cadastro com os nomes de empregadores e empresas flagrados explorando trabalhadores na condição análoga à de escravos. A relação restou conhecida como “lista suja”.
Consoante as regras do MTE, a inclusão do nome do infrator na lista acontece somente após o final do processo administrativo criado pelo auto da fiscalização que flagrar o
32 Disponível em http://www.observatoriodesegurança.org/boas+praticas/dh/pndh) Acesso em: 16 mar.2012.
crime de trabalho escravo, que inclui o direito de defesa do envolvido. A exclusão, por sua vez, depende de monitoramento do infrator pelo período de dois anos. Se durante esse período não houver reincidência do crime e forem pagas todas as multas resultantes da ação de fiscalização e quitados os débitos trabalhistas e previdenciários, o nome será retirado do cadastro.33
4.10 PROJETO DE LEI 2108/2003
Este projeto proíbe que empresas brasileiras ou sediadas no Brasil mantenham contratos (de natureza civil ou comercial) com empresas sediadas no exterior que explorem direta ou indiretamente trabalho degradante em suas bases de atuação. Define trabalho degradante como "formas de trabalho violadoras da dignidade da pessoa, especialmente o trabalho realizado em condições ilegais, a escravidão, o trabalho forçado, o trabalho infantil e todos os demais tipos mencionados em acordos, tratados ou atos internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil".34
A obrigação de avaliar previamente a situação da empresa estrangeira no que se refere às condições trabalhistas cabe à empresa brasileira ou sediada em território nacional, que, em caso de descumprimento, será impedida de firmar contratos com quaisquer entes ou órgãos públicos, de participar de licitações ou de se beneficiar de recursos públicos de qualquer natureza, por um período de cinco anos. Já aprovada em caráter terminativo na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, a matéria aguarda votação no Senado Federal.
5 INSTRUMENTOS LEGAIS QUE COIBEM O TRABALHO ESCRAVO CONTEMPORÂNEO
A prática de trabalho escravo é coibida por toda a comunidade: nacional e internacional.
33Disponível em http://www.reporter.brasil.org.br/conteudo.php?id=9&escravo. Acesso em: 14 mar. 2012.
34 (notícia veiculada no site
http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=1642&name=C%E2mara-aprova-cerco-a-empresas-que-escraviza m-fora-do-pa%EDs - Acesso em: 18 jan 2012)
5.1 NORMAS INTERNACIONAIS
Uma série de normas internacionais tratam da escravidão contemporânea.
A Declaração Universal dos Direitos do Homem, promulgada pela Organização das Nações Unidas em 19 de dezembro de 1948, em seu artigo 4º dispõe que “ninguém será obrigado à escravidão, nem em servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas”. Por sua vez, o artigo 5º declara que “Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante”, assinalando no artigo 13 que “todo homem tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado”.
Esta Declaração consagra o livre direito à escolha do trabalho ao estabelecer que “toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de seu trabalho e à proteção contra o desemprego” (artigo 23, item 1).35
Foram aprovadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) duas convenções internacionais acerca do trabalho forçado ou obrigatório. A Convenção nº 29, de 1930 - dispõe sobre a eliminação do trabalho forçado ou obrigatório em todas as suas formas -; e a de nº 105, de 1957 - proíbe o uso de toda forma de trabalho forçado ou obrigatório.
Há de se ressaltar, ainda, a Declaração da OIT sobre Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho, que consagra a eliminação de todas as formas de trabalho forçado ou obrigatório, dentre os princípios fundamentais a serem observados pelos Estados.36 O Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, em seu artigo 8º, reitera que ninguém poderá ser submetido à escravidão, proibindo a escravidão e o tráfico de escravos, em todas as suas formas.
