(Dos Srs. XXX)
Dispõe sobre os mecanismos de atuação do Congresso Nacional em matéria Orçamentária Pública Federal, incluindo a apreciação, registro e autorização da programação do orçamento encaminhado pelo Poder Executivo Federal, o controle externo de sua execução e dá outras providências.
O Congresso Nacional decreta:
Art. 1º O Congresso Nacional atuará sobre o Orçamento Público da União, encaminhado pelo órgão competente do Poder Executivo Federal, por meio da apreciação de sua programação, para fins de registro e autorização, e do controle externo de sua execução, com vistas à satisfação dos interesses econômicos da sociedade brasileira por serviços públicos adequados.
Art. 2º O Congresso Nacional, em sua atuação sobre o Orçamento Público Federal, apreciará a programação orçamentária encaminhada, em qualquer época do ano, pelo Poder Executivo Federal e, mediante análises preliminares de legalidade e de conformidade fiscal, realizadas de forma célere, determinará seu registro em base de dados oficial interna e autorizará sua execução, caso seja considerada legal pelos seus órgãos técnicos e aprovada pelo Plenário.
§ 1º A análise preliminar de legalidade verificará a compatibilidade da programação recebida pelo Congresso Nacional com a Constituição Federal, as leis orçamentárias e financeiras federais, suas normas internas e demais normas aplicáveis.
§ 2º A análise preliminar de conformidade fiscal verificará a compatibilidade da programação recebida pelo Congresso Nacional, em conjunto com a programação vigente, quando comparadas com as restrições fiscais estabelecidas pelos órgãos competentes e aprovadas pelo Congresso Nacional.
§ 3º A Programação Vigente é o conjunto da programação recebida, registrada e autorizada pelo Congresso Nacional, cuja execução ainda não
71 Ver “Manual de Redação da Presidência da República”
(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual.htm)
finalizou, assim considerada quando, ao menos parcialmente, deva terminar entre a data corrente e o limite de tempo posterior determinado pelo lapso temporal convencionado para a realização das verificações de conformidade fiscal, necessariamente plurianual, de acordo com o § 2º deste artigo.
§ 4º O Congresso Nacional manterá, em base de dados oficial, mediante o uso de softwares apropriados, a Programação Vigente conforme definida no § 3º deste artigo e implementará, nestes softwares, as seguintes funções que serão disponibilizadas ao Poder Executivo Federal para encaminhamento da programação orçamentária:
I – NOVO_PROGRAMA: implementará as rotinas informatizadas de recepção, pelo Congresso Nacional, de um novo programa encaminhado pelo Poder Executivo, com todos os seus parâmetros, incluindo o conjunto de suas ações e subtítulos, disponibilizando-o para as análises preliminares de legalidade e de conformidade fiscal;
II – EXTINÇÃO_DE_PROGRAMA: eliminará os dados relativos ao programa informado pelo Poder Executivo Federal da base de dados oficial da Programação Vigente, cuja execução já se encerrou ou não, e providenciará a ordem de retorno de eventual saldo financeiro remanescente à Conta Única da União;
III – MODIFICAÇÃO_DE_PROGRAMA: modificará os dados relativos a um determinado programa, constante na base de dados oficial relativa à Programação Vigente, com fundamento nos novos dados encaminhados pelo Poder Executivo Federal, e disponibilizará o novo programa modificado para as análises preliminares de legalidade e de conformidade fiscal, com eventual emissão de ordem de retorno de saldo financeiro remanescente à Conta Única da União; e
IV – SUPLEMENTAÇÃO: inserirá, na base de dados oficial relativa à Programação Vigente, adicionais de recursos financeiros e metas, para suplementar a programação, com base nos dados apropriados, relativos a um determinado programa, encaminhados pelo Poder Executivo Federal; após as análises preliminares de legalidade e de conformidade fiscal do programa modificado.
§ 4º Essas funções serão a base da interação entre o Poder Executivo Federal e o Congresso Nacional quanto ao Orçamento Público da União, que será implementado com fundamento nas características de Orçamento Contínuo, de Programa, Plurianual, de Desempenho e Impositivo.
§ 5º Por apresentar as características de um Orçamento Contínuo, a apreciação e controle externo do Orçamento Público Federal será realizada ininterruptamente e de forma homogênea ao longo do ano, de forma que o Poder Executivo poderá encaminhar novas programações, ainda que parciais ou em forma de programas individuais, a qualquer tempo.
Art. 3º O Congresso Nacional, em sua atuação no controle externo da execução do Orçamento Público Federal, diante de graves indícios de ilegalidade, anti-economicidade e não-efetividade da programação autorizada, em execução ou já finalizadas, sejam programas, ações, subtítulos ou, ainda, parcelas inferiores do Orçamento Público Federal, deliberará pela:
I – realização de determinação ao órgão ou entidade responsável para efetivar a correção da irregularidade, sob pena apuração de responsabilidade;
II – realizar a suspensão da execução física, orçamentária e financeira da programação em realização, que permanecerá nesse estado até a adoção de medidas saneadoras pelo órgão ou entidade responsável e a futura deliberação do Congresso Nacional, após a correção das irregularidades;
III – nomeação de interventor, com remuneração paga pelo Congresso Nacional, na execução da programação em realização, por prazo determinado, com o fim de correção das irregularidades verificadas e cujo relatório de atividades poderá ser encaminhado aos órgãos competentes para fins de apuração de responsabilidade dos gestores públicos; e
IV – declaração de extinção da programação em realização, que deverá ser finalizada pelo Poder Executivo Federal e não poderá mais receber recursos financeiros públicos, sob pena de apuração de responsabilidade.
