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Projeto do Complexo Gás Químico do Rio de Janeiro

No documento Gas natural : perspectivas e utilização (páginas 106-111)

7 Novos Projetos

7.4 Projeto do Complexo Gás Químico do Rio de Janeiro

Características Gerais

O projeto do Complexo Gás - Químico do Rio de Janeiro contempla a implantação de um complexo industrial destinado à produção de 540000t/ano de polietileno linear de baixa densidade e de alta densidade, em área situada próximo à REDUC (Refinaria de Duque de Caxias), no Distrito de Campos Elíseos, Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro.

A matéria-prima básica será constituída por uma carga mista de etano e propano, que será fornecida pela Petrobras através da REDUC, no limite da cerca, em frente ao terreno do Projeto. Esta carga será inicialmente processada em uma unidade de pirólise (steam-cracking), dimensionada para produzir 500000t/ano de eteno, que será totalmente consumido na unidade de polimerização.

As unidades auxiliares, utilidades, prédios administrativos e infraestrutura serão comuns às duas plantas e, em conjunto com elas, constituem o projeto, cujo investimento total estimado é da ordem de US$988 milhões e o início de operação está previsto para o início do ano 2004.

A concepção do projeto e as tecnologias a serem adotadas lhe conferem características de atendimento à preservação do meio ambiente que podem ser classificadas como pioneiras em empreendimentos congêneres no Brasil.

A configuração do projeto caracteriza a integração entre a produção do polietileno e a produção de sua matéria-prima, o eteno, cujas plantas serão construídas no mesmo local e operadas em conjunto, propiciando menor custo de produção e maior controle da qualidade e da quantidade dos produtos.

As tecnologias adotadas para obtenção de eteno através da pirólise de matéria-prima proveniente do gás natural e para a produção de polietileno por processo de polimerização em fase gasosa representam uma solução inovadora no Brasil, ecologicamente mais limpa, com grande vantagem sobre as tecnologias atualmente utilizadas pelas indústrias petroquímicas no Brasil.

As matérias-primas básicas que compreendem o etano e o propano derivados de gás natural, serão fornecidos exclusivamente pela Petrobras, através da REDUC. A quantidade e qualidade requeridas estão garantidas através de Contrato de Suprimento, assinado em 25 de janeiro de 2000.

Originalmente, o projeto previa uma capacidade de produção de 400000t/a de polietilenos, tendo passado para 500000 t/ano, devido à maior disponibilidade de gás na Bacia de Campos.

Devido à utilização de carga mista (etano/propano), a unidade de pirólise produzirá, além do eteno, propeno (70000t/ano), que será vendido para a Polibrasil, próxima às instalações da Rio Polímeros.

Na concepção atual do projeto serão ainda gerados outros subprodutos: hidrogênio (10000t/ano) e gasolina de pirólise (37000t/ano). Parte do hidrogênio gerado (5000t/ano) será consumido nas unidades do projeto e o restante (5000t/ano) será vendido para a REDUC. A gasolina de pirólise será também destinada para a REDUC, para ser incorporada ao pool de gasolina da refinaria.

Para a implantação do projeto (engenharia, procura e comissionamento) foi selecionado o Consórcio ABB Lummus/Snamprogetti, no qual a ABB Lummus lidera e responde pelo contrato global, nesse consórcio, a Snamprogetti é a empresa credenciada pela Union Carbide para construção e montagem de processos com a tecnologia Unipol. O prazo global máximo de implantação do projeto, garantido pelo consórcio, é de 40 meses a partir do início dos serviços. A partida da planta (start-up) está prevista para o 34º mês, e a operação comercial para o 36º mês.

Durante a implantação está prevista a geração de 4000 a 5000 empregos, enquanto que, na fase operacional serão gerados cerca de 400 empregos diretos. O porte do projeto terá, com certeza, um efeito multiplicador considerável, especialmente levando-se em consideração a elevada capacidade de produção. Há expectativa de que sejam atraídos para o Estado do Rio de Janeiro, em especial para as proximidades de Duque de Caxias, um número considerável de novos transformadores, para consumir parte da produção de polietilenos. Além disso, a simples movimentação de mais de 500000t/ano de resinas abrirá grandes oportunidades na área de distribuição e transporte do produto.

