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Programa Nacional do Patrimônio Imaterial

No documento PROCESSO DO PATRIMÔNIO NO TOCANTINS (páginas 63-69)

4.2. Ações de defesa do Patrimônio

4.2.2. Programa Nacional do Patrimônio Imaterial

O Programa Nacional do Patrimônio Imaterial/ PNPI, instituído pelo Decreto no. 3551, de 4 de agosto de 2000, viabiliza projetos de identificação, reconhecimento, salvaguarda e promoção de dimensão imaterial do patrimônio cultural. É um programa de fomento que procura estabelecer parcerias com instituições dos governos federal, estadual e municipal, universidades, organizações não-governamentais, agências de desenvolvimento e organizações privadas ligadas à cultura, à pesquisa e ao financiamento.

Seus objetivos são: implementar política de inventário, registro e salvaguarda de bens culturais de natureza imaterial, contribuir para a preservação da diversidade

étnica e cultural do país e para a disseminação de informações sobre o patrimônio cultural brasileiro a todos os segmentos da sociedade, captar recursos e promover a constituição de uma rede de parceiros com vistas à preservação, valorização e ampliação dos bens que compõem o patrimônio cultural brasileiro, incentivar e apoiar iniciativas e práticas de preservação desenvolvidas pela sociedade.

O Programa tem como diretrizes principais: promover a inclusão social e melhoria das condições de vida de produtores e detentores do patrimônio cultural imaterial, ampliar a participação de grupos que produzem, transmitem e atualizam manifestações culturais de natureza imaterial nos projetos de preservação e valorização desse patrimônio, promover a salvaguarda de bens culturais imateriais por meio do apoio às condições materiais que propiciam a sua existência, bem como pela ampliação do aceso aos benefícios gerados por essa preservação, implementar mecanismos para a efetiva proteção de bens culturais imateriais em situação de risco, respeitar e proteger direitos difusos ou coletivos relativos à preservação e ao uso do patrimônio cultural imaterial.

O PNPI financia, apóia e estimula, prioritariamente, projetos inseridos nas seguintes linhas de ação: pesquisa, documentação e informação, realização de pesquisas, levantamentos, mapeamentos e inventários, apoio à instrução de processos de Registro, sistematização de informações, constituição e implantação de bancos de dados e apoio à produção e conservações de acervos documentais e etnográficos, considerados fontes fundamentais de informação sobre o patrimônio cultural imaterial.

O Programa se sustenta: na formulação e implementação de planos de salvaguarda de bens culturais inventariados ou registrados, no estímulo e apoio à transmissão de conhecimentos entre produtores de bens e de manifestações culturais de

natureza imaterial, no incentivo a ações de reconhecimento e valorização de detentores de conhecimentos e formas de expressão tradicionais e apoio às condições sociais e materiais de continuidade destes conhecimentos, em ações que visem à organização comunitária e gerencial de produtores ou detentores de bens culturais, em ações de melhoria das condições de produção e circulação de bens culturais imateriais, numa perspectiva de preservação do meio ambiente e de proteção de contextos culturais específicos, apoio a programas de desenvolvimento social e econômico e incluam e valorizem o patrimônio cultural imaterial das populações envolvidas e elaboração de indicadores para acompanhamento e avaliação de ações de valorização e salvaguarda do patrimônio cultural imaterial.

O Programa promove: divulgação de ações exemplares de identificação, Registro e salvaguarda, visando à promoção do entendimento da população acerca dos objetivos e do sentido do PNPI, desenvolvimento de programas educativos com vistas à democratização e difusão do conhecimento sobre o patrimônio cultural brasileiro, em especial o de natureza imaterial, ações de sensibilização da população para a importância do patrimônio cultural imaterial na formação da sociedade brasileira e ações de divulgação e promoção de bens culturais imateriais registrados ou inventariados.

Atua ainda na formação e capacitação de agentes para identificação, reconhecimento e apoio à salvaguarda do patrimônio cultural imaterial e no apoio a instituições e centros de formação para a realização de ações de capacitação e de desenvolvimento metodológico no campo no campo da preservação e transmissão de conhecimentos tradicionais.

