Capítulo III | Projeto de Investigação
3. Estudo empírico
3.2. Apresentação, análise e interpretação dos dados
3.2.3. Análise documental
3.2.3.1. Programas da disciplina de Formação Musical
Todas as escolas de referência para este estudo apresentam programas da disciplina de formação musical organizados por graus (do 1º ao 8ºgrau), à exceção da escola de ensino profissional, cujo programa está estruturado por anos de escolaridade (do 7º ao 12ºano).
Os nove programas fazem descrição dos conteúdos e a grande parte dos mesmos define objetivos/competências, à exceção de um, que elenca apenas os conteúdos organizados de forma compartimentada entre aspetos rítmicos, melódicos, harmónicos e aspetos teóricos. No que diz respeito às atividades/estratégias, estas apenas são contempladas em quatro programas, num dos quais é utilizada a expressão “metodologia”.
Segue-se a análise do grau de incidência dos conteúdos definidos pelos programas no âmbito do desenvolvimento da audição harmónica, tanto no nível básico como no complementar.
1
3 1
Entoação a vozes Improvisações melódicas sobre uma harmonia dada
Acordes
Trabalho Isolado Trabalho em Contexto
90
De acordo com o gráfico 34, todos os programas referem os acordes perfeitos maiores e menores no estado fundamental e respetivas inversões, bem como o acorde de 7ªdominante no estado fundamental. Dos 9 programas analisados, 7 apontam os acordes de 5ªaumentada e 5ªdiminuta, ambos no estado fundamental.
Gráfico 34: Conteúdos definidos pelos programas – ensino básico (acordes).
O gráfico 35 indica que há dois programas que não referem as funções tonais neste nível de ensino. Os restantes abordam uma sequência de aprendizagem não consensual, embora incidam sobretudo nas funções de tónica (I), Dominante (V), subdominante (IV) e sobredominante (VI), tanto no modo Maior como no modo menor. Há três programas que fazem ainda referência à primeira inversão da tónica, dominante e subdominante.
Gráfico 35: Conteúdos definidos pelos programas – ensino básico (funções tonais).
No gráfico 36 verifica-se que 5 programas não abordam as cadências e apenas 4 fazem referência a este conteúdo programático. As cadências perfeitas, plagal e suspensivas são comuns a todos os programas.
1
91
Gráfico 36: Conteúdos definidos pelos programas – ensino básico (cadências).
No gráfico seguinte verifica-se que seis programas abordam todos os intervalos harmónicos e apenas dois referem a improvisação como um conteúdo.
Gráfico 37: Conteúdos definidos pelos programas – ensino básico (outros).
Partindo dos dados apresentados, denota-se que no nível básico do ensino da música é exigida a compreensão teórica e auditiva da harmonia com alguma complexidade que se acentua no nível complementar, tal como se pode verificar nos gráficos 38 e 39.
Verifica-se que os conteúdos abordados no nível básico continuam a ser trabalhados no sentido de consolidar as competências exigidas, complementando-os com novos conteúdos que, na maioria dos programas, incidem sobre os acordes de 4 e de 5 sons e todas as cadências, funções tonais e intervalos harmónicos.
5 2
1 1
Nenhuma cadência Perfeita, plagal, suspensiva, 3ªpicarda Perfeita, plagal, suspensiva, interrompida Perfeita, plagal, suspensiva, 3ªpicarda,
interrompida, imperfeita, evitada
6 2
2 2
Todos os Intervalos harmónicos simples:
Perfeitos, Maiores e menores Modulações para tons próximos diretos
Polifonia: a 2 vozes Improvisação
92
Gráfico 38: Conteúdos definidos pelos programas – ensino complementar (acordes).
Gráfico 39: Conteúdos definidos pelos programas – ensino complementar (outros).
Os gráficos seguintes indicam que todos os programas que estabelecem objetivos/competências relacionados com os conteúdos atrás referenciados organizam-nos no âmbito da audição e da atividade
Nona maior da dominante e nona menor da dominante (EF) Polifonia e Homofonia: 3 e 4 vozes Dominantes secundárias (V/V, V/IV e V/ii) Improvisação
93
No gráfico 40, entre os objetivos ou competências definidos para o campo da audição/identificação auditiva, destacam-se essencialmente os que estão relacionados com a identificação de acordes e intervalos harmónicos.
Gráfico 40: Objetivos/competências definidas pelos programas – ensino básico (campo da audição/identificação auditiva).
O gráfico 41 apresenta pouca diversidade e um baixo grau de incidência de objetivos/competências relacionadas com a entoação/performance. Embora não esteja muito presente como conteúdo nos programas, a improvisação surge aqui de forma mais evidente como uma competência a desenvolver.
Gráfico 41: Objetivos/competências definidas pelos programas – ensino básico (campo da entoação/performance).
6 em excertos musicais no modo maior e
menor
Cantar os sons do acorde na forma de arpejo
Cantar a fundamental do acorde
Trabalho em Contexto Trabalho Isolado
94
No nível complementar repetem-se alguns dos objetivos mencionados no básico, no sentido da consolidação da aprendizagem, acrescentando novas e mais diversificadas exigências.
Embora 5 programas façam referência ao trabalho isolado de identificação de intervalos e acordes, no gráfico 42 destaca-se um maior desenvolvimento de trabalho em contexto relativamente ao nível de ensino básico.
Gráfico 42: Objetivos/competências definidas pelos programas – ensino complementar (campo da audição/identificação auditiva).
À semelhança do que é apresentado no nível básico, o gráfico 43 evidencia pouca diversidade de objetivos/competências relacionadas com a entoação/performance. Também neste nível de ensino a competência relacionada com a improvisação surge de forma mais acentuada.
5 Desenvolver a escrita a três partes (quer simultânea, quer alternada, sobre a forma de ditado de espaços), através de audição
de excertos musicais
Escrever excertos musicais a 2, 3 e 4 vozes Escrever a melodia do baixo com indicação
da função tonal
95
Gráfico 43: Objetivos/competências definidas pelos programas – ensino complementar (campo da entoação/performance).
Estes objetivos/competências confundem-se, na sua globalidade, com a própria tarefa ou exercício que se pretende executar.
Apenas três programas destacam alguns objetivos ou competências gerais que se pretendem atingir com o desenvolvimento de um conjunto de tarefas, tais como:
Exploração da capacidade criativa e de improvisação;
Sensibilização para o sentido harmónico;
Identificação auditiva da “cor” de cada acorde;
Dissociação dos sons executados em simultâneo;
Estimular a capacidade de produzir e reproduzir sons;
Desenvolver a memória auditiva;
Desenvolver a memória visual.
Desenvolver o pensamento musical e a capacidade de expressão e comunicação;
Explorar e desenvolver o domínio rítmico e físico - motor, bem como cantar em grupo.
Identificar, analisar e aplicar auditivamente padrões melódicos - rítmicos.
A sequência de aprendizagem ao longo dos graus ou anos de escolaridade difere de escola para escola.
No entanto, no final de cada ciclo de estudos os programas são, na maioria, consensuais nos seus objetivos.
Tendo em conta que o curso profissional tem duração de 6 anos (menos dois do que os cursos de ensino articulado, integrado ou supletivo), a distribuição dos conteúdos é feita de forma ligeiramente diferente, ou seja, há uma antecipação de determinados conteúdos para que no final do curso possam garantir o cumprimento dos mesmos objetivos que as restantes escolas.
2
Cantar os sons do acorde na forma de
arpejo Trabalho em contexto
Trabalho isolado
96