3 PANORAMA DA PARCERIA ENTRE O GOVERNO E O MOVIMENTO DE
3.5 PROGRAMAS DE FINANCIAMENTO
Dentro do PPA ou através de estrutura regimental de órgãos públicos como a Senaes, a SETRE/BA, programas direcionados a iniciativas sociais são implantados. Assim, os programas descritos abaixo são os que contemplam a proposta de estudo nesta monografia, voltados para iniciativas de ES e também para o Cooperativismo e seus: objetivo, ações, formas de acesso aos EES e as Entidades de Apoio, orçamento do programa e a instituição responsável.
a) Programa Economia Solidária em Desenvolvimento
O Programa Economia Solidária em Desenvolvimento (PRONADES) tem como objetivo fortalecer e divulgar as iniciativas de ES, através de políticas públicas, com a visão de gerar trabalho e renda, inclusão social e desenvolvimento justo e solidário. Os objetivos específicos são: Mapear e divulgar o universo dos EESs; qualificar os agentes envolvidos com a implantação das políticas públicas direcionadas à ES; facilitar a troca de experiências entre os EESs; contribuir para a geração de trabalho e renda através da ES; participar de políticas
estratégicas de combate à pobreza as fomentando; contribuir para a consolidação das políticas públicas federais, estaduais e municipais voltadas à ES; por fim, promover, fomentar e fortalecer a ES no Brasil. (MEDEIROS, 2012).
As ações de acordo com Miranda (2009) são:
Cadastrar Empreendimentos Econômicos Solidários e Entidades de Apoio para manter e ampliar o SIES: a ação ajuda a integrar os EESs através de redes e fóruns, facilita a produção de estudos;
Desenvolver e disseminar conhecimentos e tecnologias sociais apropriadas à ES: esta ação consiste em publicar estudos e pesquisas sobre o tema e realizar Campanha Nacional de Divulgação com produção e distribuição de material impresso e audiovisual sobre o tema que estimule a construção de tecnologias sociais apropriadas aos EESs;
Elaborar Marco Jurídico da Economia Solidária (ES): Estimular a institucionalização de políticas públicas de ES; Fomentar Incubadoras de EESs;
Fomentar as finanças solidárias com base em Bancos Comunitários e Fundos Solidários;
Fomentar e assistir tecnicamente EESs e Redes de Cooperação de ES: esta é realizada através dos Núcleos Estaduais de Assistência Técnica em Economia Solidária (NEATES);
Formar formadores, educadores e gestores públicos para atuação em ES; Garantir o acesso dos EESs aos Fundos Rotativos Solidários;
Implantar os Centros Públicos de Economia Solidária;
Organizar nacionalmente a comercialização dos produtos e serviços de EESs;
Promover o desenvolvimento local e da ES por meio da atuação de agentes de desenvolvimento solidário – Projeto Brasil Local;
Apoiar, de forma integrada com os NEATES, a recuperação de empresas por trabalhadores organizados em autogestão.
O acesso ao PRONADES é através: da elaboração de um projeto, com base nos termos de referência do MTE; de licitação ou chamada pública do Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate a Fome (MDS); ou de demanda do Conselho Nacional de Assistência Social. O orçamento do Programa é formalizado a partir do PPA, onde o executivo incorpora nas Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDO), como base nos recursos disponíveis ao MTE. O órgão responsável é A Senaes/ MTE e as diretrizes, ações e objetivos são encontradas no PPA. (MEDEIROS, 2012)
b) Programa Nacional de Qualificação
O PNQ, implantado através da resolução do Conselho de Desenvolvimento do Fundo de Amparo ao Trabalhador (CODEFAT) nº 333 em 2003, é uma Política Pública de Emprego e se estrutura através dos Conselhos Estaduais de Emprego (CEE) e das Comissões Municipais de Emprego (CME). Ele tem o objetivo de promover qualificação social, ocupacional e profissional ao trabalhador articuladas a outras ações que promovam integração ao mercado de trabalho e de elevação da escolaridade e é composto pelos Projetos Especiais de Qualificação (PROESQ) e os Planos Territoriais de Qualificação (PLANTEQ). As ações do programa são: qualificar trabalhadores beneficiários de ações do sistema público de emprego e de economia solidária e trabalhadores beneficiários de políticas de inclusão social; Identificar e disseminar metodologias e tecnologias sociais de qualificação. (MEDEIROS, 2012).
