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Projeto de lei de reforma do CDC para prevenir o superendividamento

1 OS CONTRATOS DE CRÉDITO AO CONSUMO E OS TRADICIONAIS

2.4 Projeto de lei de reforma do CDC para prevenir o superendividamento

Em atenção à lacuna legislativa existente no Código de Defesa do Consumidor, em especial no que diz respeito ao superendividamento, uma equipe de juristas da área consumerista, liderada pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça, Antonio Herman Benjamin, elabora e coordena no Senado Federal um pré-projeto para a atualização do CDC, ainda em análise pelos parlamentares. Ao todo, na Câmara dos Deputados tramitam 320 propostas, e no Senado Federal, outras 68 sugestões de alteração.

Em alguns aspectos, as propostas elaboradas pela equipe contraria entendimentos já consolidados na jurisprudência brasileira, principalmente no que diz respeito a cobrança de juros nos contratos de crédito e financiamento, na medida em que procura estabelecer de maneira mais efetiva o que o princípio da boa-fé e da vulnerabilidade não puderam influir na prática. Com efeito, diversas normas do CDC devem ser modificadas em benefício do consumidor, em resposta às abusividades cometidas no mercado de consumo, as quais muitas vezes são ratificadas pelo Poder Judiciário.

A referida proposta de reforma inclui a alteração dos seguintes dispositivos: art. 27- A, constante no Capítulo IV (Da Qualidade de Produtos e Serviços, da Prevenção e da Reparação dos Danos), o qual estabelece o prazo prescricional de 10 anos para os consumidores ajuizarem ações com matérias não previstas na seção IV daquele capítulo; inclui parágrafo único nos arts. 30 e 34, inclui § 2º no art. 36, e inclui mais seis incisos exemplificativos no art. 39, todos constantes no Capítulo V (Das Práticas Comerciais), os quais tornam mais rígidas e claras as disposições acerca de publicidades e ofertas que possam induzir o consumidor a erro, bem como práticas comerciais potencialmente lesivas ao consumidor; e, por fim, inclui mais oito incisos exemplificativos e o parágrafo 5º no art. 51, ainda modifica o art. 52, incluindo nele sete parágrafos, bem como cria os arts. 52-A e 52-B, todos no Capítulo VI (Da Proteção Contratual).

No que diz respeito ao tratamento do superendividamento do consumidor, o fator mais relevante proposto pelo projeto de Lei de reforma do Código de Defesa do Consumidor consta nos artigos que dizem respeito à proteção contratual do consumidor. Assim, alguns apontamentos devem ser feitos quanto à reforma e inclusão dos arts. 51, 52, e 52-A do projeto, conforme segue.

Primeiramente, insta referir a proposta de mudança no art. 51 do CDC, que deve ter alteração em sua redação, passando a dispor da seguinte maneira:

Art. 51. São absolutamente nulas e assim devem ser declaradas de ofício pela Administração Pública e pelo Poder Judiciário, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que:

...

VII – determinem a utilização compulsória da arbitragem ou de qualquer forma condicionem ou limitem o acesso aos órgãos do Poder Judiciário;

...

XVI – possibilitem a renúncia do direito de indenização às benfeitorias necessárias, inclusive na locação residencial;

XVII – imponham ou tenham como efeito a renúncia à impenhorabilidade do bem de família do consumidor ou do fiador;

XVIII – estabeleçam prazos de carência na prestação ou fornecimento de serviços ou produtos, em caso de impontualidade das prestações mensais, ou não restabeleçam integralmente os direitos do consumidor a partir da purgação da mora ou do acordo com os credores, na forma da lei;

XIX – considerem, em especial nos contratos bancários, financeiros, securitários ou de cartões de crédito, o silêncio do consumidor como aceitação tácita dos valores cobrados, das informações prestadas nos extratos, de modificação de índice ou de alteração contratual;

XX– estabeleçam, no contrato de compra e venda de imóvel, a incidência de juros antes da entrega das chaves;

XXI – proíbam ou dificultem a revogação pelo consumidor da autorização de consignação ou débito em conta;

XXII – prevejam a aplicação de lei estrangeira que limite, total ou parcialmente, a proteção assegurada por este Código ao consumidor domiciliado no Brasil. [...] § 5º O disposto no inciso XXI deste artigo somente se aplica ao crédito consignado autorizado em lei se houver descumprimento pelo fornecedor dos requisitos legais ou violação do princípio da boa-fé. (BRASIL, 2012).

