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3 - ACHADOS DE AUDITORIA

IV. PROJETO EXECUTIVO

Em fiscalizações anteriores do Tribunal de Contas da União no Pisf, foram apontadas deficiências no projeto básico do empreendimento, que estão sendo tratadas, juntamente com outras irregularidades, no TC 011.616/2010-5 (Eixo Norte), em andamento nesta unidade técnica. Na presente fiscalização, verificou-se que as modificações e/ou indefinições em soluções de projeto, o descompasso entre as etapas de detalhamento do projeto executivo e a execução das obras, bem como a falta de padronização entre os projetos eletromecânicos e os projetos das fabricantes dos equipamentos, aliados à dificuldade de compatibilização desses projetos com as obras civis, são fatores que têm contribuído de forma relevante para o atraso no andamento das obras. Registre-se que, nem sempre, as inconsistências acima descritas estariam associadas às deficiências no projeto básico. Prova disso foi possível verificar na Carta 1210-CAR-1001-00-00-126 (CTR 2504), de 26/1/2010, em que a projetista do Trecho I solicita a celebração de aditivo de prazo em virtude do atraso no fornecimento dos projetos mecânicos dos fabricantes de equipamentos para a elaboração da interface com as obras civis. Outras correspondências da referida projetista relatam a relação de dependência entre as informações a serem fornecidas pelos fabricantes de equipamentos contratados pelo MI e a finalização de determinados projetos, a exemplo da Carta 1210-CAR-1001-00-00-129 (CTR 2514), de 28/1/2010. Tais acontecimentos demonstram os problemas de compatibilização entre as partes responsáveis por repassar informações necessárias para a consecução dos projetos e a empresa responsável pelo processamento dessas informações, com vistas à conclusão do projeto executivo. Esses atrasos resultaram na prorrogação de 20 meses no prazo de duração do contrato de elaboração de projeto executivo, formalizada por intermédio de quatro aditivos, segundo o relatório 1376-REL-3200-00-00-025-R00, elaborado pela gerenciadora em janeiro/2012.

No tocante aos atrasos na entrega dos projetos, o Memorando 139/2008 (CES0129), de 24/11/2008, do consórcio construtor do Lote 1 é elucidativo a esse respeito. Nessa correspondência, o consórcio apresenta uma extensa relação de elementos de projetos que deveriam ter sido entregues até 30/10/2008, e aduz que a empreitada está sendo realizada sob a incerteza decorrente da intempestiva entrega dos citados projetos, o que ocasiona a ociosidade dos equipamentos e mão de obra disponíveis, tendo solicitado, ainda, o empenho para obtenção dos projetos faltantes, de modo a regularizar a execução do empreendimento.

Além desses dois aspectos (dificuldades de compatibilização entre os projetos eletromecânicos e as obras civis e o descompasso entre as etapas de detalhamento do projeto executivo e a execução das obras) que impactaram o cronograma do empreendimento, as modificações de projeto ocorridas durante a execução da obra e as indefinições de projeto decorrentes da demora do MI em definir soluções técnicas também contribuíram para esse quadro. Essas carências estão registradas nas correspondências fornecidas pelo MI ou constantes dos processos administrativos de gestão dos lotes de obras civis, conforme se depreende dos exemplos descritos a seguir.

No decorrer da execução do Lote 1, o túnel Angico (WBS 1405) teve a sua concepção alterada, sendo substituído por um canal a céu aberto. A aprovação dessa alteração ocorreu em 12/5/2010, por meio da Nota Técnica CGOP 8/DPE/SIH/MI. A justificativa para essa alteração foram os resultados de novas sondagens, indicativos de que o tratamento necessário para execução do túnel exigiria medidas mais severas e complexas de estabilização do maciço. Conforme registrado no referido documento, o estudo comparativo entre as soluções em túnel e em canal indicaram que a segunda alternativa seria mais econômica do que a primeira. Frisa-se que a definição dessa solução técnica foi aprovada após decorridos 29 meses da celebração do contrato para execução desse lote de obras.

De forma semelhante, durante a execução do Lote 3, avaliou-se a substituição do segmento em aterro do canal CN 14 (WBS 1218), situado entre as estacas 4974 e 5025, por aquedutos. A indefinição com relação a esse segmento perdurou por 25 meses após a celebração do contrato. Entretanto, ao término desse período, essa opção foi descartada, conforme exposto no Ofício 124/2010-CGOC/DPE/SIH/MI, de 27/9/2010.

