4 DESIGN THINKING E SUAS CONTRIBUIÇÕES INSPIRADORAS DA INOVAÇÃO ESCOLAR
4.4 DO CONTEXTO DOS PROJETOS
4.4.1 Projeto Design Thinking para Formação Continuada
Outro desafio foi o fato dos professores não se conhecerem devido ao quadro distributivo semanal das aulas que viabilizava dois dias diferentes da semana para realização das ATPC. Reconheciam a importância de elaborar projetos conjuntos e compartilhar suas experiências, mas, tal possibilidade ficava difícil de se viabilizar, surgindo assim, a ideia da criação e disponibilização de um Centro Virtual de Formação Permanente, que permitisse resolver alguns dos problemas e comunicação entre a gestão da escola e entre os próprios professores. Projeto –
Design Thinking para Formação Continuada/Roteiro de estruturantes teórico-
metodológicos para elaboração do projeto pedagógico da Escola com o Centro Virtual de Formação Permanente (Moodle).
Para tanto, ao final do segundo semestre de 2014, ouvidas as sugestões para criação de espaço virtual para escola, o Grupo Alpha e todos seus pesquisadores, de forma interdisciplinar e colaborativa montaram o Centro Virtual de Formação Permanente (CVFP) (Anexo E).
Figura 4.1 – Centro Virtual de Formação Permanente
O CVFP foi elaborado com os professores incluindo o formato, os espaços e os conteúdos que deveriam constar de um ambiente virtual para escola além da discussão sobre os recursos existentes para incrementar possibilidades de comunicação e intercâmbio entre eles e seus projetos (chat, fórum de discussão,
wiki, mensagens). Foram agregados a disponibilidade de comunicação também
pelas redes sociais como o whatsapp (tanto para os professores das oficinas, incluindo a equipe gestora) como para os alunos participantes das oficinas.
Para este projeto de investigação foi desenvolvido um Moodle conhecido como Centro Virtual de Formação Permanente, gerenciado em seus conteúdos pelos pesquisadores do Grupo Alpha da Faculdade de Educação (Diretório de Pesquisas do CNPq), do qual participa o pesquisador, sob a perspectiva de cursos de extensão à comunidade externa de pesquisa.
Diante dos desafios identificados tanto por professores como pelos alunos, como os problemas de comunicação entre os professores, devido ao tipo de contrato na rede estadual, que não permite o encontro coletivo nas ATPC, surgiu a ideia de se usar um ambiente virtual para fortalecer a comunicação entre eles e também com a equipe gestora (direção e coordenação pedagógica).
Foi identificado que os órgãos responsáveis pela escola não ofertam curso de formação continuada na escola e os professores demonstraram que esta seria uma oportunidade para voltar estudar a distância, dado ao número insuficiente de computadores na escola (15) para toda demanda de alunos e professores.
As mudanças ocorridas no sistema de ensino brasileiro, pelo menos em seus documentos oficiais, preveem o uso das TDIC. Um dos recursos que pode ser utilizado coma função de estreitar ou aproximar o diálogo e os conteúdos de formação e de comunidade de prática não podem prescindir dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem, conhecidos como AVA. Tal aspecto relaciona-se à ausência de mudanças nas grades distributivas semanais dos componentes curriculares das escolas e no escasso tempo dedicado às ATPC (Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo).
Dessa forma, o AVA teve por objetivo cobrir tal lacuna de falta de tempo nas escolas bem como propiciar um ponto de encontro entre professores que não tem a oportunidade de reunirem-se fisicamente por questões de agenda. O ambiente pode ser utilizado para apoiar as atividades individuais e coletivas realizadas tanto em sala de aula quanto a distância.
O STOA, serviço da USP que gera Moodle para cursos de extensão assumiu a responsabilidade de implantar um ambiente virtual para uso dos professores e equipe gestora. Este ambiente é acessado como Centro Virtual de Formação Permanente (CVFP).
Uma das plataformas mais utilizadas para alicerçar Ambientes Virtuais de Aprendizagem é o Moodle (Modular Object-Oriented Dynamic Learning
Environment), um software livre, de apoio à aprendizagem e trabalho colaborativo,
acessível pela Internet. O Moodle, também conhecido como Learning Management
System (LMS), favorece uma aproximação aos pressupostos de abordagem sócio-
construtivista por meio da disponibilização de recursos de fácil aprendizagem e interface amigável tanto para professores como para estudantes.
De acordo com a comunidade oficial do Moodle, o objetivo de um AVA é disponibilizar aos educadores os melhores recursos para ofertar possibilidades de estudo e de compartilhamento das práticas docentes e discentes.
Essa plataforma foi colocada à disposição de toda a comunidade USP e faz parte do projeto STOA, vinculado à Coordenadoria de Tecnologia da Informação (CTI). De acordo com a página oficial do projeto, o STOA é uma rede social dos estudantes, professores, funcionários e ex-membros da USP cujos objetivos são promover uma maior interação entre os membros da comunidade USP, criar um espaço onde cada membro tenha uma identidade digital de fácil acesso, tanto para quem está dentro da USP, quanto para a comunidade externa, e fornecer um sistema de softwares que facilite aos professores a administração de seus cursos para os estudantes.
O Moodle do STOA possui módulos de recursos e atividades que podem ser usados em qualquer curso cadastrado na plataforma. Neste projeto na Escola Fernando Nobre, após fase de ambientação, os professores e equipe gestora poderiam deliberar sobre os recursos que desejam para as atividades previstas para uma Formação Permanente como a utilização dos recursos: Chat, Fóruns de discussão, Questionário, Tarefa e Wiki.
Aos docentes foram apresentadas as possibilidades de acesso às informações que poderiam complementar a desejada formação permanente, solicitada pelo diretor da escola e aprovada pela Secretaria de Educação como Projeto Especial vinculado ao Projeto Político-Pedagógico da Escola.
Os dados coletados pelo AVA poderiam apoiar o processo de avaliação e de elaboração das Oficinas Curriculares de Tempo Integral da escola com o compartilhamento entre os professores do desenvolvimento dos projetos.
De acordo com Bassani e Behar (2009), o entrecruzamento dos acessos e número de mensagens postadas (dados quantitativos) com o conteúdo (dados qualitativos) pode potencializar a avaliação da aprendizagem conquistada por ações de formação permanente apoiada pelos recursos do AVA.