7 O LIVRO DIDÁTICO
7.2 Programa Nacional do Livro Didático – PNLD
O livro didático é um dos instrumentos didático-pedagógicos mais utilizados no processo de ensino e de aprendizagem e, em muitos casos, é a única ferramenta de trabalho utilizado pelo professor de Matemática na sua prática docente. Em geral, o livro de Matemática apresenta conteúdos teóricos, textos, exercícios de fixação, exercícios de aprofundamento, questões de diversos vestibulares, questões do ENEM e outras atividades para desenvolvimento em sala de aula, o que favorece a relação dialógica entre professor e aluno, sendo uma ferramenta que desempenha papel de facilitador da aprendizagem.
É importante lembrar que os livros que são utilizados nas escolas públicas de todo o país passam por uma série de avaliações até uma seleção a compor uma lista que é disponibilizada aos professores para que sejam adotados nas escolas.
Para selecionar e avaliar os livros didáticos no Brasil, o governo federal iniciou na década de 1930 a criação de órgãos responsáveis pelo desenvolvimento e aperfeiçoamento da educação pública, pelo acesso universal e gratuito do livro didático a todas as escolas públicas nacionais, além de criar condições para produção e distribuição do livro didático nacional. A seguir, um breve histórico dos programas responsáveis pela distribuição de obras didáticas aos estudantes da rede pública de ensino brasileira permite uma visualização de como essas políticas foram sendo implementadas.
No ano de 1996, o governo federal celebrou um acordo com a agência Americana para o desenvolvimento Internacional – USAID, garantindo verbas para a distribuição de 51 milhões de livros didáticos por um período de três anos.
Concomitantemente, foi criado a Comissão do Livro Técnico e Livro Didático – COLTEC, comissão que ficou responsável pela função de coordenar a produção, edição e distribuição dos livros.
Em 1971, o Instituto Nacional do Livro – INL passa a desenvolver o Programa do Livro Didático para o Ensino Fundamental – PLIDEF, que substituiu as funções da COLTEC. Em 1976, o governo extingue o Instituto Nacional do Livro – INL, ficando a cargo da execução do programa do livro didático a Fundação Nacional do Material Escolar – Fename. Em 1983, o governo cria a Fundação de Assistência ao Estudante – FAE que incorpora o PLIDEF. E, no ano de 1985, foi criado o Programa Nacional do Livro didático – PNLD, que apresentou diversas inovações, dentre elas pode-se citar:
Indicação do livro pelos professores;
Reutilização do livro, implicando a abolição do livro descartável e o aperfeiçoamento das especificações técnicas para sua produção, visando maior durabilidade e possibilitando a implantação de bancos de livros didáticos;
Extensão da oferta aos alunos de 1ª e 2ª séries das escolas públicas e comunitárias;
Fim da participação financeira dos estados, passando o controle do processo decisório para a FAE e garantindo o critério de escolha do livro pelos professores.
No período de 1993/2000 foram inseridos os critérios de avaliação dos livros didáticos, foi publicado o primeiro “Guia do Livro Didático” e recomeçou a sua universalização, que se iniciou com os livros de Matemática e Língua Portuguesa, em seguida, de Ciências, Geografia e História e depois com a inclusão do dicionário da Língua Portuguesa. Nesse período, foi extinta a FAE e o programa foi repassado para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE. Com isso, o programa foi ampliado e o Ministério da Educação passa a adquirir, de forma continuada, livros didáticos de Alfabetização, Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, Estudos Sociais, História e Geografia para todos os alunos de 1ª a 8ª série do ensino fundamental público.
No período de 2002/2004, o PNLD efetivou a reposição, complementação e distribuição integral dos livros didáticos conforme a necessidade. Ainda foi implementada a distribuição de Atlas Geográfico e dicionários. Em 2003, foi instituído o Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio – PNLEM, que iniciou sua atuação em 2004 com os livros de Matemática e de Língua Portuguesa para os alunos das Regiões Norte e Nordeste.
No período de 2005/2009, os programas PNLD (responsável pelos livros do Ensino Fundamental) e PNLEM (responsável pelos livros do Ensino Médio) atuavam juntos, com a função de avaliar, selecionar, adquirir e distribuir os livros didáticos para toda Educação Básica, incluindo a Educação de Jovens e Adultos.
A partir do ano de 2010, o PNLD fica responsável por todo o processo do livro didático da educação básica, ou seja, avaliação, seleção, compra e distribuição.
O programa foi ampliado com a compra do livro de língua estrangeira (Inglês e Espanhol) e dos livros de Filosofia e Sociologia, além de obras complementares para os alunos de 1º e 2º anos do ensino fundamental.
Em 2012, o programa do livro didático passou por mudanças para acompanhar as tecnologias. Foi permitido que os editores inscrevessem objetos educacionais digitais (jogos educativos, simuladores e infográficos animados) complementares aos livros impressos em formato de DVD para que os alunos pudessem utilizá-los em locais que não havia internet.
E, para o ano letivo de 2015, as editoras puderam apresentar obras multimídias, reunindo livro impresso e livro digital. Sendo que os materiais deviam
apresentar o mesmo conteúdo e os objetos educacionais digitais, como vídeos, animações, simuladores, imagens, jogos, textos, entre outros itens, serviam para auxiliar a aprendizagem.
A partir de julho de 2017, com o decreto nº 9099, o Programa Nacional do Livro Didático – PNLD passou a ser denominado de Programa Nacional do Livro e do Material Didático, que foi ampliado com a possibilidade de inclusão de outros materiais de apoio à prática educativa para além das obras didáticas e literárias:
obras pedagógicas, softwares e jogos educacionais, materiais de reforço e correção de fluxo, materiais de formação e materiais destinados à gestão escolar, entre outros.
Atualmente, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE é responsável pela compra e a distribuição dos materiais e livros didáticos selecionados pelo Ministério da Educação por meio da Secretaria de Educação Básica – SEB para todas as escolas do país cadastradas no censo escolar.