Acrescenta, ainda, que ninguém poderá ser obrigado a executar trabalhos forçados ou obrigatórios. Não obstante o seu artigo 4º estabelecer a possibilidade de os Estados adotarem medidas excepcionais restritivas de direitos, quando “situações excepcionais ameacem a existência de nação e sejam proclamadas oficialmente”, este mesmo dispositivo é claro ao alertar
35 (CARLOS, Vera Lucia. Estratégia de atuação do Ministério Público do Trabalho no combate ao trabalho escravo urbano. In: VELLOSO, Gabriel; FAVA, Marcos Neves (Coords.). Trabalho Escravo Contemporâneo - O desafio de superar a negação. São Paulo: LTr, 2006. p. 269-287.
36 PIOVESAN, Flavia. Trabalho escravo e degradante como forma de violação aos direitos humanos . In:
VELLOSO, Gabriel; FAVA, Marcos Neves (Coords.). Trabalho Escravo Contemporâneo - O desafio de superar a negação. São Paulo: LTr, 2006. p. 151-165.
que não autoriza qualquer derrogação dos artigos 6º, 7º, 8º (parágrafos 1º e 2º), 11, 15, 16 e 18 do Pacto.
Consoante os termos do artigo 4º da Convenção Européia de Direitos Humanos, ninguém pode ser mantido em escravidão ou servidão e nem tampouco pode ser constrangido a realizar trabalho forçado ou obrigatório. No mesmo sentido, a Convenção Americana de Diretos Humanos, em seu artigo 6º, determina que ninguém pode ser submetido à escravidão ou à servidão, proibindo-as em todas as suas formas. Acrescenta que ninguém deve ser constrangido a executar trabalho forçado ou obrigatório. Registre-se que a Convenção Americana e a Convenção Européia de Direitos Humanos, ainda que permitam a suspensão de garantias, vedam a derrogação da proibição da escravidão, mesmo em estado de guerra, perigo público ou outra situação emergencial (artigo 27, parágrafo 1º, da Convenção Americana; e artigo 16 da Convenção Européia).
A Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos reza que todo indivíduo tem direito ao respeito da dignidade inerente à pessoa humana e ao reconhecimento da sua personalidade jurídica. Veda todas as formas de exploração e de aviltamento da pessoa humana:
a escravatura, o tráfico de pessoas, a tortura física ou moral e as penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.
Acresce-se que a Organização Internacional do Trabalho, na Convenção nº 122 sobre Política do Emprego, de 1964, estabeleceu o princípio de que cada Estado membro deverá seguir uma política ativa para promover o “emprego livremente escolhido” total e produtivo. O conceito de “emprego livremente escolhido”, segundo a OIT, “ alarga a área de preocupação, para além da imposição do trabalho forçado, para incluir todas as situações nas quais a liberdade de escolha de um trabalhador seja de algum modo restringida.” 37
Na Recomendação nº 198 sobre Relação de Trabalho, de 2006, a OIT sugere diversas medidas que podem se adotadas pelos Estados membros a fim de reforçar a proteção concedida aos trabalhadores em uma relação de trabalho.
37 Disponível em http://www.ilo.org/public/portugue/region/eurpro/lisbon/pdf/relatorioglobal_2009.pdf - Acesso em 24 jan 2012
5.2 - LEGISLAÇÃO NACIONAL
O ordenamento jurídico brasileiro veda a prática do trabalho escravo contemporâneo.
1) Constituição Federal de 1988:
A atual Carta Magna estabelece como um de seus princípios fundamentais a dignidade da pessoa (artigo 1º, inciso III). Este princípio garante a todo ser humano que seus meios de sobrevivência estejam à altura dos padrões morais, culturais, e econômicos no meio social em que vive, atingidos por meio do trabalho honesto e digno, dando ensejo a outro princípio fundamental, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, insculpido no inciso IV do mesmo dispositivo constitucional. Prescreve o artigo 5º, inciso XIII, in verbis: “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer” - o direito a qualquer tipo de trabalho. Nesta ordem, a Lei Maior preocupou-se não só em garantir o direito ao trabalho, mas também os direitos sociais (artigos 6º e 7º, e incisos).
