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Programa Pequenos Projetos Ecosociais – PPP-Ecos

2.2 A CARACTERIZAÇÃO DOS FUNDOS EXISTENTES

2.2.4 Fundos privados

2.2.4.3 Programa Pequenos Projetos Ecosociais – PPP-Ecos

O Small Grants Programme-SGP é uma linha de apoio a projetos do Global Environmental Facilities (GEF), administrado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). No Brasil, o SGP denomina-se Programa Pequenos Projetos (PPP), renomeado de PPP-Ecossociais (PPP- Ecos), e tem atuado como um fundo, apesar de não ser concebido como tal, assim optou-se por descrevê-lo nesta dissertação, uma vez que poderá contribuir para as construção de sua conclusão.

O PPP-Ecos possui características que fazem de sua atuação uma experiência singular, tais como: a opção por pequenos projetos, o recorte por bioma, o foco em projetos produtivos e sua vinculação como uma estratégia global de conservação da diversidade biológica, decorrente de sua vinculação ao GEF.

Segundo Nogueira (2005), no livro Quando o pequeno é grande, que analisa a experiência do apóio a pequenos projetos realizada pelo PPP, o marco diferencial dos pequenos projetos talvez seja a definição do “local” como ponto de partida para a experimentação de um novo modelo de desenvolvimento.

2.2.4.3.1 A estrutura de gestão

A operação do Small Grant Programme possui uma estrutura de apoio que conta, em sua coordenação, com um Conselho Gestor Nacional (CGN) de organizações da sociedade civil, representada pela AGENDE, pela Fundação Pró-Natureza (Funatura) e pelo Instituto Socioambiental (ISA), de organizações que agrupam ONGs, como o Fórum Brasileiro de Organizações Não-Governamentais e Movimentos Sociais - FBOMS e da Rede Cerrado, do setor público, representado pelos Ministérios do Desenvolvimento Agrário e do Meio

Ambiente, da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do PNUD.

A Coordenação Técnico-Administrativa (CTA) é realizada pela Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN).

2.2.4.3.2 Projetos apoiados

Desde 1994, foram apoiados 193 projetos, em 13 Estados brasileiros. Os projetos apoiados possuem um valor médio de US$ 25 mil, ou seja, 50% do limite estabelecido para os Projetos em esfera global. Nestes doze anos, foram investidos o total aproximado de US$ 4 milhões (SOYER, 2005, comunicação pessoal). Destes investimentos, foram beneficiados cerca de 100 entidades, tendo como público as organizações não-governamentais e comunidades tradicionais (SOYER, 2005, comunicação pessoal).

Segundo Nogueira (2005), os pequenos projetos tem majoritariamente como executores organizações da sociedade civil, em razão de suas próprias especificidades, tais como dinamismo, flexibilidade, rotinas desburocratizadas e quadro de pessoal reduzido. Entre outros aspectos, a mesma autora ressalta que os pequenos projetos possuem prazos de execução relativamente curtos, “por isso, em geral estão vinculados a outros projetos anteriores e paralelos” , que podem se desenvolver a partir de suas próprias ações ou de instituições parceiras com as quais, mantém uma forte sinergia. Tal sinergia se materializa no compartilhamento de equipamentos, instalações e pessoal técnico, o que permite a continuidade das ações iniciadas com o projeto para além de sua execução.

O mecanismo de seleção de projetos do PPP-Ecos se inicia com o lançamento de editais e roteiros divulgados nacionalmente, sendo triados pela equipe técnica da CTA, seguidos de uma avaliação feita por pelo menos três integrantes do CGN, conforme suas especialidades. A seleção final ocorre na Plenária do CGN. O acompanhamento de sua execução se dá por meio do apoio técnico-administrativo realizado pela CTA.

Os projetos apoiados possuem como principais atividades: o extrativismo e processamento comercial de plantas medicinais, flores e frutas nativas do Cerrado; a criação de animais silvestres; a apicultura e meliponicultura; o manejo e conservação do solo e das nascentes; o uso controlado do fogo e combate a incêndios; capacitação para ecoturismo; e o uso de energia solar e eólica.

