CAPÍTULO 3: TRAJETÓRIA DO PROGRAMA DE INFORMÁTICA NA
3.2 PROINFO: uma breve discussão
O PROINFO pretende ser uma política pública de educação voltada para a melhoria do processo de ensino aprendizagem por meio do contato dos alunos com as novas TICs.
No documento oficial do programa, o MEC afirma que é vital para a sociedade brasileira que a maioria dos indivíduos saiba operar com as novas tecnologias da informação e valer-se destas para resolver problemas, tomar iniciativas e se comunicar. No entanto, para conseguir isto, é preciso usar o computador como prótese da inteligência e ferramenta de investigação, comunicação, construção, representação, análise, divulgação e produção do conhecimento. E o locus ideal para deflagrar um processo dessa natureza é o sistema educacional. (BRASIL, MEC, 1997).
Percebe-se, então, que o governo federal acredita que a utilização dessa nova ferramenta pode afetar não apenas os processos produtivos, mas também as relações de trabalho e a maneira como as pessoas constroem o conhecimento e, isso, diante desse novo cenário, requer um novo posicionamento da educação.
Por conta disso, o MEC, no papel de coordenar a Política Nacional de Educação instituiu o Programa Nacional de Informática na Educação (PROINFO) em 1997 no Governo Fernando Henrique Cardoso, através da Portaria MEC Nº 522, publicada em 09/04/1997. O programa tem fundamentos em disposições da Lei de Diretrizes e Bases da Educação-LDB (Lei nº 9.394/96), especialmente no Art. 32, Inciso II, que objetiva para a formação básica do cidadão, no ensino fundamental, a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; e no Art. 35, Inciso IV, a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos
produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina, no ensino médio.
O Programa, que abrange a rede pública de ensino da educação básica de todas as unidades da federação, tem como objetivos: a) Melhorar a qualidade do processo ensino- aprendizagem; b) Possibilitar a criação de uma nova ecologia cognitiva nos ambientes escolares mediante incorporação adequada das novas tecnologias da informação pelas escolas; c) Propiciar uma educação voltada para o desenvolvimento científico e tecnológico; d) Educar para uma cidadania global numa sociedade tecnologicamente desenvolvida.
cursos de menor duração, os professores das escolas atendidas pelo Núcleo, num processo que previa o próprio professor capacitando outro. Esses docentes foram, então, denominados Professores-Multiplicadores, escolhidos entre os atuais professores do 1º e 2º graus. Além desses, também era prevista a formação de técnicos de suporte para apoio aos Núcleos de Tecnologia Educacional - NTE e escolas.
A recomendação para realizar a capacitação de recursos humanos foi executada da seguinte forma:
1º) seleção e capacitação de professores das instituições de ensino superior e técnico-profissionalizante, que iriam ministrar a formação dos professores- multiplicadores; 2º) seleção e formação de professores multiplicadores, vindos da rede pública de ensino de 1º e 2º graus e técnico-profissionalizantes; 3º) seleção e formação de técnicos de suporte em informática de telecomunicações; 4º) seleção e formação de professores da rede pública de ensino de 1º e 2º graus (BRASIL, MEC, 1997).
Os NTE são estruturas descentralizadas de apoio ao processo de informatização das escolas, auxiliando tanto no planejamento e incorporação das novas tecnologias quanto no suporte técnico às equipes administrativas das escolas. Os NTEs objetivam (Brasil, MEC, 1997):
a) Sensibilização e motivação das escolas para incorporação da tecnologia de informação e comunicação;
b) Apoio ao processo de planejamento tecnológico das escolas para aderirem ao projeto estadual de informática na educação;
c) Capacitação e reciclagem dos professores e das equipes administrativas das escolas; d) Realização de cursos especializados para as equipes de suporte técnico;
e) Apoio (help-desk) para resolução de problemas técnicos decorrentes do uso do computador nas escolas;
f) Assessoria pedagógica para uso da tecnologia no processo de ensino-aprendizagem; g) Acompanhamento e avaliação local do processo de informatização das escolas.
A entrada da informática nas escolas deu-se por meio de convênio entre o MEC e as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. Foi solicitado às Secretarias de todos os Estados da Federação que elaborassem projetos solicitando os laboratórios de informática nas escolas. A partir de uma seleção, iniciou-se a entrada dos computadores. Ou seja, nesse ponto, partiu-se da necessidade dos professores, alunos e comunidade escolar para que a informática fosse instalada nas escolas com base nas necessidades da própria realidade escolar. (BRASIL, MEC, 1997).
Em 2007, por meio do decreto 6300/2007, o PROINFO passou a ser denominado Programa Nacional de Tecnologia Educacional, que tem como objetivos: promover o uso pedagógico das tecnologias de informação e comunicação nas redes públicas de educação básica; fomentar a melhoria do processo de ensino e aprendizagem com o uso das tecnologias de informação e comunicação; promover a capacitação dos agentes educacionais envolvidos nas ações do Programa; contribuir com a inclusão digital por meio da ampliação do acesso a computadores, da conexão à rede mundial de computadores e de outras tecnologias digitais, beneficiando a comunidade escolar e a população próxima às escolas; contribuir para a preparação dos jovens e adultos para o mercado de trabalho por meio do uso das tecnologias de informação e comunicação; e fomentar a produção nacional de conteúdos digitais educacionais.
Quanto às contrapartidas da adesão ao PROINFO, ainda segundo este decreto, cabe ao MEC/ProInfo a aquisição e distribuição dos equipamentos e pré-seleção das escolas a partir de critérios por ele definidos. Já, aos municípios, cabe, conforme o mesmo decreto:
Esta afirmação só reforça o fato de que na construção de novos patamares que se opõe ao ensino tradicional, o professor é o grande facilitador dessa operacionalização. Contudo, como afirma Nunes e Paula (2009, p.2)