Aumento n° Presos Crescimento n° Vagas em
8.2 PROGRAMAS BOLSA TÉCNICA, BOLSA SEDU, PRÉ-ENEM E NOSSA BOLSA SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO (SEDU) E
8.2.2 PROGRAMA NOSSA BOLSA GERIDO PELA FAPES/SECTT
Conforme estabelecido no Plano de Auditoria nº 006/2012, constante nos autos do Proc. TC 1640/2012, foi realizada auditoria no âmbito da Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia do Estado do Espírito Santo – FAPES, com a finalidade de realizar estudo e análise no programa denominado “Nossa Bolsa”, de concessão de bolsas de estudo e outros incentivos.
Vale esclarecer que a Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia do Estado do Espírito Santo – FAPES, entidade gestora do programa Nossa Bolsa, está integrada à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Trabalho – SECTTI.
Para o cumprimento do plano e execução dos trabalhos de auditagem foram adotados os seguintes procedimentos: a) reuniões com os gestores e equipes técnicas responsáveis pelo programa; b) levantamento e análise da legislação relacionada ao programa e c) solicitação e análise de documentos.
8.2.2.1 Programa Nossa Bolsa
O “Nossa Bolsa” é um programa do Governo do Estado do Espírito Santo que possibilita, aos estudantes egressos do ensino médio das escolas públicas estaduais, o acesso ao ensino superior com vistas à formação de profissionais qualificados para os setores prioritários da economia do Estado e a promoção do desenvolvimento econômico e social. A efetividade do programa se dá através da concessão de bolsas de estudo para custear as semestralidades de cursos de graduação em instituições privadas de ensino superior localizadas no Estado do Espírito Santo.
O programa Nossa Bolsa visa proporcionar o acesso e a permanência de parcela da população economicamente mais vulnerável à educação superior por meio da concessão de bolsas de estudo. A vulnerabilidade econômica é definida pela renda familiar per capita e o valor máximo permitido para concorrer à bolsa é de 3 (três) salários mínimos per capita.
O programa Nossa Bolsa foi criado pela Lei Estadual nº. 8.263/2006 e reordenado pela já citada Lei Estadual nº. 9.263/2009, que estabeleceu critérios de concessão das bolsas, obrigações do aluno beneficiário, adesão das instituições de ensino ao programa e respectiva contrapartida, possibilidade de transferência e suspensão da bolsa, atribuições da Comissão Executiva do Programa Nossa Bolsa e previsão de recebimento de doações de recursos financeiros de pessoas físicas e jurídicas. A regulamentação se deu através do Decreto Estadual nº. 2.350-R, de 15 de setembro de 2009.
A bolsa de estudo, tanto a parcial quanto a integral, somente serão concedidas aos estudantes que, tendo estudado todo o ensino médio em escolas públicas localizadas no Estado do Espírito Santo, comprovem não ter condições de custear seus estudos, na forma regulamentada pelo Decreto n. 2350R, de
15 de setembro de 2009, que prevê a destinação da bolsa integral (100% da mensalidade) aos estudantes cuja renda familiar per capita seja igual ou inferior ao valor de um salário mínimo e meio, e a bolsa parcial (50% da mensalidade) àqueles cuja renda familiar per capita situa-se acima de um e meio salário mínimo até três salários mínimos vigentes.
Para a concessão da bolsa deverão ser atendidos outros requisitos previstos na Lei Estadual nº. 9263/2009, que reordena o programa Nossa Bolsa, quais sejam: ser brasileiro nato ou naturalizado e residir no Estado do Espírito Santo; não possuir outro diploma de graduação e não ter sido desligado anteriormente do Nossa Bolsa devido ao descumprimento das obrigações previstas aos alunos beneficiários do programa ou por fraude. O Decreto Estadual nº. 2.350-R prevê, ainda, como requisito à obtenção da bolsa, a comprovação de que o estudante não usufrui de outros programas de bolsa de graduação e nem possui financiamento estudantil.
Na supracitada Lei Estadual nº. 9.263/2009, precisamente em seu artigo 2º, § 2º, há a determinação de que 20% (vinte por cento) das bolsas sejam destinadas, preferencialmente, aos alunos de raça negra e afrodescendentes.