Parágrafo único. A atuação do Congresso Nacional de acordo com esse artigo possui caráter gerencial e não-punitivo; poderá realizar ou determinar a realização da reprogramação da despesa, mas não usurpar a competência do Poder Executivo Federal, por meio do exercício de simples escolha de prioridades; deverá ser exercida com respeito ao princípio da razoabilidade, para se evitar interferência indevida nos órgãos e entidades da Administração Pública;
e não impede a apuração de responsabilidade e de débito pelos órgãos competentes, inclusive pelo Tribunal de Contas da União, quanto às irregularidades apuradas.
Art. 4º A atuação do Congresso Nacional no controle externo da execução do Orçamento Público Federal, na forma do art. 3º desta Lei Complementar, somente será efetivada após o encaminhamento pelo Tribunal de Contas da União, a qualquer tempo, dos resultados de levantamentos de auditoria em órgãos e entidades da Administração Pública Federal ou em entidades privadas que recebam recursos públicos federais, os quais concluam pela existência de indícios graves de ilegalidade, anti-economicidade e não-efetividade.
§ 1º Os resultados de levantamentos realizados pelo Tribunal de Contas da União em decorrência deste artigo poderão ser concomitantes ou posteriores à execução – ou à entrada em operação – da unidade orgânica e autônoma da programação orçamentária autorizada pelo Congresso Nacional, e deverão envolver visita, pelo auditor responsável, ao local da execução.
§ 2º Na atuação do Tribunal de Contas da União de acordo com este artigo, a avaliação técnica da:
I – Legalidade: envolve a averiguação da conformidade da execução orçamentária com os parâmetros constitucionais, legais e jurisprudenciais federais;
II – Economicidade: envolve a verificação de que os recursos financeiros empregados na execução são adequados, de acordo com o estado da técnica aplicável, como forma de se evitar ineficiências ou desvios de recursos públicos; e
III – Efetividade: envolve a avaliação de que o resultado da execução atende aos anseios reais da comunidade beneficiária, em vista de suas necessidades prioritárias por serviços, projetos e obras públicas adequados, eficientes e satisfativos.
Art. 5º O Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas dos Estados e as Câmaras de Vereadores dos Municípios manterão cadastro de profissionais e de organizações não-governamentais independentes, que atuarão na realização de auditorias e na emissão de pareceres técnicos acerca da execução da programação orçamentária relevante da União, de execução direta ou mediante transferências de recursos, e de sua conformidade com seus projetos iniciais aprovados pelas autoridades competentes.
Parágrafo único. Em cada programação orçamentária relevante serão realizadas duas auditorias ao término de sua execução ou ao ser iniciado seu funcionamento, com emissão de dois pareceres técnicos, os quais serão juntados à respectiva prestação de contas encaminhada aos órgãos competentes e disponibilizados na página do Orçamento da União do sítio do Congresso Nacional na Internet, para publicidade da execução e exercício do controles externo e social.
Art. 6º O Congresso Nacional disponibilizará na página do Orçamento da União de seu sítio na Internet, além dos pareceres emitidos na forma do art.
5º desta Lei Complementar, o seguinte rol de informações, em forma devidamente projetada para consulta fácil pelos cidadãos:
I – A totalidade da Programação Vigente, com dados referentes a sua execução, e com as seguintes informações, dentre outras que se revelarem necessárias:
a) Conjunto de Programas, seus respectivos parâmetros e gestores responsáveis;
b) Conjunto de Ações para cada Programa, seus respectivos parâmetros e coordenadores responsáveis;
c) Conjunto de Subtítulos para cada Ação, seus respectivos parâmetros e percentual de execução; e
d) Conjunto de indicadores de desempenho de cada Programa.
II – A totalidade dos dados e parâmetros mencionados no inciso I do caput para a Programação Orçamentária que já foi executada e excluída do conjunto da Programação Vigente;
III – As ações de controle externo realizadas pelo Congresso Nacional na execução do Orçamento da União, de acordo com o art. 3º desta Lei Complementar, com dados referentes aos respectivos status das programações fiscalizadas (se houve determinações, se há ou houve suspensão, se há ou houve intervenção e se houve extinção); os conteúdos das fiscalizações (determinações expedidas; as irregularidades determinantes das suspensões; as irregularidades determinantes das intervenções e seu resultado, incluindo o relatório do interventor; e as irregularidades determinantes das extinções) e, ainda, os relatórios correspondentes dos levantamentos realizados pelo Tribunal de Contas da União; e
IV – Outras informações capazes de contribuir para aumento da publicidade do Orçamento da União e da atuação do Congresso Nacional, e para possibilitar o exercício do controle social por parte dos cidadãos.
Art. 7º O Congresso Nacional somente pode realizar programações orçamentárias iniciais, para comporem o Orçamento da União, que digam respeito ao seu próprio funcionamento e desde que no exercício de sua função Administrativa.
Art. 8º O Congresso Nacional deverá refazer suas normas internas pertinentes, para compatibilizá-las com esta Lei Complementar, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias.
Art. 9º Revogam-se as disposições em contrário, em especial a Resolução nº 1/2006-CN.
Art. 10 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, em XX de XX de 2011.
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