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4 ANTECEDENTES E AÇÕES DO PROJETO

4.3 PROJETO ACCS EM 2016

Neste ano o projeto deixou de trabalhar com a Escola EMEF TAN e manteve a parceria com a Escola Municipal de Ensino Fundamental Experimental da Universidade do Espírito Santo (UFES) e com o Ifes/Campus Vitória, sendo nesse período transferida a gestão deste para o Cefor por meio do curso FIC.

O curso FIC se apresentou como um subprojeto de pesquisa e extensão, que se constituiu a partir do projeto mais amplo ACCS, cuja metodologia se origina na práxis do Projeto “O movimento instituinte na re-construção do espaço vivido como direito cidadão - ColEduc de Vitória”, tendo como público alvo alunos e pais de

alunos da Educação Básica; Profissionais da Educação atuantes na Rede Pública de Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental ou Ensino Médio); Pesquisadores da área;Liderança Comunitária e a Sociedade Civil Organizada que desenvolve ou tem potencialidade para desenvolver um projeto de Educação Ambiental. Todas as atividades realizadas aconteceram em espaços formais e não- formais de educação do Município de Vitória, aliadas às tutorias presenciais e na modalidade de Educação a Distância (EAD), que são considerados espaços formais de educação.

As ações do Projeto ACCS foram baseadas na pesquisa ação participante, marcada pela relação direta entre o pesquisador(a) e o sujeito, entre teoria e prática, numa perspectiva histórico-crítica visando estudar a formação de educadores ambientais, na busca de promover a alfabetização científica dos participantes tendo como eixo integrador a Educação Ambiental. Desta forma, teve o propósito de levar o cursista a vivenciar práticas de cidadania socioambiental, com o fim de conhecer os espaços da Cidade, o território vivido e as ações emancipatórias produzidas pelas comunidades a partir dos manguezais, hortas medicinais educativas, parques da cidade, bairros históricos, entre outros, na busca de permitir que a partir destas experiências a ressignificação e apropriação do conhecimento científico, na direção da cidadania sustentável e do desenvolvimento ofereça meios de exercê-la.

As três fases da Formação FIC tinham a pretensão de certificar um mesmo grupo de 50 (cinquenta) “Educadores Ambientais”, em que estes passariam por todas as fases do curso. O objetivo inicial dos coordenadores era trabalhar com os mesmos participantes em todas as etapas, pois, estas se complementavam. Como na prática para cada etapa havia uma matrícula e um certificado, isso possibilitou que as pessoas pudessem desistir de cursar a fase seguinte, permitindo assim novas matrículas, mesmo que esses novos cursistas não tivessem participado da fase anterior. Essa característica promoveu uma descontinuidade dos cursistas da segunda para a terceira fase. Importante citar que os novos cursistas conseguiram acompanhar e concluir o curso, pois, não havia pré-requisito entre as etapas para a matrícula destes.

No início do ano de 2016, houve uma mudança na gestão do curso, o qual deixou de ser ofertado pelo Campus Vitória do Ifes passando a ser gerido pelo Cefor. O período de migração iniciou na segunda fase do FIC, porém, as matrículas iniciais ainda foram realizadas pelo Campus Vitória. Nesse período de adaptação iniciou-se a utilização da tecnologia Moodle para adensar a parte teórica, pois a equipe executora identificou a necessidade de superar uma deficiência percebida nas fases anteriores do Projeto ACCS, assumindo-se assim o local virtual como ambiente onde os cursistas tiveram a oportunidade de aprofundar os assuntos discutidos nas oficinas presenciais. A Figura 2 apresenta os nomes dos membros executores24 do Projeto e suas respectivas funções.

Figura 2 - Listagem dos membros executores do Projeto ACCS

24

A equipe executora foi composta por professores, alunos e ex-alunos do Ifes, contando também com a participação de bolsistas (selecionados pela coordenação do projeto).

