Medidas de Reabilitação Energética de Edifícios de HabitaçãoMedidas de Reabilitação Energética de Edifícios de Habitação
4.1 PROGRAMAS E INCENTIVOS PROGRAMAS E INCENTIVOS PROGRAMAS E INCENTIVOS PROGRAMAS E INCENTIVOS
A Resolução do Conselho de Ministros n.º 80/2008 aprovou o Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética (PNAEE), documento que engloba um conjunto alargado de programas e medidas consideradas fundamentais para que Portugal possa alcançar e suplantar os objectivos fixados no âmbito da Directiva n.º 2006/32/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, relativa à eficiência na utilização final de energia e aos serviços energéticos (PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS, 2008). O principal objectivo deste programa é, no âmbito dos esforços nacionais para a eficiência energética, utilizar a fiscalidade como mais uma ferramenta de incentivo à procura de equipamentos ou materiais energicamente mais eficientes. As medidas definidas permitem uma redução do consumo equivalente a 10% até 2015 e consequentemente a redução das emissões de gases com efeito estufa equivalentes. De entre as medidas constantes no Plano destacam-se as aplicáveis ao sector residencial e de serviços, que integram três grandes programas de eficiência energética:
• PrPrPrPrograma Renove Casaograma Renove Casaograma Renove Casaograma Renove Casa, no qual são definidas várias medidas relacionadas com eficiência energética na iluminação, electrodomésticos, electrónica de consumo e reabilitação de espaços.
• Sistema de Eficiência Energética nos EdifíciosSistema de Eficiência Energética nos Edifícios, que agrupa as medidas que resultam do Sistema de Eficiência Energética nos EdifíciosSistema de Eficiência Energética nos Edifícios processo de certificação energética nos edifícios, num programa que inclui diversas medidas, nomeadamente isolamentos, melhoria de vãos envidraçados e sistemas energéticos.
•Programa Renováveis na HoraPrograma Renováveis na HoraPrograma Renováveis na HoraPrograma Renováveis na Hora, que é orientado para o aumento da penetração de energias endógenas nos sectores residencial e serviços.
No âmbito do Plano de Acção para a Eficiência Energética (PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS, 2008), foi ainda criado o programa Fiscalidade Verde que, entre outras medidas,
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irá criar incentivos fiscais à micro-produção e alinhar progressivamente a fiscalidade com o Sistema de Certificação Energética dos Edifícios dando benefícios, entenda-se reduções, em sede de IRS, a habitações de classe A e A+. Através do recentemente criado Fundo para a Eficiência Energética, que irá fomentar a recuperação urbana e a implementação de medidas de eficiência energética, o consumidor terá acesso a um crédito pessoal bonificado para financiar a implementação das medidas de eficiência energética e reabilitação previstas no certificado energético. Este crédito bonificado implica um acordo com os bancos até 250 milhões de euros/ano, bem como a redução, entre 4 e 8%, na taxa para créditos sem garantias. Entre outros incentivos à eficiência no sector residencial e de serviços, é criado o Cheque Eficiência que consiste num prémio pela redução efectiva do consumo de electricidade. Este cheque será de valor igual a dez por cento do gasto anual com a electricidade, durante dois anos, se esta baixar dez por cento; e igual a 20 por cento do gasto anual em energia eléctrica durante dois anos, no caso de a redução ser de 20 por cento.
Este pacote de medidas e incentivos têm como principal objectivo a reabilitação energética do parque habitacional existente, aumentando o número de alojamentos com classe energética optimizada (superior ou igual a B-). Os incentivos para a melhoria da eficiência energética dos edifícios, focam alguns dos aspectos mais importantes como a iluminação e a utilização de electrodomésticos, a água quente sanitária e a envolvente climatérica de forma a diminuir a necessidade de climatização artificial. Por outro lado este programa visa também facilitar a integração de energias renováveis nos edifícios de forma a maximizar a quota de energia produzida a partir de fontes renováveis e reduzir assim a taxa de emissões de CO2. O plano prevê ainda uma verba para campanhas de comunicação e sensibilização para promover a alteração de comportamentos e aumentar a consciencialização para a eficiência energética.
Contudo, este Plano para a Eficiência Energética foi lançado em 2008 como projecção até 2015 mas ainda são desconhecidas as formas de financiamento ou incentivos para as medidas referidas, estando ainda sob a forma teórica desconhecendo-se a viabilidade da sua implementação, nas três questões fundamentais: como, quando e onde podemos aceder a estes programas. Por outro lado este pacote de medidas, e programas de incentivo à eficiência energética, despreza a importância da formação dos técnicos e das empresas da construção civil, que na prática vêm-se incapazes de actuar com os meios existentes.
Na área da reabilitação propriamente dita, encontra-se em fase de finalização o novo regime de apoio à recuperação do edificado, pela redacção de dois importantes instrumentos que vão enquadrar o pacote de medidas de incentivo a apoios públicos para reabilitação de edifícios: o programa ProReabilita (DIÁRIO DA REPÚBLICA, 2007) e o novo Regime de Arrendamento Urbano (DIÁRIO DA REPÚBLICA, 2006) que vai estabelecer os sistemas de apoios públicos para financiamento da reabilitação; e o novo regime jurídico da reabilitação urbana (proposta de lei- in www.portugal.gov.pt). O ProReabilita prevê a criação de um regime de apoio à recuperação de
Medidas de Reabilitação Energética de Edifícios de Habitação Cap. 4 pág. 63636363 imóveis arrendados e outro à recuperação de imóveis destinados à habitação de famílias carenciadas. Este programa irá substituir todos os programas de apoio à reabilitação urbana, irá gerir subsídios a fundo perdido e empréstimos sob tutela do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU). Assim permitirá, entre outros, certificar as obras de recuperação de imóveis conferindo, no final, o acesso à actualização das rendas no âmbito do Novo Regime de Arrendamento Urbano (NRAU) a todos os senhorios que as tenham realizado (nomeadamente com o apoio a este programa).
Estas medidas que visam incentivar o sector residencial de arrendamento, quer a colocação no mercado de fogos devolutos, quer as operações de reabilitação, podem e devem valorizar, explicitamente, as componentes térmica e energética, constituindo-se neste momento como factor dinamizador no sector da construção.
Em suma será necessário reconhecer que uma boa parte dos agregados familiares não têm meios para efectuar as reparações ou as melhorias necessárias para a reabilitação energética das suas habitações, mas também será importante reconhecer que a falta de informação, ou o desinteresse por parte dos consumidores, mesmo nos agregados com maior disponibilidade económica, são com frequência os principais motivos de inacção para actuar. Assim pode-se afirmar que a produção de economias de energia, a partir de acções de conservação ou reabilitação, depende da motivação e decisão dos consumidores pelo que a sua realização está ancorada à intervenção do Estado (e outras) que deverá actuar no sentido de alterar as atitudes comportamentais de todos os agentes económicos para os quais, em grande parte, a conservação de energia é uma actividade secundária ou inexistente.