Com efeito, a reforma proposta para o art. 51 do CDC contraria o entendimento já sumulado pelo STJ (Súmula nº 381), ao estabelecer, em seu caput, que as cláusulas abusivas devem ser declaradas nulas de ofício pela Administração Pública e pelo Poder Judiciário. Vale lembrar que, conforme visto anteriormente, o entendimento Superior Tribunal de Justiça é de que o próprio consumidor deverá arguir a existência de cláusulas abusivas nos contratos bancários, e que o magistrado somente poderá julgar com base no que for alegado por aquele, não sendo este autorizado a apontar de oficio a existência de cláusulas abusivas.

A modificação proposta para o caput do art. 51 é, sem dúvidas, um importante avanço na proteção contratual do consumidor, na medida em que o magistrado, geralmente mais experiente e habituado ao assunto, poderá apontar de ofício a existência de cláusulas que tornem a relação jurídica desigual, além, é claro, desta possibilidade ser estendida ao meio extrajudicial, à autoridade administrativa. A manifestação de oficio do juiz é importante na medida em que eventuais abusividades constantes em contratos de consumo não passem desapercebidas pelo procurador da parte, possibilitando a ampliação da defesa contratual do consumidor.

Além da possibilidade de apontamento de cláusulas abusivas de oficio pelas autoridades judiciárias e administrativas, o projeto de Lei propõe a inclusão de mais oito incisos no art. 51 do CDC, que exemplificam outras eventuais cláusulas abusivas nos contratos de consumo. Embora seja consolidado na doutrina e jurisprudência que o Código de Defesa do Consumidor não possui rol taxativo desta espécie de cláusula, a inclusão de tais incisos contribuirá na identificação real de cláusulas nocivas, que muitas vezes podem passar desapercebidas nos contratos de financiamento, por exemplo.

Dentre os incisos mencionados, insta referir que o inciso XXI, que dispõe acerca da nulidade de cláusulas que proíbam ou dificultem a revogação pelo consumidor da autorização de consignação ou débito em conta, ocasiona a inclusão do parágrafo 5º no mesmo artigo, o qual esclarece que tal regra somente se aplica ao crédito consignado legalmente autorizado, em que haja descumprimento de requisitos legais ou violação do princípio da boa-fé.

Como é notório, as discussões acerca de financiamentos com crédito consignado geram muita polêmica nas relações contratuais de consumo, principalmente quando envolve consumidor idoso; dessa maneira, a regulamentação desta espécie de crédito contribuirá, inclusive, para a redução do número de processos judiciais discutindo a matéria.

Quanto à proposta formulada para a alteração do art. 52 do CDC, a nova redação é a seguinte:

Art. 52. No fornecimento de crédito, o fornecedor ou o intermediário devem, previamente à contratação, dentre outros deveres:

I – esclarecer, aconselhar e advertir adequadamente o consumidor sobre a natureza e a modalidade do crédito oferecido, assim como as conseqüências genéricas e específicas do inadimplemento;

II – avaliar de forma responsável e leal as condições do consumidor de pagar a dívida contratada, mediante solicitação da documentação necessária e das informações disponíveis em bancos de dados, observado o disposto neste Código e na legislação sobre proteção de dados;

III – entregar ao consumidor, ao garante e outros coobrigados uma cópia, devidamente assinada, do contrato de crédito.

§ 1º A prova do cumprimento dos deveres previstos neste Código incumbe ao fornecedor e ao intermediário do crédito.

§ 2º A oferta e o contrato que envolvam outorga de crédito devem conter, dentre outras, as seguintes informações:

I – preço do produto ou serviço em moeda corrente nacional; II – taxa efetiva mensal e anual de juros;

III – custo efetivo total e sua expressão em moeda corrente nacional;

IV – taxa de juros de mora e o total de encargos previstos para o atraso no pagamento;

V – número, periodicidade e montante das prestações; VI – soma total a pagar, com e sem financiamento;

VII – nome e endereço, inclusive o eletrônico, do fornecedor; VIII – direito do consumidor à liquidação antecipada do débito.

§ 3º As informações referidas no § 2º deste artigo devem constar em um quadro, de forma resumida, no início do instrumento contratual.

§ 4° As multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu termo não poderão ser superiores a dois por cento do valor da prestação.

§ 5º É assegurada ao consumidor a liquidação antecipada do débito, total ou parcialmente, mediante redução proporcional dos juros e demais acréscimos. § 6º O custo efetivo total da operação de crédito ao consumidor, cujo cálculo poderá ser padronizado pela autoridade reguladora do sistema financeiro, consistirá em taxa percentual anual e compreenderá os juros pactuados, tarifas, prêmios de seguro e tributos, além de quaisquer outros valores exigidos do consumidor, mesmo que relativos a serviços de terceiros, quando legítima a cobrança.

§ 7º O descumprimento de qualquer dos deveres previstos neste artigo acarreta a inexigibilidade dos juros, encargos, ou qualquer acréscimo ao principal, sem prejuízo de outras sanções e da indenização por perdas e danos, patrimoniais e morais, ao consumidor. (BRASIL, 2012).

