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5 ANÁLISE E DISCUSSÃO

5.2 Formação em e para a Saúde Coletiva

5.2.2 Recursos educacionais utilizados na abordagem da Saúde Coletiva nos cursos

5.2.2.2 Programas e projetos de extensão em saúde

Ao se tomar a extensão universitária como um processo educativo, cultural e científico que promove a articulação entre o ensino e a pesquisa, temos esta como ferramenta potencial na articulação entre o ambiente universitário e a sociedade (MANCHINI; PEDROTTI; KRUG, 2018).

O Fórum Nacional de Pró-Reitores de Extensão das Instituições de Ensino Superior Públicas Brasileiras coloca como sendo princípios da extensão: “Interação Dialógica, Interdisciplinaridade e Interprofissionalidade, Indissociabilidade Ensino-Pesquisa-Extensão, Impacto na Formação do Estudante e Impacto e Transformação Social” (GONÇALVES, 2015, p. 1230).

Por conseguinte, entendendo a potencialidade da extensão para o conhecimento da realidade, a formação crítica, o enriquecimento curricular, a assimilação dos conteúdos, a

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associação da teoria com a prática, a identificação com o futuro campo de trabalho, a ampliação da formação/atuação profissional, a troca de saberes entre discentes, docentes e sociedade etc.. (MAFFEI; FERREIRA; BOTIGELLI, 2015; MANCHINI; PEDROTTI; KRUG, 2018), prima-se para que as universidades fomentem tal ambiente educacional em seus diferentes modelos: projetos, programas, prestação de serviço extensionista, cursos e eventos. (GONÇALVES, 2015).

Os programas e projetos de extensão são referidos pelos docentes como ferramentas de aproximação entre discentes e temas relacionados à SC. De fato, os programas de extensão, quando voltados para a saúde, tendem a possibilitar este contato inicial com as temáticas.

Se você tiver dentro da universidade em projetos de extensão. Com os projetos de extensão é um primeiro... Vamos considerar, o primeiro passo antes do estágio, pro aluno sentir o que seria a Saúde Coletiva no meio social, na saúde, enfim. (Entrevista 12)

É por reconhecer tal importância que alguns docentes apontam a existência de tais espaços de formação nos cursos de graduação em EF investigados. Dentre alguns dos programas evidenciados pelos docentes, podemos citar: Núcleo de Atenção Médica integrada, Esporte Educacional, Saúde em Movimento, Projeto Rondon, Eu pratico Saúde na Escola, Projetos Integrados em Saúde e PET-SAÚDE.

Porque que fora isso, em termos de oportunidade extra disciplina, ele já tem muito. Então a gente tem muitos projetos, muita inserção que faz essa ligação com a área (Entrevista 10).

Ademais, estes programas/projetos frequentemente fomentam a ação conjunta entre discentes de diferentes cursos, possibilitando aí o ensino interdisciplinar. Santos, C. et al. (2017) e Santos, M. et al. (2017) afirmam que, para se efetivar o cuidado integral em saúde, se faz necessária a atuação interdisciplinar, cabendo aos cursos de graduação a abordagem da temática e o fomento às oportunidades formativas que operarem no respeito a esta perspectiva.

É pensando nisso que os docentes reforçam a existência de programas e projetos de extensão que possibilitam esse contato multiprofissional.

Nós temos aqui muitos projetos e programas ligados a área de extensão, nessa área. [...] a gente tem projetos integrados em saúde. Esses projetos integrados em saúde, ele é um módulo em que tem... Ele é composto por vários profissionais, vários estudantes dos diversos cursos da área de saúde da “Universidade Y”. (Entrevista 14).

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Cardoso et al. (2015) assinalam que a educação interprofissional promove o preparo para o trabalho em equipe multiprofissional, modelo cada vez mais usado nos serviços de saúde. A extensão universitária multiprofissional e interdisciplinar permite a experenciação de competências e habilidades inerentes aos modos de se trabalhar na saúde, o que justifica a sua importância ao longo do processo formativo.

Reforça-se, deste modo, a urgência pelo fomento à extensão de forma obrigatória nos currículos das graduações, pois, do modo como a estrutura curricular configura-se hoje, nem todos os discentes passam por tais atividades, deixando de vivenciar espaços ricos em conhecimento para sua formação e atuação profissional (GONÇALVES, 2015).

Os docentes entendem a necessidade de ampliação dessas ferramentas de formação e apontam a imprescindibilidade de se estimular o corpo docente a atender às demandas que se impõem quanto à abordagem da temática nos espaços extensionistas.

Então a gente poderia estimular professores, isso é uma coisa que eu tô pensando aqui agora, mas é uma coisa que é importante, a desenvolver projetos de extensão pra atender as comunidades adjacentes, com relação à Saúde Coletiva (Entrevista 4). Maffei, Ferreira e Botigelli (2015) colocam que a aprendizagem da prática profissional é viabilizada pela imersão do discente no local onde esta se desenvolve, cabendo às universidades viabilizarem espaços para tais encontros por meio da extensão.

O reconhecimento da articulação teoria e prática também é citado pelo corpo docente, que afirma a necessidade de se fomentar vivências que articulem tais conhecimentos visando a uma melhor apropriação por parte dos discentes da realidade de trabalho que encontrarão ao se inserirem nas intervenções em saúde.

Eu acho que a gente tem que aproximar mais a teoria da prática. O campo teórico ele é importantíssimo para dar uma base ao profissional, mas eu acho que tem que pegar mais os alunos e levar para um local de atuação. Tipo, para comunidades, como eu trabalho no PSF da família, de levar o Profissional de Educação Física a se inserir nesses projetos de uma forma mais global, para que ele possa atuar onde ele veja a teoria que ele aprendeu na faculdade, poder ter uma eficiência na prática (Entrevista 13).

Depreende-se, então, que, apesar de as universidades já fomentarem programas e projetos de extensão que adotem uma perspectiva da saúde e até mesmo da SC, estas ainda precisam ampliar a inserção discente nesses espaços, pois mostram-se como ricos instrumentos de formação em saúde dentro dos cursos de graduação.

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