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PERSPECTIVAS TEÓRICAS

2.2 PROGRAMAS DESENVOLVIDOS E A EVOLUÇÃO NO COMBATE AO VETOR DA DENGUE NO BRASIL

2.2 PROGRAMAS DESENVOLVIDOS E A EVOLUÇÃO NO COMBATE AO VETOR DA DENGUE NO BRASIL

É importante ressaltar que as políticas públicas citadas acima perpassam o âmbito federal e visa o trabalho descentralizado entre os atores envolvidos, cuja aplicabilidade e eficiência tendem a se apresentar de maneira mais eficaz e condizente com a realidade.

Na figura 11, é possível visualizar um esquema sintético organizado sobre as políticas públicas de combate/controle da dengue em escala nacional, passando pela esfera estadual e chegando as ações municipais.

Quanto ao processo de descentralização das ações de epidemiologia e controle de doenças, com a participação dos gestores estaduais e municipais, constatou-se uma necessidade de melhorar a capacidade para a detecção e correção oportuna de problemas que interferem diretamente na efetividade das ações de prevenção e controle da dengue (BRASIL, 2006).

Como já citado anteriormente, as políticas são preconizadas pelos órgãos do Ministério da Saúde - no caso específico da dengue os responsáveis são a FUNASA e a Secretaria de Vigilância Epidemiológica. Há dois documentos em relação à dengue - o PNCD e as Diretrizes Nacionais de Combate a Dengue.

Como o PNCD foi criado em 2002 e vigora até os dias atuais, em 2009 foram lançadas as Diretrizes Nacionais para complementar e aprimorar as políticas já existentes.

As políticas listadas no esquema foram selecionadas devido à sua significância, como o SISFAD e a criação do dia “D” de combate à dengue, o qual teve sua lei sancionada somente em maio de 2010. A lei nº 12.235 instituiu o penúltimo sábado do mês de novembro como o Dia Nacional de Combate à Dengue, com o objetivo de mobilizar iniciativas do Poder Público e a participação da população para a realização de ações destinadas ao combate ao vetor da doença.

Figura 11 – Esquema das PP no controle/combate a Dengue.

Org.: Mendonça e Araujo (2012) / Fonte: BRASIL (2012)

Podem-se dividir duas categorias distintas de ações das políticas públicas, podendo estas serem classificadas como: de cunho preventivo, que normalmente são realizadas no decorrer de todo o ano e têm como caráter principal a conscientização e educação da população no trabalho de controle do vetor; e emergenciais, que são realizadas no período epidêmico e visam o combate imediato da infestação e do aumento do número de casos registrados de dengue.

Preconizado no PNCD, o SISFAD (Sistema de Informações da Febre Amarela e Dengue) é um sistema que armazena os dados de levantamentos da infestação

dos vetores da dengue (Aedes aegypti e Aedes albopictus). Os dados de notificações da doença são armazenados e disponibilizados no SINAN (Sistema de Informações de Agravos Notificados), de onde as secretarias de saúde podem efetuar o monitoramento da dengue a partir das informações sobre os casos da doença disponíveis. No entanto, estes sistemas, além de desintegrados, não permitirem a realização de qualquer tipo de análise espacial e denotam limitações tanto para entrada de dados históricos e recentes, quanto para extração de informações (PAULA, 2005).

Cada política aplicada tem inúmeras ações, no entanto na imagem foram destacadas algumas, as quais se sobressaem como as mais aplicadas.

Reforçando o cerco à dengue, o Ministério da Saúde (2002) estimulou inúmeras ações de saneamento ambiental. Com isso, foram adquiridas tampas e capas protetoras para caixas d´água de maneira a garantir a armazenagem segura de água de consumo, sem risco de estes depósitos transformarem-se em criadouros do mosquito. Nas comunidades onde as pessoas armazenam água em latões e tonéis, foram repassadas orientações sobre como acondicioná-la sem riscos à saúde.

Há também a elaboração de uma política pública aplicada, a qual permite que os agentes de campo possam adentrar e notificar imóveis fechados como possíveis criadouros, e campanhas midiáticas frequentes que mobilizem a população dos riscos da dengue e de como identificar os criadouros e possíveis infestações do vetor.

As políticas preconizadas nas Diretrizes Nacionais propõem o monitoramento dos indicadores epidemiológicos, entomológicos e operacionais de dengue em locais que apresentam vulnerabilidade para ocorrência da doença. Recomenda-se o período de outubro a maio para intensificação deste monitoramento, pois de maneira geral no país, corresponde ao intervalo da sazonalidade de transmissão da doença (BRASIL, 2009).

