6.2 Desenvolvimento de Projeto de Arquitetura
6.2.4 Projeto de detalhamento das especialidades
(Projeto executivo/ Detalhamento, conforme NBR 13531)
Assim como aponta a Figura 5, no início do projeto executivo, o maior volume de trabalho, concentrado no anteprojeto já foi finalizado. Esta etapa é constituída principalmente de trabalho gráfico e evidência do detalhamento. As soluções e métodos construtivos já foram definidos, a implantação consolidada, assim como a arquitetura. A produção de plantas cortes e fachadas, caso o modelo tenha sido bem elaborado, não representa esforços significativos.
Uma vez finalizada a adaptação do modelo aos componentes e sistemas construtivos empregados, iniciou-se a fase de produção de desenhos, montagem de pranchas e detalhamento do projeto de arquitetura. No caso de um projeto mais complexo, com participação de múltiplas equipes, todo o trabalho de compatibilização de sistemas e simulações já estaria feito antes do início do detalhamento. Este trabalho é possível uma vez que todos os componentes e sistemas do modelo carregam várias informações necessárias para o trabalho das disciplinas do projeto e podem ser complementadas oralmente, ou de outra forma, pelos participantes. Mesmo com recursos avançados e muita informação inclusa no modelo, dificilmente a comunicação e troca de informação por outras vias pode ser absolutamente suspensa. O modelo é um recurso interessante para o trabalho
conjunto, que expande o canal de comunicação, não um caminho para segregação de equipes.
A elaboração de desenhos executivos sobre o modelo paramétrico consiste na inclusão de cotas, símbolos, notas e detalhes. Todo o trabalho de especificação de materiais e componentes foi realizado nas etapas anteriores do projeto.
Figura 70 - Planta do Chalé desenvolvida em Revit Architecture Fonte: Elaborado pela autora (2012)
Buscando ilustrar o processo de desenvolvimento do projeto executivo de arquitetura a partir de modelo paramétrico, tomou-se como exemplo o chalé do exemplo dos quais se produziu uma planta (Figura 70) e um corte (Figura 71). Os desenhos incluem uma série de regiões de interface entre vedações verticais, componentes e estrutura que precisam ser detalhadas no projeto. Apesar da geração de plantas, cortes e elevações a partir do modelo ser simples, a escassez de símbolos, como cota de nível ou flechas de corte além de blocos como conjuntos de indicação de acabamentos na biblioteca default do programa foram imediatamente percebidas e geraram morosidade no processo de produção. Alguns elementos foram importados de bibliotecas padrão de CAD disponíveis em arquivo
pessoal da autora. A diagramação no Revit é facilitada por um recurso de identificação de pontos e relações geométricas como paralelismos. As dimensões de cotas e textos foram adotadas da configuração padrão do programa. Além das limitações decorrentes da escassez de elementos de desenho prontos, também houve demoras decorrentes de falta de traquejo no domínio do software.
Figura 71 - Corte do Chalé desenvolvido em Revit Architecture Fonte: Elaborado pela autora (2012)
Para cada uma das interfaces entre componentes e sistemas foi necessário adaptar o detalhe padrão produzido anteriormente, como no exemplo da Figura 72, ou desenvolver um novo detalhe. Este procedimento é análogo ao que ocorreria no caso de os objetos paramétricos já estarem disponíveis em uma biblioteca virtual com arquivos de detalhes genéricos anexos. No caso, os detalhes genéricos estavam disponíveis em formato DWG. A edição ocorreu em AutoCAD.
Posteriormente importou-se os arquivos para o modelo em Revit como figuras até que todas as informações necessárias estivessem disponíveis. Outra solução seria a elaboração de um caderno de detalhes, o que despolui o projeto e evita repetição de informações nas várias folhas do projeto.
Com a construção de um amplo banco de imagens, detalhes e figuras que podem ser importadas para os projetos, o processo de detalhamento torna-se mais eficiente do que no caso de repetição de desenhos ou busca de detalhes e edição de outros trabalhos.
Figura 72 - Detalhe de interface entre pilar e alvenaria adaptado aos componentes do projeto
Fonte: Elaborado pela autora (2012)
Considerando que depois de configurado um template padrão e desenvolvida maior habilidade de uso da ferramenta BIM, o volume de trabalho segue a tendência colocada na Figura 5, onde há maior concentração de esforços nas etapas de projeto anteriores ao projeto executivo e maior eficiência no desenvolvimento de projetos em softwares BIM.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo do estudo de caso foram encontradas dificuldades como escassez de dados de desempenho de sistemas construtivos, escassez de objetos nas bibliotecas de objetos virtuais existentes, estrutura superficial de métodos de classificação e terminologia de informações da construção brasileiras, falta de prática no uso da ferramenta de projeto eleita para desenvolvimento do estudo de construtivos está sendo motivada pela entrada em vigor da ABNT NBR 15575, em 2013. A partir de então será obrigatório comprovar o desempenho dos edifícios, sendo as características dos sistemas construtivos um dos fatores decisivos. A disponibilidade de informações de desempenho de sistemas construtivos é essencial para a viabilização da entrada em vigor da norma.
