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Projeto de Navegabilidade dos Rios Capibaribe e Beberibe

Divulgado em 2012, o Projeto de Navegabilidade dos Rios Capibaribe e Beberibe39 foi concebido no âmbito das obrigações governamentais assumidas pelo estado de Pernambuco para a viabilidade do município do Recife como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, enquanto obra essencial para a realização do evento, e, segundo o Estudo Ambiental (PERNAMBUCO, 2012a) executado para o licenciamento, este está enquadrado na categoria de Grande Projeto Urbano (ZAITTER, 2017) uma vez que estão entre as suas principais características: arquitetura simbólica, parceria público-privada, city marketing, integração com o planejamento municipal e revitalização espacial.

O Projeto de Navegabilidade dos Rios Capibaribe e Beberibe, ou apenas, Projeto Rios da Gente foi proposto com o objetivo de implementar um sistema integrado de transporte de passageiros utilizando embarcações que se constituam como uma nova alternativa para o mobilidade urbana do Recife, por meio da instalação de estações de embarque e desembarque de passageiros e de pontos de integração com o sistema de transporte metropolitano existente. As justificativas para o projeto estão baseadas no “resgate do sistema aquaviário do Recife, no sentido de requalificar a paisagem urbana, despoluir os rios, propiciando um ambiente saudável para todos aqueles que dele se utilizem” (PERNAMBUCO, 2012a, p. 2).

A estrutura náutica para atendimento das demandas do projeto compreende o conjunto de acessórios instalados em determinada área para atender às demandas do projeto, e pode incluir também o próprio corpo d’água e os acessos planejados por terra ou por água para a

39Propostas similares para projetos de navegabilidade foram executadas em vários países do mundo. No Brasil, a

proposta mais recente objetiva a navegabilidade do rio Paraíba, porém, tendo como objetivo facilitar o escoamento da produção do estado.

prestação de serviços de apoio (PERNAMBUCO, 2012a). Nesse sentido, para a operação do projeto devem ser instalados os terminais hidroviários urbanos, no caso, denominados estações fluviais de acordo com as características construtivas e operacionais e do corpo hídrico onde estão situadas.

A instalação dessa estrutura deverá ocorrer ao longo dos corredores fluviais definidos a partir das alternativas locacionais e tecnológicas propostas no projeto executivo da obra. A concepção do projeto aponta para a instalação de três corredores fluviais: norte, sul e oeste; e, oito estações de embarque e desembarque (Figura 17): Dois Irmãos, Santana, Torre, Derby, Recife, Correios, Tacaruna e Boa Viagem, estando as quatro últimas localizadas dentro do recorte empírico deste estudo.

Na primeira alternativa locacional, a proposta do projeto continha 24 estações de passageiros com três tipologias distintas. Esta foi descartada em decorrência de fatores como “disponibilidade de áreas de retaguarda, acessibilidade do entorno, acessibilidade náutica, entre outros”. A terceira alternativa não previa a instalação de estações, e foi descartada “tendo-se em vista que um sistema de transporte fluvial trará desenvolvimento social e econômico para o município e para o estado de Pernambuco” (PERNAMBUCO, 2012a, p. 18).

A – segunda – alternativa locacional selecionada propõe a instalação de oito estações de embarque e desembarque baseadas nas vias existentes e projetadas e na interligação das áreas centrais com demais zonas da cidade. Os principais fatores a influenciarem na seleção da segunda alternativa foram: disponibilidade de áreas de retaguarda; acessibilidade do entorno; possibilidade de integração com o transporte metropolitano; proximidade de atrativos turísticos de natureza ecológica, histórica, cultural e de lazer; proximidade de parques públicos e acessibilidade náutica (PERNAMBUCO, 2012a).

Dentre as oito estações apresentadas na descrição técnica do projeto como alternativa locacional escolhida, quatro devem ser instaladas na área desse estudo: Estação Boa Viagem, Estação Recife, Estação Correios e Estação Tacaruna. Para a definição das estações priorizaram-se as rotas paralelas à corredores de ônibus saturados, nas proximidades das estações de metrô e das potencialidades turísticas da cidade.

As quatro estações possuem estrutura similiar que varia de acordo com o local de instalação. A estação Boa Viagem pressupunha a minimização do fluxo de veículos nas Avenidas Antônio Falcão e Via Mangue, e a proximidade com o Shopping Recife e o

Shopping Riomar, nas adjacências do qual poderia haver uma nova estação futuramente; a localização da estação Recife foi definida pela proximidade da estação central do Metrorec, da Avenida Dantas Barreto e das áreas centrais; a estação Correios deverá ser uma nova opção para o trajeto Recife/Olinda absorvendo também parte da demanda da Avenida Guararapes; e, a definição da localização da estação Tacaruna baseou-se na proximidade com o Shopping de mesmo nome.

As rotas que ligam cada uma dessas estações devem ter um número de barcos e de viagens diárias definidas pela demanda de cada corredor fluvial.

Figura 17 - Estações de embarque e desembarque do Projeto de Navegabilidade dos rios Capibaribe e Beberibe

proximidades do Complexo Viário Salgadinho e do Shopping Tacaruna, e possui 2,9km de extensão. Já o corredor fluvial Sul, possui extensão de 8km e liga o Porto Novo, também no Centro do Recife, ao bairro da Brasília Teimosa, nas proximidades dos Shopping Recife e Riomar40.

As justificativas para a execução do projeto estão relacionadas principalmente ao resgate do potencial de navegação do rio, a possibilidade do modal se firmar como uma nova alternativa de transporte e minimizar os problemas nos modais já existentes e a possibilidade de incremento da economia e do turismo. Por outro lado, para a sua execução deve ser realizada a dragagem no trecho do rio onde será implementado o projeto, a retirada das palafitas fincadas nesse mesmo trecho, a desapropriação de áreas para instalação das estações de embarque e desembarque e construção dessas áreas, e a adequação dos canais de navegação.

Posto isso, questiona-se: Serão os usos destes trechos do rio serão democratizados após a implementação do projeto? Quais serão as ações em relação à atual ocupação das margens? O projeto levou em consideração as populações que vivem nas proximidades e dependem economicamente do rio?