- Outros Instrumentos da Política de Preservação do Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro

a) Registro de bens culturais de natureza imaterial

Instituído pelo Decreto nº 3551, de 4 de agosto de 2000, o Registro éo instrumento legal para reconhecimento e valorização do patrimônio cultural imaterial brasileiro. Os bens registrados são inscritos nos Livros de Registro dos Saberes, das Celebrações, das Formas de Expressão e dos Lugares.

Os saberes ou modos de fazer são atividades desenvolvidas por atores sociais conhecedores de técnicas e de matérias-primas que identificam um grupo social ou uma localidade.

As celebrações são ritos e festividades associados à religiosidade, à civilidade e aos ciclos do calendário, que participam fortemente da produção de sentidos específicos de lugar e de território.

As formas de expressão são formas não-linguísticas de comunicação associadas a determinado grupo social ou região, traduzidas em manifestações musicais, cênicas, plásticas, lúdicas ou literárias.

Lugares são espaços onde ocorrem práticas e atividades de naturezas variadas, tanto cotidianas quanto excepcionais, que constituem referência para a população.

O registro tem sempre como referência a continuidade histórica do bem cultural e sua relevância para a memória, identidade e formação da sociedade brasileira institui o compromisso do Estado em documentar, salvaguardar e produzir conhecimento sobre esse bem. As propostas de Registro devem ser sempre coletivas e

ter a anuência dos grupos envolvidos. Essa forma de reconhecimento e valorização contempla o caráter dinâmico dos bens culturais imateriais e por isso o Registro deve ser refeito e revalidado periodicamente.

b) Inventário nacional de referências culturais – INRC

O INRC tem como objetivo produzir conhecimento sobre os domínios da vida social aos quais são atribuídos sentidos e valores e que, portanto, constituem marcos e referências de identidade para determinado grupo social. Contemplam além das categorias estabelecidas no Registro, edificações associados a certos usos, a significações históricas e a imagens urbanas, independentemente de sua qualidade arquitetônica ou artística.

A delimitação da área do inventário ocorre em função das referências culturais presentes num determinado território. Essas áreas podem ser reconhecidas em diferentes escalas, ou seja, podem corresponder a uma vila, a um bairro, a uma zona ou mancha urbana, a uma região geográfica culturalmente diferenciada ou mesmo a um conjunto de segmentos territoriais.

c) Planos de salvaguarda

Salvaguardar um bem cultural de natureza imaterial é apoiar sua continuidade de modo sustentável. É atuar no sentido da melhoria das condições sociais e materiais de transmissão e reprodução que possibilitam sua existência.

O conhecimento gerado durante os processos de inventário e Registro é o que permite identificar de modo bastante preciso as formas mais adequadas de salvaguarda. Essas formas podem ir desde a ajuda financeira a detentores de saberes

específicos com vistas à sua transmissão, até, por exemplo, a organização comunitária ou a facilitação de acesso a matérias primas.

d) Bens culturais de natureza imaterial  Bens registrados: 4 (até out 2004)  Processos de registro em andamento: 13  Inventários realizados: 7

 Inventários em andamento: 28

 Obra-prima do patrimônio oral e imaterial da humanidade: 1

e) Bens Registrados:

 Ofício das Paneleiras de Goiabeiras, Vitória/ES, registrado no Livro dos Saberes, em dezembro de 2002.

 Arte Gráfica Kusiwa,pintura corporal dos índios Wajãpi, Amapá, registrado no Livro das Formas de Expressão, em dezembro de 2002.

 Círio de Nazaré, Belém/PA, registrado no Livro das Celebrações, em setembro de2004.

 Samba de Roda do Recôncavo Baiano, Bahia, registrado no Livro das Formas de Expressão, em setembro de2004.

f) Mais recentes:

 Modo de fazer Viola-de-Cocho  Ofício das Baianas de Acarajé  Jongo no Nordeste

 Cachoeira de Iauaretê – Lugar sagrado dos povos indígenas dos rios Uapés e Papuri

 Feira de Caruaru  Frevo

 Tambor de Crioula do Maranhão  Samba do Rio de Janeiro

 Modo artesanal de fazer queijo de Minas  Capoeira

- PNPI NO TOCANTINS

Foi realizado um inventário em Porto Nacional e estão em fase de finalização mais dois: do município de Natividade e da Ourivesaria de Natividade.

No documento PROCESSO DO PATRIMÔNIO NO TOCANTINS (páginas 63-69)

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