No Lote 4 as seções típicas de projeto dos segmentos WBS 1220 (CN 17) e 1221 (CN 18) constam dos arquivos 1210-DEP-1220-04-57-001-R02 e 1210-DEP-1221-04-46-004-R02, respectivamente. As versões iniciais desses documentos datam de 15/8/2008, e a primeira revisão de ambos ocorreu em 23/1/2009 (revisão "para construção"). Durante a execução desses segmentos, constataram-se divergências entre os perfis geotécnicos apresentados no projeto executivo e o material efetivamente encontrado resultando em proposta de alteração na metodologia de escavação das seções de corte em material de 1ª, 2ª e 3ª categorias feita pelo consórcio construtor. A projetista do Trecho I manifestou-se favorável à proposta de alteração feita pelo consórcio construtor nas seções em corte no segmento WBS 1221, por meio da Nota de Obra 1210-NTO-0026-R00, de 7/4/2010 (posteriormente, essa nota foi substituída pelo documento 1210-NTO-1221-04-46-001-R02, de 15/6/2010).

Nesse mesmo lote, especificamente no segmento WBS 1220, o consórcio construtor, por meio da correspondência CL/407-CSF-L04/10/199, de 14/6/2010 (p.1771-1792), com anuência da supervisora (carta 1320-CAR-1001-20-04-0314, de 16/6/2010 p. 1763-1770), propôs a modificação da seção típica do citado segmento de canal. Na Carta 1210-CAR-1001-00-00-178 (p. 1794-1795) a projetista manifestou concordância com uma das alternativas sugeridas pelo consórcio construtor e informou que encaminharia orientações por meio de uma nota de obra. Posteriormente, em 30/6/2011, a projetista, realizou análise de estabilidade, por solicitação do MI (feita em 25/1/2011), com vistas a definir uma seção típica alternativa para o canal WBS 1220 com nível de segurança adequado (documento 1210-NTC-1201-00-40-041-R00). Assim, verifica-se que cerca de quinze meses após a elaboração dos documentos de projeto, foi identificada a necessidade de revisão das seções tiveram que ser revistas em virtude de divergência entre o projeto executivo e os aspectos geotécnicos encontrados na execução, com impacto negativo no cronograma das obras.

A exemplo do relatado anteriormente, no Lote 6, depreende-se do Ofício CGOP 61/DPE/SIH/MI que, em março de 2010, dezessete meses após a celebração do contrato, ainda não estavam definidas as jazidas de material de empréstimo (argila, areia e pétreo). Nesse ofício, o então Coordenador Geral de Obras e Projetos solicitou a contratação de consultoria especializada para identificar jazidas, promover analise de disponibilidade, assim como avaliar a consistência do balanço de massa apresentado pela projetista do Trecho II. A motivação seria o grande número de revisões de projeto o que poderia

comprometer o andamento das obras. Na Ata ATS00252, de 14/11/2011, registra-se a indefinição da solução do trecho de canal WBS 1234 (CN 28), uma vez que gerenciadora defendia a alternativa em canal enrocado e a projetista havia detalhado a solução do projeto básico, em canal revestido. Observa-se que, passados mais de trinta meObserva-ses da celebração do contrato ainda existiam indefinições significativas sobre a escolha da opção construtiva a ser detalhada no escopo do projeto executivo. No Lote 7, é possível observar que persistem indefinições de projeto relativas ao segmento de canal WBS 1238 (CN 33) e ao aqueduto Piranhas (WBS 1314). De acordo com a Nota Técnica 77/2011/CGOC/DPE/SIH/MI (CTR05303), de 16/5/2011, as incertezas existentes na análise de estabilidade dos taludes do citado canal, a possível inexequibilidade do orçamento do aqueduto (orçado no projeto básico em R$ 7.936.017,00 contra R$ 39.652.000,00 do projeto executivo) e a modificação no cenário energético brasileiro atual em contraponto com aquele da época em que o projeto básico foi concebido, justificam a elaboração de um novo estudo de alternativa do traçado desse canal, bem como da viabilidade da usina hidrelétrica - UHE - Ávidos I e da manutenção do aqueduto, de modo a embasar uma possível otimização do projeto dessas estruturas (canal, aqueduto e UHE). Essa proposta deve-se ao fato de que a concepção do projeto básico (canal em meia encosta associado a um aqueduto de cerca de 700 m de extensão e altura superior a 50 m) justifica-se apenas se houver aproveitamento hidrelétrico na Usina Hidrelétrica - UHE - Ávidos I. Da leitura dessa nota técnica verifica-se que, decorridos quase trinta meses da celebração do contrato, será necessária a elaboração de estudo de alternativa de traçado para posteriormente ser detalhado no projeto executivo, e por fim ser executado. Ressalta-se, nesse ponto, que as obras do Lote 7 estão paralisadas e que o consórcio construtor manifestou a intenção de rescindir o contrato. Dessa forma, considerando a intenção do MI de fazer nova licitação para a execução do remanescente da obra, faz-se necessário que a abertura da nova licitação somente ocorra após a solução técnica do problema supramencionado, a fim de evitar a repetição das irregularidades ocorridas na execução do contrato em apreço, no futuro ajuste.

Verificando as estruturas inseridas na Meta 3N, verifica-se que apenas parte do Lote 7 está inserida no cronograma previsto de término para o 4º trimestre de 2015. As estruturas WBS 1238 e 1239 não estão ínsitas nessa meta, não se podendo prever o prazo de término delas. Tal fato pode ser explicado pela demora na definição sobre a solução a ser adotada, o que prejudica o funcionamento do projeto como um todo.

O contrato do Lote 14 foi celebrado em 29/1/2009, porém a primeira ordem de serviço foi emitida em 15/3/2010. Além de problemas com desapropriação, consta do Parecer 209/2009-CGOG/DPE/SIH/MI, que os projetos de detalhamento dos túneis (Cuncas I e Cuncas II) estavam previstos para serem entregues em novembro ou dezembro de 2009. Todavia, o referido documento registrou ainda que a elaboração do projeto dependia da execução de serviços geotécnicos não previstos no contrato com a projetista, que também pleiteava aditivo contratual para o projeto da janela de acesso ao ponto central do túnel Cuncas I (com cerca de 15 km de extensão), de modo a permitir a sua execução por meio de quatro frentes de serviço. A título de exemplo, verifica-se que o documento "Implantação e Seções do emboque do Túnel Cuncas - Contenção do Talude" (1220-DES-1410-20-15-001-R05) teve a sua emissão inicial em 31/5/2010, quando decorridos dezesseis meses da celebração do contrato de obras civis, sendo que as obras do emboque foram iniciadas em agosto de 2010 (boletim de medição 5).

Ante o exposto, verifica-se que o ritmo de elaboração do projeto executivo, seja pelo atraso na entrega dos elementos de projeto, ou pelo atraso no recebimento de informações dos fabricantes de equipamentos e o respectivo detalhamento da compatibilização dos equipamentos hidromecânicos com as obras civis, bem como pela morosidade na definição de soluções de projeto, como acima relatado, impactaram no cronograma de execução das obras, conforme registrados pelos gestores, empresas supervisoras, projetistas, e consórcios construtores.

Outra situação ensejadora de atrasos refere-se ao subtópico V, relativo aos preços novos, que está desenvolvido em documento anexo à situação encontrada do presente achado de auditoria.

Por fim, registra-se que as consequências da atuação intempestiva do MI podem ser observadas em detalhes no desenvolvimento dos tópicos apresentados como anexo ao presente achado.

TABELA 1 - RESUMO DOS CONTRATOS DE OBRAS CIVIS PARA EXECUÇÃO DA PRIMEIRA ETAPA DO PISF LOTE DE OBRAS INSTRUMENTO OBJETO/ESCOPO NÚMERO VALOR INICIAL

VALOR COM ADITIVOS

EXECUTOR

EMPRESAS

ASSINATURA

PRAZO INICIAL TÉRMINO PREVISTO (inicial) TÉRMINO PREVISTO (após último

aditivo de prazo)

1ª ORDEM DE

SERVIÇO

LOTE 1

Contrato para execução de obras civis, instalação, montagem, testes e comissionamento dos

equipamentos mecânicos e

elétricos do

Lote 1

.

Execução de oito segmentos de

canal;

Aquedutos: Logradouro, Saco da

Serra, Mari e Terra Nova; Estrutura de Controle do Reservatório Tucutu;

Travessias, Pontes e Passarelas.

45/2007 238.595.399,50 262.081.873,69 CCASF CARIOCA/S.A PAULISTA/SERVENG. 31/12/2007 40 meses 30/4/2011 30/10/2012 21/1/2008 LOTE 2

Execução de obras civis, instalação, montagem,

testes e comissionamento

dos equipamentos

mecânicos e elétricos do

Lote 2

.

seis segmentos de Canal;

Barragens: Terra Nova, Serra do

Livramento e Mangueira;

Aqueduto Salgueiro;

Estrutura de Controle do

Reservatório Serra do Livramento; Travessias, Pontes e Passarelas.

25/2008 212.146.218,49 219.357.275,53 CCASF CARIOCA/S.A PAULISTA/SERVENG. 1/8/2008 40 meses 30/11/2011 30/11/2012 24/7/2008 LOTE 3

Execução de obras civis, instalação, montagem,

testes e comissionamento dos equipamentos mecânicos e elétricos do Lote 3 .

dois segmentos de Canal;

Barragem e Diques Negreiros;

Estrutura de Controle do Reservatório Negreiros;

Travessias, Pontes e Passarelas.

26/2008 151.560.256,64 157.033.920,62 ECAR ENCALSO/CONVAP/ARVEK/RECORD 28/7/2008 40 meses 27/11/2011 30/4/2012 8/9/2008 LOTE 4

Execução de obras civis, instalação, montagem,

testes e comissionamento

dos

equipamentos mecânicos e

elétricos do Lote 4.

05 (cinco) Segmentos de Canal;

Barragem e Dique Milagres; Túnel

Milagres; Galerias Milagres; Estrutura de Controle do

Reservatório Milagres; Travessias,

Pontes e Passarelas. 27/2008 185.972.519,37 206.229.429,25 ECAR ENCALSO/CONVAP/ARVEK/RECORD 28/7/2008 40 meses 27/11/2011 30/4/2012 8/9/2008 LOTE 5

Execução de obras civis, instalação, montagem,

testes e comissionamento

dos

equipamentos mecânicos e

elétricos do Lote 5.

04 (quatro) Segmentos de Canal; Reservatórios: Jatí, Atalho, Dique Porcos, Cana Brava, Cipó, Boi I e II; Estrutura de Controle dos Reservatórios Porcos e Boi II; Travessias, Pontes e Passarelas.

30 meses

LOTE 6

Execução de obras civis, instalação, montagem,

testes e comissionamento

dos equipamentos

mecânicos e elétricos do

Lote 6.

06 (seis) Segmentos de Canal;

Aquedutos: Boi Pinga e

Catingueira; Galeria Sobradinho;

Travessias, Pontes e Passarelas. 32/2008 223.442.484,35 265.385.925,21 Consórcio Nordestino EIT/DELTA/GETEL 13/10/2008 40 meses 13/2/2012 11/8/2012 30/10/2008 LOTE 7

Execução de obras civis, instalação, montagem,

testes e comissionamento

dos equipamentos

mecânicos e elétricos do

Lote 7.

05 (cinco) Segmentos de Canal; Reservatórios: Morros e Caiçara; Aquedutos: Piranhas; Tomada d’água para UHE Ávidos I; Travessias, Pontes e Passarelas.

33/2008 170.473.826,20 170.473.826,20 CCASF CARIOCA/S.A PAULISTA/SERVENG. 31/12/2008 40 meses 30/4/2012 12/2/2012 20/5/2009 LOTE 8

Execução de obras civis, instalação, montagem,

testes e comissionamento

dos equipamentos

mecânicos e elétricos do

Lote 8.

Estações de Bombeamento: EBI-1,

EBI-2 e EBI-3. 25/2011 275.928.262,39 275.928.262,39 Consórcio Mendes Júnior/GDK Mendes Júnior/GDK 5/10/2011 40 meses 4/2/2015 4/2/2015 3/11/2011 LOTE 14

Execução de obras civis, instalação, montagem,

testes e comissionamento

dos equipamentos

mecânicos e elétricos do

Lote 14.

Túneis Cuncas I e Cuncas II.

35/2008 203.323.452,84 252.899.082,62 CCL 14 CONSTRUCAP/FERREIRA GUEDES/ TONIOLO BUSNELLO 29/1/2009 40 meses 28/5/2012 28/5/2014 15/3/2010

O Edital 1/2010 foi revogado. Até o momento não

ANEXO 2 - CONTINUAÇÃO DAS CONSIDERAÇÕES DA EQUIPE NO CAMPO "SITUAÇÃO ENCONTRADA" DO ACHADO 3.1

Achado 3.1 - Inadequação das providências adotadas pela Administração para sanar interferências que possam provocar o atraso da obra.

V. PLEITOS DE PREÇOS PARA SERVIÇOS NOVOS

Outra situação ensejadora de atrasos nas obras do Eixo Norte do Pisf foram as dificuldades de negociação de preços para execução de serviços não previstos inicialmente nos contratos firmados. Tal ocorrência deve-se, em grande parte, aos serviços não contemplados nas planilhas contratuais originais, provenientes dos quantitativos do projeto básico. Entretanto, mesmo no Lote 8, licitado com base no projeto executivo, existem pleitos relativos a serviços novos.

Inicialmente, verificou-se que a tramitação da aprovação de preço para um serviço novo tinha início com a solicitação do consórcio construtor acompanhada de justificativa, quantificação e proposta de preço. Esse pleito passava por análise da supervisora, da gerenciadora, e também por servidores do MI. Posteriormente, após avaliação do preço do serviço no âmbito do Ministério, essa documentação era encaminhada para o consentimento do consórcio, já que, nesse procedimento, ocorria modificação no preço inicialmente proposto pela construtora. Ao final, celebrava-se termo aditivo contemplando o preço e a quantidade do serviço. Posteriormente, por meio do Ofício 277/DPE/SIH/MI (CES1098), de 26/11/2009, estabeleceu-se nova sistemática, excluindo-se a gerenciadora do processo e incluindo o fiscal do contrato, o qual é responsável pela emissão de parecer com análise sobre a oportunidade, interesse e relevância do MI em aprovar o serviço e adequar as quantidades, bem como incluiu a comissão permanente de licitação para conhecimento do orçamento preliminar e, posteriormente, emissão de parecer final sobre o preço aprovado. Em momento posterior, o MI criou uma comissão consultiva específica para subsidiar a análise desses pleitos, com emissão de parecer conclusivo a ser submetido ao Secretário de Infraestrutura Hídrica (Portaria 76/SIH/MI, de 22/7/2010).

O sucesso da negociação de preços novos foi bastante variável em função das partes envolvidas em cada lote: consórcio construtor, supervisora, gestores. Em se tratando do Eixo Norte, até o momento, os Lotes 1, 2, 6 e 14 tiveram preços novos aprovados. Enquanto que o Lote 7, embora tenha como responsável pela execução o mesmo consórcio construtor dos Lotes 1 e 2, não teve preço novo aprovado. Nos Lotes 3 e 4 também não houve sucesso na aprovação de preços novos.

Em seguida serão apresentados alguns casos de aprovação e de insucesso nessas negociações, registrando, exemplificativamente a duração desse procedimento em alguns casos concretos, haja vista a quantidade de documentação envolvida ao se considerar todos os pleitos realizados. Os dados aqui trazidos foram encontrados nos processos administrativos de gestão dos lotes, cujos registros variam conforme a atuação de cada gestor, e nas comunicações entre as partes envolvidas encaminhadas pelo MI.

No Lote 1, até o 6° Termo Aditivo (TA), foram aprovados 29 serviços novos, sendo que não constam dos autos os pleitos dos serviços que ainda não foram aprovados. Dentre esses serviços, citam-se "reescavação de estoque de material de 1ª e 2ª categoria" e "reescavação de estoque de material de 3ª categoria", cujas solicitações encontram-se nas Cartas 104 e 105/2008, ambas de 22/9/2008, tendo sido acrescidos ao contrato por ocasião da celebração do 2° TA, em 16/12/2009, quase quinze meses após o pleito. Por sua vez os serviços "fornecimento e assentamento de geocomposto drenante" e "execução de drenos longitudinais com tubo de PVC helicoidal, diversos diâmetros" e "fabricação, transporte e lançamento de concreto estrutural 35 MPa" foram pleiteados por meio das Cartas 10/2009, 19/2009 e 36/2009, de 6/7/2009, 11/8/2009 e 18/11/2009, respectivamente. Esses serviços foram incluídos no contrato após a celebração do 3° TA, em 2/9/2010, após quase quatorze meses da primeira solicitação. Já o serviço "execução de tubulões" foi objeto de pleito constante da Carta 25/2009, de 25/8/2009, e aditado ao contrato quando da celebração do 5° TA, em 27/1/2012, ou seja, trinta meses após do pleito inicial.

Por sua vez, no Lote 2, que guarda semelhança com o Lote 1 pelo fato de ser executado pelo mesmo consórcio, foram aprovados quinze serviços novos até o 4° TA, sendo que não constam dos autos os pleitos dos serviços que ainda não foram aprovados. Dentre esses serviços, citam-se os tubulões para fundações dos aquedutos, "fornecimento e assentamento de tubos de concreto armado d=400 mm, classe PA04", "fornecimento e assentamento de geocomposto drenante", "execução de drenos longitudinais com tubo de PVC helicoidal, diversos diâmetros" e "fabricação, transporte e lançamento de concreto estrutural 35 MPa", cujos pleitos do consórcio foram feitos por meio das Cartas 29/2009, de 15/9/2009, 31/2009 e 32/2009, ambas de 18/9/2009,

36/2009, de 30/9/2009, e 39/2009, de 10/12/2009. Todos esses serviços foram acrescidos ao contrato por ocasião da celebração do 4° Termo Aditivo, em 27/1/2012, ou seja, 28 meses após o primeiro desses pleitos. No que se refere ao Lote 6, foram encaminhados para análise e aprovação do MI quinze serviços novos até a celebração do 4° TA. Dentre esses serviços, citam-se "execução de drenos 'finger', "escavação de material de 3ª categoria, carga e transporte até 1km", "fabricação, transporte e lançamento de concreto estrutural 35 MPa", "preparo e tratamento superficial em solo para aterros compactados", "reescavação em estoque de material de 1ª e 2ª categoria, carga e transporte até 1km", cujos pleitos do consórcio foram feitos por meio dos documentos OF. GC 190/2010 de 16/3/2010 e OF. GC 192/2010 de 13/4/2010. Esses serviços foram acrescidos ao contrato por ocasião da celebração do 3° Termo Aditivo, 16 meses após o primeiro desses pleitos.

Quanto aos demais lotes, não se observou a aprovação de preços novos, apresar de existir no processo a documentação com pleitos relativos a esse tema.

O contrato do Lote 3, que se encontra em procedimento de rescisão, não teve nenhum preço novo aprovado, segundo a resposta ao item iv, constante da Nota Técnica 101/2012/CGOC/DPE/SIH/MI (anexa ao Ofício 165/SIH/MI, de 28/5/2012). De acordo com o anexo II da Nota Técnica 8/2012/CGOC/DPE/SIH/MI, de 15/2/2012, que analisou a possibilidade de rescisão contratual após a negativa do consórcio construtor de celebrar aditivo prorrogando a vigência do Contrato 26/2008, existem quase duzentas solicitações de preços novos.

No que diz respeito ao Lote 4, que guarda semelhança com o Lote 3 pelo fato de ser executado pelo mesmo consórcio, também não houve aprovação de qualquer preço novo (segundo a resposta ao item iv, constante da Nota Técnica 101/2012/CGOC/DPE/SIH/MI - anexa ao Ofício 165/SIH/MI, de 28/5/2012). De acordo com o anexo II da Nota Técnica 9/2012/CGOC/DPE/SIH/MI, de 15/2/2012, que analisou a possibilidade de rescisão contratual após a negativa do consórcio construtor de celebrar aditivo prorrogando a vigência do Contrato (Carta CL/407-CSF-L03/12/653, de 13/2/2012), existem 275 solicitações de preços novos.

Com relação ao lote 7, verificou-se que por intermédio da Correspondência SL7-1406-C-33-11-DESMOBILIZAÇÃO, integrante do Relatório de Andamento 1335-RAN-1001-00-02-033-R00, a construtora solicitou a aprovação do MI para os seguintes serviços novos: execução de bueiros, inclusão do concreto com resistência a compressão simples (fck) 35 MPa, escavação de valas de ancoragem para geomembrana, escavação de vala para dreno, filtro horizontal sanduíche para barragens e diques, assentamento de tubo de concreto, perfuração em rocha para injeção de calda de cimento, ensaios de perda d'água e escavação, carga e transporte de solo mole com distância média de transporte (DMT) até 1 km. Os pleitos ocorreram entre julho de 2010 e

No documento RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO - SINTÉTICO (páginas 33-99)

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