Fonte: Instituto (2016b)

A segunda fase do FIC, conforme apresentada na programação do Cadastro do Curso de Extensão - Edital PAEX/PROEX – 01-2015, aconteceu no primeiro semestre de 2016, nominada como Disciplina – 2: “Educação Científica no Contexto da Cidadania Socioambiental”, a qual recebeu o título no Cronograma divulgado pela coordenação do curso, conforme Figura 3 de “Formação de Educadores Ambientais”. A ementa desta previa contemplar a Alfabetização Científica tendo como eixo estruturante a Educação Socioambiental; a Cidadania Socioambiental a partir da experiência do Coletivo Educador Ambiental de Vitória (COLEDUC), sob a égide do ProFEA elaborado pelos Ministérios do Meio Ambiente e da Educação (MMA/MEC); o Projeto Político Pedagógico da Cidade de Vitória. Sol -Terra - “terra” e o território vivido e a cidade como espaço educativo e a sua relação com a educação formal.

Figura 3 - Cronograma do Curso de Formação de Educadores Ambientais – 2016/1

Fonte: Instituto (2016c)

De acordo com a programação desse módulo, foram ofertadas quatro oficinas em espaços não-formais de Vitória que receberam os seguintes temas: “Cidadania socioambiental e o PPP da cidade”; “O Sol nosso de cada dia; “Terra-terra, território vivido (nossa morada)” e “Olhares com as cidades”.

No segundo semestre de 2016, todo o processo já havia migrado para o Cefor, sendo nesse período lançado o primeiro Edital do Curso de Formação de Educador Ambiental, nº 36/2016, nominado como “Curso de Formação de Educadores Ambientais”, considerada a 3ª fase do FIC “Alfabetização científica e cidadania

socioambiental”, Disciplina – 3: “Atuação do Educador ambiental”, tendo como ementa a Formação de educadores ambientais: desafios e perspectivas; Diálogo entre saberes: a visão de que sobrevive do mangue; A história e memórias de Vitória (parte 2); Desafios ambientais – Justiça ambiental na cidade de Vitória; Espaços educativos não formais (Lazer e saúde; do lúdico à lógica) e Veracidade – compromisso do educador ambiental.

O edital que foi publicado no site institucional promoveu uma visibilidade em nível nacional, ampliando a divulgação do curso e, consequentemente, sua procura. O edital foi direcionado para profissionais de todos os níveis e modalidades da Educação, pesquisadores, bem como a alunos e seus responsáveis, líderes comunitário se demais profissionais envolvidos em movimentos sociais e/ou similares.

De acordo com as matrículas efetivadas em 2016/2 apenas 23% dos cursistas da segunda fase conseguiram se matricular na terceira, por isso, acredita-se que o aumento da demanda, sem ampliar o número de vagas, pode ter promovido a redução de ex-alunos na terceira fase. A proposta inicial era certificar cerca de 150 (cento e cinquenta) Educadores Ambientais, porém,esse propósito foi parcialmente alcançado, conforme pode ser observado no Quadro 2 extraído do “Sistema de Registro de Certificados do IFES”.

Quadro 2: Quantitativo de cursistas por período

PROJETO ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA E CIDADANIA SOCIOAMBIENTAL

Período Participantes Reprovados Aprovados/ Certificados

01/08/2015 a 28/11/2015 17 00 17

19/03/2016 a 02/07/2016 40 27 13

01/08/2016 a 15/12/2016 46 14 32

Total de Educadores Ambientais 103 44 62

Conforme relatado na dinâmica dos FICs foi possível observar algumas divergências entre o que foi programado no Projeto submetido ao Edital PAEX/PROEX – 01-2015 do Ifes e a prática destes, entendendo que isso era passível de acontecer, uma vez que, no objetivo específico nº II do Projeto ACCS, extraídos do contrato firmado entre o Ifes e o CNPq (Anexo B), apresenta o propósito de “desenvolver a reflexão e a avaliação permanente do Projeto para replanejar as ações conforme necessidades de acordo com o parecer da Unidade Gestora do Projeto”(IFES, 2014, p. 5)

A seguir, são apresentadas cada uma dessas oficinas desenvolvidas no ano de 2016, visando descrever suas características e objetivos no intuito de proporcionar uma maior compreensão do objeto de estudo desta pesquisa.