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A pesquisa dos programas de ET foi realizada a partir de consulta a especialistas em educação para o trânsito, em fórum especifico na internet (TRÂNSITO EDUCADO, 2005), da revisão da prática disponível em seminários (FORUM, 2005; SEMINÀRIO MOBILIDADE, 2006), da consulta na rede de computadores sobre o tema. Foram consultadas igualmente as páginas eletrônicas do setor de educação dos departamentos de trânsito dos 26 estados da federação e Distrito Federal.

Os critérios de seleção dos programas no âmbito dessa pesquisa foram: estarem relacionados a experiências vivenciais; terem como objetivo a mobilidade visando à sustentabilidade; e à divulgação de conceitos de cooperação e cidadania, focos de interesse desta dissertação.

Foram selecionados 12 programas governamentais e 5 não governamentais.

A partir de consulta aos especialistas e conteúdo dos programas, foi montada a seguinte ficha didática, posteriormente enviada aos programas selecionados para confirmação dos dados compilados:

• Nome do programa / Cidade / UF; • Duração;

• Objetivo/ Metas; • Faixa etária;

• Local onde desenvolve; • Atividades;

• Gestor / Financiador; • Resultados já obtidos; • Fonte.

As fichas preenchidas encontram-se no Anexo 3.

O resultado da pesquisa com fichas didáticas aponta que:

Da pesquisa nos sites dos 26 estados e do Distrito Federal (realizada em março de 2007) – 3 estados não estavam com links relacionados a trânsito disponíveis (Amapá, Rondônia e Roraima). Dentro do site do departamento de trânsito, dois estados não apresentavam links para questões relacionadas à educação (Maranhão e Minas), ainda que tenha sido apresentado no SEMINÀRIO MOBILIDADE (2006) um programa de espaço vivencial focando a MS em Minas, indicando a possibilidade da existência de outros programas, não informados nas páginas da rede de computadores. Dos outros 21 estados, todos trabalham com algum tipo de campanha educativa. Quatorze (14) citam a redução dos acidentes, da violência do trânsito entre seus objetivos ou no texto de suas campanhas. Dez citam a palavra cidadania. Nove disponibilizam algum tipo de apoio educacional à rede escolar, seja com formação de multiplicadores, seja levando palestras, eventos, atividades.

Dentre as atividades, as mais freqüentes se dão através de encenações teatrais, algumas com participação das crianças como atores. Sete estados têm em seus sites indicação de atividades em mini-cidades com carrinhos e objetivo de formar futuros motoristas mais conscientes. Três relatam formação de agente mirim (Bahia, Ceará e Pernambuco), em que o aspecto positivo é auxiliar na segurança da entrada e saída da escola e despertar para o respeito às regras e o negativo é ter tarefas como multar os pais, podendo criar situações constrangedoras.

As seis propostas governamentais de cidades-mirins selecionadas (por fornecerem informações suficientes para o preenchimento da ficha) dentre as encontradas na

pesquisa, reproduzem a estrutura de trânsito convencional, enfatizando a formação de motoristas mais responsáveis. Não questionam os impactos urbanos causados pelo transporte motorizado. Uma delas (Parque Vivencial de Guarulhos) está mudando sua infra-estrutura para formar, preferencialmente, pedestres e ciclistas. Em seu novo projeto, deve trocar o posto de gasolina por uma lanchonete (SEMINÀRIO MOBILIDADE, 2006).

Ainda quanto aos projetos governamentais, três foram selecionados por atenderem ao critério de divulgação de conceitos de cooperação e cidadania e divulgarem resultados (Paraná – Metaphor, Pernambuco e Rio Grande do Norte). Outros três projetos vão além do incentivo à cooperação e cidadania em seus objetivos (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Um dos projetos, “Aprendendo e... Vivendo” (PR), relata que ao educar para o trânsito não pretende formar futuros motoristas e sim trabalhar o tema trânsito conforme a realidade e a necessidade de cada comunidade. O programa “Comunidade e Trânsito”, também do Paraná, destaca que trânsito é muito mais que o mundo dos automóveis e fornece vídeo sobre mobilidade e trânsito dentre o material educativo, disponibilizado gratuitamente aos municípios que se comprometam com a parceria. Atualmente, incentiva a criação de conselhos comunitários. O “Plataforma Catarinense de Mobilidade Sustentável” coloca como meta a redução dos impactos ambientais através do incentivo ao uso do TNM e maior inclusão social, enquanto o projeto do Rio Grande do Sul, PROGET, cita a desmistificação da cultura de trânsito centrada no binômio veículo automotor/condutor, propondo reflexão crítica entre seus objetivos. Dentre os programas das organizações não governamentais, três projetos são financiados por empresas que fabricam automóveis (Volvo, General Motors e Fiat). Eles têm em comum a preocupação com um trânsito mais seguro, capacitação de colaboradores e distribuição de material didático e tem ações de incentivo a mobilidade sustentável em âmbito nacional. O projeto da Volvo é o mais abrangente, pois, além de atuar diretamente com alunos do ensino médio, premia as melhores práticas e atua na formação dos técnicos e pedagogos da área de trânsito e transporte. O projeto “Criança Segura” é destacado por atuar ativamente promovendo melhorias no entorno de escolas, como rotas seguras para o deslocamento não motorizado e o envolvimento das crianças, professores e comunidade no tema.