Os CEE e CME constroem projetos contendo as demandas municipais e estaduais e as encaminham a MTE, após isso as organizações coletivas podem encaminhar seus projetos ao MTE para conseguir o benefício do PNQ. O órgão responsável pelo programa é o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) através da Coordenadoria Geral de Qualificação (CGQUA). (MEDEIROS, 2012).
c) Programa Desenvolvimento do Cooperativismo e do Associativismo Rural
O objetivo do programa é fortalecer o cooperativismo e o associativismo rural, com o intuito de melhorar o setor produtivo e a prestação de serviços que promova o desenvolvimento humano e a geração de trabalho e renda sustentável. Os beneficiários do programa são associações e cooperativas do meio rural e urbano e entidades representativas.
As ações deste programa são organizadas em 0 9 ( nove) projetos:
Apoio a Intercooperação (INTERCOOP);
Gênero e Cooperativismo: integrando a família (COOPGÊNERO); Apoio à implantação da autogestão em cooperativas;
Jovens Cooperativistas (JOVEMCOOP);
Cooperação Internacional – exportação (PROCIN);
Promoção e Divulgação da Prática do Cooperativismo (PROMOCOOPE); Apoio e Fomento ao Ensino do Cooperativismo (PRODECOOP);
Apoio às cooperativas do agronegócio e cadeias produtivas no Nordeste (NORCOOP);
Integração Regional Cooperativa no Mercosul e com outros mercados (PROSUL). A forma de acesso ao programa ocorre através da elaboração de projetos a serem submetidas à análise técnica em qualquer período do ano. As propostas podem ser apresentadas por cooperativas formais filiadas a OCB, associações sem fins lucrativos, fundações e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) direcionados ao setor de agricultura e pecuária, governos municipais e estaduais. O órgão responsável pelo programa é o Departamento de Cooperativismo e Associativismo Rural (DENACOOP) da Secretaria de Apoio Rural e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. (MEDEIROS, 2012)
d) Programa de Geração de Emprego e Renda (PROGER)
O objetivo é gerar e manter emprego e renda para a população através de linhas de crédito que são disponibilizadas pelos programas específicos de financiamento disponíveis no sistema financeiro para associações e cooperativas regularizadas, trabalhadores desempregados, trabalhadores autônomos e micro e pequeno empresários.
O PROGER é um conjunto de linhas de crédito para financiar quem quer iniciar ou investir no crescimento de seu próprio negócio, tanto na área urbana quanto na área rural,
além de disponibilizar capacitação gerencial ao beneficiário, acompanhamento e assistência técnica. Os recursos são do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e é aplicado conforme às prioridades definidas pelas Comissões Estaduais e Municipais de Emprego. O valor máximo do empréstimo é de R$ 5.000,00 por associado ou cooperado e O prazo do financiamento são 60 meses, incluindo u m a carência de até 12 meses, mas são exigidas garantias como Alienação Fiduciária, Aval ou Fiança, Hipoteca, Aval Solidário.
As Cooperativas ou associações de produção podem se candidatar solicitando crédito para projetos de investimentos e capital de giro associado. Os interessados devem dirigir-se às entidades técnicas qualificadas para elaboração do projeto, a agências bancárias ou à agentes financeiros credenciados pelo BNDES. O órgão responsável é a Secretaria da Política Pública de Emprego (SPPE) da MTE. (MEDEIROS, 2012)
e) Programa de Resíduos Sólidos Urbanos
O objetivo do programa é incentivar os três Rs: redução, reutilização e reciclagem de resíduos sólidos urbanos, ampliar a cobertura e melhorar os serviços de limpeza pública, coleta e tratamento e promover a inserção social dos catadores por meio da eliminação dos lixões e do trabalho infantil no lixo e Apoio para organização e desenvolvimento de Cooperativas atuantes com resíduos sólidos.