Na primeira etapa do estudo de caso, item 6.1 deste trabalho, ficou evidente como o levantamento e organização de dados de desempenho de sistemas construtivos é uma área de trabalho com grande campo para desenvolvimento. A consolidação de informações neste sentido, sobre vários sistemas construtivos, poderá não ser expressa. Enquanto não ocorre é interessante continuar a observar as boas práticas para os sistemas tradicionais e utilizar os sistemas inovadores com cautela. A adaptação de sistemas construtivos ao contexto brasileiro deve ser vista criticamente. Modificações em sistemas construtivos podem alterar significativamente seu desempenho. Assim, valem apenas soluções adotadas tal qual dispostas para a avaliação. Avaliações realizadas no exterior podem ter critérios distintos aos exigidos pela legislação local, assim sua relevância também deve ser avaliada.
A escassez de objetos nas bibliotecas de objetos virtuais existentes, a falta de propriedades de desempenho associada a estes objetos e a estrutura superficial de métodos de classificação e terminologia de informações da construção brasileiras são pontos relacionados uma vez que, com o aumento do número de objetos a ser
organizado surge a demanda por critérios de classificação e terminologia únicos, que permitam organização da informação e sua disponibilização de uma forma metódica ao usuário. A questão por sua vez se relaciona com a questão da escassez de dados de desempenho de sistemas construtivos. Se o dado não foi obtido, também não pode ser associado a objetos paramétricos. A publicação das partes 2 a 7 da ABNT NBR 15961, mais especificamente, da parte 02: características dos objetos da construção pode ser um marco relevante para a organização de bibliotecas de objetos virtuais. A elaboração de listas de classificação únicas e complexas como as da OmniClassTM pode reduzir a quantidade de variações de classificação utilizadas, de forma a contribuir para o fluxo de informação. Se a estrutura da informação for bem definida, poderá ser ampliada a qualquer momento, por exemplo, toda vez que forem obtidos novos dados de desempenho dos sistemas construtivos modelados.
A questão da falta de agilidade na utilização da ferramenta de projeto eleita para desenvolvimento do estudo de caso, assim como o conhecimento das limitações das mesmas está relacionada com o atual momento, no início da curva de aprendizado. A exploração de possibilidades e domínio de funções de softwares BIM pode ser encarada como consequência do convencimento sobre as vantagens oferecidas pelo método de trabalho vinculado ao conceito da modelagem da informação da construção. A identificação de limitações dos softwares é importante para a consolidação de demandas quanto à expansão das funções. Por exemplo, a falta de possibilidade de associação de critérios de desempenho aos objetos modelados no estudo de caso é um empecilho para a utilização do modelo tal qual foi modelado para uma simulação de desempenho térmico, necessária para a confirmação de sua conformidade, ou não conformidade, aos critérios de desempenho da ABNT NBR 15575.
O estudo de caso comprova que, de imediato, é viável, com acesso aos critérios da NBR 15575, com tabelas de dados de desempenho de sistemas construtivos, como as elaboradas pela autora no item 6.1, e algumas referências de boas práticas de projeto, identificar manualmente variações de sistemas construtivos com grande potencial de atendimento às exigências de norma de desempenho (6.2), o que aumenta significativamente o potencial do edifício também atender a esta norma. É possível também modelar inúmeras tipologias e associar algumas propriedades a elas. No entanto, não é possível adicionar os critérios de
desempenho no mesmo formato desta norma, o que facilitaria o trabalho do arquiteto.
O estudo de caso evidenciou que, apesar de conceitualmente resolvida, a incorporação da questão do desempenho no projeto de arquitetura com utilização de softwares BIM ainda é uma área com grande potencial de desenvolvimento em vários aspectos, desde a programação de softwares até a organização de bibliotecas e formação de usuários.
O pleno aproveitamento das ferramentas disponíveis por parte dos arquitetos depende de uma série de fatores como desprendimento e revisão dos processos de projeto mais utilizados atualmente, formação quanto a questões técnicas como desempenho de sistemas construtivos e treinamento na utilização de software além de desenvolvimento de bibliotecas virtuais com objetos paramétricos repletos de informações e com formato que permita a interoperabilidade. A superação das questões colocadas será feita gradualmente, com uma série de obstáculos, porém, caracterizando uma tendência irreversível de desenvolvimento no processo de projeto.
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