2.1 Plano Nacional do Turismo
2.1.1. Programa Turismo Sustentável e Infância – TSI
O Programa Turismo Sustentável & Infância – TSI vinculado ao Gabinete do Ministro que em parceria com a sociedade civil e outros órgãos de governos, visa à prevenção e o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes.
O Programa TSI foi criado pelo Ministério do Turismo em 2004, a partir do chamado do presidente Lula para que cada Ministério dedicasse parte de suas atenções para a “erradicação da exploração sexual infantil”. Essa determinação deu origem a uma Comissão Interministerial, então coordenada pelo Ministério da Justiça, composta por integrantes dos diversos Ministérios para identificar sinergias
e necessidades para o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. Posteriormente, a coordenação dessa comissão foi assumida pela Secretaria de Direitos Humanos, vindo a ser chamada de Comissão Intersetorial, por incluir representantes da sociedade civil e de organismos internacionais.
A partir daí, o Ministério do Turismo estabeleceu o Programa Turismo Sustentável e Infância que tem como objetivos a prevenção e o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes no turismo. Este trabalho é realizado por meio de mobilização, sensibilização e qualificação da cadeia produtiva do turismo para a temática, com a adoção de práticas sustentáveis na promoção do Brasil como destino turístico e também na adoção de parcerias intersetoriais.
Os princípios adotados pelo programa são o desenvolvimento sustentável, a responsabilidade social corporativa e os Direitos da Criança. Suas ações baseiam- se na produção de campanhas sobre o tema, na realização de eventos e cursos com o propósito de implantar uma cultura de respeito à infância no setor turístico e na promoção da inclusão social.
Estratégias e Ações Propostas
Desenvolver e aplicar o conceito Turismo Sustentável e Infância no Ministério do Turismo e instâncias correlatas:
- promover sensibilização e capacitação interna;
- incluir o tema no Plano de Ações do Ministério do Turismo; - monitorar e avaliar o processo.
Esclarecer e fomentar a adoção de Códigos de Conduta no setor turístico:
- promover seminários, eventos, pesquisas e material informativo sobre metodologias e estratégias de códigos de conduta;
- acompanhar projetos pilotos de implantação de códigos de conduta em entidades coletivas de turismo;
- reconhecer as melhores iniciativas de códigos de conduta desenvolvidas no Brasil;
- analisar tecnicamente e apoiar novos projetos para implantação de códigos de conduta;
- difundir a estratégia nos estados e municípios.
Mobilizar a sociedade para fiscalizar a implantação do Turismo Sustentável e Infância no Brasil e no exterior:
- planejar a participação em eventos, feiras e seminários, por meio da elaboração de cronograma, plano de participação e marketing;
- incluir a logo do TSI na política de comunicação do Mtur; - criar um portal do TSI;
- internacionalizar a campanha para a América Latina;
- disponibilizar a campanha para a Organização Mundial do Turismo (OMT);
- monitorar e fiscalizar a promoção da imagem do turismo no exterior;
Incentivar o trade turístico a adotar práticas socialmente responsáveis, por meio da mudança de cultura e do apoio a projetos da sociedade civil:
- produzir diagnóstico para verificar a amplitude e densidade do fenômeno; - mapear projetos sociais que atuem nas áreas mais afetadas pela
exploração sexual comercial de crianças e adolescentes no turismo; - mobilizar o empresariado para apoiar projetos sociais de utilização do
turismo para a proteção da infância em situação de risco;
- incentivar o empreendedorismo e o protagonismo (microcrédito); - promover a sustentabilidade do programa.
- mobilizar o empresariado a participar na implantação de projetos que promovam a inclusão social de populações socialmente vulneráveis.
Segundo Elisabeth Parronchi B. Bahia, Coordenadora Geral do TSI, o Ministério do Turismo trabalha junto à comunidade internacional de acordo com diretrizes da Organização Mundial do Turismo (OMT). Dentre importantes fóruns, esteve presente nas 21ª e 22ª reuniões internacionais do Comitê Executivo Task Force for the Protection on the Children in Tourism, promovidas este ano, em Londres e em Berlim. Em junho de 2008, o MTur realizou um encontro com países da América Latina para preparar a participação do bloco no III Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O Congresso que tem como organizadores o governo brasileiro, ECPAT, UNICEF e NGO Group aconteceu em novembro, no Rio de Janeiro, reunindo representantes dos governos e das organizações não-governamentais, atores do sistema de garantia de direitos, militantes, formadores de opinião e adolescentes protagonistas.
Em 2007, por iniciativa da ministra Marta Suplicy, o programa passou a incorporar uma nova dimensão, a de atuar sobre as populações em situação de vulnerabilidade. Foi lançado o projeto de Inclusão Social com Capacitação Profissional, em Fortaleza36. Além desse novo projeto, como forma de dar continuidade e ampliar o número de pessoas sensibilizadas na temática da exploração sexual de crianças e adolescentes, em 2007, iniciou-se a formação de multiplicadores – pessoas que militam voluntariamente e disseminam informações que reforçam a campanha do TSI.
No conjunto de ações para o desenvolvimento do Programa TSI foram firmados, em 2007, 28 convênios, totalizando R$ 4,3 milhões de investimentos. Para o orçamento de 2008, os recursos foram dobrados.
Saindo das políticas públicas de âmbito nacional, será apresentado a seguir um diagnóstico do turismo no município de Fortaleza antes da criação do órgão até o presente momento.
36 Projeto piloto realizado em Fortaleza 2007/2008, resultado de um convênio com Ministério do
Turismo, ABIH Nacional e Setfor. O projeto tem como objetivo capacitar 360 jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômico-social e inseri-los no cadeia produtiva do turismo. A primeira fase já terminou, a segunda fase do projeto é o diagnóstico das famílias que tem como objetivo identificar o perfil dessas famílias para desenvolver políticas públicas.