Desde sua criação, ocorrida em 2006, até o exercício de 2011, o programa Nossa Bolsa ofertou 8.704 bolsas de estudo para cursos ministrados em instituições de ensino superior, ao custo total de R$ 68.491.378,42, sendo que, em 2011, foram gastos R$ 18.128.370,60 com o programa.
Os recursos financeiros para implementação e operacionalização do Nossa Bolsa são alocados no orçamento do Executivo Estadual diretamente para o Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia – FUNCITEC, criado pela Lei 4.778, de 07/06/1993, com as modificações introduzidas pela Lei Complementar n. 289, de 26/06/2004, podendo o mesmo receber doações de recursos financeiros de pessoas físicas ou jurídicas destinadas ao programa.
A Lei Estadual nº. 9.263/2009, além de reordenar o Nossa Bolsa, também criou o programa Bolsa-Dedicação que consiste numa remuneração de R$ 300,00 reais trimestrais, a ser utilizada exclusivamente para custeio das despesas educacionais e que objetiva amenizar as evasões de graduandos que não têm como
custear os seus gastos. É direcionada somente aos estudantes selecionados beneficiários de bolsa integral no âmbito do programa Nossa Bolsa, graduandos dos cursos de Engenharias, Ciência da Computação, Medicina, Odontologia, Enfermagem, Farmácia e Fisioterapia, com duração mínima de oito semestres. Os recursos financeiros para o custeio do programa Bolsa-Dedicação são oriundos do Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia (FUNCITEC), fonte 101.
O programa Bolsa Dedicação, desde sua criação (2009) até o exercício de 2011, contemplou um total de 480 alunos ao custo (valor executado) de R$ 553.500,00, sendo que em 2011 foram pagos R$ 178.800,00.
As bolsas de estudo do programa Nossa Bolsa serão concedidas para 1 (um) semestre letivo, podendo ser renovadas por igual período, até a conclusão do curso; obedecidas as exigências mínimas; os compromissos assumidos pelo aluno; o interesse da instituição de ensino em continuar participando do programa; a programação financeira e demais critérios estabelecidos pela Comissão Executiva do programa.
O processo de seleção no programa Nossa Bolsa é conduzido pela FAPES mediante a elaboração de Editais.
O edital de seleção é o instrumento pelo qual são especificadas e detalhadas as condições e exigências para o ingresso e a permanência no programa Nossa Bolsa. Cabe ressaltar que a equipe de auditagem constatou que todas as normatizações dispostas nos editais de seleção se coadunam com aquelas previstas na Lei Estadual nº. 9.263/2009 ou no Decreto Estadual n. 2350-R.
Para inclusão no programa Nossa Bolsa os alunos devem atender aos requisitos constantes no artigo 4º da Lei Estadual nº. 9.263/2009, quais sejam: I - ter sido aprovado em processo seletivo definido pela Comissão Executiva; II - apresentar documentos que comprovem a insuficiência de recursos financeiros na forma a ser fixada em normas complementares; III - apresentar documentos que comprovem a conclusão do ensino médio conforme inciso I do artigo 3º da Lei Estadual 9.263/2009; IV - não estar matriculado em outro curso de ensino superior; V - não usufruir de outros programas de bolsa de graduação e nem possuir
financiamento estudantil; VI - outros critérios a serem definidos pela Comissão Executiva.
Uma vez incluído no programa Nossa Bolsa o aluno deverá atender às obrigações previstas no artigo 6º da Lei Estadual nº 9.263/2009, que são: I - freqüentar assiduamente as aulas, conforme legislação pertinente; II - obter aprovação em no mínimo de 75% (setenta e cinco por cento) das disciplinas cursadas no semestre na condição de bolsista; III - não efetuar trancamento de matrícula durante o período de vigência da bolsa, exceto quando comprovado impedimento legal; IV - manter-se adimplente com seus compromissos acadêmicos, disciplinares e financeiros com a instituição de ensino superior.
Verifica-se também a possibilidade de o bolsista solicitar a suspensão de seu benefício no semestre, bem como requerer uma única vez a transferência de curso, desde que atendidos os pré-requisitos dispostos nos artigos 7º e 8º da Lei Estadual nº 9.263/2009. A Resolução FAPES nº 007, de 14 de outubro de 2009, veio estabelecer as regras para as transferências de Instituição de Ensino Superior – IES e de curso dos bolsistas do programa Nossa Bolsa.
