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Programa para Obter Informações e Adequar o Trabalho ao

Ilmarinen (1997), Asikainen, Palolahti (1997) propuseram um modelo para promover a capacidade para o trabalho ao longo do envelhecimento, como já descrito no Capítulo 3 e esquematizado na Figura 2. Estes autores levaram em consideração apenas os trabalhadores com idade cronológica acima de 45 anos. O programa ora proposto (doravante denominado de Programa Vida) tem como objetivo, obter informações para que seja possível promover a capacidade para o trabalho do trabalhador ao longo da vida laboral, levando em conta os indicadores do envelhecimento. Com o Programa Vida torna-se possível comparar indicadores do envelhecimento encontrados no trabalhador (indivíduo), com indicadores do envelhecimento encontrados no conjunto dos trabalhadores de uma região e (ou) de uma organização (grupo) e, com estas informações decidir se é necessário realizar uma intervenção ergonômica.

O Programa Vida é dividido em seis etapas:

Elaboração do Banco de Dados Global (contendo a resposta dos questionários da totalidade dos pesquisados);

♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦

Levantamento da Situação de Trabalho numa organização em particular; Descrição da Função;

Análise Ergonômica;

Implementação de melhorias Ergonômicas; Monitoração.

As primeiras três etapas são desenvolvidas respectivamente em nível regional, em nível da organização e em nível da função (Figura 4).

ProgramaVida

Primeira Etapa Segunda Etapa Terceira Etapa

Banco de Dados Quadro 6 Tabela 11 Tabela 12 Quadro 6.2 Tabela 11.2 Tabela 12.2 PPRA PCMSO IAET Quadro 6.3 Tabela 11.3 Tabela 12.3 Existe Disfunção Análise 1 – Como está a Organização em

relação ao todo Análise 2 -

Como está a função em relação à Organização 4 - Análise Ergonômica 5 - Implementação de Melhorias Ergonômicas S 6- Monitoração N

Global Organização Função

Ponto de vista do Avaliador Ponto de vista do

Trabalhador

A primeira etapa – Elaboração do Banco de Dados Global - tem como objetivo construir um banco de dados que conterá informações da cronologia dos indicadores de todos os trabalhadores em atividade do universo pesquisado, usando como instrumento para a coleta das informações o Questionário Geral (Anexo D e descrito no item 5.3). Esta etapa leva em consideração o comportamento da população quanto aos indicadores teóricos (descritos no Capítulo 4 e resumidos no Quadro 6) em 14 faixas de idade (dos 14 aos mais de 80 anos de idade), sendo a primeira dos 14 aos 20 anos e as seguintes com intervalos de 5 anos e a última acima dos 80 anos (Quadro 6, Tabela 11 e Tabela 12). Desta forma, ter-se-á uma visão global do estado dos trabalhadores diante dos indicadores teóricos do envelhecimento, de forma que seja possível comparar o envelhecimento da população do universo pesquisado com estes indicadores, e assim decidir se os valores teóricos se aplicam a esta população. Caso contrário, os valores encontrados deverão sofrer uma investigação mais aprofundada para se obter uma explicação e propor ações para a sua adequação e/ ou correção.

Na segunda etapa – Levantamento da Situação de Trabalho numa organização em particular – as informações do Questionário Geral (já aplicado ao trabalhador na primeira etapa) deverão ser agrupadas em nível organizacional8 e tabuladas no Quadro 6.2, Tabela 11.2 e Tabela 12.2 (Anexo E). Desta forma, ter-se-á a visão do estado do envelhecimento dos trabalhadores da organização em estudo, diante dos indicadores do envelhecimento da região. Neste ponto já é possível realizar a Primeira Análise das informações, comparando-se os quadros e tabelas da primeira etapa com os quadros e tabelas da segunda etapa (comparar o Quadro 6 com o Quadro 6.2, a Tabela 11 com a Tabela 11.2 e a Tabela 12 com a Tabela 12.2, como pode ser visto no Anexo E). Esta comparação tem como objetivo verificar se os dados encontrados na organização estão em conformidade com os dados globais. A discrepância pode ser constatada pelos valores das porcentagens para cada indicador tabulado. Se os valores encontrados para a organização forem diferentes dos valores da região, significa que o estudo deverá ser aprofundado e, para tanto, serão usadas as informações do PPRA (Programa para a Prevenção de Riscos

8 Os quadros 6.2 e 6.3 e as tabelas 11.2, 11.3 e 12.2 e 12.3 são construídas da mesma forma como o Quadro 6 e as tabelas 11 e 12. Os dados dos quadros 6.2 e 6.3 estão relacionados com a Organização e com a função respectivamente. Da mesma forma, os dados das tabelas 11.2, 12.2 e 11.3, 12.3 estão relacionados com a Organização e a função respectivamente.

Ambientais) e do PCMSO (Programa para o Controle Médico de Saúde Ocupacional), como descritos no item 5.2. Ainda na segunda etapa, buscar-se-á junto às chefias a existência de programas de desenvolvimento psicossocial e gerenciamento das questões relacionadas com a idade, tempo de serviço, organização do trabalho e adequação do trabalho ao trabalhador. De posse do conjunto destas informações, é necessário investigar se a discrepância dos dados encontrados encontra-se na empresa como um todo ou se em alguma função ou posto de trabalho específico. A terceira etapa procurará elucidar a questão.

