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2.7 Políticas de controlo e prevenção da exposição ao FAT

2.7.1 Programas/projectos preventivos – O papel do Profissional de Saúde

Os programas ou projectos na área da prevenção do FAT são muito escassos em Portugal. O programa “Help” que abordámos no item 2.4.1.1 efectua uma abordagem muito superficial à

exposição involuntária ao FAT. A nível dos media, temos neste momento alguns spots televisivos que

alertam para os perigos da exposição ao FAT por parte dos não fumadores, dando especial ênfase aos malefícios que causam nas crianças expostas.

Com a entrada em vigor da nova Lei (n.º 37/2007 de 14 de Agosto) a 1 de Janeiro de 2008, seria de adoptar uma estratégia, preferencialmente por parte dos Profissionais de Saúde, que fosse ao encontro da problemática da exposição ao FAT no domicílio, uma vez que esta mesma Lei nada poderá fazer quanto aos hábitos tabágicos que se efectuam no domicílio. Estas estratégias terão de ter como pontos de referência as crianças e grávidas por serem os grupos mais vulneráveis. É fundamental que sejam criados programas e postos em prática com brevidade uma vez que legalmente temos alguma protecção contra o fumo do tabaco nos locais públicos e locais de

trabalho, mas nas nossas casas não existirá qualquer impedimento legal de fumar.

2.7.1.1 Programa: “The ABCs of Secondhand Smoke”

As crianças poderão ser o veículo perfeito para que se consiga sensibilizar o pai/mãe

fumadora no domicílio. Existe um programa elaborado pela Environmental Health Center e National

Safety Council (http://www.nsc.org/EHC/indoor/abc.htm) – “The ABCs of Secondhand Smoke”que tem como principais objectivos providenciar aos educadores substrato informativo para que, através

das crianças, possam “educar” os seus pais sobre os malefícios da exposição ao FAT, promover

uma política de ambientes livres de fumo a qualquer hora e em qualquer lugar, ensinar às crianças os perigos do FAT, como podem pedir aos adultos que não fumem na sua presença e encorajá-las a manterem-se não fumadoras.

Este programa é activado em três frentes com a ajuda de diverso material didáctico (posters, cartas, folhetos, etc.):

A – Informação para as pessoas que cuidam de crianças (Professores, Educadores, etc.); B – Informação para os pais das crianças;

C – Informação para as crianças.

Ao mesmo tempo sensibilizam-se os cuidadores, os pais das crianças e as próprias crianças sobre toda a problemática que envolve o FAT.

2.7.1.2 Programa: “Domicílios Livres de Fumo”

Utilizando as bases do programa “The ABCs of Secondhand Smoke” e para proteger as

crianças do fumo ambiental do tabaco, a Associação para a Prevenção e Tratamento do Tabagismo de Braga, em colaboração com a Direcção Regional de Educação do Norte – Delegação de Braga, e

a Câmara Municipal de Braga, estão a desenvolver o Programa Domicílios Livres de Fumo. O

objectivo é proteger as crianças desta agressão, promovendo a criação de domicílios livres de fumo, ou seja, garantir que os pais/mães não fumem e/ou não permitam que se fume em casa e no carro. Como estratégia para envolver os pais dos alunos, foi dada formação aos Professores do Primeiro Ciclo sobre tabagismo activo e passivo e sobre métodos e técnicas para que as crianças tentem persuadir os pais a não fumarem e/ou permitirem que se fume em casa. No fundo, trata-se de capacitar os alunos a protegerem-se desta agressão.

As estratégias que os professores deverão desenvolver com as crianças na sala de aula são as seguintes:

1. Pequena abordagem ao problema do fumo activo e passivo (forneceremos aos professores uma apresentação sobre o tema).

2. Elaboração de pequenos trabalhos (cartas, desdobráveis, ou fundamentalmente um dístico de não fumador…) para a escola enviar aos pais fumadores.

3. Exercícios de role-playing, nos quais um aluno representa o papel de criança e outro o de

4. Assinatura de uma declaração de compromisso entre pai e filho, em que o primeiro se compromete com a criação de um domicílio sem fumo.

Acreditamos que este programa será um pequeno passo para o pai/mãe fumador/a e um passo de gigante na promoção da saúde dos conviventes.

CAPÍTULO III

METODOLOGIA DA INVESTIGAÇÃO

3.1 Introdução

Neste capítulo descreve-se a metodologia adoptada nesta investigação. Começamos por efectuar uma descrição geral do estudo (3.2), recapitulando os objectivos que nos propomos atingir. Dividimos o nosso estudo em duas partes: o estudo elaborado com as crianças e o estudo elaborado com os pais (pai e mãe) dessas crianças.

Relativamente ao estudo com alunos, começamos por explicitar o processo de selecção da amostra utilizada (3.3.1 e 3.3.2) e a sua caracterização (3.3.3). Abordamos a selecção das técnicas de investigação (3.3.4) e passamos à descrição do processo de construção dos instrumentos de recolha de dados e à sua caracterização (3.3.5). Antes de passar à fase da recolha dos dados, foi necessária a validação do referido instrumento de colheita de dados (3.3.5.1).

A recolha de dados foi realizada de acordo com a descrição que se encontra no ponto 3.3.6, e a forma como iremos efectuar o tratamento dos dados está explícita no ponto 3.3.7.

No estudo realizado com os pais explicamos o processo de selecção da amostra e a sua caracterização (3.4.1, 3.4.2 e 3.4.3). A selecção das técnicas de investigação está descrita no ponto 3.4.4, seguindo-se a elaboração e validação do instrumento de colheita de dados aplicado aos pais/mães dos alunos (3.4.5).

A recolha de dados foi realizada de acordo com a descrição que se encontra no ponto 3.4.6 e a forma como iremos efectuar o tratamento dos dados está explícita no ponto 3.4.7.

Quando num estudo de investigação se trabalha com variáveis, é fundamental que estas sejam submetidas a uma operacionalização (Anexo 10). Foi realizada uma operacionalização teórica e empírica das variáveis com o propósito principal de tornar este estudo o mais objectivo possível.