3 O BIODIESEL
3.3 PROGRAMA NACIONAL DE PRODUÇÃO E USO DO BIODIESEL
O Programa Biodiesel do Ceará (PB – CE) tem algumas particularidades e adaptações que o difere e particulariza em relação ao programa criado pelo Governo Federal, contando, por exemplo, com atores governamentais e sociais distintos. Objetiva:
promover o desenvolvimento rural sustentável, como resultante de unidades de vida e de trabalho, de caráter familiar, livremente associadas ao processo de produção, beneficiamento, processamento e comercialização de oleaginosas, fortalecendo a diversidade da agricultura familiar, com base nos princípios da agroecologia, convivência com o semi-árido e economia solidária, assegurando inclusão social e segurança alimentar (PNPB – CE, 2011).
O Programa Biodiesel no estado do Ceará (PB – CE) engloba os 103 municípios zoneados para o cultivo de mamona e demais municípios com aptidão para cultura da mamona ou do girassol, totalizando 148 municípios incluídos no programa. O plano prevê ainda a utilização da experiência dos anos de 2008 à 2009 para que sirva de base para uma análise socioeconômica e ambiental que possam orientar no sentido de demonstrar a contribuição do cultivo da mamona e do girassol inseridos pelo programa (PNPB – CE, 2010).
3.3.1
Matérias-primas cultivadas através do Programa Nacional de Produção e
Uso do Biodiesel (PNPB) no CE
As culturas que são plantadas pelos agricultores que aderem ao programa do PNPB no Ceará são a mamona e o girassol, sendo que a mamona tem uma maior representatividade com mais 70.000 ha e o girassol apenas pouco mais de 3.000 há; tendo sido distribuídas as variedades de sementes de mamona Paraguassu, Nordestina e BRS-Energia (semente modificada pela EMBRAPA) e de girassol as variedades distribuídas foram Castissol 01 e Embrapa 122 (semente modificada pela EMBRAPA).
Tabela 1: Demanda de sementes de mamona e girassol para a safra de 2011.
Cultura
Variedade
Área (ha)
Qde. de Sementes (kg)
Mamona Paraguassu 35.000 175.000 Nordestina 35.000 175.000 BRS – Energia 2.234 33.510 Sub-total 72.234 383.510 GIRASSOL Catissol 01 1.600 8.000 Embrapa 122 1.549 7.685 Sub-total 3.149 15.685 TOTAL 75.383 51.8540 Fonte: PNPB do Ceará de 2011. Mamona
A mamona de nome científico Ricinus communis L., é também conhecida pelo nome de carrapateira ou rícino, esse último derivado de seu nome científico. Sua cultura foi introduzida no Brasil pelos portugueses que utilizavam seu óleo para iluminação e
lubrificação. O Brasil ocupa hoje o terceiro lugar em produção, sendo ultrapassado apenas pela Índia e pela China. (MATOS, 2007).
O cultivo dessa cultura teve grande destaque para o semi-árido do Brasil na década de setenta, onde toda oferta tinha compra garantida, mas foi abandonado posteriormente pela decadência de seu comércio e falta de mercado comprador. (VIANA; LIMA, 2006).
Segundo Oliveira e Gonçalves (2007), a mamoneira é uma planta de fácil adaptação, sem muitas exigências quanto à água e suportando bem altas temperaturas, por esse motivo tem sido frequentemente cultivada em diversas regiões do país, inclusive no semi-árido Nordestino, sendo uma cultura mais encontrada na agricultura familiar devido a sua rusticidade sendo grande aliada do combate ao êxodo rural.
É uma planta muito versátil, pois tudo nela pode ser aproveitado: “A folha é fonte de clorofila, utilizada na indústria alimentícia, cosmética e de produtos de higiene. Do caule, retiram-se fibras para a indústria têxtil e para a fabricação de celulose. Da semente, é extraído um óleo de excelente qualidade, com múltiplas utilidades” (OLIVEIRA; GONÇALVES, 2007).
As variedades mais cultivadas são a Paraguaçu e a Nordestina, essa última é um cultivar nativo, tendo boa rusticidade e já havendo apresentado boa produtividade no Nordeste brasileiro.
3.3.2 Monsenhor Tabosa
O município de Monsenhor Tabosa localiza-se no Nordeste do Brasil no estado do Ceará, a cerca de 300 km da capital Fortaleza, situa-se na Serra das Matas, dentro, segundo o IBGE, da mesorregião região dos Sertões Cearenses, na Microrregião do Sertão dos Crateús, também conhecido como Sertão dos Inhamuns.
Fica a uma altitude de 640 m do nível do mar, apresenta clima semi-árido com chuvas irregulares e concentradas de janeiro à maio, com temperaturas mais baixas nos meses de julho à setembro, a cidade também apresenta, por sua altitude e peculiaridades regionais, temperaturas mais amenas que as cidades vizinhas (MARTINS, 1999).
Mapa 1: Estado do Ceará
O Mapa 1 mostra o estado do Ceará dividido em mesorregiões, destacando-se os Sertões dos Inhamuns ou Sertão dos Crateús, estando circulada a cidade de Monsenhor Tabosa, para melhor visualização.
De acordo com o Censo Demográfico de 2010 do IBGE, possui uma população de 16.706 pessoas, sendo a população urbana do município composta de 9.363 pessoas e a população rural contabilizando 7.343 pessoas com uma área total de 893,6 km2 e uma
densidade demográfica de 18,69 h/km2.
O município tem experiência no cultivo da mamona que já era produzida muito anteriormente à implantação do PNPB. Segundo MARTINS (1999), a cultura da mamona sempre foi representativa na região, havendo inclusive uma festa da mamona para premiação dos maiores produtores e escolha da rainha da mamona. A cidade foi a segunda produtora do Ceará em 1961 exportando toda a sua produção.
São várias as associações de agricultores familiares do município vinculados ao PNPB e cultivando a mamona na região, dentre elas destaca-se a Associação Comunitária São Jorge objeto de estudo dessa pesquisa.
3.3.3.1 Associação Comunitária São Jorge
A Associação Comunitária São Jorge foi fundada em 1995 na região de Monsenhor Tabosa, conhecida como Oitis do Jorge. A necessidade de sua criação se deu porque a comunidade tinha urgência em obter energia elétrica e para isso haveria que ter um projeto associativo e através de uma associação devidamente legalizada. Em vista dessa necessidade, 12 famílias se reuniram e resolveram fundar a associação que hoje conta com cerca de 50 associados e trata dos mais diversos assuntos de interesses dos agricultores.
4 METODOLOGIA
Este capítulo apresenta os seguintes tópicos: a localidade e escolha do objeto de estudo; a especificação da amostra adotada; modelo teórico; o plano de coleta de dados com cada atividade e data de execução das mesmas; o modelo para coleta de informações e a análise qualitativa dos dados.
Foi feita utilização de dados primários que foram colhidos em forma de questionários e entrevistas semi-estruturadas com os agentes envolvidos no processo de difusão (órgãos governamentais e demais instituições) e adoção da inovação (associação e agricultores familiares); e dados secundários para ilustrar e contextualizar informações que sejam necessárias durante a pesquisa.