1. IDEOLOGIA
4.2 Programa Nacional de Incubadoras de Cooperativas Populares – PRONINC
PRONINC surgiu em 1997, tendo como signatários a Finep, o Banco do Brasil, a FBB e o COEP. Em 2003, a Finep e a Fundação Banco do Brasil, em parceria com a Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES), do Ministério do Trabalho e Emprego, retomaram a discussão sobre os rumos do PRONINC, decidindo financiar novas Incubadoras de Cooperativas e dar apoio à manutenção das incubadoras em operação.
Conforme o Decreto n° 7.357 de 17/11/2010, o Programa Nacional de Incubadoras de Cooperativas Populares tem como finalidade o fortalecimento dos processos de incubação de empreendimentos econômicos solidários, buscando atingir os seguintes objetivos:
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I - geração de trabalho e renda, a partir da organização do trabalho, com foco na autogestão e dentro dos princípios de autonomia dos empreendimentos econômicos solidários;
II - construção de referencial conceitual e metodológico acerca de
processos de incubação e de acompanhamento de
empreendimentos econômicos solidários pós-incubação;
III - articulação e integração de políticas públicas e outras iniciativas para a promoção do desenvolvimento local e regional; IV - desenvolvimento de novas metodologias de incubação de empreendimentos econômicos solidários articulados a processos de desenvolvimento local ou territorial;
V - formação de discentes universitários em Economia Solidária; VI - criação de disciplinas, cursos, estágios e outras ações, para a disseminação da Economia Solidária nas instituições de Ensino Superior.
O PRONINC compreende os empreendimentos econômicos solidários como “organizações de caráter associativo que realizam atividades econômicas, cujos participantes sejam trabalhadores do meio urbano ou rural e exerçam democraticamente a gestão das atividades e a alocação dos resultados”. (BRASIL, 2010). A incubação de empreendimentos econômicos solidários é entendida como “o conjunto de atividades sistemáticas de formação e assessoria que abrange desde o surgimento até a conquista de autonomia organizativa e viabilidade econômica destes empreendimentos”. (BRASIL, 2010). Por sua vez, as incubadoras de cooperativas populares são definidas pelo programa como ”organizações que desenvolvem as ações de incubação de empreendimentos econômicos solidários e que atuam como espaços de estudos, pesquisas e desenvolvimento de tecnologias voltadas para a organização do trabalho, com foco na autogestão”. (BRASIL, 2010).
A partir da adesão do PRONINC junto a SENAES, evidencia-se a necessidade da constituição de uma gestão que cumpra o papel estratégico de articulação de recursos e parcerias institucionais. A partir dessa demanda, surgiu em 2003 o Comitê Gestor do Programa a fim de debater a experiência acumulada e as propostas para sua continuidade, o qual, gradativamente, foi incorporando outros
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órgãos de governo. Ao longo de uma década, a SENAES coordenou, junto ao Comitê Gestor, a publicação de editais em Chamadas Públicas para selecionar projetos visando o fortalecimento e criação de incubadoras. Os editais construíram possibilidades concretas para a ampliação das atividades das incubadoras alocando recursos orçamentários específicos para essa ação. (IADH, 2011). No ano de 2013, o PRONINC deixa de ser executado pela FINEP e passa a ser executado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPQ, aderindo ao PRONINC um caráter voltado para formação e para pesquisa.
A SENAES, em parceira com órgãos de fomento, abriu editais e chamadas públicas, procurando formalizar a parceria entre o governo federal e as instituições de apoio – governamentais, da sociedade civil e incubadoras universitárias. Os projetos selecionados e apoiados pela SENAES usufruíram dos recursos públicos, bem como de encontros de formação destinados às instituições de apoio, visando estabelecer e fortalecer o vínculo entre elas. (GOERCK, 2009).
A SENAES contribuiu para ampliação do diálogo das incubadoras de Economia Solidária com o governo federal, fortalecendo as parcerias existentes e ampliando a participação de ministérios e de outros órgãos federais na gestão do PRONINC, que se reúne regularmente para a definição de metas, prioridades e mecanismos de monitoramento do programa, seleção e acompanhamento dos projetos e participação no financiamento. (IADH, 2011). O PRONINC viabilizou o apoio à consolidação de novas incubadoras com recursos do orçamento do MTE/SENAES, do MDS, da FINEP, da FBB e do MEC. No ano de 2009, iniciaram-se também fomentos a projetos de transferência de tecnologias e disseminação de conhecimentos, mediante a formação de Núcleos Temáticos e Regionais em Incubação de empreendimentos solidários, com recursos da SENAES e da FINEP. (IADH, 2011). O PRONINC ampliou sua ação atuando em território nacional, fornecendo apoio técnico e financeiro para incubadoras sociais, através de ações que impulsionaram a ampliação dos recursos e dos instrumentos de seleção de projetos para apoio às incubadoras já existentes e fomento a novas incubadoras sociais.
76 5 O PRONINC E SUAS DIMENSÕES IDEOLÓGICAS
Este capítulo tem como objetivo problematizar o PRONINC e suas dimensões ideológicas a partir dos resultados alcançados através das análises dos dados apreendidos por meio das entrevistas com gestores das incubadoras sociais e das análises documentais. A escolha dos subitens que compõem o capítulo emergiu a partir de uma pré-análise dos dados, onde destacou-se algumas categorias analíticas que apresentaram maior visibilidade na fala dos gestores entrevistados e nos documentos selecionados para análise.
Inicialmente o capítulo apresenta uma contextualização da Economia Solidária e sua dimensão ideológica, trazendo uma análise de suas inspirações junto às experiências históricas do século XIX e suas distintas manifestações na atualidade. Em segundo momento, o capítulo propõe uma análise dos limites e possiblidades da atuação das incubadoras sociais, problematizando o papel da extensão universitária e da universidade na formação ideológica dos sujeitos. Por fim, propõe-se um diálogo a fim de compreender as inter-relações entre o Estado e a Economia Solidária junto ao PRONINC, analisando o PRONINC em suas diferentes fases e elucidando os avanços e contradições que permeiam essa relação.