Localização

O projeto Rio Polímeros já nasceu com sua localização definida, uma vez que a fonte de sua matéria-prima principal, o gás natural, está no Estado. Em termos de microlocalização, a definição por Duque de Caxias deve-se ao fato de que existirá grande interação com a refinaria Duque de Caxias da Petrobras.

Além disso, o Rio de Janeiro tem todos os requisitos para viabilizar um projeto de escala internacional de polietilenos, como o da Rio Polímeros, porque estarão conjugados aqui os fatores de diferenciação que são a base da competitividade industrial:

- proximidade da fonte de matéria-prima; - proximidade do mercado;

- produção integrada.

A área destinada à implantação do empreendimento localiza-se na Rua Marumbi, Campos Elíseos - Duque de Caxias, em terreno próximo à Nitriflex e Polibrasil, num total de cerca de 600000m2.

Esta área passou por um processo de desapropriação feito pelo Município de Duque de Caixas (Decreto 3177 de 8 de abril de 1998) que concedeu, através do Termo de Promessa de Cessão, o Direito Real de Uso, em 31 de julho de 1998, além de qualificar a respectiva área com destinação específica para a implantação do Pólo Gás - Químico do Rio de Janeiro (Decreto 3176 de 2 de abril de 1998).

A Promessa de Cessão de Direito de Uso, estabelecida por um prazo de 50 anos, renováveis por mais outros 50, foi transformada para cessão definitiva de direito real de uso e respectivo registro no registro de imóveis. Os documentos e decretos relativos a esse processo estão disponíveis. O projeto já obteve a licença de instalação da FEEMA, que permite o início da construção.

A Rio Polímeros, consciente da importância da integração empresa/município, patrocinou a elaboração de um plano diretor para o município de Duque de Caxias. Além disso, a Rio Polímeros assumiu uma série de ações de cunho social e ambiental para região, a serem desenvolvidas durante o período de construção e de operação, tais como:

- Programa Social que evite a favelização no entorno da obra;

- Prioridade de oferta de empregos para moradores do município; - Urbanização de ruas de acesso à planta;

- Instalação de um prédio para funcionamento de uma escola no município.

Tecnologia & Meio Ambiente

A tecnologia selecionada para pirólise de etano e propano proveniente do gás natural será licenciada pela ABB Lummus, consagrada mundialmente, valendo ressaltar que o craqueamento de cargas leves para obtenção de eteno apresenta enorme vantagem do ponto de vista de meio ambiente, com relação aos processos de pirólise de cargas líquidas utilizados nas centrais petroquímicas brasileiras, que processam nafta. A petroquímica à base de nafta gera toda uma série de compostos pesados (olefinas, parafinas e aromáticos), que não estão presentes na pirólise de cargas leves, como o etano e o propano.

Outra vantagem significativa, do ponto de vista ambiental, está na utilização de gás natural como combustível ao invés do uso tradicional de óleo combustível, eliminando a presença e a emissão de compostos de enxofre e material particulado. Além disso, serão adotados os mais modernos modelos de queimadores, que reduzem sensivelmente o nível de emissão de NOx para a atmosfera.

Para os polietilenos serão construídas 2 linhas de 270000t/ano cada, com tecnologia do tipo fase gasosa, que apresenta grande vantagem sobre os processos em fase líquida, solução e lama, pois não existe a necessidade de utilização de solventes, cujas etapas de recuperação geram efluentes muitas vezes agressivos ao meio ambiente. Além disso, como os solventes daqueles processos são geralmente produtos inflamáveis, o risco fica também bastante reduzido no processo em fase gasosa. Foi selecionada a tecnologia da Univation Technologies (uma associação entre a Union Carbide e a Exxon). (Gilda Bouch – 2001)

Capítulo 8

No documento Gas natural : perspectivas e utilização (páginas 106-111)

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