Automóveis e estrutura temas em: mobilidade, questões de convivência, direitos fundamentais e meio ambiente. Organiza-se em etapas: sensibilização – empresas e entidades que fazem parte do projeto vão às escolas; diagnóstico – os alunos fazem levantamento dos principais problemas que afetam sua região; planejamento – em grupo, definem o que e como fazer e analisam a viabilidade com os colaboradores e comunidade; implementação – viabilizam as propostas de mudança; divulgação – os alunos divulgam as ações na comunidade. Entre os resultados obtidos estão ações práticas de interferência na comunidade, como solicitar sinalização, transporte escolar, revitalização de praças, plantio de mudas ou ações teóricas como pesquisa sobre o desenvolvimento das cidades (VOCÊ APITA, 2004).

Além da cooperação, dos 17 projetos selecionados (doze dos Estados e cinco de organizações não governamentais), doze citam conceitos que o Parque Vivencial pretende divulgar em sua prática (explicitados no capítulo 4) como: direito à mobilidade, convívio social, qualidade de vida do cidadão, respeito ao meio ambiente, ética, solidariedade, transformação, empreendedorismo, demonstrando a preocupação da maioria sobre a necessidade de fazê-lo, além de atender às diretrizes da PNT (2004) destacadas nesta tese. Dois projetos têm como prática identificar, propor e solucionar problemas (“Você Apita” e Projeto Escola Intervias”). Nesse último, financiado por concessionária de rodovias do interior paulista, a meta é a humanização do trânsito através da educação. Ressalta-se a qualidade da formação de multiplicadores e monitoramento das atividades visando ao aperfeiçoamento da metodologia (SEMINÀRIO MOBILIDADE, 2006).

Sete dos 17 programas selecionados, não responderam ao questionamento sobre os resultados da ação pedagógica, três relataram resultados exclusivamente quantitativos, como o número de crianças atingidas ou professores capacitados. Quatro programas relataram em seus resultados mudança de comportamento social como atitudes cooperativas em transporte público ou chamar a atenção dos pais por excesso de velocidade no trânsito. Cinco citam ações práticas interferindo na comunidade, seja pela exposição de seus trabalhos ou pela conquista de uma melhoria na infra-estrutura de sua localidade.

Quanto à classificação em dois grupos de programa de ensino para o trânsito citada por FARIA & BRAGA (2005a), todos os programas governamentais pesquisados, com

exceção dos três últimos, conforme as informações obtidas, estão no primeiro grupo que foca na redução de acidentes através do ensino de regras de trânsito e comportamento. No segundo grupo, centrado na redução dos riscos das vias, questionando o predomínio dos automóveis e as possibilidades de mudança em estilos de vida, está o programa de Santa Catarina “Plataforma Catarinense de Mobilidade Sustentável” e entre os não governamentais, o “Projeto Cultura” (em três estados). Estes relatam especificamente promover o TNM entre seus objetivos e não tem como foco formar futuros motoristas mais conscientes.

Dentre os projetos analizados, considera-se que agregam ações nos dois grupos os projetos: “Metaphor”, “Aprendendo e... Vivendo”, “PROGET”, “Programa Volvo de Segurança no Trânsito”, “Criança Segura”, “Você Apita” e “Projeto Escola Intervias”. Conclui-se que existe avanço na direção certa, ainda que constituam exceções dentro de uma estrutura social que está apenas iniciando o processo de conscientização quanto à sustentabilidade. Poucos trabalhos têm explicitado em seus objetivos o incentivo à MS, redução dos riscos das vias e de impactos ambientais causados pelo transporte motorizado, no entanto iniciativas pontuais acontecem com intuito de disseminar estes conceitos, como no caso do projeto “Pedale Legal na Escola”. A experiência foi realizada em dezembro de 2006 no Ciep Carlos Drummond de Andrade, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, com verba da União Européia e Prefeitura (LOBO, 2007). No item a seguir, alguns exemplos de ações pedagógicas vivenciais foram selecionados entre os disponíveis para consulta na rede internacional de computadores. Os critérios adotados foram ações educacionais vivenciais com foco no desenvolvimento sustentável, na cidadania ambiental e a referência a parques temáticos como proposta educacional. Serão apresentados exemplos internacionais e nacionais que possam contribuir para na fundamentação desta tese.