O PSE foi instituído em 2007 entre o MS e MEC, para contribuir na formação integral dos estudantes da rede pública de educação básica através de ações de prevenção, promoção e atenção à saúde. Os objetivos então delimitados são (BRASIL, 2007; BRASIL, 2017a):
0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
•Promover saúde e cultura da paz, reforçando a prevenção de agravos e fortalecendo a relação entre as redes públicas de saúde e educação;
•Articular as ações do SUS às ações das redes de educação básica pública, para ampliar o alcance e o impacto das ações, otimizando a utilização dos espaços, equipamentos e recursos disponíveis;
•Contribuir para a constituição de condições para a formação integral;
•Contribuir para a construção de sistema de atenção social, com foco na promoção da cidadania e nos direitos humanos;
•Fortalecer o enfrentamento das vulnerabilidades da saúde que possam comprometer o pleno desenvolvimento escolar;
•Promover a comunicação entre escolas e unidades de saúde, assegurando a troca de informações sobre as condições de saúde dos estudantes;
•Fortalecer a participação comunitária nas políticas de educação básica e saúde, nos três níveis de governo.
As diretrizes do programa envolvem a descentralização e respeito à autonomia federativa; integração e articulação das redes públicas de ensino e de saúde; questões de territorialidade, interdisciplinaridade e intersetorialidade; integralidade; cuidado ao longo do tempo; controle social; e monitoramento e avaliação permanentes. O programa seria implementado a partir da adesão dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios aos objetivos e diretrizes do programa através de termo de compromisso. Entre as ações previstas constam avaliações clínicas, nutricional, oftalmológica, da saúde e higiene bucal, auditiva e psicossocial (BRASIL, 2007; BRASIL, 2017a). Contanto não são descritos quais métodos devem ser empregados para tais avaliações.
Apesar disso, é registrada a ação das equipes da ESF através de visitas periódicas e permanentes as escolas participantes do PSE para avaliações e atendimentos em saúde ao longo do ano letivo, de acordo com as necessidades de saúde identificadas (BRASIL, 2007). As equipes devem avaliar as condições de saúde dos educandos nessas visitas, bem como proporcionar o atendimento à saúde ao longo do ano letivo, de acordo com as necessidades locais de saúde identificadas (BRASIL, 2007). O único decreto publicado consiste no que instituiu o PSE, sendo as demais legislações publicadas em portarias (DAB, 2017b), a maioria relacionada aos recursos financeiros do programa ao longo dos anos.
Em 2013 foi instituído o Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), que deve conter, entre outras informações, as relativas ao PSE (BRASIL, 2013a). No
mesmo ano foram instituídos consultórios itinerantes de oftalmologia e odontologia (BRASIL, 2013b), em consonância com as avaliações de saúde propostas no decreto de 2007. Em 2015 é redefinida a Semana de Mobilização Saúde na Escola (Semana Saúde na Escola), instituída em 2012, como componente das ações do Programa Saúde na Escola com periodicidade anual. Constitui-se por ações de promoção e prevenção de agravos à saúde na rede pública de ensino com participação das equipes de Atenção Básica e equipes das escolas (BRASIL, 2015).
Em 2017 são redefinidas regras e critérios para adesão ao programa, sendo necessário o preenchimento do termo de compromisso e termo de adesão. A adesão terá duração de 24 meses, com abertura para ajustes das informações e do Termo de Compromisso após doze meses do início da vigência. Ressalta-se que a gestão do programa deve ocorrer de maneira intersetorial, a cargo dos gestores e suas representações organizadas em Grupos de Trabalho Intersetoriais (GTI) instituídos por normativa legal ou ato próprio, em conformidade com as diretrizes da Comissão Intersetorial de Educação e Saúde na Escola (CIESE). Entre as ações do PSE descritas, está contemplada a promoção da saúde auditiva e identificação de estudantes com possíveis sinais de alteração, assim como permanecem contemplados aspectos nutricionais, oftalmológicos e de saúde bucal (BRASIL, 2017a).
Com o objetivo de facilitar as ações entre as equipes de saúde e educação, as atividades a serem executadas devem estar incluídas nos projetos pedagógicos das escolas, e são organizadas em três dimensões – avaliação das condições de saúde clínica e psicossocial; prevenção de doenças e agravos e promoção da saúde; formação (BRASIL, 2011; BRASIL, 2015). Dentro do componente I está prevista triagem da acuidade auditiva e identificação de problemas auditivos, na linha de ação “Avaliação Auditiva”. São propostas as estratégias de capacitação aos educadores e profissionais da rede básica sobre o desenvolvimento auditivo de crianças, e ações para promoção e prevenção de problemas auditivos e a aplicação de instrumento de avaliação auditiva, a ser indicado como referência pelo Ministério da Saúde (MS) (BRASIL, 2011).
Em 2015 o MS coloca a identificação dos escolares com sinais de alteração auditiva como optativa, a partir das ações de verificação e registro de realização do “teste da orelhinha” na maternidade, na entrada da criança na creche, e a identificação anual de escolares com possíveis sinais de comprometimento auditivo para pré-escola, ensino fundamental e médio, e educação de jovens e adultos (BRASIL, 2015). Nesse instrutivo não é detalhada a avaliação da acuidade auditiva (BRASIL, 2007) embora a portaria mais recente inclua a promoção de saúde auditiva e identificação de escolares com sinais de alterações auditivas (BRASIL, 2017a).
Apesar da relevância da audição na vida escolar desde o ensino infantil (BRASIL, 2011), as proposições do programa ainda não apontam o instrumento de avaliação auditiva. As ações previstas no PSE como um todo, assim como uma adequada assistência à saúde auditiva, propiciam a integralidade como eixo central de cuidado dessa população.
No município do Natal há 34 Unidades Básicas de Saúde, 26 escolas municipais e 34 escolas estaduais participantes do programa, sendo articulados por representantes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Secretaria Municipal de Educação (SME) e da Secretaria da Educação e da Cultura (SEEC) (PREFEITURA DO NATAL, 2018). Estudos recentes realizados na capital indicam que o PSE na cidade está em fase de construção (MEDEIROS, 2015), com grau de implantação incipiente, verificado a partir da avaliação de estrutura (recursos físicos, financeiros e humanos) e processos (reuniões, atividades, registro e monitoramento) (MEDEIROS, 2017). Profissionais da saúde e educação, assim como escolares e suas famílias estão se apropriando dos caminhos e ferramentas necessários à sustentabilidade das ações (MEDEIROS, 2015). O cenário da capital comprova os desafios encontrados na intersetorialidade, revelando a necessidade de fortalecer o elo entre saúde e educação.
No ambiente escolar, em parceria com educadores, cabe ao fonoaudiólogo desenvolver ações que contribuam para a promoção, aprimoramento, e prevenção de alterações dos aspectos relacionados à audição, linguagem, motricidade oral e voz, que favoreçam e otimizem o processo de ensino e aprendizagem (CFFa, 2005). A atuação ganhou tanto destaque que foi reconhecida como especialidade pelo conselho regulamentador da profissão (CFFa, 2010). O fonoaudiólogo é um parceiro importante na educação para o enfrentamento dos desafios atuais relacionados ao processo ensino-aprendizagem e embora seja profissional da área da saúde, a origem e muitas atuações da Fonoaudiologia estão ligadas à Educação e à aprendizagem (CFFa, 2015b).