A terceira etapa – Descrição da Função – está relacionada diretamente com o trabalhador. As informações do Questionário Geral (já aplicado ao trabalhador na primeira etapa) deverão ser agrupadas em nível funcional e tabulados (gerando o Quadro 6.3, Tabela 11.3 e Tabela 12.3 – este quadro e estas tabelas não estão sendo mostradas neste texto). Desta forma ter-se-á à visão do estado do envelhecimento dos trabalhadores na função e ou posto de trabalho em estudo, diante dos valores dos indicadores do envelhecimento da organização. Neste ponto já é possível realizar a Segunda Análise das informações, comparando-se os quadros e tabelas da segunda etapa com os quadros e tabelas da terceira etapa (comparar o Quadro 6.2 com o Quadro 6.3, a Tabela 11.2 com a Tabela 11.3 e a Tabela 12.2 com a Tabela 12.3). Esta comparação tem como objetivo verificar se os dados encontrados na função ou posto de trabalho estão em conformidade com os dados da organização. A identificação de quem está com dificuldades é possível com o ICT, que deverá ser calculado para cada trabalhador. Para os valores do ICT abaixo de 36 pontos (considerado como sendo Moderada a Capacidade para o Trabalho) ou abaixo de 27 pontos (considerado como sendo Baixa a Capacidade para o Trabalho) deverá ser aplicado o IAET à função (No Anexo C há um exemplo do resultado da aplicação do IAET). Desta forma, o ponto de vista do trabalhador quanto ao seu estado (físico, psíquico etc.) estará contemplado pelo Questionário Geral e o ponto de vista do avaliador (ou chefe) das cargas de trabalho e o perfil da função estará contemplado no IAET. Assim é possível identificar disfunções nas condições de trabalho, analisá-las em detalhe e prosseguir com a intervenção ergonômica (Etapas quatro e cinco), caso seja necessário. O conhecimento da capacidade funcional, do estilo de vida e dos hábitos pessoais do trabalhador são fundamentais para embasar as ações que visam adequar o trabalho ao trabalhador. Como resultado da interpretação das informações fornecidas pela cronologia dos

indicadores do envelhecimento será possível detectar disfunções de forma precoce, antes de se tornar uma patologia, dando ênfase à prevenção. Quanto mais cedo puder ser percebida alguma disfunção, mais tempo ter-se-á para fazer as modificações necessárias para garantir a saúde e o bem estar do trabalhador, sem perder de vista sua performance e produtividade, o que se propõe na etapa cinco – Monitoração.

A quarta e quinta etapa – Análise ergonômica e Implementação de melhorias ergonômicas – como resultado das três primeiras etapas do Programa Vida, será possível ter a visão geral e o ponto de vista do trabalhador das condições de trabalho (c.d.t.) em análise. Assim será mais fácil perceber onde e quando deverá ser realizada a análise ergonômica do trabalho (como proposta por Santos e Fialho, 1995 ou Moraes e Mont’Alvão, 2000), e qual a sua urgência diante da discrepância ou não dos dados do trabalhador (ou função) em estudo, comparando-se com a base de dados global (da região ou organização). Portanto, quanto maior e mais genérica for a base de dados global (formada a partir do questionário geral), maior a possibilidade de haver um grupo de dados já tabulados que possa se assemelhar ao grupo em estudo e assim facilitar a avaliação das condições de trabalho e da capacidade funcional do trabalhador de forma precisa, comparando-se agora o todo com as partes, como mostrado na Figura 4. Se não forem detectadas discrepâncias nas etapas anteriores não será necessário realizar a análise ergonômica, passando- se diretamente à etapa seis do Programa Vida.

A sexta etapa – Monitoração - A adequação contínua das condições de trabalho ao trabalhador que envelhece é garantida desde que o trabalhador responda o questionário geral sempre que houver troca de função ou, no mínimo, uma vez por ano. O ciclo proposto para alimentar a base de dados pode ser visualizado na Figura 5. O programa inicia com a aplicação do Questionário Geral ao trabalhador, alimentando a base de dados global e as etapas subsequentes. Os dados serão tabulados formando a Base de Dados Global e simultaneamente tabulados no Quadro 6, Tabela 11 e Tabela 12, sendo recalculados sempre que novos dados estão disponíveis. A tabulação do Quadro 6, Tabela 11 e Tabela 12 também é realizada por organização (passando a se chamar de Quadro 6.2, Tabela 11.2 e Tabela 12.2) e por função (passando a se chamar de Quadro 6.3, Tabela 11.3 e Tabela 12.3) como pode ser visualizado na Figura 4.

Com a monitoração contínua das três primeiras etapas do Programa Vida, nos próximos anos estarão disponíveis informações para estudos longitudinais dos trabalhadores da região e da organização.

Nos próximos itens será descrito como implementar e usar os Quadros e Tabelas propostos, como resultado da base de dados em cada etapa do Programa Vida.

7. Implemen- tação das melhorias Ergonômicas 6. Análise Ergonômica do Trabalho (AET) 5. Avaliação das c.d.t. do trabalhador e ICT 4. Dados da Função 3. Banco de Dados da Organização 2. Banco de Dados Geral da visão do Trabalhador 1. Questionário

5.2 Proposta do Uso de Indicadores do Envelhecimento Funcional do