Ocorre ainda afronta ao artigo 5º: caput - “... inviolabilidade do direito à vida, à liberdade,..” -; inciso III - “ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano” -;
inciso X - “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas ...” - ; XLVII - “não haverá penas: ...c) de trabalhos forçados”.
Destaque-se que a Constituição Federal de 1988 consagra, em seu artigo 4º, inciso II, a observância do princípio da “prevalência dos direitos humanos”, que resta desprezado nas relações de trabalho em que vigora a servidão por dívidas.38
Acrescenta-se a ordem econômica, prevista constitucionalmente, fundada na valorização do trabalho humano, com a finalidade de uma vida digna e objetivando a justiça social.
2) Consolidação das leis do Trabalho:
A Consolidação Trabalhista, em seu artigo 462, §§2º e 3º, da CLT, veda a prática do truck system, determinando, no artigo 463, o pagamento do salário em espécie e em moeda corrente do País. No caput do artigo 462 está inserto o princípio da intangibilidade do salário, e no 464, por sua vez, o princípio da pessoalidade. Ressalte-se, que somente são permitidos os descontos permitidos por lei.
38. (LOTTO, Luciana Aparecida. Ação civil pública trabalhista contra o trabalho escravo no Brasil. São Paulo:
LTr, 2008.
A Consolidação das Leis do Trabalho, por meio de artigos que protegem a saúde e o meio ambiente de trabalho, proíbe a escravidão contemporânea. Inúmeras são as infrações que podem ser encontradas no trabalho exercido em condições análogas à de escravo, tais como:
ausência de registro em carteira de trabalho; más condições de higiene (falta de água potável e alojamentos em céu aberto), falta de fornecimento de equipamentos de segurança; ausência de higiene nos locais para refeições;desrespeito à jornada de trabalho; labor em locais insalubres e perigosos; pagamento do salário in natura, descontos ilícitos, dentre outros.
3) Código Penal Brasileiro:
A legislação penal brasileira penaliza aqueles que violam ou que procuram fraudar a liberdade do trabalhador.
Em seu artigo 149, com redação alterada pela Lei nº 10.803 de 1º de dezembro de 2003, assim dispõe:
Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada excessiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto.
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
§1º Nas mesmas penas incorre quem:
I - cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho.
II - mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho.
§2º A pena é aumentada de metade, se o crime é cometido:
I - contra criança ou adolescente;
II - por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem.
Reporta-se aqui às considerações tecidas pela Drª Ela Wiecko V. de Castilho, Subprocuradora-Geral da República, acerca da interpretação jurídico-penal do dispositivo em comento.
6 COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DO CRIME PREVISTO NO ART. 149 DO CÓDIGO PENAL BRASILEIRO
A questão da competência para julgar o crime de redução a condição análoga à de escravo (art. 149 do CP) restou definida em prol da Justiça Federal no fim do ano de 2006.
Decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), quando do julgamento final do Recurso Extraordinário RE 398041 - em 30/11/2006 - reconheceu da competência da Justiça Federal para julgar crime de redução à condição análoga à escravidão. O recurso foi interposto pelo Ministério Público Federal contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que declarou a incompetência da Justiça Federal para processar e julgar crime de redução à condição análoga à de escravo (artigo 149, Código Penal), ao analisar denúncia envolvendo fazendeiro paraense.
Outrora, o julgamento fora interrompido ante o pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes.
Naquela ocasião, o ministro relator Joaquim Barbosa havia votado pelo provimento do Recurso sob o fundamento de que, no contexto das relações de trabalho, a prática do crime previsto no artigo 149 do CP caracteriza-se como crime contra a organização do trabalho, determinando a competência da Justiça Federal para processar e julgar o delito, de acordo com o artigo 109 da Constituição Federal. Os ministros Eros Grau, Carlos Ayres Britto e Sepúlveda Pertence acompanharam o voto do relator. Foram divergentes os ministros Cezar Peluso e Carlos Velloso.