O programa é uma parceria entre Ministério das Cidades/ Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, a Senaes/ MTE e o Ministério do Meio Ambiente. Devido à parceria, o recurso total ao programa provém de cada Ministério. Para ter acesso ao programa, deve-se procurar o termo de referência, encontrado no PRONADES no site do MTE, para elaborar o projeto (MEDEIROS, 2012).
f) Programa Crédito Solidário
O objetivo no Programa é financiar habitações para população com renda de até 03 salários mínimos, a partir de projetos apresentados por cooperativas ou associações de trabalhadores. O p a g a m e n t o p o d e ser pago durante 20 anos, com custo financeiro limitado à correção monetária. O recurso é proveniente do Fundo de Desenvolvimento Social (FDS), criado pela
Lei nº 8.677/93, com objetivo de financiar a área de habitação popular para o setor privado.
O meio de acesso ao programa se dá, com a Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades (órgão re s pons ável pelo pro gram a) abrindo processo de seleção pública, com isso, os proponentes devem encaminhar à Secretaria o ofício e o formulário consulta prévia. O financiamento é feito à pessoa física do cooperado ou associado, a articulação junto à associação ou cooperativa ocorre visando organizar a demanda e propiciar o estabelecimento de parcerias para reduzir os custos com a construção.
O EES deve ter o limite de cem participantes do programa, sendo admitido ampliar para até duzentos participantes quando se tratar de EESs localizados em municípios integrantes de Regiões Metropolitanas, capitais estaduais ou municípios com população urbana igual ou superior a cinquenta mil habitantes. Além dessa restrição, se alguma das famílias integrantes do EES estiver participando de outro benefício como financiamento, subsídio à habitação não poderá participar do Programa Crédito Solidário. (MEDEIROS, 2012)
g) Programa Bahia Solidária
O Programa Bahia Solidária: mais Trabalho e Renda tem como objetivo “promover o fortalecimento e a divulgação da economia solidária mediante políticas integradas, visando à geração de trabalho, renda, inclusão social e promoção do desenvolvimento justo e solidário” (OLIVA; REIS; MEIRA, 2009, p.50). O orçamento advém do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza do Estado da Bahia (Funcep). O órgão responsável é a Sesol. (OLIVA; REIS; MEIRA, 2009).
As ações do programa são similares ao PRONADES, são elas (BAHIA, 2012c):
Apoio à Geração e a promoção de Trabalho e renda em Atividades de Economia Solidária;
Apoio a Cooperativas e Associações Atuantes com Resíduos Sólidos; Implantação e Manutenção de Centros Públicos de Economia Solidária; Apoio à implantação de Instituições de Finanças Solidárias;
Apoio à implantação e manutenção de Incubadoras Públicas;
Apoio a Trabalhadores Organizados em Autogestão para Recuperação de Empresas; Realização de eventos e de publicidade de utilidade pública sobre Economia Solidária; Apoio à Concessão de Crédito Produtivo e Orientado;
Capacitação Gerencial de Empreendedor de Micro e Pequeno Negócio; Formação de Educadores para Atuação em Economia Solidária.
h) Programa de Microcrédito do Estado da Bahia: CrediBahia
O Credibahia tem o objetivo de “conceder crédito de forma ágil e desburocratizada aos empreendedores de pequenas unidades produtivas com juros abaixo do mercado, estimulando assim a geração de ocupação e renda” (OLIVA; REIS; MEIRA, 2009, p. 54). O meio de acesso às linhas de crédito do programa é por pessoa física que seja empreendedora de organizações associativas ou cooperativas tendo pelo menos 06 meses de funcionamento (OLIVA; REIS; MEIRA, 2009).
O crédito dado está entre R$ 200 e R$ 5.000, este valor máximo é pago quando há o aval solidário que é a formação de um grupo entre três e cinco pessoas, recebedoras de valores individuais de crédito de R$ 500 a R$ 1.000, e assim o grupo consegue até R$ 5 mil de empréstimo para a organição. A taxa de juros é de 1,8% ao mês, percentual este menor do que a média do mercado, e pagando em dias os juros podem cair para 1,5% ao mês. (OLIVA; REIS; MEIRA, 2009).
O CrediBahia tem como órgãos responsáveis a SETRE em parceria com o Sebrae além das prefeituras onde os EESs estão localizados. O orçamento do programa advém de recursos provenientes da Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia) (OLIVA; REIS; MEIRA, 2009).