Nesta proposta é incluído no texto do artigo 52 a figura do intermediário como co- responsável pelo fornecimento de crédito, o que nos remete, por exemplo, à atuação das revendedoras de veículo que atuam em nome de financeiras na concessão de crédito para

financiamento de automóveis. Por meio da interpretação da redação deste artigo, tanto a revenda como a financeira (intermediário e fornecedor) tem a responsabilidade de alertar, esclarecer e aconselhar o consumidor antes de contratar o crédito, recaindo sobre elas a prova de que assim o fizeram, numa espécie de inversão do ônus da prova quase automática, conforme disposição do parágrafo 1º do citado artigo.

Dentre os deveres que o fornecedor do crédito e/ou o intermediário deverão cumprir, está o de esclarecer de forma clara e efetiva a verdadeira natureza e a modalidade do crédito oferecido, as consequências da contratação, as penas de eventual inadimplemento, conforme dispõem os incisos do art. 52. Além disso, o fornecedor e intermediário do crédito deverão adotar uma postura responsável e leal perante o consumidor, além de entregar ao contratante e todos os coobrigados uma cópia assinada do contrato de crédito.

Observados tais preceitos legais, o parágrafo 2º do art. 52 disporá que a oferta de crédito e o contrato devem conter informações precisas, sem prejuízo de outras, acerca do preço do produto ou serviço, taxa mensal e anual de juros, o custo total da contratação, juros de mora e encargos em caso de inadimplemento, o número das prestações e sua periodicidade, a soma total a pagar com e sem o financiamento, o direito à liquidação antecipada, e o nome e endereço do fornecedor. Tudo isso deverá constar em um quadro resumido, no início do instrumento contratual, conforme dispõe o parágrafo seguinte (3º).

Embora à primeira vista a reforma do art. 52 aparente ser excessivamente cautelosa, tais disposições levam em conta as inúmeras e rotineiras abusividades cometidas pelas fornecedoras de crédito, que deixam de prestar tais informações, e quando informam, as mencionam em contrato de adesão repleto de cláusulas inúteis, que mascaram ou escondem ao longo do instrumento contratual o que realmente interessa ao consumidor. Tal prática é denominada pelo doutrina como deficiência por excesso de informação.

Ainda quanto à proposta de alteração e reforma do art. 52, é preciso mencionar que, uma vez descumpridas por parte do fornecedor ou intermediário as regras dispostas no referido artigo, acarretará na inexigibilidade dos juros, encargos ou quaisquer outros acréscimos ao valor principal do crédito, sem prejuízo de outras sanções e indenizações cabíveis à espécie. Tal disposição encontra-se no parágrafo 7º, o último do art. 52.

A reforma do Código de Defesa do Consumidor demonstra preocupar-se com o crédito consignado, tendo em vista que prevê a inclusão do art. 52-A, com cinco parágrafos que tratam do tema.

Art. 52-A. Nos contratos em que o modo de pagamento da dívida envolva autorização prévia do consumidor pessoa física para débito direto em conta corrente bancária, consignação em folha de pagamento ou qualquer modo que implique cessão ou reserva de parte de sua remuneração, a soma das parcelas reservadas para pagamento de dívidas não poderá ser superior a trinta por cento da sua remuneração mensal líquida, preservado o mínimo existencial.

§ 1º O descumprimento do disposto no caput deste artigo dá causa imediata ao dever de revisão do contrato ou sua renegociação, hipótese em que o juiz poderá adotar, dentre outras, as seguintes medidas:

I – dilação do prazo de pagamento previsto no contrato original, de modo a adequá- lo ao disposto neste artigo, sem acréscimo nas obrigações do consumidor;

II – redução dos encargos da dívida e da remuneração do fornecedor; III – constituição, consolidação ou substituição de garantias.

§ 2º O consumidor tem prazo de sete dias para desistir da contratação de crédito de que trata este artigo, a contar da data da celebração ou do recebimento de cópia do contrato, sem necessidade de indicar o motivo.

§ 3º Para o exercício do direito a que se refere o § 2º deste artigo, o consumidor deve:

I – enviar o formulário ao fornecedor ou intermediário do crédito, mediante protocolo, carta registrada ou qualquer outro meio de prova, no prazo do § 2º deste artigo;

II – restituir ao fornecedor o valor que lhe foi entregue, acrescido dos juros incidentes até a data da efetiva devolução, no prazo de sete dias após ter notificado o fornecedor.

§ 4º O fornecedor facilitará o exercício do direito previsto no § 2º deste artigo, mediante entrega de formulário destacável e de fácil preenchimento pelo consumidor, anexo ao contrato e contendo todos os dados relativos à identificação do fornecedor e do contrato.