Já em relação ao cancelamento do benefício, tem-se que o mesmo ocorrerá sempre que for constatada a situação de inadimplência do aluno; o descumprimento de uma das obrigações previstas no artigo 6º Lei Estadual nº 9.263/2009; a comprovação de falsidade na prestação das informações necessárias à inscrição ou a morte do beneficiário.
As instituições de ensino superior interessadas em receber alunos beneficiados com o Nossa Bolsa deverão requerer à Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia do Estado do Espírito Santo – FAPES sua adesão ao programa, indicando: por cada curso ofertado, a tabela de mensalidade paga pelo aluno regularmente pagante, a contrapartida social ofertada e o número de vagas que se dispõe a preencher com os alunos beneficiados; o conceito da instituição e dos cursos atribuídos pelo Ministério da Educação nos processos de avaliação e a comprovação do reconhecimento do curso pelo Ministério da Educação.
Cabe esclarecer que a “contrapartida social”, a ser oferecida pelas instituições que desejarem aderir ao programa Nossa Bolsa, consiste na redução de no mínimo 20% (vinte por cento) sobre o valor das semestralidades regularmente praticadas.
A instituição de ensino superior que tiver interesse em desligar-se do programa deverá solicitar o desligamento à Comissão Executiva, que programará a transferência dos bolsistas para o mesmo curso em outra instituição de ensino.
O controle e administração do programa Nossa Bolsa é realizado pela FAPES a quem compete celebrar convênios com organizações civis, instituições de ensino, associações ou órgãos de representação de classe.
Todavia, conforme prevê a Lei Estadual nº 9.236/2009, a Comissão Executiva do Programa Nossa Bolsa, instituída no âmbito da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Trabalho – SECTTI, juntamente com a FAPES e outros atores, também desempenha papel de gestão e controle no programa.
Diante do exposto, visando analisar a efetividade do controle da FAPES acerca da regularidade da documentação necessária ao ingresso e permanência no programa Nossa Bolsa, a equipe técnica deste TCEES selecionou, aleatoriamente, uma amostra de 11 processos relacionados aos alunos inscritos no programa, nos quais foram analisados os seguintes documentos:
• Comprovação da renda familiar;
• Entrega do histórico escolar, cuja finalidade é a de comprovar se o aluno de fato cursou todo o ensino médio em escola pública estadual; • Comprovante de participação no ENEM, com nota média superior a
450 pontos;
• A assinatura dos Termos de Adesão ao programa.
Feitas as devidas análises na amostra selecionada, observou-se que é satisfatório o controle praticado pela FAPES acerca da regularidade da documentação elencada nos itens acima dispostos.
De outro lado, para avaliar as instituições de ensino superior, a FAPES utiliza a nota de avaliação do MEC, que é dada através do Exame Nacional de
Desempenho de Estudantes – Enade. Esse, por sua vez, é uma prova que avalia o rendimento dos alunos dos cursos de graduação, ingressantes e concluintes, em relação aos conteúdos programáticos dos cursos em que estão matriculados. O exame é obrigatório para os alunos selecionados e condição indispensável para a emissão do histórico escolar.
Em seu artigo 10, inciso III, exige a Lei Estadual nº 9.263/2009 que, para adesão ao programa Nossa Bolsa, a instituição de ensino superior deva ter os cursos oferecidos reconhecidos pelo Ministério da Educação, sendo que tal reconhecimento só se concretiza por meio da nota de avaliação do MEC.
Os recursos financeiros para implementação e operacionalização do programa Nossa Bolsa, bem como os destinados ao programa Bolsa-Dedicação, são alocados no orçamento do Poder Executivo, diretamente para o Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia - FUNCITEC, criado pela Lei nº 4.778, de 07.6.1993, com as modificações introduzidas pela Lei Complementar nº 289, de 23.6.2004.
Por sua vez, a FAPES empenha os recursos do FUNCITEC direcionados ao programa Nossa Bolsa (Fonte 0101) – tendo em vista que o fundo também recebe recursos a serem alocados em outra fonte (Fonte 0159 – Pesquisa) - e expede uma GL – Guia de Liquidação ao BANDES para realizar os pagamentos dos programas Nossa Bolsa e Bolsa-Dedicação.