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O Programa Inductio é um programa piloto de apoio a professores principiantes e de formação de professores mentores realizado em conjunto entre o Instituto Nacional de

42 Formación Capacitación del Magisterio (Inafocam) com o Instituto Tecnológico de Santo Domingo (República Dominicana) e o grupo Idea da Universidade de Sevilha, Espanha, coordenado por Marcelo García. Este programa acompanha de forma simultânea, mentores e professores principiantes com o objetivo de melhorar as práticas e consequentemente os resultados dos alunos. Realizou-se em 36 distritos da República Dominicana, formando 45 mentores e apoiando 365 professores principiantes.

Segundo García (2016) cada docente é abordado de forma individualizada, uma vez que “não somos todos iguais” tendo ritmos, motivações, necessidades pessoais e profissionais diferentes. Este, é por isso, um programa:

Situado- pois é nos contextos que o principiante aprende com o apoio dos mentores;

Conectado- todas as pessoas podem contribuir para a aprendizagem, uma vez que a informação não está apenas nos livros mas também nas comunidades e no contacto com as pessoas;

Colaborativo- em que todos avançam e aprendem, não só os professores principiantes, mas também, os professores mentores. Criam-se redes de profissionais que se apoiam dentro e fora da escola.

Incentiva para a aprendizagem autónoma- não basta ao professor refletir sobre a sua prática. Necessita de criar o seu próprio itinerário de aprendizagem, saber onde estão as soluções para os seus problemas e procurar as pessoas que o podem ajudar.

Desta forma, o programa utiliza as seguintes estratégias de acompanhamento:

Atividades formativas realizadas no interior da escola do professor principiante, mediante um plano de acolhimento ao professor e o acompanhamento por um mentor (tutor) que realiza ciclos de planificação-observação de aulas e análises da prática observada;

43 Atividades realizadas fora da escola: seminários formativos sobre temáticas baseadas nas necessidades formativas dos professores principiantes retiradas da literatura especializada sobre o tema; círculos de aprendizagem dinamizados pelos tutores com reflexões e análises de vídeos de boas práticas; portal de recursos digitais para professores principiantes que inclui uma rede social, fóruns de discussão, acesso a docentes experientes, materiais didáticos, portefólios de aprendizagem e conteúdos digitais.

Com a finalização deste projeto piloto, foi realizado um estudo por Jáspez Neró, Burgos, Montes de Oca e Herrera (2016) comparando as dificuldades sentidas pelos professores principiantes, antes e depois do programa Inductio. Verificou-se que a partir das várias dificuldades iniciais dos principiantes, tais como, relação com os colegas, motivação dos alunos, domínio das matérias a lecionar, relação com o diretor, planificação das aulas, conhecimento das políticas educativas, entre outras, as que foram mais superadas foram as problemáticas relacionadas com a relação com os colegas, domínio das matérias e conhecimento das políticas educativas. Existem, no entanto, algumas problemáticas que não foram superadas, tais como, a sobrecarga de trabalho, a remuneração e a quantidade de alunos por sala.

Este programa permitiu ainda identificar as necessidades formativas mais urgentes destes profissionais, nomeadamente, criar e manter ambientes de motivação e disciplina para um trabalho produtivo e colaborativo entre os estudantes, saber elaborar e aplicar instrumentos de avaliação do processo de aprendizagem, realizar projetos de investigação relacionados com a realidade educativa e saber usar e aprender o idioma do Inglês para melhoras as práticas e os resultados académicos dos alunos.

Na comunicação de Marcelo realizada no V Congresso Internacional sobre el Profesorado Principiante y la Inducción a la Docencia na República Dominicana é possível compreender que este tipo de programas só é possível se:

44 1º Existir um diálogo entre Ministério da Educação e as Universidades. Segundo Marcelo, a comunicação que existe entre Política e Investigação é muito reduzida e pouco valorizada;

2º Existir comprometimento, disponibilidade, compromisso e colaboração por parte dos mentores que demonstram paixão pela profissão docente;

3º Existir formação baseada nas práticas assente em diálogos construtivos entre mentores e principiantes, numa perspetiva de aprendizagem colaborativa;

4º Existir a implicação da escola e dos diretores em conjunto com o trabalho desenvolvido por mentores e principiantes

5º Existir o apoio da tecnologia que permite o contacto contínuo dos profissionais com os objetivos do programa através de um site que inclui fóruns e a possibilidade de cada docente registar os seus planos de melhoria e analisar os seus diários reflexivos, bem como, manter o contacto com outros docentes.

Em 2007 foi criado no Brasil o programa PIBID - Programa Institucional de Bolsas de

Iniciação à Docência, pelo Ministério da Educação do Brasil (MEC) em parceria com a

Coordenação de Aperfeiçoamento de pessoal de nível superior (CAPES) com os seguintes objetivos: valorizar a profissão docente, incentivando os estudantes que optam pela carreira docente; integrar a formação superior com a educação básica do sistema público, de modo a estabelecer projetos de cooperação que elevem a qualidade do ensino; promover a partilha de práticas inovadoras que utilizem recursos de tecnologia da informação e da comunicação, orientados para a superação de problemas identificados no processo ensino-aprendizagem; valorizar o espaço da escola pública como campo de experiência para a construção do conhecimento na formação de professores e proporcionar aos futuros professores a participação em ações, experiências metodológicas e práticas docentes inovadoras, articuladas com a realidade local da escola (Ministério da Educação do Brasil, 2007, citado por Prenstteter & Vieira Melo, 2016). Deste modo, o programa concede bolsas remuneratórias para a iniciação à docência a estudantes com os cursos de Licenciatura, bolsas de coordenação aos

45 professores universitários que trabalhem em parceria com as escolas e bolsas de supervisão aos professores da escola básica da rede pública. Cada instituição apresenta uma proposta de projeto, o qual indica um professor coordenador institucional do projeto e os professores coordenadores de cada área de formação de professores contemplada no projeto.

As autoras Prenstteter e Vieira Melo (2016) apresentaram assim, no V Congresso Internacional sobre el Profesorado Principiante y la Inducción a la Docencia na República Dominicana, os principais resultados deste programa, tendo em conta uma análise feita às principais teses de Mestrado e Doutoramento realizadas nos últimos anos sobre este programa.

Concluíram, através dos resultados de diversos estudos, que existe uma maior articulação entre universidades e escolas, destacando-se os conhecimentos construídos a partir da prática docente e da partilha existente entre os pares e os professores supervisores das escolas. Existe assim, uma maior articulação entre a teoria administrada nos cursos de formação inicial e a prática pedagógica vivenciada no contexto escolar. Alguns autores, tais como, Amâncio (2012), Gallego (2012), Porto (2012), Pranke (2012) citados por Prenstteter e Vieira Melo (2016) valorizam ainda as ações colaborativas e reflexivas no processo de formação no PIBID e revelam a importância do planeamento coletivo e da análise reflexiva e investigativa sobre a atividade docente nas escolas. Para finalizar, conclui-se que a escola deve ser vista como um espaço que pode minimizar o choque da realidade enfrentado pelos professores em início de carreira.

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2ª PARTE- METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO