Capítulo IV – Opções metodológicas
6. Instrumentos de recolha de dados
6.4. Fontes documentais
6.4.1. Projeto Educativo de Escola
Macedo (1995) refere que nas palavras de Alarcão e Tavares (2003) o Projeto Educativo de Escola constitui o documento que traduz a política educativa da instituição escolar, porquanto constitui um reportório relativamente coerente de ideias e princípios norteadores dos objetivos a atingir.
De acordo com Macedo (1995: 113) o Projeto Educativo de Escola é o “cerne da política da escola-política distinta e original de cada comunidade educativa, definida na gestão de tensões positivas, princípios, normas nacionais e objetivos, necessidades, recursos e modos de funcionamento específicos de cada escola”.
O seu enquadramento legal, o Decreto-Lei n.º 43/89 de 03 de fevereiro, constitui um dos primeiros diplomas que faz alusão ao Projeto Educativo de Escola, explicitando no prefácio a sua relação com a autonomia da escola:
A autonomia da escola concretiza-se na elaboração de um Projeto Educativo próprio,
constituído e executado de forma participada, dentro de princípios de responsabilização
dos vários intervenientes na vida escolar e de adequação a características e recursos da
escola e às solicitações e apoios da comunidade em que se insere.
Este normativo, no artigo 2.º, refere que na autonomia da instituição de ensino está subjacente a capacidade de construir um Projeto Educativo de Escola em prol dos discentes e através do contributo de todos os membros da comunidade educativa.
Segundo Barroso (1992) o Projeto Educativo de Escola advém da aliança de duas questões de natureza distinta, consubstanciadas na lógica do desejo e na lógica da ação.
A primeira traduz o anseio de modificar uma determinada situação que está em conformidade com as finalidades de todos os membros da comunidade escolar. O envolvimento num projeto deve emergir de um propósito criativo, da sua orgânica e da empatia demonstrada por ele. A lógica da ação resulta da vontade de desenvolver um projeto que esteja em conformidade com as solicitações do momento e as prospetivas. Todavia, o Projeto Educativo de Escola pode ser infrutífero em qualquer uma destas lógicas, e portanto tem de ser percecionado concomitantemente como um processo e um resultado da planificação que tem a finalidade de orientar a estruturação e as funções da instituição para alcançar determinadas metas.
Com o advento da autonomia nos estabelecimentos de ensino, é imperativa e indispensável, a realização de um Projeto Educativo de Escola que explicite a identidade da instituição escolar, que torne eficiente a sua ação e que traduza uma notável contribuição para a renovação e qualificação do processo educativo. Se a exigência que se impõe à escola é a de refletir sobre si própria, é fundamental que esta coloque em questão a sua ação, determine os seus objetivos e defina critérios que possibilitem, num processo ininterrupto, a aferição do nível de afastamento em relação às metas que se propôs atingir e aos resultados obtidos.
Se as finalidades da instituição escolar são a educação e a instrução por meio do currículo, logo, o Projeto Educativo de Escola deve centrar-se na forma como se encontra estruturada a escola, de modo, a definir situações propícias à aprendizagem e ao desenvolvimento, as quais dão vida ao currículo estabelecido. Este deve ser compreendido de uma forma mais ampla, como o reportório de aprendizagens instigadas pela instituição escolar e entendidas como socialmente indispensáveis num determinado momento e situação (Alarcão & Tavares, 2003).
Os autores estabelecem uma coerente analogia entre a ideia de escola reflexiva e a ideia de Projeto Educativo de Escola. A escola reflexiva tem a aptidão de pensar em si própria de modo a examinar-se, progredir e projetar no futuro. O Projeto Educativo de Escola é o reflexo dessa aptidão, pois consubstancia-se na projeção futura e na visão estratégica do que se aspira para a instituição escolar. Uma visão interpretativa da sua finalidade, fundada nos princípios pelos quais se regem todos os intervenientes do processo e da comunidade educativa.
Desta visão ampla advêm políticas e metas que contextualizam o planeamento das ações operacionais e determinam mais especificamente o conjunto de objetivos e de
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estratégias, com as quais se devem ponderar os recursos de que se dispõe ou que são indispensáveis no momento presente ou no futuro.
O Projeto Educativo de Escola percecionado como um produto constitui um documento que emerge de um processo reflexivo e do desejo em materializar na atuação, um projeto específico e concreto, que se traduz num modelo regulador da ação e avaliação. A realização deste documento constitui um processo que reclama a participação de diversos sujeitos, a concordância de valores e perspetivas, o diálogo esclarecedor da reflexão e da concertação de escolhas, materialização da cidadania e florescimento da reflexão crítica, pragmática e realista. Nele subjaz um autêntico espírito social da instituição que atribui aos intervenientes do processo educativo um significado relevante.
Canário (1992) enumera algumas das características inerentes a um Projeto Educativo de Escola: trata-se de um processo dinâmico que explicita uma noção do seu desenvolvimento prospetivo, mediante escolhas pedagógicas que constituem prioridades de ação. Os estratagemas de atuação fomentam o uso dos equipamentos e instalações de que a escola dispõe, potenciam a instituição escolar a interagir com o contexto envolvente e assentam na incitação dos atores educativos definindo contextos para a sua iniciativa e crescimento pessoal.
O Decreto Legislativo Regional 21/2006, de 21 de junho, artigo 3.º, esclarece que compete ao Conselho Executivo, auscultado o Conselho Pedagógico, realizar e submeter à aprovação do Conselho da Comunidade Educativa o Projeto Educativo de Escola, porquanto este constitui
[o] documento que consagra a orientação educativa da escola, elaborado e aprovado pelos
seus órgãos de administração e gestão para um horizonte de quatro anos, no qual se
explicitam os princípios, os valores, as metas e as estratégias segundo os quais a escola
se propõe cumprir a sua função educativa.