O ministro Gilmar Mendes pediu vista dos autos. Em seu voto de vista, ele entendeu pelo provimento do recurso. Afirmou, citando jurisprudência da Corte, que serão da competência da Justiça Federal apenas os crimes que ofendem o sistema de órgãos e institutos destinados a preservar, coletivamente, os direitos e deveres dos trabalhadores - previsto no artigo 109, inciso VI, da Constituição Federal. Entendeu que, no caso concreto, ficou patente a violação ao bem jurídico "organização do trabalho", justificando a competência federal para analisar a matéria.
Em seguida, o ministro Marco Aurélio seguiu a divergência aberta anteriormente para votar pelo não provimento do RE. Para ele, as "tintas fortes" do caso concreto não são suficientes por si para se concluir pela competência da Justiça Federal. Na linha do voto-vista proferido pelo ministro Gilmar Mendes, o ministro Celso de Mello votou pelo provimento do recurso, ressalvando que a mudança dos casos da jurisdição estadual para a federal se justifica apenas nos casos de "violação dos direitos humanos".39
.39 Disponível em http://www.jurisway.org.br/v2/noticia.asp?idnoticia=8963. Acesso em: 24 jan 2012.
7 DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO
7.1 DA ATUAÇÃO
Nos termos do artigo 127da Constituição Federal “O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.”
Dispõe o parágrafo 5º do artigo 128 da Carta magna que “Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultativa aos respectivos Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público, ...”.
Em consonância com este dispositivo constitucional foi editada a Lei Complementar nº 75/93, que regulamenta o Ministério Público da União, ramo no qual encontra-se inserido o Ministério Público do Trabalho.
O artigo 83 da referida lei complementar descreve a atuação judicial do Parquet trabalhista. O Ministério Público do Trabalho atuará como órgão interveniente (fiscal da lei) ou como órgão agente. Após a Constituição Federal de 1988, atuou de forma mais efetiva como órgão agente, instaurando inquéritos civis e propondo ações civis públicas assim como outras ações, no âmbito da Justiça do Trabalho, visando a defesa da ordem jurídica, dos direitos e interesses sociais dos trabalhadores, dos menores, dos incapazes e dos indígenas.40
A atuação como Órgão Agente envolve o recebimento de denúncias, a instauração de procedimentos investigatórios, inquéritos civis públicos e outras medidas administrativas ou o ajuizamento de ações judiciais, quando comprovada a irregularidade.
O Ministério Público do Trabalho também orienta a sociedade por meio de audiências públicas, palestras, oficinas, reuniões setoriais e outros eventos semelhantes.
7.2 DAS AÇÕES UTILIZADAS
O Ministério Público do Trabalho, na condição de órgão agente, tem como atribuição investigar irregularidades nas relações de trabalho, através da instauração de procedimento
40 MELO, Luis Antonio Camargo de. Premissas para um eficaz combate ao trabalho escravo. In: Revista do Ministério Público do Trabalho nº 26.. São Paulo: LTr, 2003. p. 11-33)
administrativo, de inquérito civil ou outras medidas administrativas, de ofício ou quando há denúncia. Tais investigações, quando constatada a irregularidade, podem culminar na interposição de ação judicial, assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta ou, ainda, expedição de recomendações. Pode se valer de qualquer tipo de ação prevista no ordenamento jurídico brasileiro, sendo certo que as mais utilizadas são a Ação Civil Pública, a Ação Civil Coletiva e a Ação Anulatória.
Termo de Ajustamento de Conduta
O Termo de Ajustamento de Conduta é um importante instrumento de regularização de práticas trabalhistas, onde a parte investigada compromete-se a agir de acordo com os dispositivos legais, sob pena de multa. Trata-se de título executivo extrajudicial, elencado no artigo 876 da Consolidação das Leis do Trabalho, e o descumprimento de suas cláusulas enseja ação de execução de obrigação de fazer e/ou não fazer ou, ainda, de obrigação de dar, proposta pelo Ministério Público do Trabalho perante a Justiça do Trabalho.
Inquérito Civil Público
O Inquérito Civil Público é um procedimento administrativo, inquisitivo que tem por finalidade a apuração de fatos. Ele integra o rol das funções institucionais privativas do Ministério Público (art. 129 da Constituição Federal). Nele não há contraditório, nem acusação, tampouco aplicação de sanção. Ele não cria, não modifica e nem extingue direitos. Há somente controle de legalidade pelo Poder Judiciário. Ele é uma medida prévia ao ajuizamento da Ação Civil Pública, prevista na Lei nº 7.347, de 1985, mas não é obrigatório, pois esta ação pode ser instaurada independentemente dele. O encerramento do inquérito civil é formalizado por relatório final concluindo pelo seu arquivamento ou pela propositura da Ação Civil Pública.
Ação Preventiva
Visando à concretização dos direitos trabalhistas, o Parquet Trabalhista atua também de forma preventiva, orientando a sociedade por meio de audiências públicas, palestras, seminários, oficinas, encontros, congressos e outros eventos semelhantes. Além disso, o MPT participa de alguns fóruns, comitês e comissões da sociedade civil organizada que possuam os mesmos objetivos da instituição.
Ação Anulatória
A Lei Complementar n° 75 de 20 de maio de 1993 cometeu ao Ministério Público do Trabalho a legitimação para, no âmbito da Justiça do Trabalho, propor as ações cabíveis para a
declaração de nulidade de cláusula de contrato, acordo coletivo ou convenção coletiva que viole as liberdades individuais ou coletivas ou os direitos individuais indisponíveis dos trabalhadores.
O alvo da ação anulatória não é a coisa julgada. Trata-se de ação constitutiva-negativa que se volta contra ato realizado ou praticado, no processo, pelas partes ou ainda terceiro juridicamente interessado, nunca por órgão judicial.
Ação Civil Pública
A ação civil pública é um instrumento processual, de ordem constitucional, destinado à defesa de interesses difusos e coletivos. Mesmo estando referida no capítulo da Constituição Federal relativo ao Ministério Público (artigo 129, inciso III), a localização dessa norma não afasta o caráter constitucional da ação civil pública também para aquelas promovidas por entidades publicas e associações colegitimadas. Essa ampliação se deve ao parágrafo 1º, do artigo 129, da Constituição Federal, pelo qual se estabelece a regra da sua não exclusividade do Ministério Público. Foi criada pela Lei 7.347/85, sendo disciplinada por essa lei e pelos dispositivos processuais do Código de Defesa do Consumidor, que juntos compõem um sistema processual integrado. Subsidiariamente, aplicam-se as disposições do Código de Processo Civil (art. 19 da Lei 7.347/85) .
Por meio da ação civil pública pode-se fazer a defesa em juízo do meio ambiente, do consumidor, de bens de valor artístico, estético, histórico, turístico, paisagístico e urbanístico.
Pode-se também combater lesões e ameaças à ordem econômica e à economia popular. Além desses interesses, expressamente indicados na Lei da Ação Civil Pública (art. 1º), permite-se a defesa de qualquer outro apto a ser classificado como difuso ou coletivo, em cláusula aberta.
Pode ter por objeto qualquer tipo de provimento jurisdicional, isto é, qualquer tipo de medida judicial adequada a proteger os interesses por ela veiculados.
Ação Civil Coletiva
A ação civil coletiva visa à obtenção de reparação pelos danos sofridos individualmente pelos trabalhadores lesados, nos termos do artigo 91 da Lei nº 8.078/90.
7.3 DA DENÚNCIA À AÇÃO - PROCEDIMENTO
As denúncias são recebidas pelas Procuradorias Regionais do Ministério Público do Trabalho e distribuídas a um dos Membros da Coordenadoria de Defesa dos Interesses Difusos e
As denúncias são recebidas pelas Procuradorias Regionais do Ministério Público do Trabalho e distribuídas a um dos Membros da Coordenadoria de Defesa dos Interesses Difusos e