5 CONTROLADOR REPETITIVO PREDITIVO
5.4 CONTROLADOR FPGPC REPETITIVO
5.4.1 Projeto do Controlador R-FPGPC Adaptativo
No controle repetitivo, o parâmetro N = Tp/Ts é fundamental
à rejeição de perturbações periódicas. Isto é devido ao fato de N ser utilizado no cálculo do gerador de sinais periódicos da perturbação, ∆N, o qual é inserido na malha de controle. Porém, para que um
valor adequado de N seja calculado, é necessário conhecer a frequência do sinal periódico da perturbação, isto é, a perturbação precisa ser conhecida.
O controle repetitivo é interessante em aplicações onde a frequên- cia da perturbação é conhecida, por exemplo, em cirurgias auxiliadas por robôs, onde os movimentos cardíacos (frequência fundamental da componente cardíaca) são conhecidos e considerados pelo sistema de controle como uma perturbação. Mas se a frequência da perturbação é desconhecida, o cálculo do valor de N não é realizável.
A literatura apresenta diversos trabalhos considerando valores de
N fixos, em aplicações onde a frequência da perturbação é conhecida
antecipadamente (LEE; NATARAJAN; LEE, 2001;GINHOUX et al., 2003a; OTT et al., 2008;WANG et al., 2016a), mas até o momento, nenhum ou
poucos trabalhos foram encontrados em que a frequência da perturba- ção é desconhecida e o projeto do controle repetitivo é empregado.
Esta subseção apresenta uma estrutura de controle repetitivo baseado no projeto do R-FPGPC com N adaptativo. O objetivo é estimar o sinal da perturbação, para um cálculo adequado da largura do sinal periódico N e, consequentemente, do gerador de sinais periódicos ∆N, podendo assim, tratar perturbações periódicas com incerteza no
valor da frequência.
O formalismo de projeto do R-FPGPC utilizando uma aborda- gem adaptativa para N, é semelhante ao apresentado na Seção 5.4, a diferença porém, está em utilizar as medidas dos sinais de saída do sistema, y k, e do modelo do processo, ym k, para calcular o sinal
estimado da perturbação, do k, e extrair a frequência deste sinal. A
Figura (56) mostra o diagrama de blocos do projeto de malha de con- trole, no contexto adaptativo, denominado FPGPC repetitivo adapta- tivo (Adaptive Repetitive Filtered Positional GPC - AR-FPGPC).
Algumas considerações sobre a estrutura de controle AR-FPGPC são importantes enfatizar:
i) o valor de N é calculado através das medidas dos sinais de saída do sistema, y k, e do modelo do processo, ym k. Estas medidas são empregadas para calcular o sinal estimado da perturbação,
do k= y k − y
m k
, e posteriormente extrair a frequência do sinal da perturbação periódica. As medidas dos sinais de saída não são utilizadas no tempo total da simulação, mas somente o tempo suficiente para extrair a frequência da perturbação; ii) esta proposta de malha de controle só é factível para tratar per-
+
-
-
+-
Cálculo do parâmetro N FPGPCProcesso
Modelo AR-FPGPC Modelo + + +Figura 56 – Diagrama de blocos do controlador AR-FPGPC.
desenvolvido, é para detectar o período do sinal da perturbação estimada, Tp, sendo impraticável aplicar este algoritmo em siste-
mas com perturbações constantes ou ruídos;
iii) não é necessário conhecer a frequência da perturbação, isto é, pode-se lidar com qualquer tipo de perturbação de natureza pe- riódica;
iv) a janela do gerador de sinais periódicos N, deve ser maior ou igual a janela do horizonte de predição da saída Ny (N ≥ Ny), devido
a construção da resposta livre no projeto do R-FPGPC, onde o vetor da resposta livre, Φf, que é composto pelos preditores
ˆ
φ k + j
, deve está no intervalo entre [1, Ny]. Desta forma, é
possível uma efetiva rejeição da perturbação;
v) com o sinal “estimado” da perturbação, do k, é possível extrair
o período deste sinal, Tp, e portanto calcular um adequado valor
de N = Tp/Ts(N deve ser um número inteiro);
vi) se a função de transferência do modelo é bem definida, então o sinal y k ≈ ym k
, e portanto, a perturbação “estimada”
do k ≈ do k. Isto significa que para um modelo de ordem redu-
a frequência da perturbação seja calculada adequadamente e o controlador possa assegurar rejeição de perturbações periódicas; vii) o projeto do AR-FPGPC é diferente do apresentado por Ott et al. (2008) e Ginhoux et al. (2003a). Nestes trabalhos, um GPC incremental repetitivo (R-GPC) é proposto utilizando ambos, o operador diferencial, ∆, e o gerador de sinais periódicos, ∆N,
na função custo do R-GPC (malha repetitiva), alcançando um projeto mais complexo. A abordagem adaptativa não é imple- mentada, sendo necessário conhecer a frequência da perturbação. As simulações exploradas são específicas para a área médica; viii) o objetivo nesta tese é controlar processos com diferentes dinâmi-
cas, diversas formas de sinais de referência e perturbações perió- dicas, utilizando uma abordagem adaptativa.
Algumas questões importantes em relação aos projetos descritos neste capítulo são:
i) o parâmetro N = Tp/Ts define o tempo da rejeição da pertur- bação. Os parâmetros dos controladores I-FPGMV, RI-FPGMV, FPGPC e R-FPGPC e dos filtros, Kα, α q−1e Kα, α q−1de-
finem a precisão do rastreamento de referência e a magnitude da rejeição da perturbação;
ii) as sínteses de projeto dos controladores GMV e GPC, na aborda- gem posicional ou incremental, combinadas com o projeto de con- trole repetitivo, são pouco exploradas na literatura de controle, especialmente utilizando filtros como parâmetros de ponderação para ajuste de estabilidade, desempenho e robustez. As represen- tações na forma polinomial RST, Figuras (54) e (55), das malhas de controle repetitiva global, também são pouco discutidas; iii) os projetos dos controladores I-FPGMV, RI-FPGMV, FPGPC
e R-FPGPC, inseridos na malha de controle repetitiva global e a sintonia “ótima” dos parâmetros dos filtros destes controlado- res utilizando-se otimização multiobjetivo baseada em algoritmo genético, também são contribuições desta tese. Todos os resulta- dos de simulação empregam a otimização de Kα, α q−1, Kα e α q−1
, Capítulo 2 (Seção 2.8), como sintonia destes parâmetros; iv) o projeto do R-FPGPC na contexto adaptativo também é uma contribuição desta tese, pois o controle repetitivo básico ou com- binado com outras técnicas de controle, tem como limitação o
conhecimento da perturbação periódica como um fator de pro- jeto indispensável, ou seja, é necessário ter previamente definido o período do sinal periódico, Tp, para que o valor de N possa ser
calculado antecipadamente, gerando assim a lei de controle; v) a condição de análise para garantir o offset-free são as mesmas
apresentadas na Seção 3.2, para o controlador FPGMV, e na se- ção 4.2, para o FPGPC. A diferença é que nos projetos do RI- FPGMV e R-FPGPC, a referência é periódica ou não periódica, a perturbação é periódica e um gerador de sinal periódico é es- truturalmente embarcado nos projetos destes controladores; vi) o grau do polinômio SGMV q
−1é igual a n
sGMV= na+ N − 1; vi) os graus dos polinômios RGPC q−1
e SGPC q−1
são iguais a
nrGPC= nsGPC = na−1, sendo na, o grau do polinômio Arp q −1.
5.5 RESULTADOS DE SIMULAÇÃO