Uma das políticas citadas é o LIRAa (Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti), método desenvolvido em 2002, que funciona por amostragem e tem por objetivo a obtenção de indicadores entomológicos que apresentem o grau de infestação de uma área.

No entanto, é a partir das Diretrizes Nacionais que esta pesquisa larvária amostral, teoricamente, passa a ser realizada no mínimo em quatro levantamentos

rápidos de índices entomológicos (LIRAa) ao ano, em um ponto no tempo (antes do inicio do verão), pois deve anteceder o período de maior transmissão, com vistas ao fortalecimento das ações de combate vetorial nas áreas de maior risco.

Outro exemplo é a implantação do Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde (CIEVs), que se torna nos municípios e unidades federadas o centro de controle da dengue. Os indicadores deverão ser acompanhados pelo Comitê CIEVs, em conjunto com as áreas envolvidas. Nos demais municípios que ainda não construíram o CIEVs, as áreas envolvidas devem se reunir semanalmente para avaliar em conjunto os dados que estão sob sua responsabilidade, com o objetivo de subsidiar a definição de estratégias e a tomada de decisão dos gestores (BRASIL, 2009).

Atualmente existem duas importantes formas de medidas de controle e profilaxia: a mecânica e a química. O controle mecânico são medidas dirigidas aos recipientes, constituindo na sua modificação de forma a não permitir o acúmulo de água e, consequentemente, a proliferação do mosquito. Mecanismos de combate podem ser, por exemplo, a alteração ou modificação do recipiente, através de visita dirigida às residências, por profissionais treinados; arrastões; mutirões de limpeza e delimitação de foco; Estas atividades agregam a finalidade de realizar atividades de controle e limpeza, com o objetivo de diminuir os focos de dengue (BRASIL, 2006).

Já o controle químico consiste na aplicação de produtos químicos, de baixa a alta concentração nos locais de possível criação do vetor e, em suas proximidades, com doses já previamente determinadas. No controle químico acontecem dois tipos de tratamentos: o focal, que acontece nos locais não removíveis, e o perifocal que consiste na aplicação de inseticidas na superfície externa/interna de recipientes, dentro/fora das casas (BRASIL, 2006).

Com relação às políticas das secretarias estaduais de saúde, estas constroem seus próprios programas de combate/controle da dengue direcionando suas políticas aplicadas às áreas de maior vulnerabilidade e risco de seus estados, contudo levam em consideração as normas preconizadas no PNCD e nas Diretrizes Nacionais de Combate à Dengue, bem como as competências e atribuições destes para a esfera estadual.

Acontece o mesmo com as políticas das secretarias municipais de saúde, as quais têm suas atribuições e competências em relação ao programa nacional, mas suas políticas aplicadas e ações em campo e no trabalho de comunicação vão

corresponder ao grau de risco de sua área com relação ao vetor bem como da circulação viral.

Há que se ressaltar que os órgãos competentes da saúde, por si só, não têm como resolver a complexidade dos fatores que favorecem a proliferação do vetor da dengue - o mosquito Aedes aegypti. As relações já evidenciadas apontam que a rápida urbanização do país gerou déficits nas estruturas de saneamento básico, o que, por sua vez, favoreceu, juntamente com o modo de vida da sociedade moderna instalada, aumento de criadouros do vetor.

Assim, essas ações só resolverão o problema se receberem maiores investimentos, principalmente em saneamento básico, e se os recursos forem suficientes; pois, em geral, atualmente mesmo quando são aplicados, estes recursos se mostram ineficientes. Além disso, muitas vezes, nem chegam a ser aplicados, refletindo assim, uma tentativa frustrada de controle deste vetor.

O foco dessa pesquisa é o estado do Paraná, o qual possui um aumento crescente nos casos notificados de dengue bem como infestação do vetor Aedes aegypti por todo seu território. Dessa forma, a insuficiente transformação das estruturas econômicas e sociais consolidou as condições necessárias para difusão da dengue, como também de vários parasitas. E estes, como sempre ocorreu, aproveitaram as possibilidades para expandir suas áreas endêmicas, ocupar novos nichos e utilizar outros ciclos (FORATTINI,1980).

3. POLÍTICAS PÚBLICAS DE CONTROLE DA DENGUE NO ESTADO DO