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PROGRAMA NACIONAL DE GERENCIAMENTO COSTEIRO (PNGC)

II BACIA HIDROGRÁFICA: OBJETO DE ESTUDO AMBIENTAL

2.4 O TURISMO E AS POLÍTICAS PÚBLICAS

2.4.2 PROGRAMA NACIONAL DE GERENCIAMENTO COSTEIRO (PNGC)

O PNGC foi instituído pela Lei nº 7.661/1988, seus detalhamentos e operacionalização objetivam contemplar os mecanismos de gestão ambiental no sentido do uso sustentável dos recursos costeiros e marinhos, através de medidas de controle, proteção, preservação e recuperação dos recursos naturais e dos ecossistemas, estabelecendo estratégias de planejamento e gerenciamento, de forma integrada, descentralizada e participativa das atividades socioeconômicas. Esta lei apresenta uma conceituação de Zona Costeira relacionando-a ao espaço geográfico ocorrendo uma interação do ar, do mar e da terra, incluindo os recursos renováveis ou não.

Este Programa delimita a Zona Costeira considerando as unidades natural e político- administrativa, uma faixa marítima e outra terrestre. A faixa marítima corresponde ao mar

28 territorial, com limite nas 12 milhas náuticas contadas da linha de base da costa, estabelecidas de acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, compreendendo a totalidade do Mar Territorial. A faixa terrestre considera-se todo o território dos municípios qualificados como costeiros, caracterizada pela parte do continente que sofre influência direta dos fenômenos ocorrentes na Zona Costeira.

Em Sergipe houve uma divisão dos municípios litorâneos em Litoral Norte, Central e Sul. Este último abrange os municípios de São Cristóvão, Itaporanga d’Ajuda, Estância, Santa Luzia e Indiaroba. Segundo Vilar e Araújo (2010) coube à SEPLANTEC (atual Secretaria de Estado do Planejamento - SEPLAN) a tarefa de elaboração do documento intitulado “Gerenciamento Ambiental do Litoral de Sergipe” que consiste no planejamento e ordenamento espacial da zona costeira, como também no licenciamento das atividades produtivas, não esquecendo da ocupação residencial e turística, numa área de fragilidade natural e biológica. De acordo com o referido documento, os objetivos do GERCO em Sergipe são:

 Diagnosticar as potencialidades socioeconômicas e dos recursos naturais da zona costeira;

 Identificar as limitações naturais e as restrições legais ao uso do território, e os conflitos de usos que já se manifestam e causam a diminuição da qualidade de vida da população residente;

 Promover a participação da comunidade através dos dirigentes Municipais, Estaduais e Federais, setores Privados e Organizações Não-Governamentais na definição das alternativas de uso do solo, do aproveitamento dos recursos naturais e do desenvolvimento da indústria, do turismo e da agricultura;

 Participar da gestão ambiental oferecendo aos Órgãos do Meio Ambiente e às Prefeituras Municipais da Zona Costeira, o mapa de uso futuro que será utilizado pelo Poder Público Estadual na elaboração das leis de uso do solo no litoral de Sergipe;

 Cooperar com a ADEMA e as Prefeituras Municipais no licenciamento de empreendimentos a serem instalados na Zona Costeira;

Assim como em Sergipe, no Estado da Bahia houve uma divisão do Litoral em três setores: Litoral Norte (setores I e II), Salvador/Baía de Todos os Santos e Litoral Sul. O Litoral Norte, setor I, compreende uma faixa litorânea que vai de Mangue Seco, em Jandaíra, (município em estudo) até o município de Mata de São João.

29 As estratégias para a zona costeira baiana são estudadas e implementadas pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado com o objetivo de operacionalizar o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC) e o Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro (PEGC). Em 14 de março de 2008 o Programa Nacional de Gerenciamento Costeiro e Marinho (GERCOM/BA) foi instituído na Bahia, através do Decreto Estadual nº. 10.969, sendo aprovado pelo MMA, com recursos do Programa Nacional de Meio Ambiente para ser instrumentalizado através de estudos, capacitação técnica e elaboração de cartografias.

O Programa Nacional de Gerenciamento Costeiro e Marinho (GERCOM) é um programa que tem por objetivo operacionalizar o PNGC, com o fim de planejar e gerenciar, de forma integrada, descentralizada e participativa, as atividades socioeconômicas na Zona Costeira, de forma a garantir a utilização sustentável, por meio de medidas de controle, proteção, preservação e recuperação dos recursos naturais e ecossistemas costeiros.

A partir das ações do Grupo de Integração do Gerenciamento Costeiro (GIGERCO) surge o Projeto de Gestão Integrada da Orla Marítima (Projeto Orla), que se configura numa ação do Ministério do Meio Ambiente, por intermédio da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental e o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Este Projeto visa o ordenamento da faixa de praia dos espaços litorâneos sob domínio da União, aproximando as políticas ambiental e patrimonial, com articulação entre as três esferas de governo e a sociedade. Baseados nas seguintes diretrizes:

 Desenvolvimento de mecanismos de participação e controle social para sua gestão integrada;

 Valorização de ações inovadoras de gestão voltadas ao uso sustentável dos recursos naturais e da ocupação dos espaços litorâneos;

 Fortalecimento da capacidade de atuação e articulação de diferentes atores do setor público e privado na gestão integrada da orla, aperfeiçoando o arcabouço normativo para o ordenamento de uso e ocupação desse espaço.

Dessa forma o Projeto Orla busca responder a uma séria de desafios como reflexo da fragilidade dos ecossistemas dessa zona de contato mais direto entre o continente e o oceano, a intensificação do uso e ocupação de forma desordenada e irregular e o aumento dos processos erosivos e de fontes contaminantes (MMA, 2002).

30 Em 2003 o Ministério do Meio Ambiente em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente de Sergipe iniciou o processo de diagnóstico paisagístico dos municípios de Estância, Itaporanga D’Ajuda e Aracaju, objetivando elaborar os Planos de Intervenção da orla marítima visando contribuir, em escala municipal, para aplicação de diretrizes gerais de disciplinamento de uso e ocupação da orla marítima. Com esse instrumento se pretendia contribuir para o fortalecimento da capacidade de atuação e a articulação de diferentes atores do setor público e privado na gestão integrada da orla. Infelizmente estes fatos não foram estendidos ainda para a área em estudo.

No Litoral Norte baiano as ações ainda não chegaram à área de estudo, mais especificamente no município de Jandaíra. Elas vêm ocorrendo no município do Conde desde 2002, através de seminários onde foi apresentada a sistemática de funcionamento do Programa à população local.

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III CONDICIONANTES GEOAMBIENTAIS

Dentre os componentes geoambientais que estão presentes na bacia Inferior do Rio Real destacam-se: a geologia, a geomorfologia, o clima e as condições meteorológicas, os recursos hídricos superficiais e subterrâneos, os solos e a cobertura vegetal.

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