O Programa de Pequenos Projetos Ecosociais tem gerado resultados significativos, que, assim como os benefícios de outras tipologias de projetos ambientais, são de difícil mensuração. Dentre as várias lições aprendidas, merece destaque à formação de capital social. Segundo Soyer (2005, comunicação pessoal), a consciência ambiental gerada funciona como pólo irradiador de inovações, que se potencializa com a promoção de contatos mais intensos entre os diversos projetos. Desta forma o PPP adota como uma de suas estratégias a troca de experiências entre projetos e programas e a disseminação das experiências e lições.

As entidades apoiadas pelo PPP, em geral, passam a integrar redes com maior influência nas políticas públicas, por isso existe na atuação do Programa um estímulo à participação das organizações em coletivos e redes.

Em sua trajetória, o PPP identificou a necessidade de criar mecanismos que contribuam para a sustentabilidade econômica dos projetos. Tal sustentabilidade pode se dar pela capacidade do próprio projeto gerar resultado econômico, por meio de ferramentas que, por exemplo, facilitem a comercialização da produção agroextrativa, objeto de grande parte dos projetos apoiados, e a articulação com outros projetos e programas. Além disso, se constata a necessidade de superar a fragilidade dos proponentes quanto aos procedimentos formais para elaboração de projetos, gerando a demanda por capacitação técnica das comunidades.

Uma estratégia interessante é a adoção de seminários de integração que reúnem os executores de projetos, para conhecer aspectos gerais da execução, oferecendo a oportunidade de conhecer o conjunto de projetos apoiados, seus objetivos e equipes.

Em paralelo a estas questões voltadas ao mérito interno das diferentes ações apoiadas, o PPP possui o desafio de gerar co-financiamento para os projetos e o programa. Neste sentido, já se desenvolve uma parceria piloto com o FNMA para a execução de projetos no Cerrado. Apesar de recente esta estratégia de co-financiamento já sinaliza seus limites. Os diferentes tempos institucionais destes dois “fundos” fez com que a execução dos projetos apoiados nesta iniciativa fosse prejudicada.

Merece destaque também o desafio de buscar ganhos na ampliação da escala de atuação e viabilizar a atuação em territórios. Estes desafios significam uma importante transição entre o modelo atual e um futuro próximo, pois, já estão em curso iniciativas de projetos de “consolidação”, voltados a organizações, ou conjunto de organizações, que em um determinado território desenvolverão atividades que contemplam inclusive o fortalecimento de fortalecimento de outras organizações.

Como maior desafio posto ao PPP-Ecos está a necessidade de conquistar identidade própria. O Programa, apesar dos êxitos alcançados, possui um forte vínculo com o SGP do GEF, que passa por uma fase de profunda reformulação para o chamado GEF IV, no qual está prevista uma provável redução de recursos para os próximos anos e uma significativa concorrência no âmbito nacional para o acesso a estes recursos.

O PPP-Ecos, por sua vez, possui a maturidade suficiente para se constituir como um fundo ambiental e se lançar à captação de outras parcerias e aportes financeiros. São evidentes os acúmulos, com os mais de 165 projetos apoiados e executados dentro de um bem definido nicho de atuação, com uma forte interface entre sustentabilidade ambiental, social e econômica e incorporação de outras variáveis, como o diferencial cultural de seus proponentes, em grande parte composto por comunidades tradicionais, quilombolas, indígenas.

A opção pelo pequeno é um dos recortes mais onerosos para as grandes agendas públicas, mas que já demonstra, no desdobramento dos projetos apoiados pelo PPP-Ecos, seu importante papel no ingresso de atores sociais usualmente excluídos dos mecanismos formais de fomento. Não obstante aos resultados obtidos e a relevância da sua atuação, fica ao PPP- Ecos o desafio de se reinventar como um fundo socioambiental.