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Evolução recente e perspectivas

A maioria dos mercados de trabalho dos Estados-Membros não tem sido até ao momento muito afectada pela recente desaceleração; em 2007-2008, a UE assistiu à criação de mais de 6 milhões de novos empregos, tendo o desemprego descido para menos de 7%, o nível mais baixo registado nas últimas décadas. As taxas de emprego continuaram a aumentar na UE, chegando aos 65,5% em média, 58,3% para as mulheres e 44,7% para os trabalhadores mais velhos, aproximando assim a UE das metas de Lisboa. O aumento das taxas de participação num contexto de deterioração da confiança dos consumidores e das expectativas de emprego pode ser considerado como uma evolução positiva.

O desemprego estrutural continuou a diminuir, baixando para 7,6% em 2008 e é agora significativamente inferior ao que se registava em 2000. Estes factos vêm confirmar o impacto estrutural positivo das reformas de Lisboa realizadas nos últimos anos, as quais manifestamente facilitaram as transições nos mercados de trabalho europeus e afastaram obstáculos à criação de emprego. Pelas mesmas razões, espera-se que o aumento do desemprego seja de natureza transitória e voltem rapidamente os baixos níveis registados nos últimos anos, assim que a economia real recupere.

Pelo menos alguns Estados-Membros estão já claramente em recessão, e a desaceleração da actividade começou a afectar os respectivos mercados de trabalho. O crescimento do emprego na UE abrandou gradualmente, as estimativas apontam para um aumento de apenas 0,9% em 2008, enquanto o desemprego parece ter começado a subir. Com a actual contracção económica e as projecções de um crescimento negativo do emprego em 2009, as metas de 2010 estão agora definitivamente fora de alcance.

De acordo com as previsões, muitos Estados-Membros enfrentarão em 2009 um declínio na taxa de emprego e um aumento do desemprego. Em Janeiro, as previsões económicas intercalares da Comissão apontavam para uma diminuição do emprego de cerca de 2% na UE em 2009-2010, contra uma subida do desemprego que se espera vir a ser de 2,5 pontos percentuais nos próximos dois anos, até atingir os 9,5% até 2010. Além disso, as previsões disponíveis sugerem a probabilidade de os efeitos se virem a sentir de forma diferente nos Estados-Membros: alguns esperam um forte impacto; outros antecipam apenas quebras moderadas no mercado de trabalho.

Mantêm-se os problemas estruturais

Persistem alguns dos problemas estruturais identificados nos últimos anos. Os dados mostram que os mercados de trabalho europeus continuam a estar segmentados (ver gráfico 1 infra) e apresentam desempenhos desiguais. Existe ainda um fosso relativamente acentuado entre os mercados de trabalho com melhores e piores resultados.

Gráfico 1: Segmentação do mercado de trabalho em 2007

Os mercados de trabalho que se mostram incapazes de conter o aumento do desemprego são também os que não conseguem assegurar taxas elevadas de participação e actividade.

Alguns dos Estados-Membros que apresentam uma elevada segmentação em termos de proporção relativamente grande de contratos involuntários a termo contam-se também entre os mercados de trabalho com piores resultados.

0 5 10 15 20 25 30

ES PL PT SI CY FI DE EU 27

IT FR EL SE AT NL HU CZ DK LU BE BG SK LV IE MT UK LT EE RO

Proporção de trabalhadores que ocupam involuntariamente um emprego a termo

%

Gráfico 2: Emprego vs desemprego em 2007

Duas realidades que espelham persistentes problemas estruturais são o desemprego juvenil e a participação relativamente baixa em acções de aprendizagem ao longo da vida. Apesar da significativa redução do desemprego juvenil em 2007 na maioria dos países, os jovens continuam duas vezes mais expostos ao risco de desemprego do que a restante mão-de-obra. Muitos Estados-Membros estão aquém das novas metas da UE em matéria de activação. Apesar da atenção crescente que os Estados-Membros têm prestado a esta questão, os níveis de participação de adultos em acções de aprendizagem ao longo da vida pouco aumentaram entre 2006 e 2007 e seguem uma preocupante tendência para o declínio em alguns Estados-Membros. Estes números constituem um sinal inquietante para o futuro, uma vez que, para reduzir a diferença de produtividade em relação aos nossos principais concorrentes na economia global, é essencial aumentar substancialmente o investimento em capital humano, orientando-o mais para as necessidades do mercado de trabalho.

Prioridades para as políticas de emprego

No actual clima de incerteza e contracção económica, mas também tendo em conta a necessidade de continuar as reformas estruturais a médio prazo, a política de emprego deverá concentrar-se em duas prioridades: a aplicação de abordagens integradas de flexigurança e a melhoria da correspondência e da actualização das competências. Estas duas vertentes exigem um diálogo aberto e construtivo com os parceiros sociais e outras partes interessadas, assim como a consideração cuidadosa da interacção entre políticas monetárias, orçamentais, financeiras, de emprego e de protecção social.

Taxas de desemprego em %

Taxas de emprego em %

No tocante à flexigurança, a prioridade deverá ser facilitar e assegurar transições entre empregos não só dentro do mercado de trabalho mas também para o mercado de trabalho, assegurando ao mesmo tempo redes de segurança adequadas e regimes de rendimento mínimo, bem como melhorar a eficácia dos serviços públicos de emprego e das políticas activas de mercado de trabalho. A curto prazo, ao procurar favorecer e facilitar as transições no mercado de trabalho, as políticas de flexigurança contribuem para atenuar os receios de desemprego e de diminuição de rendimento, que induzem uma inibição do consumo. O recurso à flexigurança interna para preservar empregos em empresas e indústrias saudáveis poderá ajudar a limitar o aumento do desemprego, garantindo simultaneamente que as empresas mantenham as suas reservas de competências tendo em vista a retoma económica.

A modernização de competências é um factor criticamente importante para o crescimento e a produtividade, na medida em que reforça a capacidade de a mão-de-obra se adaptar à rápida mudança tecnológica e à inovação contínua, melhorando ao mesmo tempo a empregabilidade. Num contexto de aumento do desemprego, é crucial assegurar uma melhor correspondência entre a oferta de competências dos candidatos a emprego e a procura do mercado de trabalho.

Os actuais programas do FSE oferecem oportunidades consideráveis para apoiar políticas de flexigurança e estratégias que facilitem os períodos de transição, ao proporcionar formação combinada com aconselhamento de emprego personalizado, formação nas empresas, sistemas de aprendizagem, emprego subvencionado e subsídios à actividade por conta própria e à criação de empresas. Os Estados-Membros deverão, se necessário, considerar a reprogramação das despesas do FSE, a fim de reforçarem estas prioridades.

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