§ 5º O disposto neste artigo não prejudica o direito de liquidação antecipada do débito. (BRASIL, 2012).

Com efeito, importa mencionar que a regra contida no caput do artigo acima citado, a qual limita o crédito consignado a trinta por cento da remuneração mensal líquida do consumidor, é objeto de diversas ações judiciais, e o tema ainda não é pacífico na jurisprudência. Limitar os descontos em folha de pagamento a trinta por cento é um avanço importante na prevenção do superendividamento do consumidor, preservando, assim, a sua subsistência com dignidade.

Consoante já demonstrado, os contratos de crédito e financiamento contribuem sobremaneira para o superendividamento do consumidor, na medida em que são oferecidos de maneira exagerada no mercado de consumo. A limitação dos descontos em folha de pagamento representa um empecilho ao oferecimento de crédito, já as instituições financeiras utilizam-se em larga escala deste artifício para atrair clientes e obter lucro. Isto significa que,

uma vez dificultado o acesso fácil e desordenado ao crédito, o consumidor terá de buscar outras alternativas para a solução de seus problemas financeiros, que não o financiamento com desconto em folha de pagamento, o que contribui para a prevenção do superendividamento.

Veja-se que o primeiro parágrafo do art. 52-A prevê expressamente a possibilidade de revisão imediata do contrato de crédito no caso de descumprimento, por parte do fornecedor, da limitação de trinta por cento da remuneração líquida do consumidor. Desta forma, somadas às demais possibilidades de revisões contratuais previstas no Código de Defesa do Consumidor (dentre as quais salienta-se a onerosidade excessiva), a proposta de projeto lei, em estudo no Senado Federal, prevê que, em ocorrendo tal ilícito, o fornecedor do crédito deverá dilatar o prazo de pagamento previsto no contrato original, além de reduzir os encargos da dívida e alteração de garantias.

Conforme se pode verificar o projeto de reforma do Código de Defesa do Consumidor tem como escopo atualizar o diploma consumerista à evolução do mercado de consumo, destacando-se, em especial, no combate ao superendividamento. Isto porque, quando promulgado o CDC, na década de 1990, não era possível prever que o crédito pudesse se expandir da maneira assustadora como atualmente, já que a realidade vivenciada era outra. Desta forma, a reforma do CDC é realizada no momento propício.

As normas propostas pelo projeto de reforma reforçam os direitos de informação, transparência, lealdade, bem como o repúdio às cláusulas abusivas, as quais, direta ou indiretamente, contribuem para o superendividamento do consumidor. No que diz respeito à concessão do crédito ao consumidor, a proposta de reforma do CDC exemplifica diversas possibilidades de previsões contratuais vedadas e medidas judiciais que deverão ser tomadas em caso de revisão contratual, o que contribui para a efetivação das normas consumeristas no mercado econômico.

CONCLUSÃO

Em razão das atuais possibilidades de revisão de contratos regidos pelo Código de Defesa do Consumidor, insta referir que nos últimos vinte anos houve uma significativa evolução doutrinária e jurisprudencial em relação a matéria, ainda que o Superior Tribunal de Justiça não se posicione favorável ao consumidor em temas específicos, como a cobrança de juros.

A ampliação das possibilidades de revisar contratos se deve a expansão desordenada do crédito, ao reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor, e ao repúdio às cláusulas abusivas constantes nos contratos de financiamento, fatores que, somados, culminaram na necessidade de equilibrar as relações jurídicas no mercado de consumo. Com efeito, a revisão do contrato busca proteger o consumidor ante a nova realidade social de desenvolvimento econômico, visto que o próprio Código de Defesa do Consumidor ainda apresenta lacunas legislativas significativas.

Neste novo contexto social, o superendividamento do consumidor é um fator preocupante, pois, além de ser economicamente desfavorável a qualquer sociedade, expõe o superendividado e sua família a humilhações e privações, afetando, inclusive, a sua dignidade enquanto pessoa humana. Acerca deste debate a legislação brasileira é omissa, e a solução do problema se dá por meio da individualidade de cada ação judicial e do entendimento pessoal de cada magistrado.

O Congresso Nacional analisa a possibilidade de reforma do Código de Defesa do Consumidor, para o fim de legislar especificamente acerca do superendiviamento, buscando proteger o consumidor ante a esta nova realidade social. Contudo, é preciso levar em conta

que a solução efetiva do superendividamento do consumidor dependerá da interpretação e posicionamento que os Tribunais assumirão a partir da nova legislação.

Em que pese a atual inexistência de norma específica, os avanços já destacados na área de revisão de contratos consumeristas são de grande valia, inclusive para a efetivação de preceitos constitucionais basilares, em especial a dignidade da pessoa humana.

REFERÊNCIAS

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